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Denuncias
Contra Penitenciárias Femininas |
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Por:
Elizabeth Misciasci
Em
20 de maio de 2008
Denuncias
relatadas pela Pastoral Carcerária,

aponta
Cinco Estados Brasileiros de abusos e Violências
praticadas contra Mulheres Encarceradas.
Tantas
já foram as denuncias, que as unidades
mencionadas não mais se manifestaram.
O Relatório, embora aponte cinco Estados,
o Brasil esta vendo (sentindo) uma epidemia
se alastrando, ou seja, mais uma... Que trata
do alto índice das Mulheres no Crime
ou aprisionadas. AS CONDIÇÕES
destas unidades e os abusos, permanecem, embora
já tenhamos feito alarmes e solicitado
providências...
(...) |
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Cadeia
Paulo Afonso- BA
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Cinco
Estados Brasileiros estão na lista
dos que mais vilipendiam as Mulheres Encarceradas.
São eles, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Norte, Pernambuco, Bahia e Mato Grosso
do Sul.
Diante de tais declarações,
descritas em documento elaborado e concluído
pela Pastoral Carcerária, as denuncias
pesam sobre abusos e violências praticadas
nas Unidades Prisionais Femininas, indo a
desencontro de legislações e
amparos constitucionalmente garantidos e não
exercidos.
Se no Estado de São
Paulo, as denuncias já são “preocupantes”
bem como as condições de sobrevivências
na maioria das unidades, iniciando um ciclo
progressivo de atitudes desumanas, não
há como se imaginar situação
pior...
O recente relatório
concluído e encaminhado pela Pastoral
Carcerária da CNBB à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos da Organização
dos Estados Americanos (CIDH-OEA) mostra que
as mulheres presas no Brasil sofrem com situações
de abuso e violência dentro do sistema
carcerário.
Segundo o relatório,
26 (vinte e seis mil) mulheres, dos trezentos
e sessenta e cinco mil homens encarcerados,
ou seja, 5% feminino deste total, passam por
problemas gravíssimos. Não há
penitenciárias femininas em número
suficiente e as que existem estão superlotadas.
O documento relata que as mulheres
encarceradas dividem celas com travestis e
adolescentes homens, vivem em locais onde
só há funcionários homens,
são estupradas e não têm
acesso a produtos de higiene.
Este ano, houve uma audiência
pública na sede da OEA em Washington,
para que as autoridades brasileiras fossem
ouvidas sobre o relatório, entregue
em fevereiro.
O relatório, não
menciona delegacias do Pará, aonde
recentemente veio à tona a denúncia
de que uma menor dividia a cela com 20 homens
e teria sido obrigada a manter relações
sexuais com detentos em troca de comida, pois
o assunto já havia tomado notoriedade
no exterior.
O documento cita exemplos de
situações adversas enfrentadas
pelas reeducandas em unidades prisionais como:
-Delegacia de Paulo Afonso (BA), as presas
estão com adolescentes, porque eles
não podem dividir cela com adultos.
Duas ficaram grávidas.
-Delegacia de Mesquita no Estado do Rio de
Janeiro, que não conta com agente carcerário
do sexo feminino. A revista inicial é
realizada por outra reeducanda.
-Cadeia de Amambaí (MT), onde um dos
funcionários entrou na cela para ter
relações sexuais com uma das
internas, na presença de outras dez.
-Penitenciária Feminina do Recife,
carcereiros andam armados dentro da unidade.
-Cadeia Pública de Mossoró
(RN), onde presos não aceitam dividir
celas com travestis, que passam a ocupar o
espaço reservado a mulheres.
“As
mulheres que sofrem violência sexual
ou trocam relações sexuais por
benefícios ou privilégios não
denunciam os agressores por medo, uma vez
que vão seguir sob tutela de seus algozes,
ou, ainda, por não entenderem que o
sexo utilizado como moeda de troca é
violação grave cometida por
um agente público”, expõe
o documento.
Fonte
Parcial: André Raboni
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Estados
dizem que tomam providências para diminuir
problemas em cadeias
(8/12/2007)
FSP
Outro lado
DA AGÊNCIA FOLHA
DA REPORTAGEM LOCAL
Os
governos de Estados citados no levantamento
disseram estar tomando providências
para diminuir os problemas.
A SAP (Secretaria da Administração
Penitenciária do Estado de São
Paulo), por meio de sua assessoria de imprensa,
disse que não teve acesso ao relatório,
mas confirmou que o presídio feminino
de Santana tem capacidade para 2.400 mulheres
e abrigava, no fim de novembro, 2.650.
Ainda segundo a assessoria, está prevista
para 2008 a construção de sete
unidades prisionais para mulheres (com 550
vagas cada uma).
Sobre a água do presídio, a
SAP informa que a Sabesp fez inspeção
e emitiu um laudo favorável (apta para
consumo) e que, em setembro, o Centro de Referência
Nacional para Zoonoses Urbanas efetuou dedetização
e desratização.
