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Anselmo Cordeiro - Coluna Navegando na Net com o Net
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Da série "Nelson Rodrigues Renascido"
UMA TÉCNICA QUE PRETENDE SER ARTE
Creative Commons License

Por: Anselmo Cordeiro {Net 7 Mares}




“...gostar de poetrix corresponde a ir a uma vernissage e, sob o assombrado olhar do pintor, trazer para casa, em vez da tela pintada, os manuais de pintura do artista”.

Não sei se alguém já disse a mesma coisa e, se disse, estarei repetindo involuntariamente pensamento alheio: quando amamos, não sabemos das razões; mas, quando não amamos ou deixamos de amar, temos um rosário delas.

Aplico este pensamento à poesia no que se refere a gostar de uma determinada composição. Por aí, embora eu tenha gosto francamente direcionado para o *neoparnasiano, posso, sim, ainda que raramente, apreciar uma composição de versos brancos e, até mesmo, um desses tercetos, que chamam de hai-cai ou poetrix — afinal, em se tratando de gosto, tudo é possível, embora, até o presente momento, eu não tenha caído de amores por nenhum dos muitos que li.


Sobre as razões do gostar, e das quais desconheço, posso citar aqui dois exemplos: o primeiro refere-se às obras da Olga Matos, cujos poemas poucas vezes seguem a forma parnasiana, e eu fico a me perguntar sobre o porquê de eu gostar das suas composições sem rima e sem metro. Estaria a explicação do meu gosto relacionada com amizade ou simpatia pessoal? Certamente não, vez que tive com aquela colega de letras dois entreveros no *Ateneu, se bem que ambos foram felizmente bem resolvidos. De dizer que, até onde sei, Olga não tem site pessoal. Para encontrar as suas obras, só recorrendo ao Google.

Um outro exemplo vem do Daniel Cristal, com quem tive sensacionais "arranca-rabos". Com este, o "pega" azedou a tal ponto, que o homem chegou ao tragicômico extremo de desafiar-me para um duelo no melhor estilo do capa-e-espada. No entanto, apesar da pinima com ele, sempre reguei suas composições com chuvas de rosas, porque a sua verve é, sem dúvida, uma das melhores na internet literária, conforme pode-se conferir em http://www.paralerepensar.com.br/danielcristal.htm.

Ora, porque eu gosto das obras da Olga, se quase tudo o que ela escreve é em versos brancos? Não sei... Das do Daniel, eu poderia dizer que gosto, por causa da forma neoparnasiana; mas, seria uma explicação imperfeita, vez que nem tudo rimado e metrificado cai no meu agrado. Todavia, quando não gosto, encontro logo uma "penca" de defeitos.

Dito isto, posso então dissertar sobre as duas principais razões do meu desgosto em relação aos poetrixes:

1º) — Ainda que exista essa sensibilidade que, segundo dizem, os japoneses têm para sentirem poesia em uma composição — o haicu, de onde se originou o tal poetrix — que se resume em um instantâneo ou um flagrante sobre um acontecimento da Natureza, acredito que dificilmente eu teria tal sensação, uma vez que tal construção poética nada tem a ver com a minha cultura e linha poética. Isso, sem contar que o conteúdo desses tercetos, reinventados na forma de poetrix, na esmagadora maioria, também nada tem a ver com aquela filosofia poética do haicu, que, como já dito, focaliza sobre um acontecimento natural qualquer (um raio de sol, incidindo sobre uma pétala de rosa; a neblina que oculta o prolongamento de uma trilha... coisas desse tipo).


2º) — Os poetristas, afastados daquela filosofia poética do haicu japonês, desandam, no geral, pelos caminhos do pensamento e, por aí, acabam na condição de pensadores, mal vestidos de poetas, valendo acrescentar que grande parte de tais pensamentos parecem coisas que saíram de mentes infantis, assim como quem aprendeu a escrever e, maravilhado com o aprendizado recente, desanda a falar de obviedades em tudo o que escreve. Nesse caso, a arte estaria então, não no conteúdo da escrita, mas na capacidade de juntar letras, para formar um texto simples qualquer, dividido em três linhas. Quando não é isso, é alguma metáfora de mau gosto ou comparação que beira ao ridículo.
Para melhor entendimento, vejamos alguns exemplos, seguidos de comentários. De dizer que recolhi as composições, percorrendo a coletânea do "Palavreiros", página http://www.palavreiros.org/poetrix/index.html do site que é tido por muitos como ponto de referência da internet literária. Em tese, recolhi, portanto, o que há de melhor no gênero:

