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Caso Isabella Nardoni 24 de abril de 2008

A Policia Científica juntamente com Peritos , delegados, promotor, se preparam para a reconstituição do Crime. Conforme informações prestadas pela Defesa do Casal Nardoni, eles não acompanharam a Reconstituição.

26 de abril de 2008 - A Reconstituição

Peritos esclarecem que pai e madrasta mataram Isabella, numa seqüência de agressões que começou ainda no carro, conclui a polícia.

Perícia - Caso Isabella Nardoni Os resultados da perícia mostram que Nardoni jogou Isabella pela janela minutos depois de Anna Carolina, madrasta da menina, tê-la asfixiado.

Alexandre Nardoni, 29 anos e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 anos.

A Polícia Científica concluiu que a madrasta de Isabella Nardoni, 5, foi a primeira a agredir a menina na noite do crime, em 29 de março. Segundo a perícia, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, bateu na garota com uma chave tetra ainda no Ford Ka da família. A versão foi simulada anteontem.

As marcas de sangue no carro reforçam a versão de que Isabella foi agredida com a chave, segundo a perícia.

A polícia diz que a agressão com a chave foi a primeira porque havia sangue no carro e, com exceção do ferimento na testa e das marcas de esganadura, não há outros sinais de violência. Os demais ferimentos foram causados pela queda.

A chave usada na suposta agressão seria a cópia, do apartamento, de Anna Jatobá. O objeto não foi encontrado pela polícia. No dia 1º de abriu, o advogado do casal Ricardo Martins disse à imprensa que a madrasta de Isabella perdeu um molho de chaves. Outro molho de chaves, que está no 9º DP (Carandiru) à disposição do casal, é de Alexandre Alves Nardoni, 29, pai de Isabella.

Perícia - Caso Isabella Nardoni Participaram dos trabalhos quatro peritos criminais, dois médicos legistas, dois fotógrafos e dois desenhistas.

Por volta das 10h, os peritos refizeram o trajeto que Alexandre Nardoni alega ter feito na noite do crime para cronometrar o tempo. Eles saíram do carro na garagem do prédio, subiram até o apartamento, no sexto andar, foram até o quarto, onde Alexandre afirma ter colocado Isabella, trancaram o apartamento e retornaram para a garagem.

De acordo com informações do Instituto de Criminalística (IC), porém, nada foi fotografado, tudo foi feito apenas para checagem de tempo e somente esta ação considerou o depoimento do pai e da madrasta de Isabella.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a versão do casal não foi plenamente simulada, como anteriormente previsto, porque o casal se negou a participar da reconstituição. Os investigadores iam contrapor as versões da polícia e do casal para avaliar tecnicamente o que, na prática, é plausível que tenha acontecido na noite do crime. Com a ausência do casal, no entanto, apenas a versão da polícia foi considerada.

Por volta das 10h, um fotógrafo da equipe de perícia criminal filmou a fachada do prédio, bem próximo ao local onde Isabela caiu. Logo depois, a equipe de peritos do IC iniciou a simulação da chegada do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá ao Residencial London, na zona norte de São Paulo.

Rede de proteção

Entre os objetos encaminhados ao Núcleo de Física do IC está a rede de proteção da janela por onde a menina Isabella Nardoni foi jogada. O corte na tela tem 47,5 cm. Aberto, o buraco forma uma espécie de círculo com 38 cm de diâmetro. Nas bordas, foi encontrado sangue da criança morta. A foto demonstra que não houve perda de material, ou seja, juntando-se as pontas, a rede volta a ter aspecto parecido com o que tinha antes do corte.

Para fazer a análise, os peritos trabalharam com uma lente especial, acoplada a uma máquina fotográfica. O aparelho foi conectado a um computador, equipado com programa de captura de imagens.

Perícia - Caso Isabella Nardoni Por meio desse sistema, os peritos fotografaram as extremidades dos fios da tela, cortados pelo assassino da menina. E compararam com as extremidades de fios que eles mesmos cortaram usando dois instrumentos apreendidos na pia da cozinha do apartamento: uma faca, com lâmina de 21 cm, e uma tesoura de 22 cm.

Os peritos observaram que as formas das extremidades dos fios cortados pela faca, pela tesoura e pelo objeto usado pelo autor do crime são semelhantes. Esse teste de corte permitiu apenas concluir que o assassino usou a força das mãos e um instrumento cortante para fazer o buraco na rede.

Em outro teste, os peritos chegaram a um resultado melhor, do ponto de vista da investigação. Na faca, não foram encontrados vestígios da rede da janela. Mas, na tesoura, os peritos acharam um fragmento de fio da rede.

