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-"Mulheres
que Matam!" |
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Por:
Elizabeth Misciasci
A
discussão é entre as doenças
mentais (transtornos de humor - comportamento
violento), personalidade anti-social que leva
ao suicídio ou homicídio. A
crescente prosperidade material no mundo,
até hoje, é acompanhada por
um crescente número de suicídios
e assassinatos. Quanto ao alcoolismo e o uso
de drogas, não há dúvidas
de que seja um sintoma de instabilidade mental
e emocional e que levam a autodestruição
do indivíduo. Enfim, Transtornos em
geral.
Homicídio
passional: Qualificado ou Privilegiado?
Por:*
Lucielly Cavalcante de Oliveira
Vale enfatizar que, o assassino passional
raramente se arrepende, isto poderá
ser constado quando passarmos ao estudo dos
casos concretos. Geralmente estes matadores
eventuais são, em sua maioria, homens,
mas também existem mulheres que cometem
este tipo de delito, por terem uma personalidade
extremamente vaidosa, serem pessoas ciumentas,
possessivas e inseguras, e além de
tudo isso existir a falta de amor próprio.
Afinal, como bem diz um jargão popular
“ninguém é de ninguém”,
e cabe a cada um se conformar com uma perda.
Para
algumas pessoas a traição ou
fim do relacionamento os leva a tentar destruir
seu objeto de desejo, isto está diretamente
ligado com a personalidade de cada um e sua
carga cultural. Raramente podemos prever que
alguém matará, principalmente
diante de tais circunstâncias.
No
entanto, as mulheres costumam ser mais resistente
e quando traídas a maioria perdoa ou
tenta o suicídio, pois, historicamente,
a educação lhes dá mais
tolerância. No entanto, quando cometem
este tipo de crime às vezes são
mais cruéis que os homens. Quem nunca
ouviu falar numa mulher traída que
jogou água quente no ouvido do marido
quando o mesmo estava dormindo ou cortou o
seu órgão genital?
Leon
Rabinowcz explica bem o aludido acima:
a mulher traída nem sempre
se vinga sobre o marido ou sobre sua cúmplice.
Com freqüência perdoa, por vezes
suicida-se de desespero, quando se vê
abandonada para sempre, mas quando toma o
partido de se vingar, a sua vingança
é atroz. É um traço característico
da psicologia da mulher. Exasperada, passa
a ser um monstro de ferocidade, que só
respira vingança e só pensa
em submeter a sua vítima aos mais atrozes
sofrimentos. São verdadeiras especialistas
da dor24.
Um exemplo real de uma homicida passional
mulher e bastante cruel é o caso de
Neide Maria Lopes, que ficou conhecida como
a “Fera da Penha”, que em 06 de
junho de 1960, para vingar-se do amante, apanhou
a filha deste no colégio, uma menina
de apenas 04 anos de idade, e após
andar a esmo por vários locais, a levou
a um terreno baldio, localizado em frente
ao Matadouro da Penha, onde lhe deu um tiro
na cabeça e, em seguida, com a criança
ainda viva, derramou-lhe álcool sobre
o corpo e ateou-lhe fogo. Foi condenada a
uma pena de 33 anos de reclusão.25
Mas,
vale ressaltar que os homens são tão
ciumentos quanto as mulheres, e, que em alguns
casos também utilizam-se da perversidade.
Um
outro exemplo real de crime passional cometido
com requintes de crueldade, só que
desta vez por um homem, foi o caso daquele
marido que, na Guanabara, em 1998, num acesso
de ciúme, amarrou as mãos e
os pés da esposa, colocou esparadrapo
na boca e, em seguida, sem que ela pudesse
fazer qualquer movimento de defesa, após
arrancar-lhe a roupa, deslizou um ferro de
passar em brasa, sobre toda a pele do seu
corpo, até que ela, inteiramente queimada,
veio a morrer26.
Enfim,
a partir de tudo o que foi dito, conclui-se
que não existe uma característica
física ou psicológica individualizadora
dos homicidas passionais, cada um possui características
quase que imperceptíveis na sua personalidade,
que só depois de determinadas situações
é que são extravasadas, exteriorizadas.
2.2
A imputabilidade de acordo com o art. 26 do
Código Penal
Para
haver um entendimento melhor sobre esse ponto,
necessário se faz o conhecimento dos
sistemas. Esses sistemas são critérios
que a doutrina se utiliza para definir a imputabilidade
ou a inimputabilidade do indivíduo.
Têm-se
o sistema biológico, que entende que
inimputáveis são aquelas pessoas
que tem determinadas doenças, não
se fazendo maiores questionamentos. Nesse
caso não se discute os efeitos da doença
nem o momento da ação ou omissão,
só é examinada a causa (moléstia).
Em síntese, considera apenas as alterações
fisiológicas no organismo do agente.
O
segundo sistema é o psicológico,
aqui só se questiona o efeito, ou seja,
a capacidade intelectiva e volitiva no momento
da ação ou omissão. É
afastada qualquer preocupação
a respeito da existência ou não
de doença mental.
Já
o terceiro sistema, que é o adotado
pelo Brasil conforme poderá ser verificado
mais adiante, é o biopsicológico.
Aqui o agente em conseqüência da
doença perde a capacidade, volitiva
ou intelectiva, no momento da ação
ou omissão. Em resumo, toma em consideração
a causa e o efeito.
Vale
ressaltar que no Brasil há uma exceção
à regra, pois foi adotado o sistema
biológico quanto aos menores de 18
anos.
Depois
desse breve explanação acerca
desses critérios, passaremos a análise
da imputabilidade penal de acordo com o artigo
26 do Código Penal Pátrio.
Não
há dúvida que as paixões
perturbam a mente e que podem ser causas ocasionais
de moléstias mentais27 . Porém,
para atribuir a cada delito uma justa medida,
é preciso considerar as paixões
que levaram uma pessoa a violar a lei, não
moralmente nem socialmente, mas psicologicamente,
ou seja, é necessário saber
da existência ou não de uma patologia
comportamental para ser aplicada corretamente
a norma penal.
Nas
palavras de Luiz Ângelo Dourado, pode-se
entender que nem todos os homicidas passionais
sofrem de algum mal que os torne inimputáveis,
ele diz que “de um modo geral e de acordo
com a doutrina psicanalítica, a criminalidade
não é uma tara, mas defeitos
de educação28 “.