A Ouvidoria do Depen, segundo a assessoria
da secretaria, também visitou a unidade,
registrando as boas condições
de funcionamento do presídio.
O secretário-executivo de Ressocialização
de Pernambuco, Humberto Vianna Filho, disse
que, em no máximo 90 dias, a região
metropolitana de Recife vai contar com outra
unidade para mulheres, com capacidade para
160 detentas. No relatório, foi constatada
superlotação no presídio.
“A nova penitenciária não
vai acabar com o problema da demanda, mas
vai amenizar.“
A Colônia Penal Feminina do Recife tem
capacidade para 150 mulheres, mas abrigava
no fim de novembro 514. No Estado, só
existe outra penitenciária feminina,
em Buíque (296 km de Recife), que tem
capacidade para 70 presas e abriga quase 200.
A diretora da Penitenciária Estadual
do Espírito Santo, Maria Aparecida
de Azevedo, disse que, há pelo menos
dois anos, a unidade conta com uma equipe
médica com dez pessoas à disposição
das presas. Ela afirmou ainda que não
sabe quando a equipe da pesquisa visitou a
unidade e não conhece os casos de detenta
com hemorragia ou com tumor avançado
sem receber assistência.
“Sempre que uma detenta chega, ela fica
separada das outras até passar por
uma triagem com assistente social, médico
e equipe de enfermagem“, disse.
A penitenciária que fica em Cariacica
(região metropolitana de Vitória)
também enfrenta problemas de superlotação.
Apesar de ter capacidade para 174 detentas,
abriga 440 mulheres. Segundo Azevedo, também
há planos de novos presídios
no Estado.
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Colônia
Penal feminina do Recife terá berçário
A
Colônia Penal Feminina do
Recife, na Zona Oeste, inicia
hoje a construção de uma
creche para os filhos das internas. Atualmente
18 crianças vivem na unidade com
as mães e outras 32 mulheres estão
grávidas. O espaço será
construído por meio de uma parceria
da Secretaria de Ressocialização
e iniciativa privada. Batizado de Projeto
Néon, o berçário
foi orçado em R$ 150 mil. A possibilidade
de erguer o espaço surgiu há
quatro meses depois da Justiça
proibir a permanência das crianças
na unidade, mesmo a legislação
garantindo que as mães têm
o direito de ficar com os filhos durante
o período de amamentação.
Na época, apenas quatro mulheres
davam de mamar aos seus filhos. A portaria,
assinada em julho pelo juiz-substituto
da 1ª Vara de Execuções
Penais, Abner Apolinário, terminou
sendo revogada dias depois. A diretora
da unidade, Ana Moura, que está
à frente da Colônia Penal
há oito anos, afirmou que está
realizando um sonho. “Sempre tive
preocupação com as crianças
que nascem aqui. Mas os problemas só
começaram a aparecer com a superlotação”,
destacou. A penitenciária tem capacidade
para 150 mulheres e hoje abriga 519. De
acordo com a Secretaria de Ressocialização,
a creche contará com uma equipe
multidisciplinar, formada por psicólogo,
assistentes sociais e advogado, beneficiando
as parturientes que tiverem seus filhos
na unidade prisional. "Nada mais
necessário para tranqüilidade
de qualquer mãe do que ter condições
básicas de alojamento para seus
filhos, conseguindo assim, evitar riscos
à saúde dos recém-nascidos
por estarem em local inadequado",
disse o secretário Humberto Vianna.
Adriana Barbosa, que já amamentou
dois filhos dentro da penitenciária
e espera o terceiro, disse que há
muito tempo as internas esperavam por
essa novidade. “A cadeia está
superlotada, por isso fica difícil
cuidar dos nossos filhos da maneira adequada.
Muitas vezes eles ficam dentro da cela
inalando fumaça dos cigarros. Muitos
já tiveram problemas de saúde
por causa disso. Vai ser muito bom ter
um espaço reservado para cuidar
dos nossos filhos”, afirmou.
( Jornal do Commercio, Diario de Pernambuco,
Folha de Pernambuco, Mirthyani Bezerra,
08/11/2007 )
Fonte:
Equipe Auçuba/Rede ANDI
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Tráfico cor-de-rosa:
realidade e exploração feminina
na venda de drogas
Por:- Mayara Amorim
O chefe da Delegacia Especializada
em Narcóticos (Denarc) em Mossoró,
Dennys Carvalho, chamou atenção
para uma "ironia" dos tempos modernos.
Faltando apenas dois dias para dar início
ao mês das mães - símbolo
maior das mulheres - em Mossoró dezenas
de prisões em flagrante foram expedidas
contra mulheres. "Tanto a Polícia
Civil, quanto a Militar e a Federal apresentaram
mulheres como traficantes. Talvez o mês
de maio possa servir para que outras mulheres
comecem a pensar nesse novo contexto e examinar
se estão sendo inseridas na sociedade
ou explorada por ela, ao se ver inclusa num
quadro prisional da cidade", declarou
o delegado.
