Boletim 2008

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> Prisão Especial para Mulheres...

> Aumento das Mulheres no Mundo do Crime

> Criminalidade Feminina

> Entrevista com uma Reeducanda

> A Gravidez no cárcere

> Estrangeiras detidas no Brasil

> A mulher na condição de presa tem remuneração? Qual o valor?

> Remissão de Pena

> Qual a perspectiva da mulher na prisão?

> Violência, uma grande ferida dentro da Sociedade.

> Depoimentos

> O Voluntariado Mais Difícil de ser exercido

> Por que Reabilitar?

> Biografia: Dr. Maurício Kuehne (Responsável pelo DEPEN)

> Saiba um pouco mais sobre o nosso Ministro da Justiça: Dr. Tarso Genro

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Prisão Especial para Mulheres...

Elizabeth Misciasci

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Tendo como objetivo cumprir o que determina o Código de Processo Penal e outras Leis, garantindo o pleno Direito a cela Especial, a Secretária de Administração Penitenciária, de São Paulo, inaugurou em 2007 uma cela diferenciada para receber reeducandas com direito a esta concessão.

Esta ala, foi construída próxima ao setor de administração da Unidade Prisional Feminina Sant’Ana, ainda na antiga gestão administrativa da Unidade, sob a Direção Geral da funcionária mais antiga e respeitada do Sistema Prisional Feminino: Drª. Maria da Penha Risola Dias.

Situada a Avenida: General Ataliba Leonel 656- Carandiru São Paulo/Sp, a P.F.S. como é chamada. Ocupa desde o final de 2005, as dependências da Antiga Penitenciária do Estado de Sp, após uma séria e complicada modificação na estrutura do prédio. O intuito seria oferecer o mínimo de dignidade a Mulher na condição de pessoa presa, (uma vez que neste contexto cruel, chamado cárcere para mulheres, onde o tratamento é completamente diferenciado do Masculino, chegando a ser extremamente rígido, impiedoso, desestruturado e degradante em muitas regiões do País), porém, constatou-se após minuciosas analises, e ocorrências registradas, exemplos inequívocos de desrespeito às especificidades femininas que inevitavelmente transpareceram. Mesmo sendo uma iniciativa que tinha por meta reintegrar o feminil, o feito não acrescentou benefícios tendo resposta inversa ao esperado; uma vez que não contemplou as especificidades femininas nem tampouco a função social de ressocialização e reeducação atribuída à pena de privação de liberdade. Não trata-se de incompetência dos Dirigentes e Funcionários da Unidade, contrariamente! Ocupando a função de Diretor Geral Dr. Mauricio Guarnieri, afirmamos (que assim como a Dra Maria da Penha Risola Dias) trilhou uma carreira brilhante, com vasta e bem sucedida jornada no Sistema. Por tratar-se do Maior complexo Prisional Feminino da América Latina.

Com capacidade para receber e manter sob a guarda do Estado 2.400 mulheres, a unidade é composta por três pavilhões, (sendo que originalmente quando era ocupada pela massa carcerária masculina, a indicação capacitaria não excedia 1.200 acomodações)... Obviamente, que há muito esta marca de 2400 mulheres aprisionadas, ultrapassou e muito a “suposta capacidade”.

A violência institucional, praticada por agentes do Estado contra as mulheres encarceradas é freqüentemente relatada às organizações da sociedade civil a que elas têm acesso e o uso da força física é o instrumento de autoridade, reforçando o poder sobre as nossas reeducandas, tudo isso seguido de outras barbáries, vindas desde as práticas de castigo e humilhação contra as mulheres encarceradas. Estes fatos se mostram freqüentes em nível de instituição prisional feminina, onde essas atitudes, somadas a amplitude da tortura utilizada sempre como meio das mais absurdas ameaças, abre precedentes, ações e espaço a outras formas de se vilipendiar o sexo feminino sem nenhum pudor de punição do praticante, que é o constrangimento moral e Sexual, com a prática ativa da pior forma de violência: A sexual.

É lamentável, o íngrime aumento das Mulheres no Mundo do Crime, o que representa um aumento de prisões de mulheres em um percentual tão considerável, que várias unidades estão programadas para serem infelizmente inauguradas em breve.


Também não podemos deixar de informar um aspecto positivo, pois estra sendo recordista os andamentos processuais nas Varas de Execuções femininas, com a concessão já em tempo de muitos benefícios.

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Aumento das Mulheres no Mundo do Crime

Na última década, a população carcerária feminina cresceu consideravelmente. Se estabelecermos um parâmetro comparando em números percentuais, os presídios de mulheres aumentaram para acolherem o número de encarceradas, aproximados 60% a mais que a masculina. Mesmo sendo uma estatística assustadora, as mulheres continuam representando uma parcela muito pequena da população carcerária brasileira, no entanto, muito diferente do que se esperava, e caminhando para um numerário ainda maior, contrariando o que poderíamos prever. Alguns acreditam até que a crescente participação feminina no mercado de trabalho, nos espaços públicos, na política, enfim, possibilitou também a coragem em meio às conquistas e oportunidades de se cometer crimes, até mesmo para “desafiar” provando como efeito, um menor grau de tolerância do Sistema de Justiça Criminal para com os delitos cometidos pelo sexo feminino.

Este aumento de mulheres presas na última década se deu pelo grande número de condenações por posse, uso e tráfico de drogas. O perfil foi mudando, assim como os delitos; crimes que, (nem mesmo poderiam ser caracterizados como tal), por se tratar mais de questões políticas e ideológicas, em função da repressão nos anos 70, levavam muitas mulheres injustamente para os cárceres, o equivalente a 10%. Já no final da década de 80, representavam 28% das condenações e em 2004 passaram a representar 60% do ingresso do sexo feminino nos cárceres. O que em meados do ano de 2006, já despertava relevantes preocupações, pois além de haver uma marcha rápida para o aumento de mulheres envolvidas com o mundo do crime, estes também já se transformavam, passando para uma outra ação delituosa de participação feminina ativa, ou seja, mulheres que antes eram detidas em sua maioria, por crimes passionais e tráficos de drogas, tornaram-se atuantes em crimes diversos, como assalto a bancos e seqüestros. O fato das mulheres ocuparem posições subalternas ou menos importante na estrutura do tráfico, por exemplo, tendo poucos recursos para negociar sua liberdade quando capturadas pela polícia, sem condições para a contratação de um defensor, contribuiu para se "explicar" ou tentar “justificar” parcialmente este aumento e conseqüente mudança.