Então,
podemos concluir que nem todos os homicidas
passionais sofrem de algum tipo de doença
mental. A maioria comete este delito por um
desequilíbrio emocional momentâneo
e que não é considerada uma
patologia. São movidos, muitas vezes,
pela educação que receberam,
de uma sociedade, ainda, com resquícios
do patriarcalismo, influindo no comportamento
das pessoas.
Então,
para o estudo do art. 26 do CPB é necessário
ter em mente que os homens são iguais
perante a lei, mas profundamente diferentes
sob o ângulo biológico e psicológico.
E é justamente neste ponto que se diferencia
um ser imputável de outro inimputável.
Existe
de acordo com o Direito Penal e o Direito
Processual Penal a necessidade de se compreender
o delinqüente, para que se conheçam
as forças psicológicas que o
levaram ao crime. Por isso, o art. 26 está
no Código Penal para garantir que as
pessoas realmente doentes tenham o atendimento
apropriado, mister, no entanto, se faz o exame
psiquiátrico, através do incidente
de insanidade mental do criminoso.
O
incidente, que é uma perícia,
ocorre quando há dúvidas acerca
da sanidade mental do acusado, para dirimir
imprecisões sobre a formação
intelectual. Este exame pode apresentar dois
laudos, um afirmando que a pessoa era imputável
ao tempo da ação, ou então
o laudo declara que a pessoa era inimputável,
ou seja, não tinha a capacidade de
entender o caráter ilícito do
fato nem de se comportar de acordo com esse
entendimento. E pode, ainda, ser constado
a semi-imputabilidade.
No
entanto, para um indivíduo ser considerado
inimputável, não é necessário
apenas que seja portador de uma doença
mental ou desenvolvimento mental retardado,
é indispensável à coexistência
também da pessoa ser inteiramente incapaz
de entender o caráter criminoso do
fato e de se comportar de acordo com esse
entendimento.
Nestes
casos, o fato é típico e antijurídico,
mas o agente não pode ser penalizado
ante a falta de culpabilidade. Então,
comprovada a sua autoria, o agente inimputável
é absolvido sendo aplicado à
devida medida de segurança.
No
assunto proposto, será analisado delimitadamente,
os homicídios passionais provenientes
de relacionamentos amorosos e/ou sexuais,
pois, muitas vezes o agente já é
possuidor de um ciúme patológico,
e outras vezes desenvolvem uma patologia a
partir de uma idéia fixa. Essas pessoas
serão consideradas inimputáveis
se ao momento da ação era incapazes
de entender o caráter censurável
do fato ou de comportar de acordo com esse
entendimento.
Como
bem apresenta Roque de Brito Alves em uma
de suas obras:
toda idéia fixa conduz a um desvio
da mente, do sadio pensamento, provocando
por sua monopolização da vida
psíquica as mais repentinas sanções
emotivas, bem visíveis no ciúme,
pois lhe serve de alimento contínuo29
.
Mas, esses desvios mentais nem sempre são
considerados doença, pois nem “todo
ciúme é patológico, nem
sempre é paranóico, embora possa
facilmente chegar a sê-lo pelo ciúme
delirante, obsessivo30 ”.
Portanto,
paixões psicológicas, mesmo
violentas, não podem constituir dirimente
da responsabilidade penal, salvo quando adentrarem
no domínio da patologia.
2.3
Diferenças
entre doença psicológica e descontrole
emocional
Muitos
delinqüentes atribuem à paixão
aos crimes que cometem quando, na verdade,
o que os motivou foi uma doença psicológica.
Por isso se faz necessário saber diferenciar
uma doença psicológica de um
descontrole emocional, pois cada uma tem repercussão
individualizada no ordenamento jurídico.
Em
certos casos a paixão é uma
espécie de obsessão, mas há
a necessidade de se verificar quando esta
obsessão, idéia fixa é
patológica. Um dos requisitos necessários
para ficar configurada a inimputabilidade
do agente é a patologia do individuo
no momento do crime.
O
Professor Genival Veloso de França
ao estudar os transtornos mentais e comportamentais
faz a seguinte classificação
entre as síndromes mais comuns, que
são: a esquizofrenia; a psicose maníaco-depressiva;
a paranóia e as personalidades psicopáticas.
A
esquizofrenia é uma psicose
endógena, de forma episódica
ou progressiva, de manifestações
variadas, comprometendo o psiquismo na esfera
volitiva e intelectiva. É a mais freqüente
das psicoses, no entanto, não se sabe
se esse mal é uma entidade clínica,
uma síndrome ou um modo existencial.
Este
tipo de psicose pode levar a uma variedade
muito grande de delitos, exóticos e
incompreensíveis pela sua inutilidade.
Os mais graves são decorrentes da forma
paranóide. Em regra, o crime desses
pacientes é repentino, inesperado e
sem motivos.
Surgem
na evolução desse mal, tendências
ao suicídio, automutilações,
agressões, roubos, atentados violentos
ao pudor e exibicionismo. Uma das características
dos portadores desse transtorno mental é
a tendência repetitiva e estereotipada
dos delitos, e sua marcha interrompida instantânea
e inexplicavelmente.
Um
outro tipo de transtorno mental elencado por
Genival França é a psicose maníaco-depressiva,
ele explica que este tipo de transtorno mental
é cíclico, com crises de excitação
psicomotora e estado depressivo, isoladas,
de intensidade, duração e disposições
variáveis, sem maior repercussão
sobre a inteligência. Neste caso, para
se verificar a imputabilidade, leva-se em
consideração estar ou não
o paciente com a sintomatologia do mal.31
O
certo é que, em todos os delitos dos
portadores dessa enfermidade, devem ser pacientes
considerados semi-imputáveis ou inimputáveis,
o que equivale no nosso Código Penal,
à privação parcial ou
total da razão.
A
terceira espécie é a paranóia,
que é um transtorno mental marcado
por permanentes concepções delirantes
ou ilusórias, que permitem manifestações
de egocentrismo, conservando-se claros o pensamento,
a vontade e as ações. O paranóico
tem alto conceito de si próprio.
A
paranóia se manifesta de várias
formas, e uma delas é a paranóia
de ciúme, que é considerado
um delírio que tem desenvolvimentos
artificiosos, lentos e progressivos, sem nenhuma
motivação caracterizadora. Pode
eclodir por cenas violentas de ciúme
ou de escândalo público, com
separação ou abandono do cônjuge.
