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Visita
Constrangedora e Difícil |
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Por: Elizabeth Misciasci
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Quando
uma pessoa é acusada de um delito e
acaba encarcerada, automaticamente, acaba
carregando para dentro do cárcere também
seus familiares. Por mais que se negue, e
seja por deveras injusto, a realidade é
que a discriminação se estende
por quem não entende a diferença
de ser e estar.
Como
se o sofrimento da família já
não fosse o suficiente, este se agrava
quando se vai a uma visita num presídio,
principalmente em dia do chamado “plantão
sujo.” Há toda uma formalidade
para que seja permitida a entrada de um visitante
em um Presídio (o que é normal).
Porém, não se atentando ao fato
de que todas as formalidades foram devidamente
preenchidas, razão pela qual a visita
se faz presente, tem funcionários que
não se limitam e sem qualquer receio,
tendem a tratar de forma desumana os que na
fila esperam para adentrar os presídios.
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Como
se acusados e visitantes, fossem todos
já sentenciados e respectivamente
pelo mesmo crime, são indignamente
recebidos. Havendo um total desrespeito
e descaso que se alastra, sem qualquer
importância em separar crianças,
mulheres e idosos, estes são em
diversas unidades e sem quaisquer razões
“marcados”.
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No
entanto, há determinados dias, em que
a visita parece impraticável, se em
plantão normal, já existe uma
minuciosa revista e esta nada agradável,
em dia de “plantão sujo”
a coisa piora. O plantão sujo é
o dia (que como se fosse proposital), funcionários
desgostosos com salário, trabalho,
condições e latente discriminação,
formam um turno para trabalhar.
Como se todos os erros da humanidade, brotassem
pelas mãos das visitas, estes funcionários,
são os que mais rotulam, castigam,
ofendem e minimizam familiares, aplicando
pena dupla a quem esta nos cárceres,
(mesmo que seja apenas pessoa acusada, sem
sentença penal condenatória
transitada em julgado) imputando culpa a todos
sem distinção.
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Por incrível que pareça,
a Mulher, mesmo na condição
de visita, acaba sofrendo muito mais, assim
como a Mulher encarcerada. Normalmente a revista
que já é degradante, torna-se
ainda pior, quando a voz autoritária
e em tonalidade alta, sem distinção
ecoa, colocando as mulheres, que às
vezes, são mães indo visitar
filhos, e crianças que vão visitar
pais/mães detidos.
Se a pessoa visitante desconhece
o dia de “plantão sujo”
ou não tem outro dia para levar “jumbo”
(compras e agasalhos) a situação
piora. Primeiro a visita passa pelo balcão
de revistas dos pertences, sendo que o proibido
(como desodorante spray, só entra aerosol
ou rolon, chaves, frutas cítricas,
enfim) fica quase sempre em armarinhos ou
aos cuidados de quem esta no balcão
que entrega uma senha para a retirada do que
fora deixado.
Neste
dia, para evitar insultos deve ser evitado
pacotes de balas, bolachas e chocolates, pois
os agentes não silenciam e no mínimo
exclamam: -“Você pensa que aqui
é a ‘gozolândia’?
Não é não! Isso é
cadeia, falo”? –Revela Dona Mirtes
que vai sempre que possível visitar
sua filha, acrescentando: -"Eu sei que
nem sempre as pessoas precisam estar de bom
humor e sei também que o salário
deles é ruim como o nosso. A vida afinal
é difícil pra todo mundo. Mais
a gente não pode pagar pelos erros
do mundo. Sabe, eu sei que tem gente que traz
coisas que a gente nem sabe se é pra
comer ou usar, mais eu não e a maioria
que vem aqui também não tem
facilidade na vida. Acho injusto maltatar
todos nós, se a minha filha errou,
já esta pagando"... Lamenta.
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Passado
o balcão das revistas referentes ao
Jumbo, às visitas passam por detector
de metais (quase em todas as Penitenciárias
é assim) então, vão para
a salinha da revista pessoal. Lá se
tira todas as peças de roupa e estas
vão sendo entregues nas mãos
das funcionárias (no caso de revista
feminina), uma por uma. Depois, a visitante
tem que jogar os cabelos para frente, abrir
a boca, levantar a língua, agachando
e levantando no mínimo três vezes.
Existem revistas ainda piores, ou seja, mais
profundas... |
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Modelo
de um Banquinho eletrônico Por:
Elizabeth Misciasci
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Fora todo esse processo,
ainda há as Penitenciárias que
utilizam o “banquinho”, ou seja,
banquinho eletrônico que detecta a presença
de corpos estranhos no organismo.
O “banquinho” detector
não é usado apenas na revista
de visitantes, mais também na vistoria
de reeducandas. As pessoas têm de ficar
só com as peças íntimas
e sentar no banco por alguns minutos. Embora
haja dias, em que a “respectiva sentada”
se faz sem nenhuma peça de roupa.
O “banquinho” possui
um dispositivo dentro do assento gera um campo
eletromagnético que detecta metais,
como os que existem em celulares. O alarme
então começa a soar e a piscar
luzes. No entanto, ele não é
o bastante para evitar a “revista”,
pois não conseguem detectar drogas,
apenas equipamentos metálicos.
“Olha fia a gente passa
vergonha e fica com nojo, tem dia que o pessoal
ta muito bravo e além de faze nóis
senta pelada, ainda não bota papel,
já cheguei a chorá”. –Comenta
Dona Ana que por ir visitar a neta quase que
semanalmente, nos impede declinar identidades
e unidade prisional.
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Leia
Também...
Dia
de Visita
e Visita Intima |
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