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  Aprisionar protagonistas heroínas em teledramaturgia  Volta à Página Anterior


Por: Elizabeth Misciasci


Claudinha Abreu, foi apenas mais uma Protagonista Heroína aprisionada.
Depois dela, muitas outras já passaram por situação semelhante.
Agora é a vez de Patrícia Pillar em A Favorita.

Aprisionar protagonistas heroínas em teledramaturgia, aumenta audiência sem dúvidas...

Alguém se lembra de Vitória Rocha Assumpção, Sol Oliveira, Maria do Carmo Ferreira da Silva,
Maria Clara Diniz, entre outras célebres injustiçadas e encarceradas?
Bem, de qualquer forma, as personagens citadas, possuiam peculiaridades em comum,
o que levou os telespectadores a questionarem um injusto e incompreensível ato,
que ao final de cada situação isolada, apresentava-se carregado de repúdio e repleto de indignação.


Claudia Abreu na PFS'
Claudia Abreu- Penitenciária Feminina de Sant'Ana São Paulo

Debora Seco na personagem Sol -Presa em América
Debora Seco na personagem Sol -Presa em América

Tramas onde injustiças são praticadas contra heroínas, embora sejam artifícios dramáticos
que costumam definir desfechos, acabam tornando a história empolgante e envolvente.
Mas entre as personagens enclausuradas, há algumas coincidências, ou seja, as razões que levaram as
protagonistas para trás das grades, sem pre se deu pela ação de algum vilão.
Contrariamente a realidade, quando deixaram os cárceres, as nossas heroínas,
estavam totalmente dispostas a mostrar suas verdades e que não se brinca com a dignidade de uma mulher sem pagar pelo feito.



Claudinha Abreu- PFSant'Ana

 

No entanto, no cotidiano de um cárcere feminino, onde as protagonistas, são personagens reais de
um contexto cruel, há toda uma morosidade no resgate da dignidade, que se perde no momento em que
os pulsos são lacrados, os lábios amordaçados e a liberdade de ir e vir, entre outras tantas perdas,
se esvai. Na realidade, a mulher 90% (noventa por cento) das mulheres quando encarceradas, sofrem
literalmente o abandono, tentam se reabilitar, mais lutam pelo resgate da identidade social perdida.
Óbviamente que não se esquecem do momento e dos motivos que as aprisionaram, no entanto, há tanto
o que se buscar, que com o passar do tempo, só sonham em recuperar o tempo que "sobreviveram" dentre as muralhas.

Nosso Magnífico Silvio de Abreu, autor de "Belíssima", explica a sensibilidade com que colocou a personagem 'Vitória' interpretada pela atriz Cláudia Abreu, naquela situação
repugnantemente difícil, apesar de já ter usado este 'recurso dramático' duas vezes em "Rainha da Sucata" em 1990, mais atesta:

"-O telespectador torce pela heroína, seja ela vítima de uma injustiça social
ou de uma traição amorosa. O maior fator de identificação do público com ela
são os valores éticos e morais que carrega. O objetivo não é apenas criar um artifício para
aumentar a audiência. Isso aumenta a torcida pela heroína que sofreu uma injustiça e que deverá lutar
por liberdade e provar sua inocência.
Eu não tenho 'recursos' em uma caixinha para ir inserindo na trama. Penso na história como um todo.
Dependendo do tema, a própria novela acaba exigindo que certos conflitos aconteçam."Pontua.

Por outro lado, o brilhantismo do nosso também notável autor Aguinaldo Silva, permite-lhe que
se fale sem pudores da capacidade de reação pública, ao fazer 'a mocinha' sofrer, confirma que
levanta a audiência, mas afirma ter feito isso só em "Senhora do Destino" em 2004.


"-Já é uma 'tradição fazer com que a heroína sofra bastante, de preferência, injustamente'.
A prisão da 'Do Carmo', vivida pela atriz Suzana Vieira, já estava prevista na sinopse.
Mas fazê-la encontrar com a 'Nazaré' [Renata Sorrah] foi uma oportunidade de sacudir a trama".Conclui Aguinaldo Silva.

Malu Mader

 
 
 

Algumas Personagens da Teledramaturgia 'Global' que foram encarceradas Injustamente.


Simone
(Regina Duarte, "Selva de Pedra", 1972/1973 e Fernanda Torres, 1986)
A artista plástica sofre um acidente de carro e é dada como morta. Por suspeitar que o marido
Cristiano (Francisco Cuoco, em 72, e Tony Ramos, em 86) queria matá-la para se casar com
Fernanda (Dina Sfat, em 72, e Christiane Torloni, em 86), Simone foge para os EUA e assume a
identidade de Rosana Reis, mas, no Brasil, é desmascarada e presa.