Algumas vezes, acusam a esposa de infidelidade,
vigiando-lhe os passos ou analisando a fisionomia
dos filhos, a fim de compará-los com
as do suposto amante da mulher.
Um
caso hipotético que bem ilustra este
tipo de transtorno é o personagem problemático
de Shakspeare, o clássico Otelo.
A
tragédia de Otelo como assim ficou
conhecida, é uma história de
um amor verdadeiro, mas que foi envenenado
pelo ciúme e levou seu ator principal,
Otelo, ao cometimento de um homicídio.
Ciúmes esses sem reais fundamentos,
baseado apenas na maldade e ambição
de uma pessoa que Otelo acreditava ser seu
amigo. Todavia, este amigo, Iago, serviu-se
de um acaso e implantou e fez crescer um sentimento
destrutivo em Otelo. Este, certo dia, transtornado
pelo ciúme matou cruelmente sua esposa
asfixiada32 .
Pois,
como já ilustrado, os portadores desse
transtorno são passíveis de
todas as formas imagináveis de delito,
que vão desde a calúnia ou a
difamação até o homicídio.
Seriam eles colocados na posição
de semi-imputáveis. Apesar de os paranóicos
tenham conhecimento da lei e da moral, e uma
dose de pensamento e de ações
normais, devem ser incluídos como inimputáveis,
pelo tratamento de que podem dispor e pelo
prejuízo que lhes pode trazer o cárcere.
Já
as personalidades psicopáticas também
podem se apresentar de diversas formas, mas,
não são essencialmente, personalidades
doentes ou patológicas, pois seu traço
mais marcante é a perturbação
da afetividade e do caráter, enquanto
que a inteligência se mantém
normal ou acima do normal.
Precisamente,
estariam eles colocados como semi-imputáveis,
pela capacidade de entendimento.
Porém,
já para deixar esclarecida a diferença
entre doença psicológica e descontrole
emocional levemos em consideração
a opinião e a classificação
mais simples da psicóloga Maria Auxiliadora,
em uma entrevista dada a Revista Primeira
Impressão, onde ela afirma que “podem
existir, entre milhares de pessoas diferentes,
três tipos de assassinos passionais:
o neurótico, o psicótico e o
psicopata33 ”.
Os
neuróticos servem para classificar
as pessoas normais que, em um momento extremo,
cometem o crime, mas depois se arrependem.
Lucielly Cavalcante de Oliveira
Advogada,
formada pela Universidade Católica
de Pernambuco em 2004 e Pós-Graduanda
em Direito Penal e Processual Penal pela Faculdade
Maurício de Nassau em Convênio
com a Escola Superior de Magistratura de Pernambuco
- ESMAPE.
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TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL COMO CIRCUNSTÂNCIA
DE DIMINUIÇÃO DE PENA
Por: Guilherme Farias
Rôla
Até
o final do século XIX, quando se pensava
nas mulheres, associava-se a sua imagem a
um símbolo angelical, de modo que se
pensava que elas não tinham a capacidade
de praticar crimes ou atos de violência.
Quando agiam de forma considerada fora de
seus padrões normais, como por exemplo,
na gravidez, no parto ou na menstruação,
elas eram tratadas como se estivessem doentes
ou com raiva, mas nunca como se tivessem o
instinto ruim.
Durante todo aquele século, com o apoio
de alguns filósofos e com a quebra
de muitos tabus concernentes à menstruação,
as mulheres passaram a ser consideradas vítimas
dos ciclos menstruais.
Com o passar do tempo, as mulheres passaram
a ser consideradas vítimas de seus
ovários. E, apenas no ano de 1920,
a mudança de comportamento das mulheres
levou a acreditar que elas sofriam em virtude
das alterações hormonais.
No entanto, no início da década
de 1950, começou-se a estudar acerca
da ligação existente entre a
crise pré-menstrual e a alteração
do comportamento feminino. Até que,
no dias atuais, em muitos dos países
desenvolvidos, a Tensão Pré-Menstrual
passou a ser utilizada como defesa ou atenuante
ou circunstância de diminuição
de pena em muitos processos que tenham no
pólo passivo mulheres que dela sofrem.
Nesse sentido, partindo do princípio
que o estado puerperal é considerado
uma circunstância de diminuição
de pena, pretende-se demonstrar que a tensão
pré-menstrual deve ser considerada
também como tal, vez que a mulher,
tanto no estado puerperal como quando acometida
da tensão ora em estudo torna-se incapaz
de compreender o caráter ilícito
do ato praticado ou de determinar-se de acordo
com o entendimento que possui do caráter
ilícito de seus atos.
Quando
acometidas da tensão pré-menstrual,
algumas tornam-se mais sensíveis, podendo
essa sensibilidade exacerbada, quando combinada
com outros fatores, ser prejudicial ao discernimento
da mulher.
Assim, com o presente estudo não se
procura justificar que a mulher somente praticou
o crime por causa da tensão pré-menstrual,
mas tenta-se demonstrar que a TPM representa
um estopim para a conduta criminosa.
É
como se ela vivesse sendo espancada pelo marido,
e quando acometida da TPM, por estar com o
seu estado emocional normal prejudicado, ela
se torna mais agressiva e mais propensa ao
cometimento de crimes.
Em síntese, a tensão pré-menstrual
pode ser definida como um conjunto de alterações
físicas e emocionais que algumas mulheres
sofrem nos dias que antecedem a menstruação.
O DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual
of Mental Disorders, ou seja, Manual de Diagnóstico
e Estatística das Perturbações
Mentais) denominou a tensão pré-menstrual
como sendo um transtorno disfórico
pré-menstrual, dispondo que:
Transtorno disfórico pré-menstrual:
na maioria dos ciclos menstruais durante o
ano anterior, sintomas (por ex., humor acentuadamente
deprimido, ansiedade acentuada, acentuada
instabilidade afetiva, interesse diminuído
por atividades) ocorreram regularmente durante
a última semana da fase lútea
(e apresentaram remissão alguns dias
após o início da menstruação).
Estes sintomas devem ser suficientemente severos
para interferir acentuadamente no trabalho,
na escola ou atividades habituais e devem
estar inteiramente ausentes por pelo menos
1 semana após a menstruação.
