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Favorita - Irrecuperáveis |
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Repercussão não agradou as categorias citadas e o desrespeito. A Falta de valôres, a Impunidade e as Péssimas Referências marcaram o final de A FAVORITA Leia Aqui e - Leia Aqui
A
Favorita Resumo dos Capítulos á
partir de 01/12/2008 até o Final da Novela.
Irrecuperáveis
em "A Favorita"
Por: Elizabeth Misciasci
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Mais cruéis e desumanas
que a permanência carcerária
feminina e a escassez gritante de recursos
a que estão submetidos os agentes prisionais
e profissionais ativos do sistema, é
a forma pela qual se tem retratado o assunto
em A Favorita.
Mesmo em se tratando de uma
ficção, o tema vem sendo explorado
de forma abrangente, porém equivocada
e absurdamente infeliz. Não se atenta
aqui, a produção, interpretação
ou Estado cenográfico. O que ocorre,
é que o assunto é extenso dentro
de uma fragilidade irretratável.
Óbvio, que muitas teledramaturgias
já encarceraram suas protagonistas
e antagonistas, no entanto, A Favorita, centralizou
a história em um primeiro crime, e
deu continuidade ao enredo, tendo como pano
de fundo da trama, uma egressa, após
dezoito anos no cárcere, transformada
em uma doente e perigosa reincidente criminosa
em potencial.
Há muito, saiu de cena
a motivação para polemicas e
discussões, alçando um vôo
lamentável a uma irrealidade perversa.
A partir do momento que se expõem divisões
comportamentais entre o fictício e
o verídico, necessário se faz
a coerência mínima para um horário
nobre e influenciador, pois quem acompanha
a obra, nem sempre tem a menor noção
da dosagem imaginária usada.
É perfeito que se queira
inovar, bem como é importante à
abordagem do cotidiano, porém, o que
não se pode ignorar é que muitas
pessoas são sugestionadas e norteadas
pelo que estão vendo sim e indubitavelmente,
acabam declinadas a acreditar no contexto.
Na vida real, os papéis
são limitados, os personagens reais,
e o sofrimento não esta na maquiagem.
Um ensaio sobre o desconhecido, não
pode servir para massacrar um tema da vida
real tão doloroso, arrombando ainda
mais o abismo dos excluídos.
Todos sabem, a teledramaturgia
pode ser a estrada que vai do arco íris
ao infinito, mas a partir do momento, em que
se usa um referencial dando-lhe vida real,
uniformizando-a, nomeando-a e fazendo alusão
ao que é fato, o porvir seqüencial,
já não pode ser fantasia, nem
tão pouco tratado como tal.

Assim
sendo, justo o é que a Sifuspesp (Sindicato
dos Funcionários do Sistema Prisional
do Estado de São Paulo) através
de seu Presidente, João Rinaldo Machado
reagir com o repudio, uma vez que este se
alastra pelos servidores penitenciários.
Já o Presidente da Sindasp (Sindicato
dos Agentes de Segurança Penitenciária
do Estado de São Paulo) Cícero
Sarnei dos Santos, fez questão de frisar:-
"Mesmo sendo personagem de ficção,
a Zezé é um lixo para nós.
Está explícito que é
um achincalhe direto à categoria. Mandei
ofício ao Lula, para ele interceder.
A Globo precisa reavaliar a obra, pois ela
está sendo muito prejudicial para nós".

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Não
pode se negar o fato! As inúmeras
dificuldades de atuação
nesta profissão que também
é de risco existem, bem como a
baixa remuneração e pesada
carga horária, mas isso não
pode servir de alicerce concreto para
se retratar de forma abrangente, diretores
e agentes prisionais.
A
personagem que ilustra a AEVP (Agentes de
Escolta e Vigilância Penitenciária)
ou ASP (Agentes de Segurança Penitenciária)
Zezé, interpretada pela atriz Docimar
Moreyra faz alusão a uma funcionária
do sistema prisional paulista. Isso pode ser
conferido pela fidelidade do Uniforme, com
a respectiva bandeira do Estado no braço
e o Brasão no peito. No entanto, tal
foco, não impediu que a classe na sua
grande maioria, se sentisse lamentavelmente
lesada nas mais diversas regiões do
País.