Júlia
(Sônia Braga, "Dancin' Days", 1978/1979)
Júlia Matos vai parar na cadeia porque uma noite, voltando da balada, um pouco alta,
atropela e mata um guarda noturno. Ela fica 22 anos na prisão e sua filha Marisa (Glória Pires)
passa a ser criada por sua irmã Yolanda (Joana Fomm). Quando sai da cadeia, tenta recuperar
o amor de Marisa, mas Yolanda se torna um obstáculo.

Cláudia
(Malu Mader, "Fera Radical", 1988)
A motoqueira acaba caindo nos braços de Fernando (José Mayer), mas tem de enfrentar o ódio da mãe do rapaz,
Joana (Yara Amaral), que tenta matar a moça no dia do seu casamento. Em uma luta corporal, a arma de
Joana dispara, a megera morre e Cláudia vai para a cadeia.

Clara
(Cláudia Abreu, "Barriga de Aluguel", 1990)
A dançarina que aluga sua barriga para que Ana (Cássia Kiss) gere seu filho é presa em fuga com o
pequeno Zequinha.
Desta vez a culpa não foi de nenhuma vilã, mas da mãe biológica da criança.

Maria do Carmo
(Regina Duarte, "Rainha da Sucata", 1990)
A sucateira de Sílvio de Abreu é presa duas vezes. Na primeira, porque tenta atirar em
Laurinha Figueiroa (Glória Menezes), mas atinge seu marido Edu (Tony Ramos). Na segunda vez, também por
culpa de Laurinha, que se joga do prédio da Sucata, mas arranca um brinco da sucateira para incriminá-la.

Maria Clara Diniz
(Malu Mader, "Celebridade", 2003/2004)
A heroína de Gilberto Braga precisou ir para trás das grades para reagir
aos ataques precisos da determinada Laura (Cláudia Abreu). Maria Clara também é presa
como traficante de ecstasy quando Marcos (Márcio Garcia) coloca as pastilhas na bolsa de seu bebê.

Maria do Carmo
(Suzana Vieira, "Senhora do Destino", 2004/2005)
A matriarca nordestina vai parar na cadeia por culpa do próprio filho, o corrupto
Reginaldo (Eduardo Moscovis) que falsifica notas fiscais em nome da mãe, que é pega pelo fisco.
Na prisão, Do Carmo se depara com sua antagonista Nazaré (Renata Sorrah).

Sol
(Deborah Secco, "América", 2005)
Iludida com as promessas do sonho americano, a sibilante mocinha de Glória Perez
vai para a cadeia três vezes. A primeira, por culpa de Alex (Thiago Lacerda), que colocou drogas
na bolsa da moça; a segunda e a terceira ao ser denunciada como imigrante ilegal pela
recalcada May (Camila Morgado).

Vitória
(Cláudia Abreu, "Belíssima", 2006)
A ex-menina de rua é vítima de uma armação, até o momento atribuída à "megeríssima"
Bia Falcão (Fernanda Montenegro), e vai parar na cadeia. Lá, é feita refém em uma rebelião e,
logo depois, é atacada e fica entre a vida e a morte.

Hoje, o Sistema Prisional Feminino Brasileiro, mantém sob custódia, dezenas de "Simones, Julias, Cláudias,
Claras, Marias, Solanges, Vitórias"... Enfim. No entato, atentado-se ao fato de que cada caso é um caso
isolado, que o cumprimento de pena difere de Estado para Estado, que existe toda uma morosidade até pela própria
dificuldade de cumprir os trâmites processuias dentro dos prazos determinados por lei, que a diferença
entre o Homem X Mulher na condição de pessoa presa é gritante completamente diferente do que já se tenha
mostrado ou escrito, dificilmente conseguiremos mostrar a verdadeira realidade, mesmo porque nem é este o Mérito
dos nossos Grandes Autores.
Na Lei do cárcere, impera o silencio, e só mesmo de forma fictícia, qualquer Obra que envolva o Tema
Mulheres e Cárceres serão narradas como de fato se iniciam e terminam. No entanto, muitas mulheres
encontram-se detidas em virtude da 'maldade alheia' e de forma injusta, cumprem penas altíssimas.
Embora, exista uma dose de exagero em algumas cenas já mostradas, é importante e de grande valia mostra-lás,
mesmo porque, nos cárceres existem mulheres de todas as classes sociais, etnias e religiões, respondendo
muitas vezes de forma INJUSTA e DESUMANA aos mais diversos delitos, DELITOS ESTES, que não cometeram...
Isso SIM é Fato e Verídico.


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