Muitos são os sintomas que acometem
as mulheres que sofrem com a TPM, de modo
que mais de 150 já foram documentados,
porém, dentre eles, destacam-se os
seguintes:
- Irritabilidade - Agressividade
- Ansiedade - Oscilações de
humor
- Hostilidade - Depressão
- Tensão - Inchaço
- Enxaqueca - Tontura
- Compulsão por açúcar
- Ganho de peso
- Dor e inchaço nas articulações
- Seios inchados e doloridos
- Garganta inflamada - Dos nas costas
- Dos de cabeça - Desmaio
- Tremor - Sensibilidade
- Cólica - Alergias
- Asma - Prisão de ventre
Esses
sintomas começam a ser externalizados,
geralmente, de 10 a 14 dias antes do início
da menstruação, e, aos poucos,
vão se agravando, até que, finalmente,
desce a menstruação e, em algumas
mulheres, os sintomas desaparecem. Vale ressaltar
que, em uma quantidade inferior de mulheres,
os sintomas da TPM persistem mesmo depois
de iniciada a menstruação.
Diante dos sintomas observáveis no
período da TPM e sabendo ser ela um
conjunto de alterações físicas
e emocionais que certas mulheres apresentam
nos dias que antecedem a menstruação,
pode-se afirmar que as principais alterações
emocionais que podem ser elencadas são
o humor irritável, depressivo ou instável,
podendo haver mudanças rápidas
de atitude afetivas, como por exemplo, a mulher
estar alegremente conversando com os amigos
de forma a exercitar sua sociabilidade, sem
motivo aparente, ela se irrita e começa
a chorar.
Citadas alterações, assim como
as provenientes do estado puerperal, devem
ser levadas em consideração
quando do julgamento de uma mulher pelo cometimento
de determinado crime, devendo, deste modo,
dependendo do grau das alterações,
a pena a ser aplicada de forma atenuada.
No entanto, importante frisar que, nem todas
as mulheres sofrem alterações
físicas e psíquicas de tão
grandiosas proporções que as
impulsionariam ao cometimento de crimes.
Essa minoria de mulheres que sofrem de tensão
pré-menstrual de uma forma mais severa,
geralmente, quando acometidas de TPM, são
violentas, apresentam ilusões e alucinações,
não conseguindo controlar tais sintomas.
Essas características podem aparecer,
em algumas mulheres, de forma tão severa,
que em alguns estados dos Estados Unidos da
América, a TPM é também
conhecida como a “síndrome do
descontrole”, vez que, pessoas próximas
às mulheres que dessas síndrome
sofrem têm relatados que, quando elas
não são devidamente acompanhadas
e tratadas, ficam completamente fora de controle.
Nesta ordem de idéias, não é
tão simples utilizar-se da justificativa
de que a mulher, quando do cometimento do
crime, estava acometida da tensão pré-menstrual,
vez que, para que ela seja utilizada como
uma circunstância de diminuição
de pena alguns requisitos básicos hão
de ser demonstrados:
- A mulher, quando do cometimento do crime,
não poderia ter conhecimento prévio
de que sofria de tensão pré-menstrual.
Se ela já tinha conhecimento do fato
de que próximo ao período de
sua menstruação ela sofria de
exacerbada alteração de humor,
ela não poderá utilizar-se da
TPM como uma circunstância de diminuição
de pena, vez que, neste caso, ela assumiu
o risco posto que não procurou tratamento.
- Reincidência, no sentido de que, ao
ser observada a folha de antecedentes criminais
da mulher que apresenta a tendência
ao cometimento de crimes quando acometida
dos sintomas da tensão pré-menstrual
observar-se-á que os crimes por ela
cometidos são, geralmente, similares,
ou seja, quando não for o mesmo tipo
penal será outro a ele assimilado.
Isso se dá pelo fato de que o impulso
que leva a mulher ao cometimento desse ou
daquele crime ser estipulado de acordo com
os sintomas apresentados no período
que antecede a menstruação.
- Os crimes são cometidos apenas pela
mulher que sofre dos sintomas da TPM, ou seja,
não haverá co-autores ou partícipes.
Assim, uma mulher que planeje um roubo a uma
banco acompanhada de mais 04 (quatro) homens,
nunca poderá alegar que quando do cometimento
do crime estava sob o domínio da TPM.[1]
- Como uma conseqüência do requisito
anterior, deve-se destacar que, para que se
configure o crime praticado sob a influência
dos sintomas da TPM e para que a mulher possa
se utilizar dessa circunstância de diminuição
de pena, o crime não pode ter sido
premeditado e quase nunca se encontra qualquer
evidência de que o crime tenha sido
anteriormente planejado. Assim, o ato criminal
deve pegar a todos de surpresa.
- O ato criminoso não possui qualquer
motivo aparente. Destarte, além de
o crime não poder ser premeditado,
ser praticado sem concurso de pessoas, ele
deve ser praticado sem apresentação
de qualquer motivo para tanto, de modo que
o ato criminoso somente poderia ser compreendido
por uma pessoa que conhecia o estado da mulher
que o praticara quando a mesma encontrava-se
acometidas dos sintomas da TPM.[2]
- Após a prática delituosa,
a mulher não tenta se evadir do distrito
de culpa, não tenta escapar da prisão.
Como é de conhecimento notório,
a reação normal de uma pessoa
que acaba de cometer um crime é tentar
se esquivar da polícia, seja tentando
evitar uma prisão, ou fugindo da cena
onde foi praticado o crime, ou escondendo
os itens roubados, ou tentando encontrar um
álibi, dentre outras. No entanto, a
pessoa que pratica o crime quando está
influenciada pelos sintomas da TPM, como alguns
dos sintomas são: amnésia, perturbação
e falta de discernimento, ela fica incapacitada
de fugir, vez que ela não tem nem noção
de que algum tipo penal tenha sido praticado.
Em muitos casos acontece de a própria
mulher, após o cometimento do crime,
ligar para a polícia de um telefone
público e ficar esperando junto ao
mesmo até que a polícia chegue
ao local do crime.
- Na maioria das vezes constata-se que a mulher,
quando do cometimento desses crimes, passou
um longo período sem alimentar-se,
esse longo intervalo varia de 06 (seis) a
08 (oito) horas antes do cometimento do fato
criminoso. Essa falta de alimentação
ocasiona o aumento de adrenalina[3] no sangue,
que, conseqüentemente, aumenta a pressão
sanguínea. A Adrenalina é hormônio
da luta, do terror, do medo e do êxtase
e quando a adrenalina resta acumulada ela
pode causar amnésia, perturbação
ou uma onda de violência incontrolável.