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“Não
se trata de intervirmos na criação
do autor, mas sim na forma que ele reproduz
um limitado entendimento”. - Argumenta
M.A.P. agente prisional da Penitenciária
Feminina da Capital São Paulo,
conhecida como P.F.C.
“Trabalhei por trinta
anos no Sistema, sei na pele o sentido da
discriminação e as suadas conquistas
diárias, acho um absurdo como a falta
de conhecimento, pode ser transformada e inventada
de qualquer jeito”. – Desabafa
B.C. ex-diretora de reabilitação.

“O
problema é que gravaram aqui na Sant’Ana
apenas a saída de Flora, não
houve o acesso à parte interna da Penitenciária,
mas esta muito claro que se trata das Penitenciárias
de São Paulo e o autor deveria ter
feito no mínimo uns dias de laboratório,
mas pecou. Não estamos revoltados com
o regionalismo nem com a história,
mas sim com o despreparo e a afronta. Todos
sabem que se trata de novela, mas vamos e
convenhamos, há um número grande
de pessoas que acreditam, tanto é que
neste final de semana, na fila da visita,
havia gente procurando a Zezé "...
–Relata S.G. da P.F.S. que destaca ainda
a indignação das reeducandas
(detentas).

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Se por um lado, o que não
é nem de longe parecido com a realidade,
como as constantes e continuadas cenas de
corrupção, torturas, uso interno
de aparelho celular, visitas liberadas e descuidadas,
sem preocupação com existentes
normas disciplinares e segurança desfilam
em horário nobre, por outro lado, o
repudio da massa carcerária feminina,
também ecoa.
Entre - grades, onde as frias
muralhas dividem o mundo ao meio também
há vida. Neste Universo paralelo, mulheres
nascem, se transformam, vivem ou apenas sobrevivem.
Mesmo tolhida a liberdade de ir e vir pela
condição de pessoa presa, não
impede que demonstrem indignação
e tristeza diante da tela de tv. Assim, seja
por meio dos familiares ou por cartas, lamentam
por serem tão pouco lembradas e quando
mencionadas, nada aparentam do que são,
o que fazem e o que esperam.
Descrevendo a impotente sensação
ora imposta, se definem como mais um rótulo
que as tornam personagens da vida real em
decomposição. Retratadas como
“irrecuperáveis” por serem
perigosas, ficam á sombra de uma fantasiosa
e degradante história, que sem noção,
as excluem ainda mais da sociedade, direcionando-as
assim, a profundeza do incerto futuro.
Oras, mas se tratando de ficção,
onde raras foram às cenas que sequer
se aproximaram ao cotidiano de um presídio
feminino, A Favorita, não deveria ser
objeto de contestações, vindo
a prevalecer incômodo ou preocupações.
Porém, a problemática esta justamente
no desconhecido, que retratado de forma insistentemente
fantasiosa, vem destruindo anos de trabalhos
desenvolvidos nos cárceres, inculcando
nas pessoas, novamente o preconceito, o medo,
a descrença e a mais temida: - a discriminação.
Como fazer chegar a milhares
de centenas de pessoas, que não existem
mais solitárias e sim o RDD? –Como
mostrar que quem se beneficia de indulto,
(Diva- Giulia Gam) esta em progressão
de regime, portanto uniforme branco e verde,
já que se trata de São Paulo.
– Como explicar o R.O. pincelado tão
diferente na dramaturgia. –Os alimentos
em saco como lavagem. –A explícita
e surreal afinidade de uma ex reeducanda com
uma funcionária, já que o “proceder”
não permite tal comportamento, enquanto
encarcerada. –A morte súbita
de uma interna, denotando a omissão
de socorro, a passividade e a tolerância
(que é inaceitável na realidade
carcerária) das demais companheiras
de cela. –O diálogo no horário
do sol entre apenadas, que jamais é
cerceado. –Visitantes freqüentes
e variados no parlatório, em horários
diversos e sem ter nome em rol de visitas.
–Uma ex-apenada, adentrando ala interna,
com a conivência funcional. –A
alcagüete na frente de todas, o que é
postura vetada em cadeia e assim vai... Já
que é ficção...