Os seqüestros e extorsões eram praticamente crimes inexistentes em sentenças condenatórias femininas, hoje, porém, já existem diversas sentenças sendo proferidas em escalas progressivas referentes a estes tipos de crime, que refletem de forma significativa nas condenações com extorsões e mediantes a seqüestros.

Hoje, assustadoramente, existem aproximadamente vinte e oito mil mulheres presas no Brasil. A maioria, detida e sentenciada pelo tráfico.

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Criminalidade Feminina

Uma grande parte das mulheres que ingressam no sistema prisional, trazem um histórico de violência sofrida, algumas nos próprios lares, vítimas de maus-tratos ou abuso de drogas (próprio ou de familiares próximos).

Obviamente que isso não significa que estas situações possam ser consideradas como totalmente responsáveis pela criminalidade ou diretamente causadoras da entrada no sistema penal, pois fazer tal afirmação seria ignorar que a maior parte das mulheres vítimas da violência e agressão; assim como as dependentes químicas, que estão fora dos presídios, por não possuírem antecedentes criminais, nem infringido as nossas leis.

O que podemos entender é que a prisão, tanto pela privação da liberdade, quanto pelos abusos que ocorrem em seu interior, na maioria das vezes, ocasionados pelas próprias apenadas entre si, constitui mais um elo seqüencial de múltiplas violências, que acabam delineando a trajetória de uma parte da população feminina.

O ciclo da violência, que se iniciava na família e nas instituições para crianças e adolescentes, perpetuavam-se no casamento, desdobrava-se na antiga ação tradicional das polícias e se completava nas penitenciárias, nos levando a crer que recomeçaria provavelmente, na vida das futuras egressas (ex-reeducandas).

O Projeto zaP! Busca chamar a atenção para a manutenção da população prisional feminina, que por ser muito pequena se comparada à masculina, nunca mereceu uma atenção específica e isso, não falamos nem nos referindo aos órgãos responsáveis, englobamos aqui o abandono, o descaso, a discriminação dentro da própria comunidade.

O pouco voluntariado voltado para as encarceradas, alguns Projetos sociais que não atendem unidades prisionais femininas, entidades, que dificilmente se interessam em trabalhar com Mulheres e só com insistente apelo, nos apóiam em algumas necessidades.

Até então, não se percebia pessoas efetivamente preocupadas em compreender os motivos e circunstâncias em que mulheres praticavam crimes, e muito embora nosso empenho seja total, dificilmente encontramos ajuda no sentido de prevenir a criminalidade feminina, ou apoio para manter e ampliar o projeto, que tem por prioridade específica ser direcionado as mulheres nas condições de presas.

Esta é uma realidade que o Projeto zaP! Vai tentando mudar, pois aos poucos, vamos conseguindo trazer amigos para as prisões femininas, pedindo parcerias para empresários, conquistando e os convencendo para implantação de mais oficinas de trabalhos, e fazendo junção com as entidades religiosas, no sentido de incentivarmos mudanças, e ampliarmos para outros estados, pois sabemos que provocamos mudanças benéficas que comprovadamente contribuem de forma positiva para a reinserção social e o fim da reincidência. Pois não podemos permitir inertes, que mais Mulheres ingressem no mundo do crime, ou depois de cumprirem suas penas, retornem ao cárcere por novo delito.

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Entrevista com uma Reeducanda

- Por que e como entrei para o mundo do crime?

Em forma de uma breve entrevista, fiz algumas perguntas a uma egressa, meu objetivo é tentar mostrar através dela, alguns fatores que podem levar uma mulher para o mundo do crime, como é adentrar as muralhas e lá sobreviver... Claro que todos os casos são diferenciados, mais vale a pena ler a história desta moça. Ainda "carregada" na gíria e usando algumas palavras que evito publicar, mesmo porque, nem todas usam mais o dialeto do cárcere, porém, pra não perder o teor de seu depoimento, deixei na íntegra e me antecipo a desculpar-me por determinados termos aqui transcritos. Aí vai... {Elizabeth Misciasci}

- Qual o seu nome?

- O que te levou a cometer crimes?

- Qual foi a sensação no momento em que teve a certeza de que ficaria presa?

- No que você pensou na hora da prisão?

- A mulher muda o hábito sexual dentro da cadeia?

- Quais as verdades e mentiras deste lugar?

*”-Bem, meu nome é Verônica e tentarei falar um pouco do que 'eu' fiz, vi e vivi.
A mulher sempre foi o que é hoje. Não nos modernizamos completamente e não aprendemos a fazer tudo o que fazemos hoje de repente. Sempre soubemos e nunca tivemos uma oportunidade.

A sociedade nos posicionava como tolinhas, bobinhas, covardes e imputava-nos a obrigação de sermos submissas.
Com o tempo criamos coragem e resolvemos lutar de igual para igual, a fim de conquistar um lugar que era nosso mais que pôr sermos tolinha, não poderíamos ocupar.

Sempre fomos capazes más a nós somente era dado o direito de ouvir e de pensar.
Hoje não a mulher já tem o poder das palavras e de se manifestar.
Prostitutas existiam mesmo na época de Cristo. Mulheres já se vendiam aos monarcas, já existia o homossexual, tanto de homens como de mulheres, como existia Sodoma e Gamorra.

Então a mulher não se transformou da noite para o dia...
Nas experiências que tive, conheci mulheres que praticaram os mais diversos tipos de crimes.