A partir do momento em que a defesa se utiliza
da circunstância de diminuição
de pena relativa à tensão pré-menstrual,
ela deve ficar ciente de que o juiz deverá
designar um tratamento à base de progesterona
que deverá ser realizado pela acusada
em aplicações mensais, sempre
no período próximo à
menstruação, e supervisionado
pela Justiça.
Outrossim, importante destacar que, a simples
alegativa por parte da defesa de que a acusada
sofre de severas crises de tensão pré-menstrual
não é suficiente para minorar
a punição a ser aplicada. Essa
alegação deverá ser corroborada
por laudos médicos que serão
realizados através de um acompanhamento
clínico para que se possa realmente
constatar que a mulher sofre de tensão
pré-menstrual de um grau tal que ela
não consegue se controlar e evitar
a prática de atos violentos.
Ademais, para que a mulher seja diagnosticada
como sofredora dos sintomas caracterizadores
da TPM, ela tem de sofrer esses sintomas na
maioria dos seus ciclos menstruais. Se ela
sofreu os sintomas apenas uma vez, não
significa que ela é acometida da tensão
pré-menstrual.
O objetivo do reconhecimento da tensão
pré-menstrual como atenuante não
é ajudar as mulheres que realmente
são culpadas pelo cometimento de crimes
a se livrar da aplicação da
lei e das reprimendas legais.
A finalidade da circunstância de diminuição
de pena relativa à tensão pré-menstrual
é demonstrar que certas mulheres, devido
à severidade das alterações
originadas pela TPM, acabam por sofrer uma
perturbação em sua saúde
mental, não devendo, deste modo, ser
punidas da mesma forma que as mulheres que
cometem determinado crime dolosamente e que
possui absoluta certeza do caráter
ilícito de suas condutas e de acordo
com estas certezas conseguem controlar suas
emoções.
Em 1981, uma mulher nômade de 34 (trinta
e quatro) anos de idade e um homem desempregado
com quem ela vivia foram denunciados pelo
homicídio de um senhor de idade avançada
em seus aposentos. Eles se dirigiram à
casa desse senhor preparados para a prática
de um roubo e levaram consigo substâncias
inflamáveis para após o roubo
atearem fogo na casa, e fazer com que todo
o crime parecesse um incêndio acidental.
A mulher, quando do cometimento do crime,
estava em seu período que antecede
o ciclo menstrual e a sua defesa tentou argumentar,
em seu favor, que a circunstância de
diminuição de pena em virtude
do acometimento de sintomas provenientes da
TPM fosse aceita pelo Tribunal.
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| Psicopatia |
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Por:
Dr. Osvaldo Lopes do Amaral - Diretor
Clínico do INEF
Acorrei, espíritos que velais sobre
os pensamentos mortais! Tirai-me o sexo e,
dos pés à cabeça, enchei-me
até transbordar da mais implacável
crueldade! Fazei que meu sangue fique mais
espesso; fechai em mim todo acesso, todo caminho
à piedade, para que nenhum escrúpulo
compatível com a natureza possa turvar
meu propósito feroz, nem possa interpor-se
entre ele e a execução! Vinde
a meus seios e convertei meu leite em fel,
vós gênios do crime, do lugar
de onde presidis, sob substâncias invisíveis,
a hora de fazer o mal! Vem noite tenebrosa,
envolve-te com a sombria fumaça do
inferno para que meu punhal agudo não
veja a ferida que ele vai fazer e para que
o céu, espiando-me através da
cobertura das trevas não possa gritar-me:
´´ pára! pára! ``.
Lady Macbeth, nos momentos que antecedem ao
assassinato do rei Duncan, que dorme em seu
castelo como hóspede.
A tragédia de Macbeth.
William Shakespeare.
A citação que abre esta publicação,
proveniente de uma peça teatral, mostra
de uma forma vigorosa e dramática aspectos
profundos do tema que trataremos agora.
Compreender melhor o funcionamento
dos psicopatas é uma tarefa de importância
vital para a humanidade. O número de
portadores deste transtorno cresce vertiginosamente
e eles se infiltram em todos os âmbitos
do tecido social, do direito à medicina,
da polícia ao mundo dos negócios
e principalmente na política.
O resultado é a condição
de total insegurança que vivemos nas
ruas, no transito e dentro de nossas casas.
A ação de psicopatas dentro
de grandes empresas quebram a confiança
de acionistas e investidores que não
acreditam nos dados fornecidos pelas empresas
e em seus auditores.
O acionar dos psicopatas no mundo da política
tornou o mundo mais empobrecido e sem perspectivas
para bilhões de seres humanos.
É do contingente dos portadores deste
transtorno que saem os autores dos piores
crimes contra a humanidade embora um grande
número deles não cheguem a cometer
crimes violentos.
Os psicopatas são seres atormentados
e que fazem sofrer outros seres humanos muito
mais do que eles próprios sofrem, por
razões que ficarão mais claras
neste estudo.
São seres muito destrutivos em suas
relações com o ambiente, com
eles próprios e principalmente com
as pessoas com quem se relacionam.
A sua conduta predatória os transforma
no maior inimigo do ser humano.
É muito importante delimitar o conceito
de psicopatia para que não se torne
um rótulo aplicado indiscriminadamente,
como já ocorreu com opositores de regimes
totalitários e com seres humanos levados
à delinqüência como última
possibilidade de sobrevivência.
- Conceito de psicopatia e
seu desenvolvimento histórico
Nos estudos médicos
sobre este transtorno são usados como
sinônimo de psicopatia as denominações
de sociopatia e transtorno de personalidade
anti-social ( TPA ). Esta última denominação
é a mais usada nos textos científicos.
O conceito atual de psicopatia refere-se a
um transtorno caracterizado por atos anti-sociais
contínuos ( sem ser sinônimo
de criminalidade ) e principalmente por uma
inabilidade de seguir normas sociais em muitos
aspectos do desenvolvimento da adolescência
e da vida adulta. Os portadores deste transtorno
não apresentam quaisquer sinais de
anormalidade mental (alucinações,
delírios, ansiedade excessiva, etc.)
o que torna o reconhecimento desta condição
muito difícil.