Dennys explicou que para o
surgimento dessa realidade pode-se observar
dois pontos: A mulher contemporânea
está cada vez mais despontando junto
aos homens um espaço e assim também
passa a ocupar as bocas-de-fumo e/ou ao se
ver sozinhas, muitas vezes com os companheiros
presos por tráfico ou outros envolvimento
criminais, vêem no tráfico a
única forma de ganhar a vida, além
da proposta do dinheiro fácil que o
cargo de "mula" (pessoa encarregada
de realizar o transporte da droga) que é
preterido para mulheres.
"Até o esquema
da PF que localizou todo um grupo que agia
fortemente como tráfico na região,
foi desenrolado com prisões de diversas
mulheres. Aqui na Delegacia de Narcóticos,
elas não são mais novidade.
No mínimo mensalmente sai uma condenação
ou prisão de mulher envolvida em tráfico",
declarou o delegado Dennys Carvalho.
O tema "mulheres nas prisões"
está tão evidente, que até
a revista de nível nacional Caros Amigos
chegou a afirmar que "elas estão
no cárcere e o cárcere não
está preparado para elas. Idealizado
para o macho, o cárcere não
leva em consideração as especificidades
da fêmea. Faltam absorventes. Não
existem creches. Excluem-se afetividades.
Celas apertadas para mulheres que convivem
com a superposição de TPMs,
ansiedades, alegrias e depressões".
Seguindo mais adiante na mesma
publicação a revista cita que
"assim como na sociedade, no cárcere
o espaço da mulher ainda é precário.
O sistema é masculino na sua concepção
e essência. Em Caicó (RN) não
existe penitenciária feminina. As mulheres
presas são alojadas numa área
improvisada dentro da unidade masculina. Em
Mossoró, mulheres presas, ainda sem
sentença, aguardam julgamento numa
área minúscula dentro da cadeia
pública masculina. A presença
improvisada das mulheres cria problemas legais
e acarreta insegurança para servidores
penitenciários quanto a garantia da
segurança geral e da integridade física
das mulheres".
Em contato direto da equipe
de reportagem do O Mossoroense com algumas
apenadas da cidade, foi registrado que entre
a maioria dos relatos das meninas do tráfico
potiguar o envolvimento teve início
com os namorados, que após serem presos
traficando repassam às companheiras
o comando da boca-de-fumo.
Segundo informações
do major Alvibá, diretor do Complexo
Penitenciário Agrícola Mário
Negócio (CPAMN), na penitenciária
da cidade, ele destinou algumas celas para
o alojamento dessas mulheres, possuindo até
mulheres com filhos. "Temos uma detenta
que está com o filho aqui. A idade
máxima de permanência dele na
penitenciária já foi superada,
que é de seis meses de vida. Ele está
com uns três anos. Agora o que posso
fazer? Não podemos liberá-la,
lá fora não há quem cuide
dele. Chamamos o Conselho Tutelar para acompanhar
o caso e damos o máximo de assistência
médica para o garoto", declara
o major.
Tráfico ocupa 80% das
prisões de mulheres nas cadeias de
Mossoró
Pelo crime, considerado hediondo,
são condenadas a penas que variam de
três a 15 anos de prisão. Além
das milhares detidas em todo o país,
estatísticas mostram que há
mais de 500 brasileiras acusadas de tráfico
de drogas em prisões européias.
O recrutamento de mulheres no exército
do tráfico está, cada vez mais,
ocupando espaços sociais, inclusive
nas penitenciárias. Isso também
é evidenciado em Mossoró, onde
mais de 80% das presas são condenadas
ou acusadas de tráfico, sendo a maioria
flagradas na atuação de "mula".
Mesmo
não possuindo um glamour social, essa
conquista feminina - ocupando espaços
também nas celas e cadeias - desmonta
a problemática da falta de locais específico
para essas mulheres encarceradas. Como a demanda
de mulheres está inchando nos últimos
anos, as penitenciárias estão
cada dia mais necessitando de espaços
para o acondicionamento dessas mulheres. Em
Mossoró, não há nenhum
local específico para a prisão
das condenadas. Estas são arranjadas
em celas separadas pelos diretores dos presídios
locais.
Fonte:
O Mossoroense
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Cadeia
Publica de Mesquita_RJ
Mesa
reservada para o encontro da acusada na condição
de pessoa presa, com seu advogado (Cadeia
Pública Feminina - AV. 7 de Setembro)
VARAS
CÍVEIS, FAMÍLIA, FAZENDA PÚBLICA,
VARA ESPECIALIZADA DA DÍVIDA ATIVA
ESTADUAL, VARA ESPECIALIZADA DA DÍVIDA
ATIVA MUNICIPAL, VARA ESPECIALIZADA DO MEIO
AMBIENTE E DE QUESTÕES AGRÁRIAS,
VARA DE REGISTROS PÚBLICOS E PRECATÓRIAS
E JUIZADO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE CÍVEL.
