Caso Renato Biasoto Mano Júnior
Por Elizabeth Misciasci - Coluna Ponto de Encontro
Atualizado em 03 de julho de 2009
Alessandra Alessandra Ramalho D’Ávila, se apresentou á Justiça e tomou ciencia do processo em que figura como acusada de homicídio.
Do Ocorrido:
O empresário Renato Biasoto Mano Júnior de 52 anos foi morto no dia 13 de junho de 2009 em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Notícias iniciais do 31º Batalhão de Polícia Militar (Recreio dos Bandeirantes), contam que ele foi ferido a facadas ainda no apartamento, pelo período que abrange os horários entre as 6h e 7h.
Com ferimentos no rosto e no peito, Renato, teria saído para buscar socorro, e morrido no hall do prédio, que fica em frente à praia, na Avenida Lúcio Costa.
Conforme informações da polícia que cuida do caso, a mulher do empresário, Alessandra Ramalho D'Ávilla, de 35 anos, é a principal suspeita.
Também, conforme informações dos investigadores, as imagens do circuito interno do edifício onde o empresário foi morto, mostram o momento em que Renato chegava à portaria e quando Alessandra deixava o prédio de carro, levando consigo o filho do casal, de 5 anos.
Carlos Augusto Nogueira, delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), disse que a esposa da vítima, teria ligado para um amigo depois do crime, alegando que o marido estava se esfaqueando e poderia estar tendo algum tipo de problema, em razão do descontrole. Com estes detalhes fornecidos á Polícia, Alessandra passou a ser a principal suspeita de autoria, na opinião do delegado.
Conforme relatou Eduardo Pedrosa, um amigo muito próximo da família, Alessandra teria dupla cidadania o que acelerou as ações da polícia, afim de impedir uma possível fuga. A delegada Juliana Domingues, que também investiga o caso, expediu notificação à PF do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, sobre a possibilidade da mulher do empresário deixar o país.
Pedrosa disse ainda, que Renato tentou falar com ele. “Eu recebi uma ligação às 5h manhã e a minha esposa atendeu. Ela disse que estávamos dormindo e o Renato disse que depois falava comigo”.
Eduardo informou, que o casal tinha uma relação muito conturbada. Ele contou que a vítima era formada em Engenharia Elétrica e que já possuiu uma academia de ginástica na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O amigo, ressaltou que os policiais levaram o laptop porque Alessandra teria entrado na internet após o crime.
Na página de um site de relacionamentos de Alessandra na internet era possível ver declarações assinadas pelo empresário Renato Biasoto, no Dia dos Namorados. “Você é única na minha vida. Ninguém é melhor que você. Você é a minha vida, eu te amo demais”. Mas as mensagens foram apagadas no final da tarde do dia 13 de junho de 2009.
No dia 14/06/2009, o pedido de prisão temporária contra Alessandra Ramalho D'Ávilla Nunes, foi aceito pela Justiça do Rio de Janeiro.
Em uma declaração dada na 16ª DP (Barra da Tijuca), já em 15 de junho de 2009, o advogado de Alessandra confirmou, ser ela a autora do crime que resultou na morte do seu marido. Mas destacou que sua cliente, teria agido por legítima defesa e que iria se apresentar a qualquer momento.
Embora o advogado de Alessandra Ramalho D’Ávila, tenha alegado que sua cliente agiu em legítima defesa, o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, que é titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), disse que ira prosseguir com as buscas para prender a suspeita, não acreditando na versão de legítima defesa apresentada pelo representante legal da viúva.
-"Ela pode se entregar a qualquer momento, mas enquanto isso não acontece, continuamos as buscas para prendê-la. A defesa alega que ela tentou se defender das agressões do marido. Mas isso não muda o meu entendimento. Não há indício algum que aponte para um caso de legítima defesa. Quero saber em que circunstâncias os golpes de faca foram dados”, pontuou.
Segundo Nogueira, o advogado teria negociado para que não fosse renovado o pedido de prisão temporária, mas não houve concordancia por parte desta autoridade.
O advogado de Alessandra, Dr. Mário de Oliveira Filho, conta que o casal teria dado uma festa do Dia dos Namorados, ocasião em que fizeram uma recepção e receberam os amigos Eduardo Pedrosa e a mulher Beth.
Renato teria consultado o telefone da mulher por duas vezes para saber se ela havia recebido telefonemas de alguém.
