Morreu
com 101 anos, às 16h45, no dia 19 de
julho de 2008, no Hospital São Lucas,
em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Dercy
Gonçaves
Alguém
que atravessou um século de vida em
vida, com esplendor e contínua visão
a frente do tempo, se eterniza não
só em nossas recordações,
mais principalmente em milhares de corações.
Sem cerimônias nem palavras medidas,
falava o que pensava e queria. Dona de uma
surpreendente irreverência, somada ao
bom humor e de bem com a vida, a estrela de
primeira grandeza, nos acostumou a tê-la
por perto e querermos sempre esta presença.
Por:
Elizabeth Misciasci |
Internada na madrugada do dia 19 de julho,
Dercy Gonçalves não resistiu.
A causa da morte teria sido uma complicação
decorrente de uma pneumonia comunitária
grave, que evoluiu para uma sepse pulmonar
e insuficiência respiratória.
Dercy
Gonçalves, nome artístico
de Dolores Gonçalves Costa, (Santa
Maria Madalena, 23 de junho de 1907 —
Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008) foi
uma atriz brasileira, oriunda do teatro
de revista e notória por suas participações
na produção cinematográfica
brasileira das décadas de 1950
e 1960.
Dercy
Gonçalves era famosa por suas entrevistas
irreverentes, pelo seu bom humor e pelo uso
constante de palavras de baixo calão.
Foi uma das maiores expoentes do teatro de
improviso no Brasil.
Nasceu
no interior do estado do Rio de Janeiro, filha
de um alfaiate. Sua mãe, chamada Margarida,
abandonou o lar, quando descobriu a infidelidade
do esposo. A família era muito pobre,
e Dercy trabalhava desde muito nova. Foi bilheteira
de cinema, além de apresentar-se para
hóspedes de hotel em sua cidade.
Dercy
estreou em 1929, em Leopoldina, integrando
o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo
teatro itinerante, fez dupla com Eugênio
Pascoal em 1930, com quem se apresentou por
cidades do interior de alguns estados, sob
o nome de "Os Pascoalinos".
Já
especializando-se na comédia e no improviso,
participou do auge do Teatro de revista brasileiro,
nos anos 30 e 40, estrelando algumas delas,
como "Rei Momo na Guerra", em 1943,
de autoria de Freire Júnior e Assis
Valente, na companhia do empresário
Walter Pinto.
A
partir da década de 1960, Dercy inicia
espetáculos em solitário. As
apresentações, feitas em teatros
de todo o país, conquistam um público
ainda cheio de moralismos. Nesses espetáculos
aos poucos introduziu um monólogo no
qual contava fatos autobiográficos
de sua vida. Ao largo dessas apresentações,
atuou, desde o início na Revista, em
diversos filmes do gênero chanchada
e comédias nacionais.
Na
televisão, chegou a ser a atriz mais
bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também
conheceu o executivo José Bonifácio
de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou
para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu
Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter
Clark. De 1966 a 1969 apresentou na TV Globo
um programa de auditório de muito sucesso,
Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo
do ar com o início da Censura no país.
No final dos anos 80, quando a censura permitiu
maior liberalismo na programação,
Dercy passou a integrar corpos de jurados
em programas populares, como em alguns apresentados
por Sílvio Santos, e até aparições
em telenovelas da Rede Globo. No SBT voltou
a experimentar um programa próprio
que, entretanto, teve curtíssima duração.
Sua
carreira foi pautada no individualismo, tendo
sofrido, já idosa, um desfalque nas
economias por parte de um empresário
inescrupuloso - o que a fez retomar a carreira,
já octogenária.
Recebeu,
em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria
criada especificamente para homenageá-la:
Melhor Personagem de Teatro.
Sua
biografia se intitula Dercy de Cabo a Rabo
e foi escrita por Maria Adelaide Amaral em
1994.
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