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Dificil e Precaria Liberdade
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Difícil e Precária Liberdade

 

Por: Elizabeth Misciasci

Liberdade dificil e precaria
Liberdade difícil e precária

Para alguém que passou pelo cárcere, cumpriu pena e vai reconstruir a vida é uma difícil realidade. Embora, as pessoas sejam mais “compreensíveis” com determinados tipos de delitos, a reinserção ainda é assunto delicado.
Além de toda a dificuldade do cotidiano geral, para quem passou um tempo nos cárceres, o regresso à sociedade aberta, é ainda mais difícil. Talvez se ressaltássemos a importância da progressão de regime para o semi-aberto, poderíamos encontrar neste, uma espécie de preparação para se volta à vida em liberdade.

Normalmente, as mulheres quando saem diretamente por meio de condicional, ou cumprimento de “ponta” sente-se perdida, sem falar nas que acabam carregando tantas lesões deixadas pelo período de permanência carcerária, que um acompanhamento por um especialista, se torna necessário. (O que não acontece).

As que conseguem emprego na unidade em que cumpre sua pena, ás vezes, se ilude, acreditando que na rua, as empresas, lhe darão emprego por já conhecerem suas habilidades e por serem conhecedoras na prática do trabalho por esta desenvolvido.
Mais de fato, poucas, ou nenhuma dessas empresas voltam a empregá-las.

Um dos maiores problemas esta na real situação, (começando pelo desemprego) e a falta de respaldo social fora, uma vez que, não existe uma política que sustente a reabilitação dentro do presídio e continue do outro lado das muralhas. Sem contar a falta de oficinas e empresários que já não adentram cárceres levando trabalho e profissionalização com facilidade. Mesmo com as vantagens dadas ao empregador disposto a se instalar em um espaço dentro da unidade prisional, ainda muitos não se convencem e colocam incalculáveis empecilhos somados ao medo.

As egressas, que já estiveram na condição de pessoa presa, quando livres, falam das dificuldades encontradas, sendo a emergencial e muitas vezes infrutífera chance de arrumar trabalho. Algumas antecipam o receio de pedir empregos, por saber que a maioria, checa os antecedentes criminais. A falta de experiência recente na carteira de trabalho também já elimina outras oportunidades, e concursos públicos é algo inviável...

Há as que temem a discriminação e escondem o passado para a maioria das pessoas. Mudam de bairro e, depois de tentar várias vezes, desistem do sonho de trabalhar num determinado lugar, ou área. Esquecer os anos passados na prisão é impossível, e fora dos cárceres, mesmo devendo, não se sentem mais à vontade para falar ou contar episódios vividos no período entre grades.

Angélica, que até hoje amarga às conseqüências de um derrame cerebral que sofreu enquanto estava presa, tem a situação ainda pior. "Estou assim porque não fui atendida rapidamente. Foram muitas as horas em que me deixaram jogada na ala de saúde antes de ir para o hospital. Até hoje não recebi nenhuma indenização do Estado e sei que dificilmente receberia", declara.

Por saírem em muitos casos, apenas com a disciplina do -“Não senhora, sim senhora” as mulheres, perdem o norte e há casos em que chegam a acreditar no que muitos ainda afirmam generalizando, que não há regeneração para ex- presidiários. Muitas acabam ficando realmente sem condição por falta de oportunidade, e não por falta de vontade.

*Nota:- Por Elizabeth Misciasci - O texto pode ser copiado, reproduzido, acrescentado em teses, artigos e tccs, trabalhos, pesquisas, desde que não seja alterado, nem modificado o teor, mencionada a autora, endereço e fonte. E seja destinado a obras Sem fins lucratícios.


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