A mulher seja ela qual for mesmo as que estiveram ou ainda vivem no mundo do crime, antes de praticá-lo, tiveram seus sonhos, pleitearam formar uma família ajudar seus entes e muitas vezes frustradas se entregaram. Umas nos vícios outras no crime, já outras em fanatismo religioso, enfim...

Eu tinha uma amiga de cela que realizou seu sonho, casou-se e teve três filhos, só que depois dos sonhos vieram os pesadelos. Casou-se com um traficante e um dia a “casa caiu...” Ela não era diretamente do crime, apenas sabia dos atos ilícitos do marido e aceitava, permitindo que a droga fosse passada dentro de sua casa. Foi presa junto com o marido e assinou um “doze”. {Drogas /Entorpecentes}

Conheci muitos casos, uns tristes e outros bárbaros. Têm muita menina que para se livrar dos problemas de casa, como exemplo, o pai alcoólatra do tipo que espanca a mãe, sai de casa e tenta se virar como pode...Quando dá sorte, se acerta na vida e vira o orgulho da família. Porém, quando não se tem a mesma felicidade, cai na prostituição nas drogas ou no crime.

No meu caso foi “f....”, porque eu tive uma boa formação cheguei até a faculdade, só que eu não era cheia da “grana” como os outros colegas que conviviam comigo.
Daí um dia “pintou” um “tremendo lance”, era rolos na minha cabeça estava “clareando a minha luz” para tirar “o pé da lama”.

Na época, eu trabalhava como auxiliar de enfermagem. Comecei com pequenos roubos, uma caixa de remédios aqui, outra ali... A “achava o maior barato” a emoção do perigo e ainda ganhava um dinheiro extra, ’ porque eu conseguia vender o que eu furtava numa farmácia nas redondezas de casa.

O “camarada” da farmácia sabia de onde vinham as coisas e comprava assim mesmo.

Aliás, coisas roubadas sempre conseguem ser vendidas para os famosos “receptadores”, que sabem a origem do produto e pagando um preço muito mais baixo, comercializam, a fim de tirar vantagens, pôr isso vira uma bola de neve.

Bom lá no hospital em que eu trabalhava, conheci um “cabrinha”, ele tinha contatos com uns “gringos” que compravam crianças e mulheres que poderíamos dizer, serem rejeitados palas mães e pela sociedade, foi ai que entrei nessa. Era dinheiro alto e fácil, na minha cabeça eu estaria fazendo uma boa ação e ganhando uma boa grana, toda transação era feita com a autorização da própria mãe, que também levava o dela, e das mulheres, que queriam sair do Brasil e comercializar seus corpos se prostituindo, já que alegavam estar passando fome e não tendo retorno financeiro à prostituição aqui.

Na minha cabeça o fato das crianças e das mulheres, não terem uma vida digna e um futuro totalmente incerto me tranqüilizava, tirava qualquer tipo de dor, remorso de consciência.

Só que um dia uma “p...” que vendeu um filho, muito doido na “nóia” querendo comprar um “pico”, resolveu dar uma de arrependida, queria mais dinheiro, passando a nos “chantagear” e como não iríamos “comer chantagem de ninguém” a “lazarenta” foi na delegacia e deu queixa de seqüestro, para piorar ainda fez o nosso retrato falado.

A “Federal é “broca”, pegou agente no ato da entrega, armou a cama e fez a “fita cair”“. Fiquei oito anos no “fechado” sem poder fazer nada. Minha família deu assistência, não me cobraram nada más o silêncio e a vergonha falou mais alto em mm.

Tem família que abandona legal, não querem nem saber, más a minha foi ”super cem” chegou junto.

Na hora em que vi as algemas presas em meus braços, senti tanto medo que até hoje, nem sei explicar direito o tamanho do sentimento de inferioridade que me invadiu.

Quando fui para a cela e a noite começou a dar sinais de que existia, ai meu... Eu chorei... Chorei tanto... E juro, juro que me arrependi, pois foi naquele momento que eu descobri que, um pão com ovo ou até mesmo um simples pão seco, poderia ser a refeição mais requintada que um ser humano poderia ter quando se tem a liberdade.

Desejei qualquer coisa menos estar naquele lugar.

Acho que a minha ambição era grande mais não o bastante para viver na vida do crime, eu não tinha a menor condição de permanecer trancada num lugar daquele, cavado com as minhas próprias mãos.

Trabalho dignifica o homem claro que sim e é bonitos pensar assim e o certo, só que num País onde as oportunidades são tão mínimas e as perspectivas ainda menores, buscar trabalho para quem ainda não tem, chega a ser sinônimo de morrer de fome.

Dentro da cadeia a solidão bate de frente e ai as coisas começam a “rolar” na sua cabeça, de uma maneira muito doida. Tem mulher que sonha dia e noite em ganhar a liberdade e em voltar para o marido, amante namorado essas ai... Coitadas! Na maioria das vezes são “trouxas”. Pensam que o “cara” está lá esperando e mal sabem que já arrumaram mais de mil na rua. Nunca aparecem para visitar e a pobre infeliz acha que eles estão na maior ansiedade para vê-las de volta.

Essas com certeza se “masturbam” sozinhas. Existem as mulheres mais “fogosas”, mais quentes que não conseguem viver sem uma vida sexual ativa, não se importando se está transando com um homem ou com uma mulher, querem apenas amenizar a sua vida na cadeia. Não que esta tenha tendência ao lesbianismo, mais pôr ser a única maneira lá dentro da cadeia de sentir carinho e prazer...
Embora seja difícil de acreditar más na cadeia também existem mulheres inocentes, sabiam?

As mais espertas vão consolando... Consolando... Até que um belo dia “crawl”, elas passam a “lábia” e as bobinhas caem como “sapas”.
Parece incrível mais umas que assumem um papel de proteção tão fiel que cuidam de suas mulheres melhor que muitos homens, que se for necessário matam e morrem pôr elas.

