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NEM
NA VIDA NEM NA MORTE, SÓ NO ORKUT
POR MARIANA PINTO
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Nem
no inferno, nem o céu. Onde os
mortos aparecem mesmo é no mundo
virtual.
Páginas
de pessoas que já morreram viraram
pontos de peregrinação para
muitos internautas. Os falecidos recebem
dezenas de mensagens ao dia.
Coluna
da Mari

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Por:
Mariana Pinto |
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Nem no inferno, nem o céu.
Onde os mortos aparecem mesmo é no
mundo virtual. Basta um click para um de eles
surgir na tela do computador. Centenas de
páginas de pessoas que já morreram
fazem o site de relacionamentos Orkut parecerem
um cemitério on-line. Os falecidos
recebem dezenas de recados todos os dias.
Alguns ofensivos, outros curiosos, muitos
tristes.
O que parece engraçado
e mórbido para alguns, para outros
serve de consolo e ajuda a superar a perda.
“Oi, irmãozinho.
Hoje faz 4 meses que você nos deixou.
Saudades a mil. Está sendo muito difícil
sem você aqui. Descanse em paz. Te amo”,
escreve Aninha Vieira, para o irmão
Peterson, vítima de afogamento. ‘Como
você se suicidou? Olhou no espelho e
morreu? (Risos)’, pergunta Bianca Piccinini
a um jovem que se matou.
Os jornalistas também
usam as páginas do Orkut para obter
informações sobre pessoas que
morrem. Foi o que aconteceu no caso do professor
de piano Marcos Maronez Júnior, 31
anos.
Dia 20, ele e uma menina de
13 anos foram encontrados mortos a tiros numa
cama de um motel em Porto Alegre. É
provável que tenham feito um pacto
de morte.
No dia seguinte ao fato, a
reportagem de um jornal de circulação
nacional trazia: “Em sua página
no site Orkut, no item ‘quem sou eu’,
ele conta: ‘Sou um verdadeiro especialista
na arte de escapar dos perigos existentes
nesse mundinho e um verdadeiro sábio
na hora de fazer a escolha ao se entregar
à fatalidade na hora certa.”
No mesmo dia, os recados para o rapaz saltaram
para 20 mil, a maioria era de insultos.
Três
dias depois, a página foi excluída
da rede de relacionamentos.
Os
que pensam no futuro criam comunidades a respeito,
razão para terem sido criadas (hoje
já em número de três com
o mesmo nome) comunidades ‘Se eu morrer,
deletem meu Orkut’ que somam aproximadamente
2.000 membros.
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Quem
opta pela vida eterna, mesmo que virtual,
ingressa na turma dos ‘Se eu morrer,
meu Orkut fica’ em uma das quatro comunidades,
com título idêntico e quase 2.300
integrantes. Ma a recordista de membros, no
entanto, não é nenhuma delas.
A’PMG Profiles de Gente Morta’
inaugurada em 23 de dezembro de 2004 surpreendeu.
A comunidade que já colecionava ao
final de 2006, 34.232 participantes, foi subindo
no rancking de adesão.
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A PMG que se dedica a pesquisas
de páginas de gente que já se
foi ganhou “filiais” e mais “adeptos”.
Com um grande número de integrantes,
o “tema” incentivou a criação
de mais nove Comunidades interligadas, sendo
algumas até com o mesmo nome, ou muito
similar.
A precursora “PGM - Profiles
de Gente Morta” mantém-se recordista
diante das demais que tratam do mesmo assunto,
que mesmo moderada, não inibe a adesão,
que já agrega hoje 51.067 participantes.
Guilherme Dorta, o idealizador/dono
da comunidade, especifica de forma explícita
as regras de conduta aos membros, assim, ainda
na capa, ele alerta:
‘Não
são permitidas brincadeiras de má
intenção, bem como falta de
respeito com os mortos’, diz a descrição
sobre a comunidade.
O
sucesso da página fez Dorta criar um
site próprio, incentivando-lhe na ampliação
das pesquisas em torno do assunto. Tanto é
que cuida da moderação de mais
nove comunidades relacionadas; entre estas:
“-Velórios Virtuais, - Seu eu
morrer me enterre, e - Gente Morta Sem Profile.”.
Há
inclusive uma lista de usuários que
já morreram na comunidade “PGM
- Profiles de Gente Morta” e as causas
de sua morte.
Para
a psicóloga, Rosa Maria Farah, coordenadora
do Núcleo de Pesquisa em Psicologia
e Informática da Clínica Escola
da PUC-SP, deixar uma mensagem de despedida
na página de alguém que já
morreu pode ser visto como uma forma de vivenciar
o luto.
‘Não
vejo muita diferença em ir até
um cemitério deixar uma flor, por exemplo.
’
Rosa
diz que tem impressão de que a internet
propicia às pessoas uma espécie
de corpo virtual e de vivência virtual.
‘Como se novas realidades estivessem
surgindo. ’
Em
relação aos casos em que são
deixados insultos ao morto ela conclui: ‘O
ciberespaço está cheio de maluquices.
Nele as pessoas projetam tudo que o têm
de melhor e de pior. Aparentemente, aquilo
não terá conseqüência,
o que propicia variadas formas de agressão.
’
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