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Na
verdade, a Revista zaP! Nasceu de um Projeto social voluntário
que leva o mesmo nome desta e vem tentando através do Portal
e respectivos Boletins, mostrar entre outros, como é a vida
entre grades, e a condição da Mulher enquanto cumpre
o que a Lei determinou. Todo o trabalho aqui apresentado brotou
da necessidade de mostrar a sociedade o que se têm feito no
Sistema Prisional Feminino e as respostas obtidas. Claro que não
limitamos este espaço, muito contrariamente, mesmo porque,
há muito, o zaP! Foi ganhando amigos, parceiros e principalmente
leitores, o que indubitavelmente também nos permitiu "ousar"
e não tornar as informações aqui prestadas
como fixas e desatualizadas. A nossa intenção então,
se estende e assim sendo, vamos nos moldando, procurando cada vez
mais diversificar sem sair do mérito principal.
O
Portal que traz a Revista Eletrônica zaP! Conta com uma equipe
de profissionais colaboradores da melhor qualidade, que com empenho,
ética, carinho, e principalmente respeito, vêm atuando
para que possamos oferecer o que há de melhor aos que aqui
chegam.
Para
que se tenha uma breve noção do portal, gostaríamos
de apresentá-lo abordando dois temas de suma importância,
uma referente ao trabalho voluntariado e outra sobre as perspectivas
da Mulher encarcerada. Os artigos seguem abaixo, porém, desde
já agradecemos a consideração da sua visita,
reafirmando nossos mais sinceros votos de Boas Vindas, e
esperando que você retorne sempre, afinal... A casa é
Nossa!
Perspectiva da Mulher na Prisão e, Voluntariado.
Por: Elizabeth Misciasci
Como
cada caso realmente é um caso isolado e este acompanhado
de um histórico de vida diferente, se tornaria uma irresponsabilidade
falar por tantas Mulheres encarceradas, generalizando-as e esquecendo
que dores, sofrimentos e perspectivas, são assuntos de natureza
pessoal. No entanto, podemos dizer que pela maioria, existem perspectivas
relacionadas aos familiares, sonhando em voltar e recompensar o
tempo desconhece que nem sempre, a realidade é a pensada.
Para as que não vêem os filhos, por não encontrarem
pessoas mantenedoras que garantam os futuros destes, ou a não
aceitação familiar, mesmo sabendo que os menores foram
encaminhados a instituições e abrigos, acreditam que
conseguirão revê-los, sem qualquer dificuldade, o que
quase sempre, não é real. Há como afirmar,
que na concepção geral da massa carcerária
feminina, uma coisa é certa e quase unânime, a de que
tudo voltara a normalidade, quando retornarem a sociedade aberta
e que não terão a verdadeira dificuldade em encontrarem
emprego e se reintegrarem socialmente.
Exercer o Voluntariado no Sistema Prisional é o Trabalho
social mais doloroso e difícil de ser praticado.
Atuar
no Sistema Prisional, ou em algum setor relacionado à criminalidade
como Voluntário, é uma Missão que requer Resignação,
cuidado e acima de tudo muito Amor. Após 20 (vinte) anos
de trabalhos voluntários, cheguei à conclusão
de que prestar serviços não remunerados no Sistema
Prisional é o Voluntariado mais doloroso e difícil
de ser praticado, sendo que o retorno do empenho empregado é
indubitavelmente benéfico, prestando assim uma imensa contribuição
para a Sociedade como um todo. No entanto, as condições
impostas para que se desenvolva o voluntariado dentro dos cárceres,
em alguns casos, chega a ser tão sistemático, que
tira a motivação dos que querem contribuir e atuar
pela causa, razão até pelas quais muitos desanimam
e desistem sem antes mesmo de serem “APROVADOS” para
ingressarem nesta empreitada. Para que se possa atuar no Sistema
Prisional como voluntário, é necessário preencher
uma série de requisitos (até então normais,
pela própria massa que será objeto direto de atividades
desenvolvidas).
