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Caso Isabella

Caso Isabella Nardoni 7 de abril de 2008 (segunda-feira)

A Justiça suspende sigilo no inquérito policial que investiga a morte da menina Isabella Nardoni. Pouco tempo depois, o delegado responsável pelas investigações, Calixto Calil Filho, ordena novamente o sigilo.

A defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá entra com pedido de habeas corpus para o casal junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Peritos da Polícia Civil concluem que Isabella Nardoni foi espancada e asfixiada dentro do apartamento, antes de ser jogada pela janela do 6º andar.

-Advogados de pai e madrasta de Isabella apresentam habeas corpus.
-Delegado determina sigilo no inquérito.
-Tia de Isabella diz que roupas encontradas não são do irmão.
-Justiça autoriza quebra de sigilo telefônico de pai de Isabella.
-Peritos concluem que Isabella foi espancada antes de morrer.


8 de abril de 2008 (terça-feira)

Imagens do circuito interno de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde Isabella esteve com sua família horas antes de morrer, em 29 de março, são divulgadas. O vídeo mostra Alexandre Nardoni usando roupas parecidas antes e depois da morte da menina de 5 anos.

Informações que fazem parte do laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontam que uma pequena palmeira amorteceu o impacto da queda da menina.

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) voltam ao apartamento de Alexandre Nardoni e, dessa vez, acompanham os advogados de defesa dele e da madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá.

-Laudo aponta que queda de Isabella foi amortecida por palmeira
-Porteiro fala sobre a noite em que Isabella caiu do 6º andar
-Funcionários de supermercado vão à polícia esclarecer vídeo com Isabella
-Advogados de defesa visitam apartamento de Alexandre Nardoni


9 de abril de 2008 (quarta-feira)

A delegada assistente do 9º Distrito Policial, no Carandiru, Renata Pontes, diz que a polícia já apurou 70% do que aconteceu na noite em que Isabella Nardoni morreu. Entretanto, sem dar detalhes, o delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, disse que boa parte da chamada cena do crime foi montada, mas que ainda faltam mais de 50% das investigações.
O avô de Isabella, Antônio Nardoni, diz que "qualquer um" poderia ter entrado no prédio e cometido o crime, uma vez que os portões do local ficavam completamente abertos.

-Polícia diz já saber 70% do ocorrido na noite da morte de Isabella
-Advogados confiam na libertação do pai e da madrasta de Isabella
-Avô de Isabella diz que 'qualquer um' poderia ter entrado em prédio
-Médica tentou reanimar Isabella dentro de ambulância, diz promotor


10 de abril de 2008 (quinta-feira)

A polícia diz ter um depoimento crucial sobre o caso Isabella, mas a identidade da pessoa é mantida em sigilo pelo delegado Calixto Calil Filho.

O pedreiro Gabriel dos Santos Neto, que trabalha na construção de um sobrado nos fundos do edifício London, presta depoimento à Polícia Civil. Na saída da delegacia, ele nega que a construção tenha sido arrombada no dia do crime.

A Polícia Civil pede a quebra do sigilo telefônico de Cristiane Nardoni, tia de Isabella e irmã de Alexandre. O pedido é feito por interesse especial na ligação realizada para a irmã de Alexandre pouco depois da morte da criança. Os advogados de defesa de Nardoni pedem que Cristiane seja ouvida pela polícia.

-Pedreiro nega arrombamento em sobrado.
-Madrasta de Isabella lê a Bíblia e chora muito, diz parente de Jatobá.
-Polícia pede quebra de sigilo telefônico da tia de Isabella.
-Defesa quer que irmã de Nardoni seja ouvida pela polícia.


11 de abril de 2008 (sexta-feira)

Justiça de São Paulo concede habeas corpus e Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são libertados. Há tumulto na saída de ambos das delegacias e curiosos chegam a empunhar pedras. O casal vai para a casa de parentes na Zona Norte da capital paulista.