Até chegarmos ao conceito atual foi
necessário o trabalho de inúmeros
pesquisadores.
Pinel, a partir da observação
de que existiam indivíduos que se comportavam
de modo irracional ou inapropriado, publicou
um trabalho em 1806 sobre esta forma de ´´
loucura `` e usou a denominação
manie sans delire ( insanidade sem delírio
).
Um médico inglês , Prichard (1835)
introduziu o conceito de insanidade moral.
Depois estudiosos alemães introduziram
a noção de ´´ inferioridade
constitucional `` dos psicopatas.
Nas décadas de 30 e
40 os clínicos, com uma orientação
psicodinâmica, estudaram o transtorno
e ressaltaram a dimensão social do
transtorno devido à perspectiva cultural
que dominava à época. Nesta
etapa nasceu a denominação sociopata.
A nossa época contribuiu com os exames
de imagem e funcionais do sistema nervoso,
altamente sofisticados e chegamos ao conceito
atual, mais neutro, de transtorno de personalidade
anti-social ( TPA )
- Quais os critérios
que os médicos seguem para diagnosticar
o TPA?
Grande parte da comunidade
científica adota os critérios
do Manual Estatístico e Diagnóstico
da Associação Psiquiátrica
Americana que afirma:
Critérios diagnósticos
para o transtorno de personalidade antisocial.
A - Existe um padrão de desrespeito
e violação dos direitos dos
outros, ocorrendo desde a idade de 15 anos,
como indicado por três ( ou mais ) dos
seguintes:
1) falhas em adaptar-se às
normas sociais que regem os comportamentos
legais, indicadas pela repetição
de atos que são motivos para prisão.
2) propensão para enganar,
indicada por mentiras repetitivas, uso de
codinomes e manipulação dos
outros para benefício ou prazer pessoal.
3) impulsividade ou falha em
planejar o futuro.
4) irritabilidade e agressividade,
indicado por brigas e agressões repetitivas.
5) desrespeito negligente pela
própria segurança ou dos outros.
6) irresponsabilidade, indicada
por falhas repetitivas em sustentar um trabalho
consistente ou honrar obrigações
( financeiras ou morais ).
7) falta de remorso, indicado
pela indiferença ou racionalização
ao ter maltratado alguém ou roubado
alguma coisa.
B - O indivíduo tem
pelo menos 18 anos de idade.
C - Há evidências
de transtornos de conduta com início
antes dos 15 anos de
idade.
D - A ocorrência do comportamento
anti-social não é exclusiva
do curso da
esquizofrenia ou de um episódio maníaco.
- Com critérios tão
claros é fácil fazer o diagnóstico
de TPA durante a consulta médica?
Não é nada fácil
uma vez que o portador de TPA é um
mentiroso contumaz. Não existe profissional
de saúde mental que não tenha
sido enganado por um psicopata. Em geral têm
uma boa apresentação, falam
bem e são muito convincentes.
- O que pode ajudar a diminuir
a enganação?
O profissional que dispõe
de informações provenientes
de familiares, de amigos, de registros hospitalares
ou fornecidos por autoridades pode confrontar
o paciente com suas mentiras, às vezes
abrindo as portas para o início de
uma relação terapêutica
com um mínimo de sinceridade e às
vezes deixando o paciente furioso e nada propenso
a voltar ao médico.
- Podemos então dizer
que os psicopatas criam situações
clínicas difíceis?
Não existe outro grupo
de transtornos mentais que seja tão
interessante e tão frustrante para
os clínicos. O enigma de pessoas tão
hábeis para algumas coisas e tão
incapazes para outras levanta questões
de uma complexidade fantástica, mas
a falta de continuidade nos contatos ( como
veremos na parte dedicada ao tratamento )
limita muito as possibilidades de compreensão
e estudo desta condição.
Todos os portadores de TPA
tentam ocultar do médico os seus problemas
com os relacionamentos, com a dificuldade
de trabalhar e com a lei?
Não. É impossível
generalizar ao falar de TPA. Cada um tem a
sua peculiaridade e recursos diferentes, traduzindo
a noção de um grupo heterogêneo
de transtornos.
Alguns falam abertamente de seus comportamentos
delinquentes e de sua dificuldade de viver.
Quando abrem o seu mundo interior à
inspecção ( o que ocorre muito
raramente ) podemos ver uma mente estéril,
dominada pelo tédio e ausência
de valores e objetivos de vida. Nestas circustâncias
podemos compreender, diante deste vazio, a
busca desesperada de estímulos e sensações,
ainda que com o risco da própria vida
e mais comumente da vida dos outros.
- Qual é a causa do
TPA?
Não existe uma causa
única que determine o TPA. É
um transtorno multideterminado o que significa
que é o resultado de uma somatória
de fatores.
- Quais são estes fatores?
Fatores genéticos (
os parentes em 1º grau do portador tem
5 vezes mais possibilidades de desenvolver
o transtorno que pessoas da população
em geral).
Fatores próprios da mente de cada indivíduo;
cada pessoa tem uma conformação
própria que é resultado da interação
de fatores inatos com as experiências
e relações de cuidados ( físicos
e afetivos ) no início da vida.
Há internalizações dos
vínculos primários, o que ocorre
de forma diferente em cada indivíduo,
determinando que cada pessoa tenha uma arquitetura
interior diferente.
Fatores de ordem neurológica, que mostram
alterações já bem estudadas
do sistema nervoso.
Fatores de ordem social também
participam. Vivemos uma época que aspira
liberdade e distância de imposições
autoritárias e isto influencia o
desenvolvimento dos psicopatas. Os psicopatas
interpretam a falta de normas que temos no
mundo atual como licença para violentar
os direitos dos outros e não como espaço
para a cidadania.
- A vida familiar também
influencia na TPA?
Sim. Exerce uma grande influência
na formação de uma mente perturbada.
Grande parte dos portadores de TPA vem de
famílias muito perturbadas em que os
pais, com frequência também são
portadores de TPA. Muitos dos portadores foram
vítimas de violência física
e abusos sexuais dentro de suas próprias
casas.
Por outro lado, o surgimento de um filho com
as perturbações de comportamento
que mais tarde se cristalizarão com
TPA, tem um efeito devastador sobre a família
e pais que, em outras circunstâncias
poderiam ser até razoáveis,
perdem o controle do processo educativo e
chegam a ficar descontrolados na tentativa
de realizar a educação de um
filho impossível de ser educado.