Eu sempre respeitei todas as minhas companheiras e fui respeitada, não tive problemas desta natureza. O meu namorado foi preso comigo, mais depois de três meses parou de me escrever não procurei saber noticias, ouvi apenas alguns boatos e não me aprofundei, dizem que “rodou na cana” sei lá, fiquei na minha.

Tive uma grande amiga, mais tudo no respeito, amiga de verdade. Foi presa pôr estar num assalto a banco, na “fita” do assalto ela era o “cavalo”, que era o carro quente da fuga teve perseguição na fuga e uma “barca” deu uma fechada em seu carro e ela trocou tiros com a polícia, acertando um policial que morreu na hora.
Tuca é o nome dela, foi pega e não teve nenhum tipo de “benefício”, acertou um funcionário do estado se deu muito mal.

Está até hoje no fechado, ”cumprindo de ponta”. Jamais abandonei esta amiga, estou sempre mantendo contatos, tenho certeza de que quando ela sair vai seguir a vida nos “conformes”. Hoje sofro a discriminação da sociedade ela existe é real...

As pessoas não aceitam conviver normalmente com ex. – presidiárias, na teoria fala se muito, mais na prática, a credibilidade não existe. São raras as exceções. Ah! E digo mais, a mulher é muito mais discriminada do que o homem.

Hoje vou me virando vendendo roupas. Isso porque tenho que agradecer todo a participação e a força da minha vida a minha família que me deu condições de recomeçar e a tentar resgatar minha dignidade.

Na verdade tudo o que vocês ouvirem contar de ruim de uma cadeia podem acreditar mais tudo que for dito de bom tem que ser muito bem “checado”, porque se o inferno fosse bom e as passagens pelas cadeias fossem gratificantes, o Diabo jamais brigaria com Deus pelo poder do “Céu”.

Não sei se posso ajudar com o meu relato, porém, isso é tudo o que eu tenho a dizer de tudo que fiz e vi na vida do crime.

Fui condenada a oito anos de prisão no regime “fechado” por infringir a Lei em vários Artigos. Entre estes:- Art. 231 do Código Penal-“

Qual o maior problema que a mulher enquanto pessoa presa enfrenta?

A Solidão, o abandono e a falta de trabalho são agravantes conseqüentes que muitas vezes chegam posteriormente á prisão, se agravando quando esta toma ciência da sentença penal condenatória. Algumas reeducandas reclamam de sofrerem sevícias, contudo, a Mulher, normalmente se apresenta discreta para tratar o assunto, assim sendo, como ocorrem, aonde ocorrem e porque ocorrem, são assuntos até hoje NÃO PROVADOS e quando relatados, são de forma amigavelmente pessoal, o que não nos permite trair a ética e o respeito, para passar adiante algo que só poderá servir de especulações para muitos. Principalmente, porque algumas alegam o medo das represálias. O maior problema enfrentado pela mulher encarcerada é a condição em que ficam seus familiares após sua prisão (as que possuem). A separação dos filhos, para a maioria é uma das dificuldades mais complicadas e dolorosas, pois o processo de adaptação e superação dos problemas mostra-se em muitos casos irreversíveis.

A Mulher, enquanto casada ou amasiada, dificilmente consegue manter sua relação quando detida, pois se este, não for do crime, ou não tiver nenhum envolvimento com o delito da sua companheira em raríssimas exceções a amparam. Há casos, em que o parceiro, apóia visita, presta toda a assistência a Mulher, inclusive assume no lar o papel de pai/mãe. Porém, a maioria, ou nunca mais retorna, ou com o tempo vai se esquivando até o total esquecimento e abandono.

A falta de trabalho, também afeta de forma problemática, pois muitas dependem da ocupação não só para saírem da ociosidade, mas com uma atividade, adquirem capacitação profissional, ganham remissão de pena e o mais importante e necessário, conseguem oferecer uma pequena fonte de renda para o sustento de sua família.

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A Gravidez nos presídios

A mulher gestante que se encontra na condição de presa, tem o direito garantido pela Constituição Federal de 1988, (Artigo 5º-L -CF) e pela L.E.P. (Lei de Execução Penal V. Art.89, Lei 7.210/84) de ficar com o seu bebê durante o período de aleitamento materno, porém, esse direito pode ou não ser praticado dentro da unidade onde a reeducanda grávida cumpre sua pena desde que este estabelecimento prisional, tenha estrutura suficiente para proporcionar uma permanência saudável tanto para a mãe quanto para o seu bebe.

Alguns presídios brasileiros, não conseguem atender prontamente o que é determinado na Lei, o que ás vezes pode tornar tardia o processo da amamentação; para que muitas prisões não cumpram em tempo hábil exatamente o determinado, não vem da má vontade ou desrespeito ao direito constitucionalmente garantido. O que provoca neste trajeto o tardio, emana no fato de que as mães que devem permanecer com seus bebes dentro das unidades em que cumprem suas penas, necessitam aguardar vagas em locais apropriados que possam oferecer o mínimo para um período salubre e conveniente. Por não serem todas as unidades prisionais femininas estruturadas para acolher mãe e filho, para que o direito seja garantido também de fato, e para que a gestante na condição de presa e seu bebe, possam receber condições mais dignas recebendo assistência adequada, tanto na área médica, quanto psicológica e acompanhamento que possa garantir a saúde de ambos, surge a indispensável necessidade de transferir mãe e bebe. Estes então, acabam obrigatoriamente sendo recambiados para as penitenciárias que possuem centro hospitalar, ou maternidade, para então sim, receberem os devidos cuidados.

Em alguns estados, há os hospitais para tratar da gestante, do seu filho e permitir que o aleitamento materno seja incentivado e exercido de forma saudável, eliminando completamente a possibilidade da mãe na condição de presa conceber uma vida dentro de um estabelecimento prisional, ou ter que permanecer com a criança dentro de uma cela para alimenta-lo.