Dra. MARGARETH ROSE CRUZ HOAEGEN
5.ª
VARA CÍVEL DA CAPITAL
Fones:
3303-5115 / 3303-5116
VARAS CRIMINAIS, TRIBUNAL DO JÚRI,
VARA DAS EXECUÇÕES CRIMINAIS,
VARA ESPECIALIZADA EM CRIMES DE TRÂNSITO,
VARA ESPECIALIZADA EM CRIMES DE USO E TRÁFICO
DE ENTORPECENTES, JUIZADO DA INFÂNCIA
E DA JUVENTUDE CRIMINAL, AUDITORIA MILITAR,
VARA DE EXECUÇÕES DE MEDIDAS
E PENAS ALTERNATIVAS, VARA ESPECIALIZADA DA
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR
CONTRA A MULHER E VARA ESPECIALIZADA DE CRIMES
CONTRA O IDOSO, ADOLESCENTES E CRIANÇAS.
Dra. EULINETE MELO SILVA TRIBUZY
11.ª
VARA CRIMINAL
Fones:
3303-5191.
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COMO
UMA PRAGA
PERCIVAL
DE SOUZA, especial parao "Tribuna
do Direito"
AMAMBAI
(MS)
— O
PCC é muito pior do que se pode imaginar.
Como se fosse um câncer devastador,
a metástase do crime organizado chegou
a outros Estados. Estruturado como empresa,
transformou-se na organização
criminosa mais poderosa do País. O
tráfico de drogas é uma das
suas atividades principais, e o poder de fogo
não respeita nem juízes e nem
promotores. Essa situação é
latente em São Paulo, onde se mostra
mais forte, penetrou em mais sete Estados,
entre eles vários pontos do Mato Grosso
do Sul, especialmente na região de
fronteira com o Paraguai. O Primeiro Comando
da Capital entrou em processo de federalização.
Dentro do fórum da cidade, com duas
pistolas carregadas na cintura, o juiz Thiago
Nagasawa Tanaka, 32 anos, cinco de Magistratura,
dá expediente em audiências,
interrogatórios, promulgação
de sentenças e faz contatos com a polícia
como se estivesse em algum lugar do Velho
Oeste. Está sempre em alerta, pronto
para se defender. Não se afasta das
armas de jeito nenhum. Dois anos mais jovem,
o promotor Ricardo Rotunno segue o mesmo estilo
— sempre uma arma na cinta — e
seu colega Thalys Franklin, de 28, vai além:
mesmo dentro do fórum nunca tira do
corpo um colete à prova de balas.
A cena espanta quem é de fora e não
consegue se familiarizar com o cenário
de Tombstone. Juiz e promotores cuidadosos,
escoltados, armados, formando um triunvirato
para enfrentar os traficantes que os ameaçam
permanentemente. “Aqui é a principal
entrada de maconha do País”,
conta o juiz, que tem perto de sua comarca
muitos líderes do PCC, removidos para
a cidade de Naviraí depois que destruíram
a penitenciária de segurança
máxima de Dourados, no mesmo dia em
que aconteceram rebeliões em São
Paulo. Há uma sincronia entre o PCC
local, ramificado com o comando paulista.
Presidente Prudente, região onde está
a maioria dos prisioneiros do PCC, fica mais
perto de Campo Grande (456 km) do que São
Paulo (556 km). Além disso, Amambai
está bem perto de Capitán Bado,
a cidade que foi dominada pelo traficante
“Fernandinho Beira-Mar”, funcionou
como esconderijo de Paulo César Farias,
o tesoureiro da campanha de Fernando Collor,
e abrigou o clã Morel, uma família
inteira de traficantes. “Beira-Mar”
está na iminência de ser condenado
num processo da Justiça Federal só
por lavagem de dinheiro. Tinha uma casa de
câmbio próprio, do outro lado
da fronteira. O movimento que gravitava em
torno das drogas era tanto que quando “Beira-Mar”
retirou-se da região a agência
do Banco do Brasil em Coronel Sapucaia, o
lado brasileiro, viu-se forçada a fechá-la.
“Nossas portas estão abertas
para o tráfico”, lamenta o juiz
Tanaka, reclamando que na região “falta
policiais, equipamentos, patrulha da fronteira,
uma estrutura bem montada de segurança”.
E adverte: “O problema não é
municipal ou regional. É nacional.
As facções criminosas viram
os olhos para cá por causa disso.”
Sobre o PCC, especificamente, Tanaka diz que
“a polícia não tem como
pegar foragidos brasileiros em país
vizinho”. E que “a produção
de drogas, pelo lado paraguaio, é muito
grande”.