Caso Isabella Nardoni A delegada Elizabete Sato, da Seccional da Zona Norte, diz que libertação do casal não irá atrapalhar investigações, mas o promotor Francisco Cembranelli fala o contrário. Ele afirma ainda que existem indícios que ligam o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá aos ferimentos encontrados no corpo da menina de 5 anos.

Polícia diz que vai intimar Cristiane Nardoni, tia de Isabella. Os investigadores querem saber se ela é mesmo a pessoa que foi citada em depoimento de um funcionário de um bar, que disse ter visto uma mulher, na noite em que a menina morreu, ter atendido um telefonema, se desesperado e comentar "aconteceu uma desgraça na minha família".

Delegado diz que não errou e vai intimar tia de Isabella

'Não erramos. Somos fiscalizados pelo Ministério Público', disse Calixto Calil Filho.

Ele classificou como 'jogo jurídico' a soltura do casal ocorrida nesta sexta (11).

Porteiro contradiz declarações de pai e madrasta de Isabella. Pai da menina diz que não chamou resgate porque fez o pedido para um vizinho.

Funcionário nega e diz que foi o responsável por alertar o morador que ligou para a polícia.

Declarações dadas à polícia pelo porteiro do prédio onde a menina Isabella Nardoni foi assassinada, na Zona Norte de São Paulo, contradizem a versão do pai da menina, Alexandre Nardoni. A defesa alega que o Nardoni não ligou para o resgate porque fez o pedido para um vizinho. O porteiro, no entanto, garante ter sido o responsável pelo alerta.

A quebra do sigilo telefônico do pai e da madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, revelou detalhes da noite em que a criança morreu. A primeira ligação para o centro de comunicação da Polícia Militar partiu de um vizinho do primeiro andar do Edifício London.

Ela foi feita exatamente às 23h49 e 59 segundos. Enquanto este telefonema estava em curso, no apartamento dos Nardoni alguém liga para o pai de Anna Carolina. O telefonema dura 32 segundos. Praticamente na seqüência, começa outra ligação, também curta, dessa vez para o pai de Alexandre Nardoni.

Às 23h51 e 20 segundos termina o telefonema do vizinho para a polícia. Dezoito segundos depois, é encerrada a ligação para o pai de Alexandre. Não há registro de qualquer ligação do pai ou da madrasta de Isabella para a central que unifica os chamados para os bombeiros e para a Polícia Militar.

Um dos advogados de defesa diz o casal não ligou para o resgate porque um vizinho já estaria fazendo isso. “Logo após o fato, uma testemunha ligou para o resgate, então isso já é suficiente, não é?”, afirmou Marco Polo Levorin.

Segundo ele, o morador fez o telefonema depois que Alexandre começou a pedir ajuda. “Ele pediu, ele clamou por socorro e ligaram pro resgate. Isso já é suficiente para estancar qualquer dúvida sob esse aspecto.”

Caso Isabella Nardoni Contradição

Não é o que conta o porteiro do Edifício London, que estava no local no momento da queda de Isabella. Teria sido a pedido dele, e não por causa de supostos gritos do pai, que o morador do primeiro andar telefonou para o resgate. Por telefone, o porteiro explica porque pediu ajuda ao morador.

“Ele foi o primeiro morador daqui e ele era síndico daqui, agora é do conselho. Eu tinha mais proximidade com ele. E ele estava acordado. Eu sabia que ele estava acordado porque a televisão estava ligada”, conta o funcionário.

Ele confirma que pediu ao morador para ligar para o resgate. “Eu não tinha telefone, pedi pra ele ligar para o resgate pra socorrer”, afirma.

O porteiro acrescentou que só depois que ele pediu ao vizinho do primeiro andar que telefonasse, é que Alexandre Nardoni chegou ao local onde estava Isabella. “Depois que eu interfonei e saí de perto da menina, para ver se ela estava viva, depois de uns dois a três minutos mais ou menos ele apareceu.”

Segundo o funcionário, o pai da menina estava sozinho quando chegou ao térreo. “(Apareceu) só o pai. Depois apareceu a madrasta”.

A mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina de Oliveira, não quis falar sobre a ordem da Justiça para libertar Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da garota. A apresentadora do Jornal Hoje, Sandra Annenberg, perguntou o que a mãe achou da liberdade ter sido concedida ao casal nesta sexta-feira (10) e ela afirmou que não quer falar sobre o assunto.

A Justiça de São Paulo concedeu liberdade ao casal no fim da manhã desta sexta-feira (11). O pedido de habeas corpus, em caráter liminar, para que o casal acompanhasse as investigações em liberdade, foi deferido pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em sua decisão, o desembargador diz que concedeu "a medida liminar para que se faça cessar o constrangimento ilegal".

Na decisão, o desembargador alega que a prisão temporária é uma medida excepcional, tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, em casos nos quais os investigados possam comprometer as investigações e a produção de provas. Canguçu argumentou também que Alexandre e Anna Carolina não deram até o momento prova alguma de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos.

De acordo com Canguçu, nem a polícia nem o juiz da primeira instância indicaram argumentos que pudessem caracterizar o comprometimento das investigações. Também foi levado em conta pelo desembargador o fato de o pai e a madrasta de Isabella se apresentarem espontaneamente à polícia, horas depois da decretação da prisão temporária.

defesa fundamentou o pedido de liberdade no argumento de que o pai e a madrasta de Isabella não ameaçam as investigações.

O advogado Marco Polo Levorin afirmou no pedido protocolado na segunda (7) e composto por 30 folhas, que eles não atrapalharam a produção de provas, não coagiram testemunhas tampouco se negaram a comparecer à polícia.

Tanto a polícia quanto a promotoria não fixaram um prazo para a conclusão do inquérito. Entretanto, a delegada-assistente Renata Pontes afirmou na quarta-feira (9) que 70% da cena do crime já foi reconstituída pelos investigadores. Na quinta-feira (10), a Polícia Civil de São Paulo informou que 99% do caso que apura a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foram esclarecidos. Os policiais já têm como descobrir se alguma pessoa estranha entrou no Edíficio London.

Ainda de acordo com a delegada, os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML) só devem ser divulgados na semana que vem.

O pai e a madrasta da menina Isabella Nardoni chegaram, no começo da noite desta sexta-feira (11), à casa de parentes, na Zona Norte de São Paulo. Eles saíram do Instituto Médico-Legal (IML), onde passaram por exames de corpo de delito, e seguiram direto para a casa do pai de Alexandre, o advogado tributarista Antônio Nardoni.

O carro da polícia entrou na garagem e o casal subiu uma escada lateral que dá acesso à entrada. Eles não falaram com a imprensa. O advogado Rogério Neri disse que os dois ficarão na casa. Até as 19h30, eles não tinham visto os filhos.

Saída de Anna Carolina

A saída de Anna Carolina da delegacia foi marcada por muito tumulto. Antes de entrar no carro que a levou para o IML, ela disse que não era assassina. Jornalistas e moradores da região se aglomeraram na porta da delegacia para acompanhar o momento em que a jovem de 24 anos seria solta. Ela foi xingada por curiosos.

Além disso, um forte aparato policial foi montado, com a participação de policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), que conduziram Anna Carolina para o IML. Diferente do marido, a madrasta de Isabella saiu da delegacia sem cobrir o rosto.

Saída de Alexandre

Alexandre Nardoni, deixou a carceragem do 77º Distrito Policial, de Santa Cecília, no Centro de São Paulo, por volta das 14h30.

Ele saiu na parte traseira do carro da polícia. Dois carros da polícia saíram na contramão da Alameda Glete e outros dois saíram pela direita, mão da rua. Algumas pessoas que estavam no local, bateram nos veículos.

Habeas corpus

O pedido de habeas corpus, em caráter liminar, para que o casal acompanhasse as investigações em liberdade, foi deferido pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. O desembargador considerou que o casal não deu provas de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos. Também foi levado em conta pelo desembargador o fato de o pai e a madrasta de Isabella se apresentarem espontaneamente à polícia, horas depois da decretação da prisão temporária.

Por Elizabeth Misciasci

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