O representante de Alessandra, em seu depoimento no inquérito policial, descreveu como uma “relação tumultuada” os seis anos de convivencia do casal. Mário de Oliveira, declarou que a vida em comum de sua cliente com o marido, estava num grau intolerável e por conta disso, já estava sendo preparado os documentos de separação dos mesmos, porém, o marido não aceitava.
“Era o tipo da crônica de uma morte anunciada. Uma hora alguém ia morrer. Um homem que deixa de trabalhar e fica três anos para fiscalizar a esposa é uma pessoa doente”.
Ainda de acordo com as informações do advogado de Alessandra, logo depois que os convidados saíram da festa, Renato, que estaria embriagado, começou uma discussão e tentou agredir a esposa no banheiro, com uma gravata. Em seguida, já na cozinha, as agressões teriam prosseguido, acordando o filho do casal de cinco anos.
“Na tentativa de se defender e proteger o filho, ela pegou uma faca que estava em cima da geladeira e, durante a luta corporal, ele foi ferido”, detalhou.
O advogado que representa a família de Renato, Dr.João Mestieri, falou que não discarta a hipótese de crime passional. “Acredito na questão passional de ódio. Mas vamos aguardar o laudo cadavérico para confirmar os golpes que atingiram o rosto e o peito dele. Tudo indica que ela é uma pessoa bastante agressiva. Não sei se ele era uma pessoa ciumenta, mas, dedicado, com certeza” relatou, ressaltando: "Todos querem que as investigações se completem para que essa perda seja reparada em tudo" - concluiu.
Resultado do IML mostra lesões de defesa no corpo do empresário.
Carlos Augusto Nogueira, disse em 18 de junho de 2009, que as indicações no laudo cadavérico de que o empresário Renato Biasotto Mano Júnior, apresentava lesões de defesa nos dois braços e cortes no rosto, só vem "agravar ainda mais a situação" de Alessandra.
“Isso demonstra a futilidade do homicídio. É a desproporção da atitude dela em relação ao ciúme que Renato sentia. A vítima ainda tentou se defender. Há sinais de brigas na sala e na cozinha. Acreditamos que o golpe fatal tenha sido na cozinha, porque há mais marcas de sangue e desarrumação. Tudo isso agrava, qualifica a situação dela. A pena aumenta bastante”, concluiu.
Enquanto espera que a empregada do casal compareça à delegacia afim de prestar alguns esclarecimentos, Carlos Augusto e sua equipe , concluem o relatório do inquérito, para que na sequência, peça a Justiça que decrete a Prisão Preventiva de Alessandra.
A defesa de Alessandra, contudo, afirmou que mantera sua decisão de só apresentar sua cliente quando a prisão for revogada.
-“Vou recorrer à todas as instâncias da Justiça”.
Assim sendo, Mário de Oliveira Filho, salientou que sua cliente está em local seguro, mas muito abalada e preocupada com o filho do casal de cinco anos. “Ela diz que, por pior que fosse a relação, ele era pai do filho dela”.
A irmã da vítima, que chegou da Austrália, para cuidar da cremação do corpo de Renato Biasoto no Rio de Janeiro, não acredita na versão apresentada pela defesa de Alessandra.
Atualizado em 30 de junho de 2009
Ministro Jorge Mussi, do STJ (Supremo tribunal de Justiça), concedeu liminar a Alessandra Ramalho D'ávilla, decidindo entretanto, que ela tera que entregar os dois passaportes (brasileiro e americano) e comparecer diante da Justiça, a fim de prestar esclarecimentos.
Segundo o advogado de Alessandra, Dr. Mário de Oliveira Filho, ela deve se apresentar à Justiça em até cinco dias.
Alessandra, que já era considerada foragida, logo que foi decretada a Prisão Preventiva, agora, podera responder, o processo em liberdade.
Atualizado em 03 de julho de 2009
Alessandra Ramalho D’Ávila, se apresentou á Justiça e tomou ciencia do processo em que figura como acusada de homicídio.
Por volta do meio-dia, a esposa do empresário Renato Biasoto, assassinado em 13 de junho de 2009, Alessandra Ramalho D'avila, se apresentou no 3º Tribunal do Juri, no Fórum, no Centro - RJ, e acatando despacho proferido em 30 de junho pelo STJ, tomando ciencia da ação penal, e, entregando inclusive seus dois passaportes (um brasileiro e outro americano) á Justiça, conforme determinado.
Alessandra devera apresentar sua Defesa Prévia (rol de testemunhas de Defesa) em no máximo dez dias, na sequencia, deverá ser determinada a data da primeira audiencia em Juizo.
Por Elizabeth Misciasci
Revista zaP!