- Podemos concluir que há
um verdadeiro círculo vicioso na formação
de novos psicopatas?
Sim. Uma pessoa agredida e
tratada com violência desde cedo na
vida e mais tarde desenvolvendo o TPA será
um agressor violento de seus filhos e reproduzirá
o inferno no qual viveu a sua infância
. Em geral eles têm muitos filhos porque
constituem relações de casamentos
muito precoces e muito perturbados, com muitas
traições, mentiras, brigas violentas
e rupturas das ligações que
não são profundas. Ao quebrar-se
o vínculo precario o portador de TPA
em geral abandona os filhos e inicia outra
vez com outra pessoa o mesmo ciclo. Como não
tem sentimentos de compaixão com nenhum
ser humano não há problemas
de culpa pelo abandono dos filhos.
A falta de sentimento de responsabilidade
por seus atos faz com que eles acreditem que
os filhos que eles trouxeram ao mundo são
de responsabilidade
da sociedade, da qual eles não se sentem
partes.
- Seria então um meio
de prevenir o aumento de portadores de TPA
evitar que estas pessoas tivessem tantos filhos?
Sabemos que mesmo crianças
que são criadas em lares estáveis,
com boas relações afetivas podem
vir a desenvolver o TPA. As que se originam
de famílias enlouquecidas têm
poucas chances de escaparem. Orientar os portadores
de TPA para evitarem a gravidez, oferecer-lhe
suporte nas épocas de maior crise,
quando estão saindo de casa e tentando
encontrar um lugar no mundo com uma mente
inadequada, é um fator de prevenção.
Estas medidas de prevenção encontram
oposição em setores hipócritas
da sociedade e de algumas religiões
que acham que todos devem se reproduzir, em
qualquer circunstância, ainda que os
filhos gerados não venham a conhecer
nada além do inferno da loucura, miséria
e doença.
- É grande o número
de portadores de TPA na nossa sociedade?
É praticamente impossível
determinar na população em geral
o número de indivíduos portadores
de TPA. É grande a diferença
de um para outro e eles se disfarçam
e mentem muito. Em populações
específicas, que ficam confinados estes
estudos se tornaram realizáveis e são
da ordem de 20% dos internados em hospitais
psiquiátricos e 70% da população
carcerária.
Na população em geral o número
estimado é de 2 a 3%, sendo a proporção
homens mulheres 3: 1.
Em resumo, não temos dados satisfatórios
neste setor e não sabemos nem mesmo
qual a proporção de portadores
de TPA que chegam ao serviços médicos.
- Quando os portadores de TPA
são punidos por desobedecer leis e
violentar os direitos dos outros eles passam
por modificações?
Eles não se beneficiam
de punições e castigos e hoje
se considera verdadeira a antiga afirmação
de que portadores de TPA não aprendem
com a experiência. O comportamento anti-social
é repetitivo com ou sem punições.
- Os modernos métodos
de investigação neurológico
ajudam a esclarecer porque os portadores de
TPA não aprendem com a experiência,
mesmo a maioria tendo uma inteligência
próxima da normal?
Os exames que se utilizam da
tecnologia mais avançada como ressonância
nuclear magnética, tomografias computadorizadas,
tomografias computadorizadas com emissão
de positrons e mapeamento topográfico
cerebral entre outros, mostram uma elevada
ocorrência de alterações
no lobo frontal do cérebro ( a parte
do nosso cérebro que controla as condutas
de relacionamentos com os nossos semelhantes
) e anormalidades em áreas de controle
das emoções ( daí a irritabilidade
e às vezes ataques de fúria
).
O cérebro dos portadores de TPA funciona
de uma maneira lentificada com pobre estimulação
interna ( daí a busca de situações
que criem emoções fortes, mesmo
perigosas ) e são cérebros considerados
como pouco amadurecidos ( dificuldade de aprendizagem,
mesmo com punições ).
Um provável amadurecimento cerebral
explicaria porque muitos portadores de TPA
estabilizam e até diminuem a sua perturbação
em sua 3º ou 4º década de
vida , ocorrência que é denominada
de ´´ desgaste ``.
- Como é a vida profissional
de um portador de TPA?
Os que chegam a constituir
uma certa carreira profissional e tem muito
entrecortado por demissões, problemas
com superiores, problemas com condutas ilegais
e de convivência com colegas. Não
chegam a postos mais elevados e constantemente
têm problemas financeiros, reforçando
o lado parasitário e predador deste
transtorno. Outros nem isto conseguem e sobrevivem
de tráfico de drogas, prostituição,
roubos e sequestros.
É o que conseguem com uma mente nada
sofisticada e nenhum entendimento do mundo
afetivo das pessoas que têm os sentimentos
normais.
Aqueles que têm uma mente mais sofisticada
chegam a ter sucesso momentâneo em profissões
liberais, nas atividades empresariais e sobretudo
na política. Mas é só
questão de tempo para a queda. Não
é possível enganar a todos o
tempo todo.
- Tendo noção
do que é um psicopata como podemos
nos proteger de sua ação predatória?
Como um todo social tivemos
nas últimas eleições
uma experiência de rejeitar nas urnas
predadores e enganadores notórios,
mostrando que o conhecimento das práticas
destes indivíduos traz a rejeição
e a consequente proteção.
No nível individual devemos ter mais
observação e conhecimento das
pessoas que nos cercam ( os psicopatas sempre
fazem referência à ingenuidade
das vítimas de seus golpes ). Só
a prevenção funciona, uma vez
caimos em um golpe não há como
revertê-lo. Quando convivemos com pessoa
que não tem nenhuma identificação
com os sentimentos e valores humanos só
a distância e limites pode representar
a proteção.
- Com tantos psicopatas gerenciando
negócios e empresas como não
ser vítima?
O grande recurso é a
informação .
Uma empresa que é dirigida por um psicopata
vai cometer muitas falhas que irão
para os órgãos de defesa do
consumidor e de imprensa.
Se você lê jornais não
comprará um apartamento de uma construtora
que usou areia do mar em suas obras, matando,
desabrigando e lesando inúmeras pessoas.
A informação protege e a distância
dos psicopatas e seus ´´negócios
`` também.
O único temor dos psicopatas é
serem denunciados. Uma vez conhecida a sua
maneira de agir o jogo acaba.
- Porque os portadores do TPA
não temem a justiça?