Ele estava preso na parte central da tesoura, logo abaixo do mecanismo de articulação. E a conclusão: a tesoura esteve em contato com rede de proteção da janela. Em outras palavras, foi um dos instrumentos usados pelo assassino.

Pegadas

Os peritos fizeram também outros testes que resultaram em laudos considerados fundamentais para investigação. Em nenhum momento, durante a inspeção no apartamento, eles encontraram marcas que fossem de alguém estranho à família. Todos os vestígios da cena do crime pertenciam aos Nardoni.

Perícia - Caso Isabella Nardoni Só foi achado um tipo de pegada na cama, onde, segundo a polícia, o assassino subiu em direção à janela. A marca deixada no lençol foi comparada com o solado do chinelo que Alexandre Nardoni usava naquele dia. E os exames apontam: a pegada é de Alexandre, pai de Isabella. Em depoimento, Alexandre confirma que que pisou no lençol.

Mas, segundo ele, foi apenas para alcançar a janela e fechá-la, depois de deixar Isabella no quarto ao lado. As outras duas marcas encontradas nas camas também são do chinelo do pai de Isabella, afirmam os peritos.

Marcas nas roupas

No laboratório, mais um avanço da investigação: os peritos simularam a posição do assassino quando jogou Isabella do sexto andar. Segundo a perícia, o assassino estava com os braços esticados para fora e o corpo pressionava firmemente a tela, a ponto de deixar as marcas da rede impregnadas na camiseta.

As marcas que ficaram na roupa do perito, durante a simulação, são do mesmo tipo das encontradas na camiseta do pai de Isabella - o que leva à conclusão de que Alexandre ficou na mesma posição em que estava o assassino.

No interrogatório, Alexandre disse que apenas chegou perto da rede de proteção e logo viu que a filha estava lá embaixo. Ao ser informado que sua camiseta estava impregnada com as marcas da tela, ele respondeu que não sabia esclarecer como elas foram parar lá. Para a polícia, a camiseta é uma das provas mais fortes que colocam o pai de Isabella na cena do crime.

"A boneca que representou a menina foi de um modelo especial usado especialmente pela polícia forense e custa, de acordo com informações da Secretaria de Segurança de São Paulo, cerca de US$ 2,5 mil. O modelo pode ter o peso regulado e é muito utilizado neste tipo de procedimento, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro".

Perícia - Caso Isabella Nardoni Todos esses laudos, preparados pelo Instituto de Criminalista, vão servir de base para o pedido de prisão preventiva do casal, acusado de homicídio.

27 de abril de 2008

Para a polícia, depois da reconstituição neste domingo (27), não há mais o que investigar no edifício. Por isso, o apartamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, interditado três dias depois de a menina ter sido jogada pela janela, foi liberado.

Inclusive, as chaves do apartamento 62 e do carro que Alexandre dirigia no dia do crime, em 29 de março, e do apartamento da irmã, Christiane Nardoni, foram colocadas à disposição da família e poderão ser retiradas a qualquer momento na delegacia.

28 de abril de 2008

Perícia - Caso Isabella Nardoni Nesta segunda, 28/04 os advogados do casal estiveram no 9º DP para retirar cópias dos últimos documentos do inquérito. Eles não quiseram falar sobre a reconstituição feita no domingo. "Os advogados não acompanharam a reconstituição bem como também o casal", disse Ricardo Martins, um dos advogados do casal.

Relatório final

Já os delegados passaram o dia fechando o inquérito para entregar à Justiça. São seis volumes, mais de mil páginas. O que mais interessa ao Ministério Público é o relatório final, que terá 50 páginas.

O promotor Francisco Cembranelli, que acompanha a investigação, ficou o dia todo no fórum de Santana, na Zona Norte. Ele disse que a intenção é aproveitar o feriado para preparar a denúncia contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

30 de abril de 2008 - O Inquérito é concluído e enviado ao Ministério Público

Para os advogados do casal, o fim da investigação dá mais tranqüilidade para a defesa. “Isso tudo pode ser submetido ao crivo do contraditório, onde a defesa pode através de uma postura técnica questionar o que foi feito, sempre adotando uma postura ética, nunca fazendo ataques pessoais a ninguém, nem o promotor de justiça, nem as autoridades do 9º DP, sempre um trabalho profissional”, declarou Rogério Neres de Sousa, outro dos advogados de defesa do casal.

Os resultados da perícia mostram que Nardoni jogou Isabella pela janela minutos depois de Anna Carolina, madrasta da menina, tê-la asfixiado. Inquérito número 301/08.

Por Elizabeth Misciasci

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