Leia o Boletim e Cadastre-se!
 
 
A Vida numa Penitenciária Feminina
Volta à Página Anterior

A Vida em um Presídio Feminino e Penitenciária Feminina de Santana


Por: Elizabeth Misciasci
Creative Commons License
-Mais sobre a Penitenciária Feminina de Sant'ana atualizada em Janeiro 2009 aqui


Há várias formas de relatar como é a "vida" numa Penitenciária Feminina, pois, por serem casos isolados, dentro de um sistema penitenciário variado, me possibilitou, (enquanto pesquisadora, jornalista, escritora e posteriori Presidente do Projeto zaP!) conhecer, ouvir e perceber a existência (não só no que trata a sobrevivencia), mais o cotidiano e parecer sob a ótica de cada uma delas.

 

Foto: Elizabeth Misciasci

Presídio Feminio- Crédito da Imagem Elizabeth Misciasci


Pátio de uma Penitenciária Feminina

E sem dúvida alguma, posso afirmar que a "sobrevivência" e a posição destas, se divergem.

Assim sendo, a Vida das Mulheres na condição de pessoa presa, não é vista, vivida, nem sentida de forma similar.

Num sistema prisional construído por homens e para homens, as mulheres enfrentam situações específicas e graves, ainda pouco discutidas pelo poder público e praticamente desconhecidas pela sociedade em geral.

Em tese as mulheres que estão aguardando julgamento, são as que enfrentam as piores condições. A superlotação e os relatos de maus-tratos são mais freqüentes. A assistência médica e jurídica é precária e quase não há trabalho remunerado que lhes permita obter a remição de pena (três dias de trabalho abatem um na pena).

Sem nenhuma pretensão, nem regionalismo, posso contar e recontar os milhares de Fatos, Relatos, desabafos e confidências que testemunhei. Talvez, pelo próprio vínculo de amizade que inevitavelmente criei e crio com muitas (a maioria) delas, sempre tive e tenho maior acessíbilidade aos acontecimentos e as variadas formas que estas mulheres encontram para demonstração (ou ocultação) de sentimentos e a maneira como algumas driblam e sobrevivem o cotidiano.

Pelo fato de termos muitas mulheres detidas em regiões diferentes, onde a cultura, a formação familiar, a formação educacional, a religião, a condição de maternidade ou não, as muitas estrangeiras, as que possuem relações afetivas fora dos cárceres, as casadas, as que são "laranja" as que são da "turma do vai pra onde o vento sopra" as do crime, e as do crime mais integrantes de algum partido "comandos" fazem com que cada qual passe suas experiências, de forma exclusiva, sendo totalmente pareceres pessoais.

De qualquer forma, e sem rótulos, quase sempre é assim...

No pátio, algumas detentas tomam sol. Ariana Algusta foi condenada a 18 anos de prisão por assassinato. Já cumpriu 10, exatamente a idade de sua filha. Ela reclama que, "há mais de uma semana, falta água nas celas. Há dias em que a água chega às 20 horas, mas tomar banho só é possível às 23 horas. Dizem que é um problema do fornecedor externo".. . Mais sabemos que é a direção do Presídio que "gosta de nos punir."

Outras reeducandas dizem que não gostam da alimentação, "ora fria ora azeda". Rosana Silva, condenada a 10 anos por assalto a mão armada, já cumpriu cinco anos de pena. Ela diz que, há um ano, pediu transferência para o regime semi-aberto, "mas até hoje não recebi resposta".

 

Já M.G.C. recebeu o benefício, mais a única Unidade que pode ser transferida, não tem vaga....

Há as que preferem o cárcere, e se apegam a este, como de fato sua casa. Estas não demonstram e quando podem relatam -"não quero sair daqui".

Há, as que morrem a cada dia. Não conseguem conviver com o dia a dia, apenas suportam em silêncio as medidas disciplinares "pesadas", violências praticadas entre parceiras, violências sofridas e praticadas por agentes, a falta de emprego, ou a exploração, a alimentação precária e o período menstral.

