Em
depoimentos, "elas" que estão
ou que estiveram encarceradas e foram sentenciadas
"pelo artigo 12" declaram:-
-"Pode
parecer mentira,, mais meu prontuário
confirma o que digo, fui presa por roubo 'Artigo
157' minha pena era de seis anos, dois meses
e seis dias, quando estava na porta de saída,
me vi amargurar mais uma infração
e assinei um doze na cadeia. O problema, foi
que de consumidora, passei a traficante, até
a 'casa cair'... Fiquei no seguro, pois diante
do novo mandato de prisão, virei covarde,
não conseguia mais nem pensar em comercializar
a droga. Então, meu consumo foi extinguindo
o que eu tinha e o que eu nem podia imaginar
ter. Devendo 'nas bocas' fui jurada e daí,
só no seguro para tentar sobreviver.
Quando me vi livre, não encontrei emprego,
mas também, nem tenho profissão
mesmo... Então, achei que talvez fosse
fácil tentar meu 'antigo ofício
da prisão', do lado de fora e ganhar
a vida... E cá estou novamente, arrependida
ao extremo, esperando apenas o tempo de sentença
na minha reincidente condenação".
M.A.R.S.
- Aguarda com certeza a sentença condenatória
na Penitenciária Feminina Talavera
Bruce, Rio de Janeiro.
-"Me
vi abandonada com três filhos pra criar
e uma mãe doente pra amparar. Sem profissão
e desesperada, gastei sola de sapato e o pouco
de dinheiro em muita condução.
Só que isso não deu certo pra
mim e um dia, lá no bairro comentando,
uma vizinha me arrumou o que podia me oferecer
e essa oferta, era pra entregar 'papelotes'
num determinado ponto no período noturno.
Fiquei nesta 'atividade' quatro meses, foi
assim que encontrei a pior e mais difícil
forma de sustentar minha família, até
ser presa"...
M.R.P.M.
-Detida em flagrante delito no ano de 2006,
esta apenada até 2011. Ainda em aparente
depressão, cumpre pena na penitenciária
feminina de Piraquara no Paraná e afirma
que graças ao apoio recebido na unidade,
vem superando os inúmeros problemas.
-"Entrar
no Mundo do Crime é fácil, assim
como ser presa, também. O difícil...
É sair! Assim
sendo, não aconselho ninguém,
por mais dificuldades que tenha na vida, a
'entrar numas de errada' porque o 'barato
é loco' e nada vale mais do que a liberdade"!
S.R.S.
- Presa desde janeiro de 2004 - Atualmente
com o benefício do regime semi-aberto,
encontra-se na Unidade Prisional Feminina
do Butantã - Sp.
-"Se
você se envolve demais, fica 'amarrada'
e o dinheiro que parece ser fácil é
o mais difícil e seu preço é
cobrado um dia, se não for pelas leis
dos homens, será pela lei de Deus".
A.C.S.
- presa desde 2005 - cumpre pena atualmente
na Penitenciária Feminina Madre Pelletier
- POA.
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-Mulheres
no Narcotráfico? -Por quê?

Conquistando mais credibilidade dentro da sociedade, onde passou a exercer outro papel, a mulher saiu da condição de submissa, isso de forma inconteste, colocando a frente sua capacidade de liderança. Assim, aquelas que encontraram no crime uma solução para seus problemas, assumiram a posição de “chefia”, como em qualquer setor da vida.
Pelo próprio fato de ser Mulher, talvez até por uma questão genética, sua tendência a ser mais minuciosa, mais precavida, astuta, com raciocino mais rápido e visualizando os prós e os contras de um determinado "trabalho" o que na gíria do crime chama-se "fita", ela como “cabeça" é extremamente competente. As que nasceram com poder de liderar e optaram pelo ilícito o faz com muito mais determinação e reserva do que o homem.
Na verdade, acreditamos que a Mulher nunca foi o sexo frágil, o que se arrastou durante estes séculos, foi o explícito cultural imposto, que a sociedade Patriarcal, inculcou no feminil. Portanto nesta qualificação adotada, muitas passaram à vida, acreditando serem realmente o centro da fragilidade humana se submetendo involuntariamente a condição de ficarem ou estarem á uma margem social, sendo tão somente "sombra" do sexo masculino.
Adaptada a ser do homem sua serviçal, ou procriadora, não existindo a permissão, nem a opção de expor absolutamente nada, ela não se permitia, (mesmo porque inviável o era), aflorar nem mesmos seus mais secretos desejos, que se mantiveram escondidos, pela própria condição desde o berço, imposta.
Muitas transgrediram antes desta evolução, no entanto, não se dava muita importância, nem se criava polêmicas, sendo raríssimas as exceções e estas quando envolviam clamor, já que a mulher ainda era tratada como inferior impotente. Assim, diante de delito de menor gravidade (como furto) ou mesmo crimes caracterizados como bárbaros, eram de forma geral, conceituadas como a 'vergonha da família' pelos parentes, ou 'mais uma maluca' pela mídia.