AFOGAMENTOS

Autor:-Vinicius Trindade

"bêbado bebendo bebida
que nada vai curar
as mágoas já sabem nadar"


Um "descobri a pólvora", vestido de aliteração, que é a repetição de fonemas (be) em um texto. Se alguma coisa se salva nesse infantilismo gráfico (Ora! quem bebe, só pode estar a beber uma bebida), há de ser o ponto comum entre o autor e o seu bêbedo: No tal afogamento, ambos jogaram água no mar, com a agravante de o "bebum tropeçar" na grafia da sua condição etílica. Como desgraça pouca é bobagem, o autor ainda "dá uma solene banana" à pontuação, levando-a para os escuros becos das ambigüidades.

Vejamos outro:

O MAGISTÉRIO

Autor:Hércio Afonso

"Apaga(dor)
o quadro negro
sem sinal de vida"

Aqui, temos o "manjado" e pobre recurso do duplo sentido, que, no caso, por não ter direção definida, acabou caindo no vazio do já dito. O autor quis fazer um alerta inócuo sobre o drama do ensino, do qual já estamos todos "carecas de saber" e ver, como, aliás, vimos no terceto do bêbedo acima, que se arremessou texto abaixo, sem encontrar uma vírgula sequer que o salvasse da queda. Se alguém encontrar uma migalha de poesia nessa obviedade ululante, me avise.

Para abusar do pouco espaço, "vai mais uma";


DOCE

Autor: Guilherme Amorim

"Na escola, a criança
Recebe uma bala
Perdida".


Este quis fazer arte com a tragédia que virou rotina, e quem acabou perdida não foi a bala, foi a poesia.


De uma amiga, apreciadora desses tercetos, li que a beleza desse tipo de composição está na capacidade de resumir em três linhas uma inspiração, pensamento ou sei lá o que. Ora, o poetrix seria então, não um texto com conteúdo poético, mas uma técnica, espécie de taquigrafia literária, da qual resultaria o que podemos chamar de estenopoesia. Se é esse o caso, acabei de encontrar na neologística denominação mais uma razão para o meu desgosto, que aqui vai explicada: poesia é arte, e, sendo arte, tem técnica de construção, sem a qual a arte não é alcançada. Ora, se a beleza da composição está na técnica, e não no resultado dela, conforme nos diz a amiga remetente, devemos concluir que gostar de poetrix corresponde a ir a uma vernissage e, sob o assombrado olhar do pintor, trazer para casa, em vez da tela pintada, os manuais de pintura do artista. Não interessa, portanto, a obra; o interesse artístico há de estar nos meios técnicos usados pelo autor para escrever um texto qualquer em três linhas. Por aí, o óbvio, a redundância... Enfim, qualquer bobagem, resumida em três linhas, vira obra de arte, capaz de levar platéias a pedir "bis", como na ópera.

Enfim, dos outros, eu não sei; mas, de mim, sei bem que não há no mundo força ou motivação alguma, capaz de me levar a mergulhos em livros e manuais de taquigrafia ou estenodatilografia, a ver se, por aí, na aproximação com técnica parecida, consigo encontrar graça em poetrixes, ou, melhor dizendo, na sua técnica de criação. Em se tratando de técnica, prefiro continuar nos meus tardios treinamentos de digitação datilográfica, que, embora não tendo nada de poético, me são bem mais úteis.


*Neoparnasiano
Renascimento do movimento parnasiano, que consiste na fidelidade de Poetas da "Nova Era" a darem continuidade de maneira atuante, ao seu seguimento.
Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema.
Movimento literário surgido na França em meados do século XIX, em oposição ao romantismo, o parnasianismo representou na poesia o espírito positivista e científico da época, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa. O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, François Coppée, o cubano de expressão francesa José Maria de Heredia e Catulle Mendès, editor da revista. O Parnaso é um monte da Grécia central onde na antiguidade acreditava-se que habitariam o Deus Apolo e as musas.
Fonte de pesquisa sobre o Parnasianismo: Portal Brasil Escola

