Relação entre Gestão por competências, Coaching e Reincidência prisional.
Por Beatriz Dantas - Coluna - Sem Utopias
Podemos ensinar a uma criança o peso do erro, sua gravidade e assim induzi-la a um arrependimento e a uma mudança de atitude.
Quando um infrator é colocado numa instituição e lá recebe comida, bebida, diversão, ... horários e ordens; estudo e profissão então, este está sendo infantilizado e reprogramado pelo Estado com aquilo que é básico para o saudável desenvolvimento de um cidadão.
Quando o tempo de clausura permite-lhe cada um destes procedimentos ele experimenta o digno arrependimento e o amadurecimento. É capaz de ter consciência e orgulho de si mesmo.
Quando sua auto-estima é tratada, adquire forças para assumir seu erro e reerguer-se.
Importante portanto é que, uma vez institucionalizado (e infantilizado pelo Estado que o agrega – provendo-lhe o básico) o infrator receba condições de amadurecimento que o fortalecerá para esse mundo aqui fora.
Um mundo de segregações.
Estudo e cursos profissionalizantes já existem.
Lendo sobre Gestão por Competência e Coaching pude mais uma vez perceber que, um ser em processo de reintegração social deve ser exposto à esta visão de gestão , tão eficiente dentro de qualquer organização, com fim lucrativo ou não.
Um coach deve:
1. estimulá-lo a identificar seus valores essenciais e a expressá-los, desenvolvendo uma postura de integridade pessoal;
2. desafiá-lo a "sonhar acordado", a criar para si mesmo uma visão de futuro que o entusiasme e que utilize ao máximo a sua energia criadora.
*Isto é particularmente importante porque não é raro as pessoas definirem suas metas para atender aos desejos e necessidades dos outros, chefes ou familiares. Coaching é uma relação dinâmica que permite romper antigos paradigmas e estabelecer novas fronteiras.
*Nota http://www.guiarh.com.br/PAGINA22D.htm.
Embora à primeira vista pareça uma relação de eterna dependência, quem tem um coach aprende a ver-se e a administrar melhor suas COMPETÊNCIAS, HABILIDADES E ATITUDES (C.H.A) e isso é a semente para uma independência que deve acompanhá-lo pós-exílio, quando tudo o pegar de surpresa.
Esse dinamismo tão inerente à TECNOLOGIA, ao MERCADO COMPETITIVO, à ERA DO PATRIMÔNIO INTELECTUAL e ao CONSUMISMO, irá acoá-lo e servirá de vestibular diante da “opção” de olhar para trás e voltar.
A reincidência encontra terreno fértil exatamente aí, numa alma despreparada, perdida, infantil, inconseqüente, assustada, agressiva, estressada, deprimida e órfã. Sem maturidade, sem arrependimento, sem consciência da gravidade, sem noção equilibrada do que vem a ser barbárie.
Uma alma totalmente segregada e por isso suscetível.
Costumo chamá-la de ALMA ZUMBI, uma vez que se vê diante da grande e velada pressão que é viver, hoje em dia, em sociedade, ora preocupado com a crise, ora preocupado com a crase.
Colunista Beatriz Dantas