No estado de São Paulo e mais especificamente na Capital, (isso até o final do ano de 2004) a interna era recolhida próximo dos dias previstos para dar a luz e encaminhada ou para a Penitenciária Feminina da Capital (PFC Carandiru) ou para o Casmin, na Penitenciária Feminina do Butantã, isso quando estas não eram internas destas próprias unidades. Uma vez que, ambas unidades prisionais, possuíam maternidade e centro hospitalar para o acolhimento e tratamento do bebe e de sua genitora.

Com reformulações no sistema penitenciário feminino e coordenadoria de saúde dos presídios, este quadro se modificou ainda no final do ano de 2004. Centralizado então no Casmin (Centro de Atendimento Hospitalar para Mulher Presa) a maternidade e, passando a PFC a tratar doenças pré existentes, infecciosas e diversas, da mulher encarcerada.

O Casmin tornou-se uma unidade totalmente apropriada e única para oferecer toda a assistência necessária no período pós parto. O acolhimento da gestante e posteriormente o do bebe, não tem só como o objetivo garantir o aleitamento materno, mas sim oferecer a mulher e "nato" tratamentos variados, procurando atender as dificuldades destes, já que a gravidez no cárcere coloca a maioria das gestantes em condição delicada, necessitando esta de atendimento diferenciado e precisando de uma estrutura ampla, que forneça condições para que o período que permanecer com seu bebe, receba os cuidados apropriados, que vão desde o acompanhamento psicológico, até cuidados pediátricos para o recém nascido.

O Centro de atendimento a mulher presa (CASMIN) possui uma equipe de profissionais especializados, que tem também como responsabilidade oferecer condições saudáveis para a permanência de mãe e filho durante esta fase de amamentação, com a preocupação em manter a mulher preparada para não se compungir na triste hora da separação, quando o período garantido por lei, estiver chegando ao fim, período este que varia de Estado para Estado sendo estabelecido em São Paulo de quatro meses.

É um período especial, em que a reeducanda - gestante, não é vista como uma apenada nem tão pouco tratada na maioria dos casos como reclusa.

Se deixarmos de lado as grades e muralhas que separam as Mães presas da Rua, podemos afirmar que 98% dessas mulheres são tratadas como mães sem qualquer preconceito, pois este é de fato o momento sagrado, aonde o delito não recebe ênfase e sai do mérito, aonde mesmo que por um curto período inexiste na maioria dos casos, qualquer tipo de desrespeito ou promiscuidade.

Claro que existe até certo cuidado para com as mulheres que verdadeiramente são do crime, com a prevenção de que estas não usem a gravidez como um "benefício" ou um Alvará de soltura provisório.

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A separação após o parto

A Separação filho e mãe, após o período de aleitamento materno é um dos momentos mais dolorosos do cárcere feminino, pois os quatro ou seis meses que mães encarceradas permanecem com seus bebes, são diferentes da gestação e concepção extra grade.

A prioridade em mantê-los integramente juntos, faz com que este tempo seja sagrado e único, pois a única certeza existente é que logo haverá um adeus, que em milhares de casos, será para sempre. Em 98% dos casos os laços se fazem mais intensos, aonde um precisa incondicionalmente do outro, afetividade e amor que já nasce no útero seguindo lamentosamente durante a gravidez, que traz o peso da culpa que a mãe carrega. Condição muito além do sentimento maternal desenvolvido em lares perfeitos, com filhos sonhados e planejados.

Pois gerando uma vida nos cárceres e neste concebendo, a Mulher normalmente vislumbra neste novo ser, uma nova concepção de futuro, alterando conceitos e levando muitas a repensarem seus erros.

O que antes, não havia sido medido, torna-se arruinado e esta consciência é clara deixando que as próprias cobranças interiores de cada mulher grávida na condição de presa, se condene impiedosamente, para tentar pagar como pode seu erro.

Todas as culpas se atenuam, quando com o filho já nos braços, a mãe sabe que tudo se perdeu e que o destino injusto reservado para aquela nova vida, foi tudo o que ela ofereceu. Destino incerto quase sempre, condenando também aquele pequeno ser, seu fruto uma pesada sentença.

Na improrrogável hora da separação, a dor, o remorso a culpa, a perda mostra-se tão repleta de dor, que suas seqüelas e marcas irreversíveis, são indeléveis, eternas, que nenhuma sentença aplicada pelas leis do homem, podem ser mais pesadas.

Há casos, em que a mulher não suportando o tamanho de sua culpa e o sofrimento da saudade, pratica o suicídio, já que com a separação nada mais faz sentido.

Executar uma auto punição é a única forma de pagar pelo fracasso de ter provocado ou contribuído para que a seu filho lhe fosse retirado e jogado ao mundo.

Após a fase do aleitamento materno, se a mãe tem familiares, e estes que se
responsabilizaram pelos bebes, tudo fica mais fácil, ou menos dolorosos, pois estas crianças estarão sendo criadas no seio familiar.

Porém, nos casos em que as mães não tiverem ninguém para olhar por seu bebes, a condição única oferecida, acaba afetando de forma cruel todo um contexto, pois
estas crianças, normalmente serão encaminhadas para uma casa de apoio, com futuro incerto e muito provavelmente, se perderam daquelas que um dia lhe deram a vida, desaparecendo com paradeiro incerto e jamais sabido.

No Sistema Prisional de São Paulo, existe o Projeto acorde, que foi criado pela irmã Salete missionária da igreja Batista e que recebeu um grande incentivo e apoio dos órgãos governamentais. O trabalho do Acorde embora atualmente quase inutilizado (por muitas razoes, entre estas, a falta de verbas).

Seu objetivo para com as grávidas encarceradas, seria uma espécie de custódia do bebe enquanto a mãe cumpria sua pena, esta tutela, seria como a adoção (mesmo que provisoriamente) de algumas crianças rejeitadas ou sem familiares. A mãe que não tem com quem deixar ou entregar seu bebe após o período do aleitamento, passava a tutela de seus filhos para os pais provisórios, que assumem responsabilidades com a educação, formação moral e religiosa e a manutenção destas crianças, mantendo os laços entre mãe e filho, durante o tempo que for preciso.