*Ateneu
O Ateneu, aqui mencionado, é um grupo formado por intelectos e aprendizes, que praticam normalmente a arte poética, com fóruns de debates, divulgações e escritas, tanto dos seus respectivos membros como de outros. O colunista Anselmo Cordeiro (Net 7 Mares) é um dos fundadores do Ateneu, tendo se afastado do mesmo, para poder dar maior atenção ao seu próprio grupo, o Baluarte da Poesia. Os convidados a participarem, tanto do Ateneu (que é um dos mais antigos da Net e esta entre os muito bem conceituados), quanto do Baluarte, bem como os que pedem para ingressar nos mesmos efetuam postagens interruptas via e-mails de trabalhos literários ou relativos a arte da escrita; ou seja, é como um ponto de encontro num endereço virtual oferecido pelo Yahoo, onde Poetas e admiradores da Poesia, utilizando esse espaço, vão buscando ensinar e aprender. É neste lugar, o da Filosofia na Teoria da Literatura, que através da REPETIÇÃO, CRIATIVIDADE CRIAÇÃO E DIVULGAÇÃO, vai se buscando melhorar nossos já inspirados, talentosos escritores e poetas, incentivando e norteando-os da forma que possam oferecer uma literatura de fato, com qualidade e, quiçá, formar nossos Futuros Imortais. Nesse limiar encontram-se as duas grandes funções: preservação e renovação, que são os fundamentos do tradicional e do criador respectivamente.

Falando um pouco de Anselmo Cordeiro {Net 7 Mares}

Seu nome de batismo é ANSELMO CORDEIRO. NET 7 MARES é o pseudônimo registrado que usa na assinatura de seus poemas, ou quando trata de assuntos da poesia. Carioca, nascido no bairro da Gávea, divorciado, militar da Marinha de Guerra, poeta e escritor, com formação em Letras na UFMS e UECE. Sua poética transita pelo que, neologisticamente, chama de parnasiano - lírico, onde a a preocupação com a forma é uma constante, e a figura da musa inspiradora, real ou imaginária, está, quase sempre,
presente. Fiel ao princípio que a Poesia deve ser escrita para o grande povo leitor, e não apenas para intelectuais, faz uso de linguagem e figuras simples em suas composições, de modo a alcançar melhor aquele destinatário ideal.
Neste mergulho desajeitado em seu ego, declara-se um defensor ferrenho dos Direitos Humanos, proclamados na Declaração Universal promulgada pela ONU, principalmente no que se refere ao DIREITO À LIVRE EXPRESSÃO DO PENSAMENTO, e intransigente na luta contra todas as formas de transgresão da ÉTICA.

Resume-se, enfim, seu perfil numa mistura homogênea de nobreza militar com porções de poesia, onde a inabalável lealdade aos amigos desponta como o mastro principal que pode, sim, ranger, quando, por exemplo, usa de franqueza para dizer o que pensa... Mas não quebra.
Fonte: Portal Cen -
Para apreciar um pouquinho do trabalho deste grande crítico, escritor, poeta e amigo, Anselmo Cordeiro, o Net 7 Mares, basta clicar na capa do E-book abaixo, ou baixá-lo pelo link do Portal Cen.

http://www.portalcen.org/bv/net/poemas.zip


O E-book abaixo ilustrado, pode ser baixado neste Portal, basta um clique na Capa do livro. A Respectiva obra é composta de diversas Poesias e respetivamente, Brilhantes Poetas. Entre as Estrelas que nele despontam, contamos também com a Ilustre participação do Autor Anselmo Cordeiro {Net 7 Mares}.
Na verdade, este E-book foi uma das formas encontradas pelos responsáveis deste portal (que entre outros), manifestam o objetivo maior, que é o de divulgar nossos Magníficos Artistas e Amigos das Letras, incetivando a Literatura.
Á todos, nossa gratidão e não percam nossas Edições.


Conheçam nosso Portal, prestigiem os nossos colunistas, assistam aos vídeos, deixem sugestões de Pautas, críticas, Colaborações e os mais importante:- Voltem Sempre!

Equipe zaP! E EUNANET.

 

 

 

Tenho, ainda, na lembrança
Uma luz tênue e distante
Que, piscando, incessante,
Me acenava com a esperança...
Insinuando em mim certeza
Que o encanto e a magia
Para sempre existiria
Na tua luz bem mais acesa.

E, assim, como encantado,
Fui em tua direção
Para ver verdade ou não
Em teu amor tão confessado.


Mas viver é navegar,
E o mar de calmaria,
Pra virar de rebeldia,
Não tem hora nem lugar.


Veio, então, a tempestade
Que já era esperada,
Pra testar, num tudo ou nada,
Se o amor era verdade.

E, no teste, tua exigência
De amar, sob condição...
Não, querida, não amas, não;
Teu amor é só aparência.

Todos os Direitos Reservados ao Autor©

http://www.geocities.com/meuoceano/mardoego.html

 

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