Há as que "fingem" que há uma multidão do lado de fora das muralhas esperando que saiam. Mais, na verdade, estas há muito foram literalmente abandonadas.

Há as que "se dão bem" melhor do que na rua... Se comparada a vida que levavam. Pois agradecem as amigas, a cama, a comida e a "pousada".

Há as meticulosas, que passam o tempo arquitetando e colocando em prática seus bárbaros projetos. Sejam estes para vingança pessoal ou de "parceiras".

Há as que encontram na cadeia seu par. E vivem o tempo no cárcere, alimentadas de Amor (ou de muita briga) que chegam as vezes aos "extremos" e até fatais...

Há as que trabalham tanto, que só querem chegar em suas celas no final da tarde, para dormir. Pois assim o tempo passa mais rápido.

Há as que Gostam de SER "Bandidas" e há as que se envergonham de estar ou terem estado nos cárceres. Contudo, um fator é comum: 99%, sofrem a Nível Nacional o latente abandono!

Pedi para que a Drª Maria da Penha Risola Dias, abordasse o assunto e desse seu parecer, que segue abaixo; o mesmo fiz com algumas de "minhas meninas zaP" e poderão ser acessados os relatos nas próximas páginas, pois há depoimentos das que sairam e das que permanecem encarceradas.

 

Elizabeth Misciasci



A Mestria da Drª Maria da Penha Risola Dias e sua vasta experiência nos Cárceres Femininos como Diretora, foi o bastante para que fosse indicada para Administrar o Maior Presídio Feminino da América Latina, (Penitenciária Feminina de Sant'Ana) quando inaugurado em Dez/ 2005.
Cargo que ocupou até bem pouco tempo, e que hoje (junho de 2008) esta sob a Direção Geral de Maurício Guarnieri. Drª Penha, relata mais abaixo, um pouquinho de sua experiência com Mulheres encarceradas, denotando o perfil destas sob sua ótica.

 

Drª Maria da Penha - Ética, experiência  e Competência para lidar com Mulheres Encarceradas

Foto por: Elizabeth Misciasci Drª. Maria da Penha Risola Dias

A Penitenciária Feminina de Sant'ana ocupa um prédio completamente reformado, no antigo quadrilátero do Carandiru, onde funcionava a P.E. e mantinha em cárcere uma grande e "popular" população masculina.
Reestruturada, hoje abriga apenas Mulheres.

Mulheres estas, que formam uma nova população, e ocupam três andares, dividos por alas (ímpar e par).


Instalada em um Prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, podemos dizer que neste aparar que abriga sómente mulheres acusadas que aguardam decisão judicial e sentenciadas,
estamos também transcrevendo um retrato falado do maior complexo feminino, que literalmente, acondiciona seis presídios dentro de um.



PFS como é chamada a Penitenciária Feminina Sant'Ana


Dirigida no início, com a Mestria por uma das mais competentes e maiores experts em cárceres femininos, Drª. Maria da Penha Risola Dias. A unidade que já enfrentou problemas, começa a "desapontar" o que era para ser tido como exemplo de organização.
Todo o Know-how da Drª Penha, tanto na área administrativa como na dinâmica da unidade como um todo, vinha aumentando as probabilidades da ressocialização e não reincidência das que lá cumprem pena ou aguardam julgamento.


O maior complexo feminino da América Latina
, que tem capacidade para abrigar três mil mulheres, poderia ser considerado um referencial, que além de cumprir o objeto punitivo determinado pela legislação, tanto no que refere-se ao cumprimento da sanção penal imposta, como na recondução das que lá se encontram, a uma reintegração social.


Embora nunca tenha deixado de ser um grande desafio, ser DG de um complexo como é a PFS, as conquistas e o bom andamento da unidade vinha de sua dirigente, que mesmo outorgando responsabilidades a um quadro razoavelmente (mais não o bastante) grande de funcionários,
a esta subordinados, já enfrentou inúmeras e truculentas dificuldades.
"-Perdi a conta das rebeliões que já enfrentei desde 1972 nesta profissão.
As mulheres obedecem rigorosamente às ordens dos homens do PCC. É uma questão cultural".


