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Casos Verídicos, preservando
apenas as identidades das Autoras da Ação
Delituosa

Morena,
alta, cabelos muito bem tratados, rosto bonito,
corpo “malhado”. Márcia
trabalhava como secretária e sonhava
com as passarelas. Tudo isso é passado.
Ela foi presa em junho de 2002 no aeroporto
Internacional de Cumbica, São Paulo,
tentando embarcar para Espanha com 82 cápsulas
no estômago, num total de 255 gramas
de cocaína. A viagem lhe renderia o
equivalente a um ano de salários. A
Polícia Federal não teve dificuldades
para pegá-la em flagrante.
Já havia uma longa investigação,
ha tempos as Autoridades estavam de olho em
seus patrões, uma quadrilha de traficantes,
e tinha grampeado os telefones da “Empresa”.
Condenada
há onze anos e dois meses, Márcia
hoje com 30 anos, cumpre pena numa Penitenciária
Feminina de Salvador no Estado da Bahia; abandonada
e não podendo arcar com às custas
de um defensor particular, depende das lotadas
agendas dos advogados dativos, que atuam nas
unidades prisionais, afim de garantir a defesa
ampla e plena.
Porém,
até mesmo pela precariedade de condições,
estes profissionais muitas vezes por não
ter tempo o suficiente para atender minunciosamente
cada caso, acabam desistindo apenas tomando
ciência dos atos processuais, durante
o(s) tramite(s) do(s) Processo (s). Assim
sendo, situações como estas,
tecnicamente falando, vão amargurando
a defensoria pública e por uma série
de fatores que envolvem estas precariedades,
acabam transformando-os em impotentes, numa
somatória que os deixam humilhados,
uma vez que as Mulheres são imediatistas
e acabam no ímpeto da revolta, ofendendo
e desrespeitando os magistrados.
Márcia,
já se desinteressou em voltar para
a Sociedade aberta e acredita na reablitação,
principalmente quando afirma não "ser
do crime", no entanto, sabe
que poderá amargar ainda muitos e muitos
anos no cárcere, contudo, dedica seu
tempo em estudar teatro na própria
prisão e na hora das aulas, trabalha
como professora, alfabetizando aquelas que
nunca aprenderam o “bê-á-bá”.
"-Rodei de cara”,
- Lamenta Marcia.

Os
milhares de quilômetros de distância, já
no Recife, as irmãs “Celestes” {caso verídico,
nomes fictícios, pelo fato da história destas
mulheres de uma mesma família, ser de conhecimento
da população, e que pelo impacto, geraram clamor
público} também caíram. Edna, Érika
e Sonia Regina estiveram presas na Colônia Penal
do Bom Pastor por tráfico de drogas. Juntas,
segundo os próprios cálculos, vendiam em média
meia tonelada de maconha por mês. Era um negócio
familiar. A mãe, Dalmar, que morreu há alguns
anos atrás, foi presa duas vezes. O pai, também
traficante, sumiu. As "filhas de Dalmar", como eram
conhecidas nas “bocas” da periferia do Recife,
não deixariam “o empreendimento” e continuara
o negócio até serem presas.
Márcia
e as irmãs Celestes são figuras simbólicas
de uma dura realidade no sistema penitenciário do Brasil:-Nada
menos que 72% das reeducandas em todo o país foram
condenadas por tráfico de drogas. A proporção
revelada é surpreendente, se comparada à dos
homens, que representam 90% da população carcerária.
A maioria das detidas são como a morena bonita de Madrid,
simples "mulas" – A arraia
miúda contratada para o transporte da droga. Umas poucas
são como as irmãs Celestes, donas do próprio
negócio. A primeira das filhas de Dalmar a ser presa
foi Edna, em 2000. No ano seguinte, foi a mais velha, Sonia
Regina. E em 2003 a caçula, Érika, foi flagrada
no sertão Pernambucano com dezenas de tijolos de maconha.

Aos
21 anos, grandes olhos azuis, cabelos longos, Ângela
aguarda julgamento também por tráfico de drogas,
na Penitenciária Feminina da Capital (Carandirú)
Estado de São Paulo. Se for condenada a pena máxima,
perderá a chance de ver a filha de 08 anos passar a
adolescência...
Fenômeno
mundial – Há três décadas,
era raro ver nos tribunais uma traficante. Em São Paulo,
das mulheres recolhidas sete de cada dez estão presas
por tráfico – No Rio de Janeiro, as condenações
femininas pelo mesmo crime saltaram de 38% para 65% nos últimos
seis anos. O fenômeno é mundial. Um estudo produzido
em três Estados americanos concluiu que entre 1986 e
2007 a quantidade de mulheres encarceradas por crimes relacionados
a entorpecentes cresceu quase nove vezes. Nesse período,
o número de presas por outros delitos, como assaltos
e homicídios, apenas dobrou. Em Buenos Aires há
um presídio destinado única e exclusivamente
a traficantes, o fato, deve-se em grande parte ao tráfico
feminino de drogas.
A
presença das mulheres no narcotráfico
tem certas particularidades. Elas exercem
as funções menos perigosas e
quase nunca são as donas do produto.
Não se conhece (ou se deduz...) nenhuma
"baronesa" do tráfico. Por
enquanto, elas predominam como "mulas",
(ponte que liga o traficante ao usuário)
atividade que não exige necessariamente
violência física, armas em punho
nem perseguições policiais.
É assim em todas as facetas do crime.
Um em cada três presos em São
Paulo está detido por assalto. Entre
as mulheres, a proporção é
de uma em sete.
Mulheres
e o Narcotráfico
by
Elizabeth
Misciasci zeP!
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