Por:
Elizabeth Misciasci
Conforme
dados fornecidos pelo Depen (Departamento
Penitenciário Nacional do Ministério
da Justiça), cerca de vinte e seis
mil mulheres cumprem pena em todo o país,
ou seja, 6,19% do total de presos no Brasil,
que somam hoje, quatrocentos e vinte mil.
O
aumento de mulheres presas na última
década se deu pelo grande número
de condenações por posse, uso
e tráfico de drogas. O perfil foi mudando,
assim como os delitos.
Na década de 70, em função
da repressão e por se tratar mais de
questões políticas e ideológicas,
levava muitas mulheres injustamente para os
cárceres, o equivalente a 10%. Já
no final da década de 80, o sexo feminino,
representava 28% das condenações,
em 2004 passaram a representar 60% do encarcerado
feminil.
Em meados do ano de 2006, a situação,
já despertava relevantes preocupações,
pois além de haver uma marcha rápida
para o aumento de mulheres envolvidas com
o mundo do crime, estes também já
se transformavam. Passando então para
uma outra ação delituosa de
participação feminina ativa,
ou seja, mulheres que antes eram detidas em
sua maioria, por crimes passionais e tráficos
de drogas, tornaram-se atuantes em crimes
diversos, como assalto a bancos e seqüestros,
exemplo disso, esta no aumento da massa carcerária
feminina em 2008.
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O fato das mulheres ocuparem posições
subalternas ou menos importante na estrutura
do tráfico, por exemplo, tendo poucos
recursos para “negociar sua liberdade”
quando capturadas pela polícia, sem
condições para a contratação
de um defensor, contribuiu para se "explicar"
ou tentar "justificar" parcialmente
este aumento e conseqüente mudança.
Diferente de outros Países, no Brasil,
há uma relevante desigualdade quanto
às condições e a sobrevivência
de mulheres nas unidades prisionais femininas.
Isso se da em virtude de fatores diversos,
uma vez que, podemos classificar o sistema
prisional feminino em categorias especificas
que se empregam de formas distintas, e estas
se divergem de Estado para Estado. Assim sendo,
em São Paulo, o número de Mulheres
que se encontram na condição
de pessoa presa, é considerado o maior,
e nesse sentido, lamentavelmente, nos últimos
dois anos, passou a emergir-se de maneira
ainda mais crescente.
Razão pela qual, foi implantada na
Capital do estado (sendo o maior Presídio
Feminino da América Latino) a Unidade
Prisional Feminina de Sant'Ana.
Inaugurado em dezembro de 2005 com capacidade
para receber 2.500 (duas mil e quinhentas
mulheres) hoje, mantém uma população
aproximada que varia de 3.500 (três
mil e quinhentas) a 4.000 (quatro mil) reeducandas.
Embora se acreditasse que a estrutura do Presídio
Sant’Ana, fosse capaz de manter as sentenciadas
do estado, ou a maior parte destas, com o
aumento da massa carcerária, isso se
tornou inviável, razão pela
qual, teremos a inauguração
anunciada de outras Unidades Prisionais Femininas,
distribuídas pelo interior do Estado.
Este acelerado e repentino aumento das Mulheres
no mundo do crime, só não tomou
proporções alarmantes, nem provocou
situações de descontrole, porque
algumas importantes medidas foram tomadas,
evitando superlotações. Um outro
fator importante a ser destacado, pois é
fundamental para o bom andamento das unidades
prisionais femininas, vem pela prática
do Judiciário, tanto na concessão
de benefícios, como aplicação
de penas alternativas, o que não deixa
de ser uma maneira humana, econômica
e que indubitavelmente, repercute em excelentes
resultados na ressocialização
de infrações mais leves.
Já em outras regiões, alem da
população carcerária,
ser menor, em virtude até mesmo, do
quesito violência feminina, cada Estado,
tem sua forma de acomodar e colocar em pratica
a Lei de Execução Penal. No
entanto, há uma carência generalizada
a nível de permanência carcerária,
onde a Mulher esteja na região que
estiver, encontra dificuldades para sobreviver
e fazer valer seus direitos conforme a lei
determina.
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