Os pais provisórios aceitavam de forma consciente que as crianças ficariam sob sua guarda, e posteriormente, seriam devolvidas as mães biológicas. Era uma esperança para muitas, pois assim que estas deixassem os cárceres, provando que já teriam condições de manter seu(s) filho(s) não teria que passar por maias um processo doloroso e por inúmeras vezes irreversíveis...

Os casais (no ano de 2007 – confirmaram-se dois casos) que ainda estão na função de pais provisórios, honram o compromisso firmado, levando a criança para as visitas, propiciando condições dignas para a formação de seu caráter e criando de forma magnífica, responsável e humana o filho provisório que lhe fora entregue.
Contudo, o Projeto Acorde foi opção de acolhimento para poucos, pois seus recursos limitaram-se. Uma iniciativa de um trabalho necessário, que poderia se tornar gigantesco, não despertou interesse nos que poderiam colaborar com os “Filhos dos cárceres”....

Em cada dez casos de bebes gerados nos presídios, nove são afetados brutalmente, principalmente depois do desmame, fazendo com que a criança criada sem a presença materna, receba reflexos negativos, que podem provocar no futuro desta criança, seqüelas irreversíveis, como o sentimento de rejeição, a baixa estima, pouca concentração em atividades, dificuldade para se socializar e criar amigos, entre outros.

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Estrangeiras

A situação das estrangeiras se agrava ainda mais, quando conseguem um beneficio quase que impossível, como a liberdade condicional.

Sem endereço fixo no País, sem proposta de empregos, sem abrigo, sem comida, enfim, esta reeducanda se vê solitária e prefere cumprir sua pena de "ponta".
Sonhando com o regresso a sua terra natal, buscam um meio de subsistência e assim conseguir o dinheiro para a aquisição de seu bilhete aéreo, já que o consulado não tem facilidade para ofertar esta ajuda. Muitas entram em total desespero, por já terem cumprido suas penas e sem a mínima condição para que possam retornar ao seu lar, ou até mesmo permanecerem no Brasil, acaba encontrado, em voluntários ajuda.

Restando apenas para estas mulheres o apoio destes voluntários, que são integrantes de Projetos que não fazem parte do Governo como O Projeto zaP! Ou de membros de igrejas evangélicas, e isso são ações isoladas.


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A mulher na condição de presa tem remuneração? Qual o valor?

Sim. Deveria ser UM SALÁRIO MÍNIMO aproximadamente, respeitando assim a CLT, que sempre trouxe uma série de benefícios às unidades prisionais, as internas e principalmente a sociedade. No entanto, atualmente, poucas empresas estão dispostas a oferecer trabalho, e as reeducandas, que não conseguem uma atividade remunerada, trabalham com bordados, crochês, ou são “faxinas” e o fazem em compensação da remissão da pena.

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Remissão de Pena

A remissão de pena é a diminuição dos dias a serem cumpridos, ou seja, a cada três dias trabalhados equivale a um dia a mais de pena já cumprido.

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Qual a perspectiva da mulher na prisão?

Como cada caso REALMENTE é um caso isolado e este acompanhado de um histórico de vida diferente, o que se tornaria uma irresponsabilidade falar por tantas MULHERES, generalizando-as e esquecendo que dores, sofrimentos e perspectivas, são assuntos de natureza pessoal. No entanto, podemos dizer que pela maioria, existem perspectivas relacionadas aos familiares, sonham em voltar e recompensar o tempo. As que perderam os filhos, {se bem que, enquanto encontrar-se na condição de presa, automaticamente a guarda dos filhos deixa de ser desta} que foram encaminhados a instituições e abrigos acreditam que conseguirão revê-los, que tudo voltara ao normal e que não será tão difícil emprego e reintegração social.

Outras não sabem para onde irão...
Apegam-se em uma religião para garantir em "DEUS" um futuro longe das "tentações" materiais. Há as Escritoras, poetisas, cantoras, artistas plásticas, professoras, que colheram dos cárceres experiências que as torturaram, e que certamente não as permitirão transgredir novamente.

A Ressocialização é o MEDO e a REABILITAÇÃO é a VONTADE. Talvez o grande sonho (da maioria que consegue abrir seus corações) é encontrar uma forma de se redimir perante a sociedade e aos seus entes. Sonham em não serem marginalizadas, nem tão pouco rotuladas, porém a realidade é contraria quase sempre.

É lamentável a quantidade de pessoas que em pleno século XXI ignoram a pobreza e o crescente desenvolvido da violência nas ruas, (escolas de muitas) apontam, há os indivíduos que condenam e "recondenam" sem olhar o mal que estão fazendo tirando de um referencial marginalizado, discernimento suficiente para formar opiniões, e direcioná-las para outros, como se todas as pessoas fossem iguais, tivessem cometido os mesmos delitos e merecem uma eterna punição.

Enquanto houver apenas dedos apontados e mulheres servindo de instrumento, como objeto causador de delito nada adiantara todo o empenho feito pela REABILITAÇÃO, trabalho este que não se faz só, mas sim com pessoas que trabalham nos cárceres pelas Igrejas, pelo Voluntariado e pelas próprias unidades prisionais.

Acreditamos que as perspectivas destas MULHERES é se esforçarem para serem seres humanos melhores, porém, SEM UMA MÃO ESTENDIDA, um pedaço de pão, um D.V.C. MANCHADO, o latente abandono, falta de oportunidades e preconceitos seu lar será eternamente os cárceres... Esta não é a perspectiva destas MULHERES, elas querem e precisam de credibilidade. Agora... Quem mais vai dar?

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Violência, uma grande ferida dentro da Sociedade

Deveríamos entender que podemos e devemos tentar ao menos, mudar nossa postura dentro da sociedade, sendo agentes transformadores. Se passarmos a olhar o que vem acontecendo com o País, de forma prestativa e não apenas crítica, porque temos interesses que não devem ser ignorados, ou apenas percebidos, quando nos afeta, conseguiremos com certeza, mudar um pouco a realidade atual. Somos sim, responsáveis, por uma parte relevante de uma problemática, que aparentemente se demonstra irreversível e totalmente sem alternativas, problemática esta, que se chama violência.