Não a temem porque não
têm as emoções normais
de um ser humano.
Quando envolvidos em questões legais
assistem com indiferença os processos,
como se não tivessem envolvidos.
Quando adquirem muito dinheiro com sua atividade
predatória, usam estes recursos para
escapar das consequências de seus atos,
além de grandes promessas de mudança
e arrependimento que às vezes sensibilizam
os encarregados da justiça.
Quando não têm recursos financeiros
e são condenados isto não tem
importância. Vão para a prisão
onde eles organizam facções
criminosas, usam e vendem drogas, recebem
entregas de alimentos e ´´ visitas
íntimas ``. Eles não se sentem
nada penalizados e a única coisa que
eles temeriam fica muito afastada deles: o
trabalho.
- Há tratamento para
estes transtornos?
Os tratamentos para o TPA na
maioria das vezes resultam em nada. O emprego
do psicofármacos é limitado
pelo risco de dependência e as psicoterapias
dão pequeno resultado , em função
de que os pacientes têm uma mente limitada
que não aprende com a experiência.
As mudanças que podem ocorrer são
muito pequenas e ocorrem em prazos muito longos.
Poucos pacientes e terapeutas conseguem esperar
que isto ocorra, e há um grande desestímulo
neste setor. Muitos terapeutas rejeitam os
pacientes com esta condição.
- Então é muito
pouco o que pode ser feito em termos de tratamento?
Com esta perspectiva tão
limitada às vezes o tratamento consegue
ajudar a um ou outro portador de TPA a deixar
álcool e drogas, o que já é
um beneficio.
É função do terapeuta
orientar os familiares que terão que
conviver sempre com o portador de TPA como
minimizar o efeito destrutivo desta patologia.
É muito importante que os pais não
neguem os problemas de conduta que um filho
comece a apresentar, coloquem limites e procurem
ajuda para lidar com o problema.
A intervenção
precoce tem mais possibilidade de ajudar a
obter alguma melhora do que quando o problema
já está consolidado ( após
a idade de 18 anos ).
- Como poderíamos resumir
o tema que foi estudado nesta publicação?
Os aspectos essenciais do estudo
do TPA ( psicopatia ou sociopatia ) são:
um transtorno de natureza crônica que
inicia-se como transtorno de conduta em torno
de 15 anos e consolida-se como TPA aos 18
anos.
Atinge mais homens do que mulheres, tem componentes
genéticos, familiares, neurológicos
e sociais. O número de seus portadores
aumenta muito na sociedade atual.
Os portadores de TPA tem uma inteligência
média e alguns são muito inteligentes.
Usam muito os recursos verbais e são
muito convincentes nas suas argumentações.
Tem alterações no lobo frontal
( a parte do cérebro que controla o
relacionamento com as pessoas ) e nos circuitos
que controlam as emoções. Estas
alterações fazem com que sejam
agressivos, irritadiços e estabeleçam
relações muito perturbadas.
Muitos cometem crimes violentos ( a maioria
não ) e são conhecidos os casos
de matadores em série, terroristas
e líderes do crime organizado. Uma
parte dedica-se a atividades predatórias
do ser humano, tendo a enganação
como elemento essencial.
As possibilidades de tratamento são
limitadas pois os portadores de TPA não
estabelecem vínculos firmes e duradouros
e não aprendem com a experiência.
Quando punidos não aprendem com a experiência,
voltando a cometer crimes e violar os direitos
dos outros.
Não sentem culpa com os atos anti-sociais
que cometem e sempre têm explicações
e racionalizações. Às
vezes chegam a dizer que ´´ matei
por amor ``. São pessoas extremamente
frias e calculistas. Colocam nos outros (
projetam ) aspectos detestáveis da
sua mente e sentem uma espécie de triunfo
e grandiosidade quando enganam ou agridem
alguém.
As medidas de prevenção não
são muitas e consistem em ajudar aos
portadores a não se reproduzirem com
o excesso que lhes é peculiar, com
medidas de apoio.
A nível individual a proteção
é o conhecimento e boa observação
das pessoas com os quais convivemos e com
quem fazemos transações comerciais.
A sociedade como conjunto pode escolher melhor
os políticos que vão representá-la
eliminando os predadores velhacos.
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Este
artigo descreve duas situações
complexas e duplamente preocupantes em
termos de saúde pública,
seja, por sua alta prevalência e/ou
por suas conseqüências. Trata-se
dos transtornos do uso de substâncias
psicoativas e a criminalidade.
As diversas pesquisas coincidem na afirmação
de uma associação entre
transtornos do uso de substâncias
psicoativas e criminalidade. O que é
possível constatar é a alta
proporção de atos violentos
quando o álcool ou as drogas ilícitas
estão presentes entre agressores,
suas vítimas ou em ambos. Quando
se realiza um exame pericial em autores
que alegam alguma relação
do ato praticado com consumo de álcool/drogas,
esta perícia deve levar em consideração
a substância em uso, o quadro clínico
por ela causado, bem como verificar a
presença de um diagnóstico,
a existência de nexo causal e possíveis
alterações na capacidade
de entendimento e/ou determinação
do agente.
A
criminalidade é
um fenômeno complexo que tem múltiplos
determinantes biopsicossociais e forma
parte da própria condição
humana desde os primeiros tempos. No começo
do século passado, as causas mais
freqüentes de prisão no Brasil
eram por atentado à ordem pública,
vadiagem, desordem e embriaguez. Entre
os crimes cometidos, predominavam os delitos
contra a pessoa, como homicídio,
tentativa de homicídio e lesão
corporal, embora fossem também
encontrados alguns casos de estupro e
atentado violento ao pudor.1-2 Os delitos
de sangue ou vinganças privadas
ocorriam entre conhecidos, em espaços
privados.
Hodgins,
em um estudo de coorte não selecionado,
realizado na Suécia, acompanhou
15.117 indivíduos, do nascimento
até os 30 anos. Foi avaliada a
relação entre crime, doença
mental e/ou retardo mental. Os achados
apontaram que homens com transtorno mental
maior tiveram 2,5 vezes mais chances de
ter cometido um crime e 4 vezes mais chance
de adotarem conduta violenta que os não
portadores desta patologia. Já
as mulheres com transtorno mental maior
tiveram 5 vezes mais chance de cometimento
de crime e 27 vezes de conduta violenta.
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Mulheres
Pedófilas  |
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