Segundo
o neurocientista Francis McGlone, da Universidade
de Liverpool, um sistema de fibras nervosas
presentes na pele responde a toques carinhosos,
do mesmo modo que os receptores de dor, e
quando estimulado, pode, inclusive, diminuir
a atividade nos nervos que transportam a sensação
de dor.
O
cientista e seus colegas das universidades
de Uppsala e Gotemburgo, na Suécia,
explicam que há três tipos principais
de fibras nervosas na camada exterior da pele.
Eles são divididos de acordo com a
velocidade com que conduzem - como um fio
- as atividades bioelétricas para o
cérebro.

Dois
desses tipos são chamados de fibras
A, e são cobertos por uma camada de
gordura (mielina) que atua como um isolamento
em volta do fio e contribui para a alta velocidade
de condução.
Mas
o terceiro tipo, chamado de fibras C, não
tem a camada de mielina e tem velocidade mais
lenta. As fibras A são responsáveis
pelo sinal quase instantâneo, que provoca
uma reação por reflexo antes
mesmo que o cérebro possa identificar
o que houve.
As
fibras C, da chamada "segunda dor",
são as que levam a sensação
da dor mais profunda e duradoura ao cérebro.
Os
cientistas descobriram que também há
fibras do tipo C que respondem a estímulos
de prazer. E quando elas são estimuladas,
a atividade nas fibras condutoras de dor diminui.

Sensibilidade
Segundo
a pesquisa, assim como com a dor, algumas
partes do corpo são mais sensíveis
ao toque do que outras, e a sensação
de prazer proporcionada é diferente
da obtida quando o carinho é aplicado
a áreas sexuais.
Essas
fibras levariam o sinal de prazer para a região
do cérebro responsável por "recompensas",
e explicaria ainda por que as pessoas gostam
de passar cremes, escovar os cabelos e até
porque um abraço, ou mesmo a mão
no ombro podem ser mais eficientes, no alívio
da dor, do que palavras.
Para
isolar os nervos responsáveis pelo
prazer, os cientistas construíram um
"estimulador de tato rotativo" -
uma máquina de acariciar voluntários.
"Nós
construímos um equipamento muito sofisticado,
então, o estímulo (do tato)
pode ser repetido bastante", disse McGone.
"Nós
acariciamos a pele (do antebraço, da
canela e do rosto) com um pincel em diferentes
velocidades e depois pedimos aos voluntários
que dissessem o quanto gostaram de cada movimento."
Ele
também inseriu microeletrodos nos nervos
da pele, para registrar os sinais nervosos
enviados da pele para o cérebro.
Os
cientistas concluíram que o carinho
apontado como o mais prazeroso era também
o que provocava maior resposta nervosa.

Nova
dimensão
Os
cientistas afirmam que as únicas regiões
que não contam com essas fibras são
as a palma da mão e a sola do pé,
caso contrário, seria difícil
o uso de ferramentas, ou mesmo uma caminhada.
A
sensação de prazer acrescenta
uma quarta dimensão aos sentidos clássicos
atribuídos à pele, que incluem
o toque, a sensação de temperatura
(frio ou quente) e a dor/coceira.
A
equipe agora quer estudar uma série
de condições clínicas,
como depressão e autismo, que sabidamente
têm ligações com o tato
- a maioria das crianças autistas não
gosta de ser abraçada ou acariciada,
e muitos pacientes de depressão demonstram
sinais claros de falta de cuidado com o corpo.
Os
cientistas acreditam até que a depressão
possa ter origem em carência de cuidado
maternal e experiências ainda na infância
de falta de carinho físico e sugerem
que o carinho pode ser usada para tratar dores
crônicas.
FONTE: GLOBO
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