É muito fácil dizer que lugar de bandido é na cadeia e gratificante se torna, quando tomamos ciência de que mais uma prisão foi efetuada. Contudo, o problema jamais será sanado se "conceitos e atitudes" não forem modificados, pois aprisionar alguns (sem entrar no mérito do caráter delituoso) não inibe e nem inibira os altos índices de violência que tendem a aumentar. Os problemas são muitos e o tema esta muito além das grades.

Falar sobre esse assunto é algo que muitos pensam ser desnecessário, ou preferem manter a "neutralidade" com indiferença e hipocrisia.

A grande parte da sociedade, (às vezes até sem conhecimento) é inerte quando se aborda o assunto, uns proclamam pregações pessoais em cima daquilo que desconhece ou não quer nem por "brincadeira" conhecer.

Interessante a maneira que a civilização "aberta" aponta e denigre, mas não questiona nem nada faz para mudar as tristes realidades que assolam o País.

Dizer que evoluímos é na verdade real, mas pode se tornar uma infeliz e dúbia afirmação no aspecto que tange a criminalidade, pois houve o avanço da tecnologia e em outras áreas da ciência, mas se tratando da resolução mesmo que em longo prazo do gritante aumento do índice dos crimes praticados, torna-se complexa a afirmativa. O perfil do agente delituoso, a variedade de crimes, as formas e razões pela qual estão sendo praticadas, as penas aplicadas, que seguem com rigor nosso Código Penal e Código de Processo penal, evidenciam, que não "saímos do lugar", ou melhor dizendo, nos tornamos arcaicos e impotentes enquanto o crime se organizou equipadamente, assim sendo, regredimos.

Por mais que muitos falam que lugar de bandido é na cadeia, difícil são aqueles que vão até lá, ver de perto o que, e em quais circunstancias se mantém alguém encarcerado...

A realidade é outra, bem diferente das que são relatadas por vários veículos de comunicação, e aprisionar apenas, jamais será solução para os problemas. Existem feridas dentro da sociedade e estas começam normalmente dentro de uma outra violência, e em milhares de casos na infância, às vezes até no útero materno e num círculo vicioso vão se estendendo com o decorrer do tempo. A miséria, a fome, a falta de instrução, o desamparo, o desafeto, a ignorância, o desemprego, somados com a corrupção, parcialidade, indiferença são em grande parte responsáveis sim pela violência, pois há casos em que a insanidade é a única responsável pelo delito.
Não estamos "justificando", mas não podemos vendar os olhos e tapar os ouvidos diante de tanta escassez, e diferença de classes sociais.

Não se trata aqui de polemizar partidariamente ou conceituar alguém, ou algum órgão prejulgando, mesmo porque, não assistem razões para que se discorra sobre a criminalidade como mais uma apelação pobre de entidade social. O objetivo deste artigo é prestar informações de caráter público e como no início digo: - que somos em grande parte responsáveis por lamentáveis e míseras situações que assolam o País, é porque temos até como um direito de cidadania, que expor sim o mundo dos cárceres e milhares de motivos que superlotam os mesmos.

Por que escondermos a realidade? -Por que é feio? Ou pelo fato de sermos imperdoavelmente irresponsáveis para com os nossos semelhantes?
Talvez essa resposta eu nunca tenha, mas uma única certeza sim, enquanto superlotarmos presídios com a idéia de que quem lá esta jamais sairá, ou que cadeia deve ser um porão para abrigar bichos, rotulando todos e pedindo punições cada vez mais severas, e muitas vezes arbitrárias, assumindo apenas o papel de cobradores de atitudes, sem posturas diante dos problemas sociais que realmente necessitam de uma atenção emergencial, jamais conseguiremos colocar um basta ou diminuir índices negativos e dolorosos que atingem toda a população, e estes sem dúvidas, são, e continuarão sendo responsáveis pela criminalidade; e a criminalidade é em grande parte filha da miséria e da omissão.

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O Voluntariado Mais Difícil de ser exercido

Atuar no Sistema Prisional, ou em algum setor relacionado à criminalidade como Voluntário, é uma Missão que requer Resignação, cuidado e acima de tudo muito Amor. Após 20 (vinte) anos de trabalhos voluntários, cheguei à conclusão de que prestar serviços não remunerados no Sistema Prisional é o Voluntariado mais doloroso e difícil de ser praticado, sendo que o retorno do empenho empregado é indubitavelmente benéfico, prestando assim uma imensa contribuição para a Sociedade como um todo. No entanto, as condições impostas para que se desenvolva o voluntariado dentro dos cárceres, em alguns casos, chega a ser tão sistemático, que tira a motivação dos que querem contribuir e atuar pela causa, razão até pelas quais muitos desanimam e desistem sem antes mesmo de serem “APROVADOS” para ingressarem nesta empreitada. Para que se possa atuar no Sistema Prisional como voluntário, é necessário preencher uma série de requisitos (até então normais, pela própria massa que será objeto direto de atividades desenvolvidas).

Entendemos que por se tratar de contatos que são feitos diretamente com pessoas que delinqüiram e cada qual com delitos diversos, há também uma forte preocupação com a segurança do agente voluntário, porém, as exigências, suas prerrogativas, e a falta de reconhecimento, podem levar até a denegrir a pessoa predisposta a ofertar seus préstimos. Primeiro, para se adentrar as muralhas, é feito um levantamento da vida pregressa e toda uma investigação em torno do voluntário.

Se nada houver que o desabone, então é necessário apresentar um projeto explicando minuciosamente qual o objetivo do trabalho e o porquê da opção. Após todo esse processo, (que será constante e infindável) então se aguarda a autorização para que se iniciem os trabalhos sendo que até uma pequena restrição já se faz o suficiente para que seja impedida a ação dentro do Sistema. Assim sendo, o Voluntário, precisa ser um indivíduo totalmente ilibado e mantenedor imparcial diante das injustiças que afetam desde agentes prisionais até os encarcerados “reeducandos”, não podendo expor pareceres nem tão pouco divulgar o que ouvem e vêem dentro da vida entre grades.