O juiz irrita os traficantes porque aplica
penas pesadas. Com ele, não existe
a teoria de pena-base. A média das
condenações é de oito
anos de reclusão. Nunca menos do que
isso. O resultado, conta Tanaka, “são
constantes ameaças contra autoridades.
Não podemos vacilar. Não podemos
abrir a guarda para esses criminosos”.
Junto com os promotores, o juiz fez um alerta
num dossiê em que documenta a situação
da “fronteira abandonada”, distribuído
para autoridades estaduais. Não houve
eco. Fora do Brasil, fala-se, na fronteira,
em “el Primer Comando de la Capital”.
O jornal norte-americano “Washington
Post” já mencionou as atividades
desencadeadas pelo “The First Command
of the Capital”. Além de federalizada,
a organização se internacionaliza
no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia.
No Mato Grosso do Sul, foi criada a Unicoc
— uma composição de forças
entre Ministério Público, Polícia
Civil e Polícia Militar. A sigla significa
Unidade Integrada de Combate às Organizações
Criminosas. Uma das investigações
do grupo revela que “atualmente existem
três facções criminosas
no âmbito dos internos do estabelecimento
penal de segurança máxima de
Campo Grande: PCC (Primeiro Comando da Capital),
que tem como epicentro o Estado de São
Paulo; PC/MS (Primeiro Comando de Mato Grosso
do Sul), que foi montado para afrontar a presença
do PCC neste Estado, e PCL (Primeiro Comando
da Liberdade), patrocinado pelo Comando Vermelho,
do Rio de Janeiro”. Um expressivo grupo
de presos foi apontado na investigação
da Unicoc como “integrantes do PCC,
que são conhecidos pela alcunha de
‘generais’, uma das patentes mais
altas dentro da facção criminosa,
que ocupam as posições de mandantes”.
Segundo esse relato oficial, “o PCC,
assim como as outras facções,
dependem, para manutenção, de
recursos oriundos de pessoas que estejam em
liberdade, ou outras pessoas que são
cooptadas”. Conforme a investigação,
“a comunicação entre os
internos e seus colaboradores é feita
nos dias de visita ou por intermédio
de telefones celulares, em sua maioria aparelhos
que funcionam por chips, devido o seu pequeno
tamanho e facilidade de serem introduzidos
no presídio e escondidos quando das
revistas feitas nas celas”. O documento
da Unicoc diz que foram identificados vários
associados em quadrilha, “para o fim
de praticarem diversos tipos de crimes para
a manutenção dos fins da facção
criminosa PCC”. A investigação
menciona a existência de uma espécie
de “departamento de Recursos Humanos”
na facção: foram apreendidos
dois cadernos com um cadastro onde são
nominados os “batizados”, referência
aos que entraram
no PCC e firmaram um pacto de compromisso,
sempre indicados por “padrinhos”
(os líderes da facção)
e “afilhados”. Também foram
descobertos planos do PCC para assassinar
o juiz Celso Antonio Schuch Santos e o promotor
Renzo Siufi, ambos da Vara de Execuções
Penais de Dourados, e ainda o diretor da penitenciária
de segurança máxima da cidade,
Joel Rodrigues Pereira. A ordem para matar
partiu de presídios de São Paulo.
No inquérito policial 031/05, o delegado
Antonio Carlos Videira, do Departamento de
Operações de Fronteira (DOF),
revela o conteúdo de um monitoramento
de vários acusados, com interceptações
telefônicas realizadas com autorização
judicial. E adverte: “Senhor juiz, vale
a pena dedicar uma hora de atenção
às degravações. São
informações riquíssimas
sobre a forma de agir da facção
criminosa e o nível de organização
empresarial merece respeito, pois seus membros
estão em fina sintonia com os demais
de outros Estados, sobretudo de São
Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Nossa região está, sem a menor
sombra de dúvida, em face da estratégica
posição geográfica na
fronteira com o Paraguai, sendo costumeiramente
usada por criminosos do PCC.” O delegado
Videira acrescentou que “o conteúdo
das degravações deixa claro
que para os membros do PCC, o aperfeiçoamento
no crime já está em nível
de doutorado, pois discutem com tranqüilidade
a prática de roubos a bancos, carros
fortes, seqüestros, como se fossem competência
dos Juizados Especiais Criminais. Falam de
fugas audaciosas, empregando helicópteros
que seriam operados por pilotos coagidos mediante
o emprego de armas de fogo, que seriam coladas
nas coxas de um tripulante”.
O crescimento do PCC levou a organização
a se transformar numa espécie de partido,
despido de qualquer ideologia. A avaliação
é do juiz federal Odilon de Oliveira,
para quem o PCC poderá ser, daqui a
dez anos, o segundo maior grupo terrorista
da América do Sul. Para ele, não
há mais dúvida de que o PCC
imita o estilo das Farcs, as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Observando o que o PCC tem promovido em São
Paulo, com uma sucessão de ataques
e até o seqüestro de um jornalista
da TV Globo, exigindo que a emissora divulgasse
um vídeo de quatro minutos para expor
a plataforma da organização,
o juiz Odilon diz que “as Farcs são
terroristas que querem reverter a ordem política
e o PCC quer reverter a ordem jurídica”.
