Mulheres
e o Narcotráfico - Por quê?
Conquistando mais credibilidade dentro da
sociedade, onde passou a exercer um outro
papel, a mulher saiu da condição
de submissa, isso de forma inconteste, colocando
a frente sua capacidade de liderança.
Assim, aquelas que encontraram no crime uma
solução para seus problemas,
assumiram a posição de “chefia”,
como em qualquer setor da vida.
Pelo próprio fato de ser Mulher, talvez
até por uma questão genética,
sua tendência a ser mais minuciosa,
mais precavida, astuta, com raciocino mais
rápido e visualizando os prós
e os contras de um determinado "trabalho"
o que na gíria do crime chama-se "fita",
ela como “cabeça" é
extremamente competente. As que nasceram com
poder de liderar e optaram pelo ilícito
o faz com muito mais determinação
e reserva do que o homem.
Na verdade, acreditamos que a Mulher nunca
foi o sexo frágil, o que se arrastou
durante estes séculos, foi o explícito
cultural imposto, que a sociedade Patriarcal,
inculcou no feminil. Portanto nesta qualificação
adotada, muitas passaram à vida, acreditando
serem realmente o centro da fragilidade humana
se submetendo involuntariamente a condição
de ficarem ou estarem á uma margem
social, sendo tão somente "sombra"
do sexo masculino.
Adaptada a ser do homem sua serviçal,
ou procriadora, não existindo a permissão,
nem a opção de expor absolutamente
nada, ela não se permitia, (mesmo porque
inviável o era), aflorar nem mesmos
seus mais secretos desejos, que se mantiveram
escondidos, pela própria condição
desde o berço, imposta.
Muitas transgrediram antes desta evolução,
no entanto, que não se dava muita importância,
nem se criava polêmicas, sendo raríssimas
as exceções e estas quando envolviam
clamor. Isso, já que a mulher ainda
era tratada como impotente, ou maluca e assim
não interessava nem a imprensa trazer
a público, nem tão pouco as
instituições familiares, que
compeliam ao consentirem que fatos envolvendo
o sexo feminino, fossem a público.
Já com a evolução dos
tempos, a autonomia e as conquistas, outro
perfil brotou, é aonde podemos apontar
a diferença da tipificação
dos crimes e célere aumento das mulheres
nos cárceres.
Após
os longos e loucos anos dourados e com a própria
Constituição de 1988, a Mulher
aos poucos, foi se libertando e liberando,
tomando consciência do seu papel dentro
da sociedade. Certo que algumas se libertando,
acabaram por caminhar a uma condicional e
severa forma de aprisionamento.
O que antes era visto como vergonhoso no seio
familiar, enfatizado como ato libidinoso,
por uns, ou que fugia totalmente aos padrões
familiares, começou a se romper á
partir do momento em que aumentaram os litígios
e as uniões “chamadas de estáveis”
separações conjugais.
Um
grande problema, que indubitavelmente acarretou
uma fila de responsabilidades e mesmo que
injustificável, é real, esta
no fato de que com as “grandes conquistas
femininas” vieram às obrigações
e o descaso contínuo e freqüente
de seus antigos maridos ou parceiros.
Atribuindo a mulher toda a responsabilidade
para com a sua sobrevivência sua e de
sua prole, onde o dever moral, para uma fatia
da sociedade masculina passou ou continuo
a ser ignorado, motivou sim e ainda levam
muitas a ingressarem no universo da marginalidade.
Não adianta negar o que é fato,
por mais que não se explique ou se
aceite uma conduta ilícita, para justificar
um ato delituoso, porém, impossível
não menciona-lo, já que é
fator relevante que já empurrou e ainda
carregam muitas para o lado de dentro das
muralhas.
Embora
não declarado, diversas encarceradas,
impetraram antes de seus delitos, ações
judiciais contra pais, que alheios e displicentes,
sem o menor senso ou sentimento para com sua
“antiga família” oferecia
o mínimo de condições
para a subsistência ou educação
de seus filhos.
Já a Mulher mais precavida e dificilmente
irresponsável por natureza, não
troca de lar como quem troca de roupas...
Assim sendo, longe do campo profissional,
desatualizada sendo mulher e percebendo que
cada tentativa amigável para com o
ex, tornava-se um calvário, (o que
diminuiu após ser sancionada a lei
Maria da Penha), colocava ainda mais em risco
sua vida, silenciavam seus desabores e inconformados
anos que já se foram. Há as
que buscaram na religião ou em tentativas
frustrantes, mudar um quadro repleto de frustrações
e dificuldades, mais que não viram
outra saída e partiram para o ilícito.
Pudemos perceber mulheres detidas, serem unânimes
ao afirmar inexistência, sem a menor
possibilidade de diálogo com o companheiro
e muitas ao reclamarem a falta de alimentos
ou questionarem algo ao antigo parceiro, eram
revidadas, atacadas e agredidas verbal e fisicamente,
tanto é que muitas carregam além
das cicatrizes que jamais poderemos ver (marcas
horríveis) seqüelas de agressões
que sofriam.
Não
se trata de justificar o injustificável,
mais talvez compreender a razão pelas
quais muitas transgridem e porque o tráfico
de drogas é crime mais praticado pelo
sexo feminino.
Não
existe o crime preferido das mulheres, já
que o Narcotráfico é o responsável
por levar praticamente 70% das mulheres aos
tribunais.
Por que no tráfico? Porque no tráfico,
a Mulher encontra a forma rápida de
ganhar dinheiro. Muitas alegam que sem dinheiro
e sem oportunidades de trabalho, “foram
pras cabeças", não tendo
ajuda do ex-companheiro e se vendo abandonadas,
após longos anos de vida em comum (pois
após 15/20 anos de um relacionamento)
que ficou fora do mercado de trabalho, dificilmente
conseguiam empregos. Assim, com a separação
e sentindo a necessidade de oferecer pelo
menos o essencial para os filhos arriscaram
e o resultado óbvio, é que na
maioria, cedo ou tarde, se deram mal.
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