Com 35 anos de experiência profissional no sistema prisional de São Paulo,
Drª Penha reconhece toda a problemática que envolve a massa carcerária, e ao falar sobre o sistema, e as perspectivas, conclue: "-As condições aqui ainda não atendem todas as expectativas das presas.

O Estado deseja fazer mais por elas, mas mesmo que fizesse 130%, não estariam satisfeitas. Elas são um pouco manhosas", (declaração dada em maio de 2006) pontua.

Penitenciária Feminina de Santa parte interna


(No entanto, não podemos deixar de mencionar que toda esta mudança, de fato e de Direito só viria a somar de forma positiva), preservando e reeducando as mulheres encarceradas, bem como resguardando a segurança da sociedade aberta, o que futuramente seria de grande valia...

Assim sendo, reiteramos, a importância inicial não só da gestão da Drª Maria da Penha, mais a indicação precisa de quem colocou certeiramente em suas mãos este repto. Contudo, não obstante, e continuando o trabalho da Drª Penha, esta o Mauricio Guarnieri, que é grande conhecedor do Universo Carcerário e tem demonstrado aptidão e sabedoria na prática da função.
Pois, se a privação da liberdade tem por final objetivo, exercer a sanção punitiva de forma a reeducadar, afim de reconduzir os que encontram-se na condição de pessoa presa, a reabilitação, este trabalho, vem sendo feito com total esmero, dedicação e aptidão por quem sabe gerir, o que não contribui na verdade, não é a gestão e sim os raros recursos e as péssimas condições fornecidas pelo Estado.


A Penitenciária Feminina Sant'Ana, ainda não conseguiu, mais deveria ser um dos maiores cartões de visita do sistema prisional feminino, tanto na parte administrativa, como técnica, podendo ser considerado o padrão de excelência no setor, para as Américas.

Falta contudo "boa vontade" do Estado (de Direito) para com o feminil desestruturado na parte assistencial, isso, não apenas em São Paulo ou em Sant'ana, mais SIM no Brasil do sexo feminino encarcerado.


Creative Commons License
Penitenciárias Femininas by zaP! Elizabeth Misciasci is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at www.eunanet.net.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.revistazap.org.
*

 *Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil. Para ver uma cópia desta licença, clique aqui ,ou envie uma carta para Creative Commons, 171 Second Street, Suite 300, San Francisco, California 94105, USA.

 

Leia abaixo também sobre a estrutura, condições e eventos dos Presídios Femininos...

Morte e Descaso Penitenciária Feminina Indaiatuba Penitenciária Feminina de Santana medo da represália leva ao silêncio. Penitenciária Feminina Madre Pelletier tem nova diretora Conselho Nacional do Ministério Público, Retoma Discussão Presídios de Pernambuco, recebem relatoria. Casadas com O crime - Livro de Josmar Josino Políticas Especiais para Encarceradas, requer Urgência Caso Isabella na íntegra. Mais sobre a Penitenciária Feminina de Santana (Sant'Ana) Denuncias insolúveis na Penitenciária Feminina de Campinas Denuncias - Penitenciária Feminina Campinas Presídio Feminino de Campo Grande, elege Miss Primavera Educando para a Liberdade em Porto Alegre Penitenciaria Feminina de Teresina Operação Ressoar, na Pefem Rondônia Miss Penitenciária eleita em Rondônia Penitenciárias Femininas em Notas. Presídios de Femininos Notícias. Rosa Choque, a evolução e o Perfil do feminil no Crime

 

-Penitenciária Feminina Sant'Ana

-Penitenciária Feminina de San'Ana 2

-Penitenciaria Feminina Campinas - Denuncias

-Penitenciaria Feminina Campinas 2

-Penitenciária Feminina Talavera Bruce - Bangu

-Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May no MT

-Penitenciária Feminina Paraná

-Penitenciária Feminina Piauí

-Penitenciárias Femininas em Notas, Notícias e Eventos

-Penitenciarias Femininas em Noticias

-Penitenciárias Femininas - Noticiando



  Volta à Página Anterior