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Mulheres e Crimes - Sem entrevista
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Por: Elizabeth Misciasci - 06/06/2008

A mulher na condição de pessoa presa, costumava ser mais falante, com aptidão a se aproximar de quem confiava e estava sempre pronta a fazer pose e deixar se fotografar. Mais tantas foram as vezes, que se viram em constrangimentos familiares após a divulgação de suas imagens e com o agravante de verem completamente modificados seus argumentos e entrevistas, que começaram a se calar.

Se assim passou a ser, enquanto permanecem encarceradas, já na condição de egressas, aí então é que dificilmente se prestam a dar entrevistas, nem tão pouco mostrar o rosto. Quando isso acontece, é porque o laço de confiança com quem esta declinando seu nome e 'atestando' que nem seu depoimento será adulterado, nem sua imagem exibida já foi firmado há muito.

Sem entrevistas

 

Não sendo uma regra, óbvio, mas passa a ser diferente, quando aquela que passou pelo cárcere, esta disposta a "lavar a alma", contestar, sem se preocupar com a repercussão, ou o que as pessoas próximas irão achar. Raras excessões... Normalmente, isso se dá no calor da saída da prisão, com 'a cara já marcada' não pensando ter mais nada a perder e crente que o retorno será a comoção pública ou providencias, no sentido de que a realidade vivida nos presídios mude, falam e depois... Se arrependem.

Como diz R.S.S. "Nem sempre, conseguimos nos desvincular de um meio que nos proporcionou em determinado momento, algum tipo de 'punição' sendo esta em razão da prática de algo ilícito e ficar esperando que a sociedade entenda, somos rotuladas e ponto final.

Você diz uma coisa, sai outra. Isso sem falar, que com tanta gente 'tirando proveito' de drama pra ganhar dinheiro, dizem uma porção de bobagem e depois querem nos ouvir.

Não há coisa pior, do que estarmos presas, e dentro da cela, vendo tv, ouvir um advogado ou algum expert, falar que cadeia é escola de crime, que não há recuperação, que a gente sai pior do que entrou, que a pena de morte deveria ser aplicada. Isso, sem falar de uns e outros, que ainda chamam as mulheres que acabaram de serem presas, de 'vagabundas', sem mesmo saber se são culpadas.

Alegam que pena alternativa é utopia, que não serve pra nada e o sistema por ser falido, destrói ainda mais o que 'não prestava antes'.

Imagina a gente, depois de ver tanta hipocresia, pré julgamento e condenação antecipada, ouvindo uma pessoa que não sabe o dia de amanhã em as razões que nos trouxeram para uma penitenciária, ainda dizer que só vai pra cadeia Pobre, P...ta e Negro. Dá licença... É aí que nasce a revolta, pegam todas nós, sem distinção, colocam num pacote e jogam no lixo.

O que não sabem e nem querem saber é que há muitas mulheres bem sucedidas financeiramente e presas, que não somos vagabundas, pelo menos a maioria não. Seria interessante, que uma pessoa dessas, viesse nos ver de perto, saber quem somos, o que respondemos e o que esperamos daqui e fora daqui.

Agora, é mais injusto com as egressas, porque depois de cumprirem suas penas, passam a pagar uma nova pena pra sociedade, que explora ou desdenha. Isso, quando não tratam como portadoras de doenças contagiosas.

Somos descriminadas, dentro ou fora da cadeia e isso não muda! Aí, pensam que pelo fato de uma errar e não querer se acertar, todas são iguais. Se há reincidência, há as que são do crime e não querem sair. Mas, também há aquelas que não agüentam viver na rua, porque a família não quer nem perto da antiga moradia.

Sei que não adianta falar muita coisa, mais este desabafo é porque além de um País injusto e desigual, não somos alienadas e temos acesso as informações, então, acho que os desinformados são estes, que com um meio de comunicação, ou nos exploram ou deteriorizam ainda mais o que esta completamente estraçalhado, ou melhor nem existe mais... O nosso amor próprio".

Talita, que esta em liberdade há três anos, hoje, com a ajuda da família, montou sua clínica de estética, fez cursos e concedeu uma entrevista a uma emissora de TV. Prometeram que não iriam deixar a vóz, nem mostrar o rosto. "No final, editaram a minha entrevista, mostraram meu perfil que ficou nítido quem eu era. Fui reconhecida por muita gente, lesada no meu trabalho, ofendida e a além da vóz também ter sido mantida, me usaram pra colocar no ar uma entrevista que não tem nada a ver com que falei e com que eu esperava. Fui um gancho mal usado"...

Muito chateada, Talita tem como provar o relato, não concede mais nenhuma entrevista, e irá processar a emissora.

Talita é o nome fictício de C.M.que teve a boa vontade de se locomover até o local marcado para conceder a entrevista e diz que com isso, se sente punida e esta tendo além dos prejuízos financeiros, um enorme dano moral.

Já (entrevista da inicial) R.S.S. esta presa há 03 (três) anos e cinco meses, por furto qualificado. Atualmente, detida na Penitenciária Feminina da Capital de São Paulo, conhecida como PFC -Carandirú, esta aguardando o julgamento de seu benefício, que dentro do prazo, esta pra sair.

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