Os tentáculos do PCC já são
nitidamente interestaduais. As autoridades
pouco se comunicam para conter o avanço.
Se não houver reação,
o PCC poderá transformar a letra de
uma canção funk em hino oficial:
“Está tudo dominado.”COMO
UMA PRAGA PERCIVAL DE SOUZA, especial parao
"Tribuna" Os bastidores antes do
pânicoBRASÍLIA — Na véspera
dos ataques que o PCC promoveu em maio em
São Paulo, matando 42 policiais civis
e militares, agentes penitenciários
e guardas metropolitanos, os dias de pânico
foram precedidos de um depoimento em sessão
reservada na CPI do Tráfico de Armas
pelos delegados Godofredo Bittencourt, diretor
do Deic (Departamento de Investigações
sobre o Crime Organizado) e Ruy Ferraz Fontes,
titular da Delegacia de Roubos a Banco, onde
estão concentradas as investigações
sobre o PCC. O depoimento reservado, gravado
em CD, foi comprado de um funcionário
da Câmara por dois advogados acusados
de serem ligados à facção.
O PCC ficou sabendo, assim, muitas das informações
que a polícia de São Paulo tinha
sobre eles. Algumas das revelações
dos policiais paulistas:
— “Houve uma época em que
o governo do Estado cometeu um erro: pegou
a liderança do PCC e seus bandidos
mais perigosos e redistribuiu-os pelo Brasil,
entre Rio Grande do Sul e outros Estados,
como Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e
Bahia. Isso, na realidade, acabou fazendo
acasalamento. O PCC é forte na Capital
e é apoiado em todo o Brasil. Virou
realmente uma febre. Ser do PCC é um
bom negócio.” (Bittencourt)
— “Descobrimos que eles tinham
um tesoureiro central. Ele escriturava tudo
num livro. Destinavam parte do dinheiro para
que grupos investissem na prática do
crime. Faziam empréstimos e cobravam
juros e correção monetária
para o caixa do PCC. Também tenho informações
de que eles estão investindo em algumas
pessoas que tem interesse numa carreira política,
para que façam ou promovam a candidatura
e a tentativa de eleição.”
(Ruy)
A Comissão Parlamentar de Inquérito
sobre Tráfico de Armas recebeu cópia
de um depoimento prestado à polícia
por outra advogada presa, Libânia Catarina
Fernandes, também sob acusação
de manter ligações sistemáticas
com membros do PCC presos na região
de Presidente Wenceslau. De acordo com o documento
“a declarante foi orientada a escrever
mensagens de papel e colocá-las sobre
o seio, de frente para o parlatório,
e de costas para supostas câmeras ali
existentes”. Ela admitiu ter retransmitido
ordens repassadas pelo prisioneiro Orlando
Mota Júnior para promover quebra-quebra
nas penitenciárias de Araraquara e
Itirapina. Confessou, ainda, que entrou com
celulares, baterias e “outros aparelhos”
para dentro dos presídios, recebendo
seu pagamento “em conta corrente”.
Segundo a polícia, a estratégia
de usar mensagens que não poderiam
correr o risco de interceptação
foi determinada pelos líderes do PCC.
Há mais casos de advogadas que escreveram
mensagens a tinta nos seios, diretamente sobre
a pele, para serem lidas somente quando elas
abrissem suas blusas. A Secretaria de Administração
Penitenciária de São Paulo informou
à CPI que o chefão do PCC, Marcos
Willians Herbas Camacho, o “Marcola”,
recebeu a visita de 29 advogados, entre janeiro
de 2003 e junho deste ano. Ao todo, o pelotão
de advogados realizou 135 visitas. Na região
em que existem mais presos do PCC, o juiz
Antônio Machado Dias, da Vara das Execuções
Penais de Presidente Prudente, foi assassinado
a tiros de pistola 9 milímetros, quando
saia do fórum, na noite de 14/3/2003.
A ordem para matar o magistrado partiu do
PCC.
No mês passado, o Judiciário
negou pedido do Ministério Público
para impedir a saída de cerca de 12
mil presos, em regime semi-aberto, para passar
o Dia dos Pais com as famílias. O PCC
reagiu explodindo uma bomba na sede da Procuradoria
Geral de Justiça. A juíza de
Execuções Criminais, Isaura
Cristina Barreira, negou que se pudesse atribuir
a todos os 707 presos liberados na Capital
uma vinculação com a facção
criminosa, mas recomendou que a polícia
monitorasse 113 deles. A seguir, o MP ofereceu
denúncia contra um grupo específico
(25 presos), acusado de formação
de quadrilha ou bando, e também associação
para o tráfico, fórmula jurídica
para procurar enquadrar os presos ligados
às “torres” do PCC —
forma pela qual eles designam o comando da
organização, que mantém
sólidas ramificações
nas “faculdades”, isto é,
as penitenciárias. (PS)
Que tal falar sério?