Talvez se não fosse
um espelho que tivesse como foco principal
um assunto tão pouco divulgado, no
entanto dramático e real, como a criminalidade
feminina, ou que esta não insistisse
em mostrar um cárcere generalizado,
repleto de pessoas que sobrevivem apenas penteando
os cabelos no pátio, tomadas por completo
ócio ou na tranca pesada, certamente
seria uma porta de esperança que se
abriria para muitas...
No entanto, as sobras da trama,
se espalham, enquanto se defende a liberdade
de criação do autor, se encarcera
o respeito para as que um dia cumpriram suas
penas e lutam pelo resgate social e familiar.
A mais um lamentável exemplo, onde
“se acomoda” a reincidência,
esta as quatro protagonistas que passaram
pelo cárcere, até a que nunca
delinqüiu, na teledramaturgia, A Favorita
(que seria a personagem de Claudia Raia, Donatella)
ira delinqüir.

Ou seja, a partir do momento,
em que sem opção e contrariada,
sai de um Presídio de posse de documentos
falsos, usando a identidade de Diva ou Rosana
(Giulia Gam) atestando a vulnerabilidade para
o crime. O mesmo acontece com Diva, após
confidenciar que não quer sair da prisão,
estando com os dias de vida contados e cedendo
a vez para a companheira partir, se evade
da penitenciária também com
a “ajuda” da D.G. e até
o momento, o que se sabe é que irá
continuar no crime, juntamente com o político
Romildo Rosa.
Como se a insanidade de Flora
(Patrícia Pillar) não fosse
o bastante, para definir a silhueta de uma
mulher perigosa, e do crime, que jamais seria
reabilitada, vindo a reincidir sabe-se lá
por quantas vezes... Ainda há a personagem
Cilene vivida por Elisangela, tendo como fonte
de renda a exploração sexual
de mulheres, que mesmo passando uma noite
na cadeia, cometeu o perjúrio para
“quem sabe”... Esconder o seqüestro
do filho de Donatella.
Assim, evidente que o autor
ainda não abriu nenhum precedente para
as que um dia passaram uma dolorosa estádia
nos cárceres e acreditando estar gerando
polêmicas e aumentando a audiência,
não percebe a nova pena que esta impondo,
e o quanto vêm afetando vidas, que por
alguma fatalidade, foram aprisionadas.
“A verdade é que
as pessoas acreditam no que assistem, tanto
é que copiam cortes de cabelo, modelitos
de vestidos, enfim. Há até atores
que apanham na rua, porque as pessoas nem
sempre sabem diferenciar vida real de novela.
Passei oito anos na prisão, quando
sai, há um ano e meio atrás,
minha filha havia crescido, e o processo de
aproximação é diário
e lento. Ela esta com doze anos e tenho evitado
ligar a TV para que ela não se deixe
influenciar. Sabe, quando foi revelada a assassina,
e a frieza dela deu problemas sérios
em casa... Agora imagina se no seio familiar
é assim”... – Lamenta Leila
Young.
Uma coisa é certa, um
contexto ilusório, gerado à
custa de situações distorcidas
e desmoralizadoras, não é um
quadro irreversível. Podendo abrir
os braços para uma possibilidade infinita
de situações, onde esta realidade
reside no poder do criador em tornar tudo
possível, ainda existe o tempo, do
“a mais” e “na medida exata”
ou quiçá, de reescrever essa
história, onde o somar ponto, consiste
no consciente... Em se contar outro conto.
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