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Dr. Raymundo Silveira - Coluna
Doutor, conte Mais! |
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Uma
Temporada No Inferno  |
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Por:
Dr. Raymundo Silveira |
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“J'inventai la couleur des voyelles ! - A noir, E blanc,
I rouge, 0 bleu, U vert. - Je réglai la forme et le
mouvement de chaque consonne, et, avec des rythmes instinctifs,
je me flattai d'inventer un verbe poétique accessible,
un jour ou l'autre, à tous les sens. Je réservais
la traduction.”
(Arthur Rimbaud: Une Saison En Enfer - Délires)
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Ele também! Só que as suas
vogais eram todas cinzentas. Mas o 'A' era de amor; o 'E',
de esperança; 'I' de inspiração; 'O',
de Onipotência e 'U' de Universo. Também tentou
ordenar um verbo cheio de vida e acessível a todos
os sentidos, não apenas com as consoantes, mas principalmente
com as palavras já devidamente ordenadas. A tradução?
Pouco importava que todos a conhecessem.
Tudo isto fazia parte do seu caráter
ainda em formação até meados do primeiro
semestre de 1958. Naquele tempo a vida, se lhe configurava
quase eterna; o tempo não passava; as pessoas pareciam
imortais e quando ouvia falarem a palavra morte era como se
ouvisse agora alguém dizer que ocasionalmente um cometa
poderia vir a se chocar com a Terra e provocar uma devastação;
uma possibilidade tão remota que nem chegava a lhe
assustar. Ambicionava tudo; nada parecia impossível.
Subitamente, aquela construção
de vogais, consoantes e palavras, desmoronou do mesmo modo
que um castelo de areia levado pelas ondas. O verbo se tornou
inacessível a tudo. O amor virou apenas uma idéia;
a esperança ficou cada vez mais tênue; a inspiração
acabou de vez; a onipotência também se desmanchou
e o universo se tornou uma incógnita. Os motivos pouco
importam, do mesmo modo que não importa se alguém
foi assassinado a tiros, a facadas, por esganação
ou por afogamento.
Alguns anos depois despertou numa manhã
de segunda-feira do vigésimo primeiro ano de sua vida,
numa condição conflituosa jamais experimentada
até então. Havia sensação de morte
iminente; ausência de motivação para os
afazeres habituais; uma expectativa estranha de que algo terrível
estaria para suceder; um frenesi indescritível, sem
nenhuma causa aparente. Além disto, sentia fortes palpitações,
falta de ar e as extremidades geladas. Vestiu-se sob mera
indução de um reflexo condicionado e saiu de
casa sem nenhum destino específico.
Perambulou por todos os bairros da cidade
numa busca desesperada por alguma ajuda. Não houve
nenhum hospital, ambulatório, serviço de pronto-socorro
para onde não houvesse apelado. O máximo de
atenção que obteve foram sorrisos condescendentes
a simular solidariedade; um tapinha "amigo" nas
costas; uma injeção de drogas barbitúricas
e uma recomendação: "vá para casa
e descanse; isto não é nada". Entrou num
botequim e bebeu sua primeira dose de álcool. Um alívio
instantâneo caiu-lhe na alma qual uma bênção
sobrenatural. Consumiu, naquela noite, toda uma garrafa de
aguardente e depois foi seguir os conselhos dos profissionais,
voltou para casa. A manhã do dia seguinte foi a mais
infeliz de toda a sua atormentada existência.
Durante
os quinze anos seguintes afastou-se de tudo e de todos. Contraiu
uma cirrose do fígado e, desta feita, a medicina moderna,
com efeito, o socorreu parcialmente. Mas agora já era
tarde. Sucumbiu aos trinta e seis anos, num leito de hospital
para indigentes, de uma crise incontornável de vômitos
hemorrágicos. |
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"Raymundo
Silveira é médico e escritor. De Novembro
de 1979 a Junho de 1990 foi membro do Conselho Editorial
da Revista FEMINA, órgão oficial
da Federação Brasileira das Sociedades de
Ginecologia e Obstetrícia onde publicou cerca de
meia centena de artigos científicos. Tem também
trabalhos publicados em livros e outras revistas médicas.
"Prevenção e Diagnóstico do Câncer
na Mulher", "Ceará Médico",
"GO Atual" e "Revista Brasileira de Ginecologia
E Obstetrícia". Entre outras.
Suas atividades na literatura convencional tiveram início
com o advento da Internet, onde publicou mais de trinta
livros eletrônicos. Tem, também, textos editados
em numerosos sites sob a forma de Contos, Crônicas,
Ensaio, Crítica e Poesia. Um deles, o italiano Progetto
Letterario Internazionale DOMIST, traduziu alguns dos seus
escritos para o Inglês, Francês, Espanhol, Alemão
e Italiano. Recebeu alguns prêmios. Entres estes,
o que mais o orgulha, é o que lhe foi conferido pela
Associação Médica Brasileira. Em reconhecimento
pelos trabalhos que tem publicado em defesa das
mulheres".
Abaixo, algumas das inúmeras Obras Literárias
de Raymundo Silveira, que aqui estão
expostas e foram escolhidas aleatóriamente, no entanto,
as mesmas, poderam ser acessadas pelo Portal do Autor no
Link Abaixo das Capas.
Seu
Portal na Net: http://www.raymundosilveira.net/
O E-book
abaixo ilustrado, pode ser baixado neste Portal, basta um
clique na Capa do livro. A Respectiva obra é composta
de diversas Poesias e respetivamente, Brilhantes Poetas.
Entre as Estrelas que nele despontam, contamos também
com a Ilustre participação do Autor Raymundo
Silveira.
Na verdade,
este E-book foi uma das formas encontradas pelos responsáveis
deste portal (que entre outros), manifestam o objetivo maior,
que é o de divulgar nossos Magníficos Artistas
e Amigos das Letras, incetivando a Literatura.
Á todos, nossa gratidão e não percam
nossas Edições.
Conheçam nosso Portal, prestigiem os nossos colunistas,
assistam aos vídeos, deixem sugestões de Pautas,
críticas, Colaborações e os mais importante:-
Voltem Sempre!
Equipe
zaP! E EUNANET.
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-Violência pratica contra a Mulher-
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