De fato, trata-se de um outro mundo, onde a exclusão social é literalmente exercida, razão pelas quais muitos sem conhecimento de causa, só sabe afirmar que o Sistema é falido e não recupera o que NÃO É VERDADE! Além de toda uma burocracia exageradamente necessária, o Voluntário, necessita estar em condições psicológicas completamente equilibradas, e demonstrar firmeza para não se sugestionarem diante do que verá e vivenciará ao conviver com apenados (a)s.
Só que as dificuldades não se cessam após a aceitação para ser voluntário do sistema, este, tem que estar ciente que poderá ser criticado de maneira severa pela própria sociedade, enquanto não tiverem conhecimento de seu papel dentro da sua ideologia. Assim, muitas vezes, o voluntário, passa por um outro processo mais doloroso, ou seja, ofendido e julgado de forma cruel com suposições, que os qualificam de forma pejorativa e desumana; isso quando não é propagado que sua função é “defender bandidos,” que “recuperação, reabilitação e reinserção” é algo inviável e impossível, que não existem preocupações com as vítimas dos “delinqüentes” que tanto os voluntários defendem, chegando até a sofrerem ameaças. Mais isso se dá, pela falta de informação, pela má vontade de conhecer a causa e pela própria descriminação, que impede a compreensão de que dentro dos Presídios, cada caso é um caso isolado.

O que posso afirmar sem nenhum medo de pecar, é que como Voluntária do Sistema, Presidente do Projeto zaP e ativamente atuante, tenho milhares de exemplos de pessoas que após saírem dos cárceres se reabilitaram e mudaram os rumos de suas vidas, sendo sim, referenciais para que outros não entrem para o mundo do crime. Acredito e PROVO que a reabilitação é possível e o sistema não é em todos os lugares uma instituição falida. Sou pelo bege, amarelo, laranja e verde, não tenho qualquer interesse em diferenciar ou querer saber os que privados de liberdade aderiram ou fazem parte, não me atento a nenhuma facção ou partido, nem entro no mérito. Da mesma forma que entro em uma unidade prisional, e lá realizo meu trabalho, faço da mesma forma em qualquer outra, tendo apenas como meta contribuir e não incentivar, julgar ou apoiar quem já foi julgado e esta cumprindo sua pena.

Hoje, falando á nível apenas de São Paulo, posso mencionar como voluntários antigos que atuam com amor e são agentes de fato transformadores, que atuantes voluntários individuais e habituados aos constrangimentos normais às pessoas de:-
O Jornalista Antonio Carlos Prado, Pastor Oséias, Missionário Reginaldo, o Jornalista Julinho do Carmo, a Jornalista Mariana Pinto e a Jornalista Elizabeth Misciasci. Acrescentando que a Pastoral Carcerária, também muito faz pelo Sistema.

“-Exercitamos o voluntariado, não por curiosidade, nem tão pouco para nos destacarmos, ou vislumbrarmos ganhos (financeiramente falando). Atuamos sim, sem negligencias ou incentivos que impeçam a reinserção, somos agentes transformadores, com forte contribuição social e que sem pretensão só temos e distribuímos conscientes, tanto para os cativos como para as vítimas MUITO AMOR.”

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Por que Reabilitar?

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"-Temos o poder e o dever de contribuir para um mundo melhor, permitindo que nosso povo possa voltar a sonhar, confiando num futuro sem o medo impetrante, com as mesmas oportunidades, porque merecemos ver nosso Brasil e nossa gente Rutilar".

A Revista zaP nasceu de um Projeto Social que traz o mesmo nome zaP! e da conclusão da Obra literária Presídio de Mulheres. A Revista zaP on-line é um veículo que pretende levar informação, arte, cultura, abordando diversos temas, divulgando escritores, poetas, oferecendo serviços de utilidade pública enfim. Porém, sua maior proposta é falar do sistema carcerário, mostrando trabalhos e eventos desenvolvidos em unidades prisionais, apresentando as escritoras e artistas zaP, e procurando permitir que universitários principalmente os das áreas de Comunicação Social e, do Direito, possam encontrar referencias para conclusão de trabalhos.

Um dos maiores objetivos do Projeto zaP é se voltar as atenções para um dos maiores problemas que afligem a sociedade aberta:- A Violência. Ao desenvolvermos trabalhos dentro de unidades prisionais, temos vários objetivos que vão desde o incentivo a cultura, até assistência as mais diversas necessidades que possam provocar mudanças no sentenciado, mudanças estas, que são indiscutivelmente positivas não só para a população carcerária, como principalmente para a sociedade.

Após anos de pesquisas e contatos com sentenciadas (o)s e egressas (o)s do sistema prisional, pudemos detectar diversos problemas. O que nos permite falar sobre o assunto com total propriedade e levar a todos condições de pesquisarem e conhecerem um pouco de como é a vida entre grades.

Acreditando que o momento de transito pertence muito mais ao amanhã, ao nosso tempo que se anuncia do que ao velho, é que atuamos pela ressocialização do ser humano.

E por termos como meta prioritária, a reinserção social e a não reincidência, voluntariamente tentamos prestar nossa contribuição a sociedade. O trabalho é amplo, com o desenvolvimento e realização de vários projetos culturais, sociais e eventos dentro de um projeto abrangente:- o zaP!

Somos do bem, da paZ! zaP!, Pessoas que acreditam e buscam nos Rs da Reabilitação, Reintegração, Recuperação, Reinserção, da Resolução, na Resistência, no Requestar, e no Remitir que se fazem inimaginavelmente necessários para o bem de todos. Temos o poder e o dever de contribuir para um mundo melhor, permitindo que nosso povo possa voltar a sonhar, confiando num futuro Livre sem o medo impetrante, com as mesmas oportunidades, porque merecemos ver nosso Brasil e nossa gente Rutilar

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