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Liberdade difícil
e precária
Para alguém que passou
pelo cárcere, cumpriu pena e vai reconstruir
a vida é uma difícil realidade.
Embora, as pessoas sejam mais “compreensíveis”
com determinados tipos de delitos, a reinserção
ainda é assunto delicado.
Além de toda a dificuldade do cotidiano
geral, para quem passou um tempo nos cárceres,
o regresso à sociedade aberta, é
ainda mais difícil. Talvez se ressaltássemos
a importância da progressão de
regime para o semi-aberto, poderíamos
encontrar neste, uma espécie de preparação
para se volta à vida em liberdade.
Normalmente, as mulheres quando
saem diretamente por meio de condicional,
ou cumprimento de “ponta” sente-se
perdida, sem falar nas que acabam carregando
tantas lesões deixadas pelo período
de permanência carcerária, que
um acompanhamento por um especialista, se
torna necessário. (O que não
acontece).
As que conseguem emprego na
unidade em que cumpre sua pena, ás
vezes, se ilude, acreditando que na rua, as
empresas, lhe darão emprego por já
conhecerem suas habilidades e por serem conhecedoras
na prática do trabalho por esta desenvolvido.
Mais de fato, poucas, ou nenhuma dessas empresas
voltam a empregá-las.
Um dos maiores problemas esta
na real situação, (começando
pelo desemprego) e a falta de respaldo social
fora, uma vez que, não existe uma política
que sustente a reabilitação
dentro do presídio e continue do outro
lado das muralhas. Sem contar a falta de oficinas
e empresários que já não
adentram cárceres levando trabalho
e profissionalização com facilidade.
Mesmo com as vantagens dadas ao empregador
disposto a se instalar em um espaço
dentro da unidade prisional, ainda muitos
não se convencem e colocam incalculáveis
empecilhos somados ao medo.
As egressas, que já
estiveram na condição de pessoa
presa, quando livres, falam das dificuldades
encontradas, sendo a emergencial e muitas
vezes infrutífera chance de arrumar
trabalho. Algumas antecipam o receio de pedir
empregos, por saber que a maioria, checa os
antecedentes criminais. A falta de experiência
recente na carteira de trabalho também
já elimina outras oportunidades, e
concursos públicos é algo inviável...
Há as que temem a discriminação
e escondem o passado para a maioria das pessoas.
Mudam de bairro e, depois de tentar várias
vezes, desistem do sonho de trabalhar num
determinado lugar, ou área. Esquecer
os anos passados na prisão é
impossível, e fora dos cárceres,
mesmo devendo, não se sentem mais à
vontade para falar ou contar episódios
vividos no período entre grades.
Angélica, que até
hoje amarga às conseqüências
de um derrame cerebral que sofreu enquanto
estava presa, tem a situação
ainda pior. "Estou assim porque não
fui atendida rapidamente. Foram muitas as
horas em que me deixaram jogada na ala de
saúde antes de ir para o hospital.
Até hoje não recebi nenhuma
indenização do Estado e sei
que dificilmente receberia", declara.
Por
saírem em muitos casos, apenas com
a disciplina do -“Não senhora,
sim senhora” as mulheres, perdem o norte
e há casos em que chegam a acreditar
no que muitos ainda afirmam generalizando,
que não há regeneração
para ex- presidiários. Muitas acabam
ficando realmente sem condição
por falta de oportunidade, e não por
falta de vontade.
*Nota:-
Por Elizabeth Misciasci -
O texto pode ser copiado, reproduzido, acrescentado
em teses, artigos e tccs, trabalhos, pesquisas,
desde que não seja alterado, nem modificado
o teor, mencionada a autora, endereço
e fonte. E seja destinado a obras Sem fins
lucratícios.

Prisão
Feminina e Sociedade
by Elizabeth
Misciasci zeP!
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