Contudo, junto a infração feminina, imperava de forma importante, o silencio da instituição familiar. Não interessando á ninguém trazer a público, a figura feminina criminosa, nem tão pouco havia consentimento dos próximos, que fatos envolvendo a mulher, fossem divulgados.
Já com a evolução dos tempos, a autonomia e as conquistas, outro perfil brotou, é aonde podemos apontar a diferença da tipificação dos crimes e célere aumento das mulheres nos cárceres.
Após os longos e loucos anos dourados e com a própria Constituição de 1988, a Mulher aos poucos, foi se libertando e liberando, tomando consciência do seu papel dentro da sociedade. Certo que algumas se libertando, acabaram por caminhar a uma condicional e severa forma de aprisionamento.
O que antes era visto como vergonhoso no seio familiar, enfatizado como ato libidinoso, por uns, ou que fugia totalmente aos padrões familiares, começou a se romper á partir do momento em que aumentaram os litígios nas uniões chamadas de estáveis com muitas separações conjugais.
Um grande problema, que indubitavelmente acarretou uma fila de responsabilidades e mesmo que injustificável, é real, esta no fato de que com as “grandes conquistas femininas” vieram às obrigações e o descaso contínuo e freqüente de seus antigos maridos ou parceiros.
Atribuindo a mulher toda a responsabilidade para com a própria sobrevivência e de sua prole, onde o dever moral, para uma fatia da sociedade masculina passou ou continuou a ser ignorado, motivou e ainda levam muitas a ingressarem no universo da marginalidade. Não adianta negar o que é fato, por mais que não se explique ou se aceite uma conduta ilícita, para justificar um ato delituoso, porém, impossível não mencioná-lo, já que é fator relevante que já empurrou e cada vez mais carrega muita para o lado de dentro das muralhas.
Embora não declarado, diversas encarceradas impetraram antes de seus delitos, ações judiciais contra pais, que alheios e displicentes, sem o menor senso ou sentimento para com sua “antiga família” oferecia o mínimo de condições para a subsistência ou educação de seus filhos.
Já a Mulher mais precavida e dificilmente irresponsável, por natureza, não troca de lar como quem troca de roupas... Assim sendo, longe do campo profissional, desatualizada sendo mulher e percebendo que cada tentativa amigável para com o ex, tornava-se um calvário, (o que diminuiu após ser sancionada a lei Maria da Penha). Evitando serem colocadas ainda mais em situações humilhantes, arriscando suas vidas, silenciavam seus dissabores e inconformados anos que se foram 'dando um jeito' sozinhas.
Há aquelas que buscam na religião, uma mudança no quadro repleto de frustrações e dificuldades, outras nos familiares, mais as que não viram outra saída, partiram para o ilícito, e estas, são a maioria.
Pudemos perceber mulheres detidas, serem unânimes ao afirmar a inexistência de sentimentos, que sem a menor possibilidade de diálogo com o ex-companheiro, a ausência familiar, e a falta de fraternidade social, foram os agravantes á abrirem as portas para uma "caminhada errada."
Pelo temor carregado junto a separação do lar, onde o antigo parceiro, sempre representava o perigo e pelas incontáveis vezes em que eram revidadas, atacadas e agredidas verbal e fisicamente, por estes, algumas viram na "figura acessível" do tráfico e do traficante, uma forma de inibir seu agressor.
-"Em todo lugar tem 'biqueira' tráfico e traficantes e as pessoas sabem; sabem e temem. Tá marrado, Deus me livre! Mais é assim e não foi só comigo... Se aproximar e se envolver é 'lance rápido', dinheiro certo, e impõe respeito, basta querer". - Conta Leila Melo, que ficou por quatro anos presa por tráfico de drogas na antiga Penitenciária Feminina do Tatuapé.
Não se trata de justificar o injustificável, mais talvez compreender a razão pelas quais muitas transgridem e porque o tráfico de drogas é crime mais praticado pelo sexo feminino.
Não existe o "crime preferido" das mulheres, mas sim, o mais praticado, já que o Narcotráfico é o responsável por levar praticamente 70% das mulheres aos tribunais.
Por que no tráfico? Porque no tráfico, a Mulher encontra a forma rápida de ganhar dinheiro.
Muitas alegam que sem dinheiro e sem oportunidades, “foram pras cabeças". Nas mais diversas histórias, as que mais se assemelham, (sendo a grande parte), vêm das mulheres que não tendo ajuda do ex-companheiro e se vendo abandonadas, após longos anos de vida em comum, vislumbraram no tráfico, por ser mais rápido e mais acessível á solução dos problemas financeiros. Outras, sem qualquer capacitação, fora do mercado de trabalho, não conseguiam emprego, mas, conseguiram "trabalho"... Em número menor, se concentra as que relatam o envolvimento com tráfico por amor a traficantes, e uma minoria contam serem vítimas de golpes e se dizem inocentes.
Por fim, seja com a separação e a necessidade de oferecer pelo menos o essencial para os filhos, seja pela falta de oportunidade diante de uma grave necessidade financeira, seja por relação afetiva ou amor bandido, o certo é que "elas" arriscaram e o resultado óbvio, é que, a maioria, cedo ou tarde, se deu mal.
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