Entendemos que por se tratar de contatos que são feitos diretamente
com pessoas que delinqüiram e cada qual com delitos diversos,
há também uma forte preocupação com
a segurança do agente voluntário, porém, as
exigências, suas prerrogativas, e a falta de reconhecimento,
podem levar até a denegrir a pessoa predisposta a ofertar
seus préstimos. Primeiro, para se adentrar as muralhas, é
feito um levantamento da vida pregressa e toda uma investigação
em torno do voluntário.
Se nada houver que o desabone, então é necessário
apresentar um projeto explicando minuciosamente qual o objetivo
do trabalho e o porquê da opção. Após
todo esse processo, (que será constante e infindável)
então se aguarda a autorização para que se
iniciem os trabalhos sendo que até uma pequena restrição
já se faz o suficiente para que seja impedida a ação
dentro do Sistema. Assim sendo, o Voluntário, precisa ser
um indivíduo totalmente ilibado e mantenedor imparcial diante
das injustiças que afetam desde agentes prisionais até
os encarcerados “reeducandos”, não podendo expor
pareceres nem tão pouco divulgar o que ouvem e vêem
dentro da vida entre grades.
De
fato, trata-se de um outro mundo, onde a exclusão social
é literalmente exercida, razão pelas quais muitos
sem conhecimento de causa, só sabe afirmar que o Sistema
é falido e não recupera o que NÃO É
VERDADE! Além de toda uma burocracia exageradamente necessária,
o Voluntário, necessita estar em condições
psicológicas completamente equilibradas, e demonstrar firmeza
para não se sugestionarem diante do que verá e vivenciará
ao conviver com apenados (a)s.
Só que as dificuldades não se cessam após a
aceitação para ser voluntário do sistema, este,
tem que estar ciente que poderá ser criticado de maneira
severa pela própria sociedade, enquanto não tiverem
conhecimento de seu papel dentro da sua ideologia. Assim, muitas
vezes, o voluntário, passa por um outro processo mais doloroso,
ou seja, ofendido e julgado de forma cruel com suposições,
que os qualificam de forma pejorativa e desumana; isso quando não
é propagado que sua função é “defender
bandidos,” que “recuperação, reabilitação
e reinserção” é algo inviável
e impossível, que não existem preocupações
com as vítimas dos “delinqüentes” que tanto
os voluntários defendem, chegando até a sofrerem ameaças.
Mais isso se dá, pela falta de informação,
pela má vontade de conhecer a causa e pela própria
descriminação, que impede a compreensão de
que dentro dos Presídios, cada caso é um caso isolado.
O que posso afirmar sem nenhum medo de pecar, é que como
Voluntária do Sistema, Presidente do Projeto zaP e ativamente
atuante desde 1986, tenho milhares de exemplos de pessoas que após
saírem dos cárceres se reabilitaram e mudaram os rumos
de suas vidas, sendo sim, referenciais para que outros não
entrem para o mundo do crime. Acredito e PROVO que a reabilitação
é possível e o sistema não é em todos
os lugares uma instituição falida. Sou pelo bege,
amarelo, laranja e verde, não tenho qualquer interesse em
diferenciar ou querer saber os que privados de liberdade aderiram
ou fazem parte, não me atento a nenhuma facção
ou partido, nem entro no mérito. Da mesma forma que entro
em uma unidade prisional, e lá realizo meu trabalho, faço
da mesma forma em qualquer outra, tendo apenas como meta contribuir
e não incentivar, julgar ou apoiar quem já foi julgado
e esta cumprindo sua pena.
Exercitamos o voluntariado, não por curiosidade, nem tão
pouco para nos destacarmos, ou vislumbrarmos ganhos (financeiramente
falando). Atuamos sim, sem negligencias ou incentivos que impeçam
a reinserção, somos agentes transformadores, com forte
contribuição social e que sem pretensão só
temos e distribuímos conscientes, tanto para os cativos como
para as vítimas MUITO AMOR.
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