A
população reage com espanto
diante da postura oficial de autoridades federais
e estaduais. Em tempo de campanha política
e perto das eleições, o presidente
Lula ofereceu, como se fosse um ato de extrema
boa vontade, a presença de tropas do
Exército para São Paulo. O mesmo
Exército que prefere nada fazer justamente
na região de fronteira para bloquear
a entrada de drogas, armamentos e munições,
três dos pratos favoritos do PCC. O
juiz federal Odilon Oliveira foi pedir isso
pessoalmente ao Comando Militar do Oeste,
em Campo Grande. Como resposta, ouviu que
a União não dispõe de
recursos para isso.
O governador de São Paulo, Cláudio
Lembo, perdeu-se em divagações,
como atribuir tudo à “elite branca”.
Depois, atropelou a História, comparando
os acontecimentos de São Paulo com
a Guerra de Canudos. A saga de Antonio Conselheiro,
no final do século 19, no sertão
baiano, nada teve de comparável com
ataques terroristas, até porque o avanço
final contra o arraial foi feito exatamente
por expedições do Exército.
Recomenda-se ler Euclides da Cunha. O ministro
da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, e
o secretário da Segurança Pública,
Saulo de Castro Abreu, só faltaram
agredir-se em praça pública,
tantas foram as farpas trocadas. O governo
federal começou a falar, subitamente,
em “inteligência”. Curioso,
porque a área de informações,
sem a qual nenhum governo vive, foi desativada
irresponsavelmente tanto no Planalto como
na planície. Redescobriram que ela
faz muita falta depois de confundir inteligência
com bisbilhotice. Que tal falar sério?
(PS)
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Presa
sofre abuso sexual em 5 Estados, diz relatório
- Folha de S.Paulo 26/11/07
Há
casos de detentas que dividem celas com travestis
e adolescentes homens
Documento
preparado por entidades de defesa das mulheres
foi entregue à OEA; na Bahia, duas
ficaram grávidas dentro da cadeia
KLEBER
TOMAZ
ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A
violência sexual sofrida por uma jovem
presa numa cela com 20 homens em Abaetetuba
(137 km de Belém) não é
um fato isolado e exclusivo do Pará.
Um
relatório produzido por entidades brasileiras
de defesa das mulheres e entregue à
OEA (Organização dos Estados
Americanos) em março deste ano aponta
situações de abuso e violência
contra presas em pelo menos cinco Estados.
O Pará não foi citado na época.
No Rio Grande do Norte e na Bahia, as mulheres
têm de dividir a cela com travestis
e adolescentes homens. O documento relata
que, em Mato Grosso do Sul, onde há
uma cadeia mista na cidade de Amambai (porém
com celas separadas por sexo), um funcionário
manteve relações sexuais com
uma presa dentro da cela, na presença
de dez mulheres.
Há
ainda casos de cadeias femininas em que só
há funcionários do sexo masculino.
O
relatório cita problemas em outros
dois Estados: Rio e Pernambuco. Apesar de
não estar no relatório enviado
à OEA, em São Paulo há
ao menos uma cadeia mista (homens e mulheres
na mesma unidade, em celas separadas), em
Ubatuba.
Além
da Pastoral Carcerária Nacional, participaram
da elaboração do relatório
o Centro de Justiça e Direito Internacional
e o Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas.
Os dados do documento são de 2006,
mas, de acordo com a advogada Luciana Zaffalon
Cardoso, coordenadora do grupo interministerial
criado para discutir políticas públicas
para mulheres presas, a situação
encontrada nos presídios continua inalterada.
"Não se observou nenhuma mudança
ainda em relação às denúncias."
As
entidades relatam que as detentas são
às vezes obrigadas a fazer sexo com
os próprios presos ou com os funcionários.
Assim
como a jovem do Pará que disse ter
feito sexo com os presos em troca de comida,
as detentas violentadas também trocam
o corpo por benefícios, segundo o documento.
"As mulheres que sofrem violência
sexual ou trocam relações sexuais
por benefícios ou privilégios
não denunciam os agressores por medo,
uma vez que vão seguir sob a tutela
de seus algozes", diz trecho do relatório.
O
texto sugere que os problemas podem não
ser limitados aos cinco Estados, ao citar
a falta de dados oficiais "sobre quantas
e quais são as unidades prisionais
que ainda possibilitam essa convivência".
E destaca que as presas não estão
livres de abuso mesmo onde há a separação
de sexo por celas.
Em
Paulo Afonso (BA), por exemplo, duas presas
ficaram grávidas dentro da cadeia (onde
não são permitidas visitas íntimas).
Lá, elas são trancadas com adolescentes
infratores no mesmo pavilhão -que é
separado do espaço dos outros presos
por uma grade. Há um carcereiro para
80 pessoas presas.
O
delegado titular de Paulo Afonso, Idelbrando
Alves da Silva, 46, afirma que, mesmo com
a separação, há poucas
semanas um preso e uma detenta foram flagrados
fazendo sexo na grade. "A presa passou
a noite algemada para não fazer mais
isso."
A
divisão foi construída há
seis meses. Antes, ficavam todos no mesmo
pavilhão -mulheres e adolescentes no
pátio; homens adultos, nas celas.
Na
cadeia de Mossoró (RN), travestis são
presos com mulheres pois não são
aceitos pelos presos. E em Mesquita (RJ) e
Recife não há carcereiras.
A
Defensoria Pública de São Paulo
diz que não é rara a necessidade
de intervenção do órgão
para remover detentas em unidades destinadas
para homens. Para os defensores, uma das preocupações
é ocorrer rebeliões, e, no tumulto,
as mulheres serem violentadas.
Falta
de estrutura obriga cadeia mista, afirma delegado
do interior da Bahia
DA REPORTAGEM LOCAL
O
delegado de Paulo Afonso (BA), Idelbrando
Alves da Silva, diz que, por falta de estrutura,
é obrigado a colocar homens e mulheres
na mesma cadeia.
Silva
afirma que a cadeia local tem capacidade para
16 homens, mas mantém 80 pessoas presas.
Dessas, sete são mulheres e quatro,
adolescentes.
"O
ideal era os presos irem para o presídio,
que tem aqui em Paulo Afonso, mas ele também
está superlotado", diz.
Silva
afirma ainda que as unidades mais próximas
de internação de adolescentes
e de prisão para mulheres ficam a mais
de 400 km de Paulo Afonso, o que dificulta
a transferência.
O
delegado regional responsável, Vinícius
Brandão, disse que o problema de falta
de estrutura não é exclusividade
de Paulo Afonso e também ocorre em
outros lugares do Estado. "Em Barreiras,
há vagas para 20, 25 pessoas, mas há
150."
Ao
Depen (Departamento Penitenciário Nacional),
órgão federal de desenvolvimento
de políticas prisionais, o Estado da
Bahia informou não existir nenhum um
único preso ou presa em cadeias públicas
em 2007.
Procurada
pela Folha para comentar o fato de a cadeia
pública de Mesquita, no Rio de Janeiro,
não ter nenhuma carcereira, segundo
o relatório, a Polícia Civil
informou que não teria como responder
essa questão. Disse, no entanto, que
uma cadeia feminina pode ter carcereiros homens
e não vê problemas nesse fato.
A
Secretaria de Segurança Pública
de São Paulo disse que não tem
o que comentar sobre a cadeia pública
de Ubatuba, já que os presos não
têm contato físico com as detentas.
A secretaria também não comentou
o fato de não haver nenhum funcionário
do sexo feminino para cuidar das detentas,
fato considerado inadequado pelas entidades
de defesa das mulheres.
A
Folha não conseguiu contato com as
secretarias de Segurança do Rio Grande
do Norte, de Pernambuco nem de Mato Grosso
do Sul entre a noite de sexta e a tarde de
ontem. Os telefones não atendiam. (RP
e KT)
Presos
ficam em caminhão em dia de visita
DO ENVIADO ESPECIAL A UBATUBA (SP)
Na
pequena cadeia de Ubatuba, litoral norte de
São Paulo, o caminhão-baú
estacionado no pátio é o símbolo
da falta de estrutura da unidade e da incômoda
situação de manter presos homens
e mulheres no mesmo prédio.
O
veículo empoeirado chegou a ser usado
como depósito de homens para que eles
não perturbassem as visitas das mulheres.
Os presos foram para o caminhão porque
a unidade é feminina e porque "mexiam"
com os parentes das detentas, segundo policiais
ouvidos pela Folha.
Atualmente,
segundo a Secretaria de Segurança Pública,
o veículo não é mais
utilizado, mas ainda continua a convivência
dos sexos.
Ontem,
nove homens estavam numa das celas da unidade.
As 52 mulheres ocupavam as outras quatro,
que cabem 24 pessoas. Não há
carcereiras. Onde isso ocorre, segundo relatório
das entidades de defesa das mulheres, a revista
pessoal de novas presas geralmente é
feita por outra detenta.
De
acordo com a secretaria, homens e mulheres
não têm contato físico,
apenas visual, porque os detentos não
têm direito a banho de sol. Eles ficam
confinados na cela até serem transferidos
ou libertados pela Justiça.
(RP E KT)
Publicado
na Folha de S.Paulo, 26/11/07.
Portal
da Violência Contra a Mulher
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Cadeia
de Amambaí (MT) - Por: Elizabeth
Misciasci
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