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A
empresária Silvia Calabresi e o
marido, Marco Antônio Calabresi,
foram condenados, nesta sexta-feira (12),
a pagar indenização para
a adolescente que foi torturada , em Goiânia.
Na
decisão da juíza da 10ª
Vara do Trabalho de Goiânia, Maria
Aparecida Prado Fleury Bariani, o casal
será obrigado a pagar R$ 300 mil
por danos morais e estéticos, além
de verbas trabalhistas. O casal ainda
foi condenado, na Ação Civil
Pública, ao pagamento de R$ 80
mil por danos morais coletivos, que serão
revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT).
A
procuradora do Trabalho Janilda Guimarães,
representante da menor, afirmou que o
Ministério Público poderá
recorrer das sentenças. No pedido
inicial, a procuradora havia pedido indenização
de R$ 2 milhões.
Para
julgar as ações, a magistrada
concluiu que o trabalho prestado pela
adolescente não se limitava ao
auxílio nas tarefas domésticas,
mas que ela realmente assumia as obrigações
como empregada da família
“As
provas indicam, ainda, que era um costume
antigo da família utilizar-se de
trabalho infantil doméstico, sob
o pretexto de ‘criar’ as crianças”,
ressaltou na sentença a juíza.
A
magistrada determinou também que
o casal deverá depositar, mensalmente,
a quantia de R$ 750 para pagar tratamento
psicológico para a garota.
Fonte
G1
01/09/2008
Absolvida
mãe de adolescente torturada em
Goiânia
Por
falta de provas, o juiz da 7ª Vara
Criminal de Goiânia, José
Carlos Duarte, absolveu nesta segunda-feira
(1º) Joana D´Arc da Silva,
acusada de ter entregue a filha adolescente
à empresária Sílvia
Calabresi Lima em troca de dinheiro. Segundo
o Ministério Público, a
garota foi torturada e maltratada durante
dois anos pela empresária e por
sua empregada doméstica, Vanice
Maria Novais.
“As
únicas referências a valores
repassados à acusada por Sílvia
Calabresi seriam pequenas importâncias
para custeio de passagens de ônibus
ou pagamentos de contas de energia elétrica”,
disse o juiz na sentença.
Duarte
ressaltou ainda que o pai da menor e outras
testemunhas não apresentaram nas
declarações elementos que
confirmassem a acusação.
30/06/2008
Presa
e Acusada pela prática
dos crimes de tortura e
cárcere privado
O
juiz José Carlos Duarte, da 7ª
Vara Criminal de Goiânia, condenou
hoje (30) a empresária Sílvia
Calabresi Lima a 14 anos, 11 meses e 5
dias de reclusão e, ainda, a doméstica
Vanice Maria Novaes a 7 anos e 11 dias
de reclusão por crime de tortura
cometido contra a estudante Lucélia
Rodrigues da Silva, de 12 anos. As duas
cumprirão suas penas em regime
inicialmente fechado. Acusado por ter
se omitido aos fatos, o marido da empresária,
engenheiro Marco Antônio Calabresi
Lima, também foi condenado a 1
ano e 8 meses de detenção
mas, por ter bons antecedentes, entre
outros atenuantes, sua pena foi substituída
por prestação de serviços
à comunidade.
O
juiz não apreciou a situação
da mãe biológica de Lucélia,
a dona de casa Joana D´arc da Silva
– acusada de ter entregue a filha
a Sílvia em troca de dinheiro –
porque os autos foram desmembrados em
relação a ela, razão
pela qual seu julgamento será feito
em outra oportunidade. Também acusado,
como o pai, por omissão a tortura,
o estudante Thiago Calabresi Lima, filho
de Sílvia, foi absolvido pelo juiz
que, acatando o entendimento apresentado
pelo Ministério Público
(MP) em alegações finais,
considerou não existirem provas
suficientes para uma condenação.
De
acordo com o magistrado, o fato de ter
sido aplicada a Sílvia uma pena
mais de um dobro superior à de
Vanice justifica-se porque a tortura praticada
pela empresária é qualificada,
enquanto a da empregada, simples. Segundo
explicou José Carlos, foi Sílvia
quem, diretamente, cometeu atos de violência
que causaram deformidade permanente, por
exemplo, na língua de Lucélia.
Além disso, a continuidade delitiva,
ou seja, a quantidade de vezes em que
a empresária repetidamente vitimou
a estudante foi muito grande se comparada
a Vanice, que, comprovadamente, cometeu
diretamente quatro atos de violência
contra Lucélia sendo que de nenhum
desses resultou deformidade permanente.
Na
sentença, José Carlos explicou
que, em seu entendimento, os atos praticados
por Sílvia e Lucélia configuram
apenas tortura, excluindo-se, nesse caso,
a hipótese de maus-tratos e cárcere
privado. Ele esclareceu que, no contexto
em que os fatos se deram, os maus-tratos
bem como o cárcere privado impostos
a Lucélia significavam, na realidade,
a consumação do crime de
tortura, previsto para casos de violência
conjugada com ameaça.
“Todas
estas condutas fazem parte de uma mesma
intenção criminosa, objetivando
sempre a prática de tortura que,
pelo que se pode inferir, foi, ao longo
do tempo, aumentando em intensidade e
quantidade. A questão somente de
o tipo penal tortura exigir a prática
de violência ou grave ameaça
torna-se irrelevante, até porque,
entendo, mesmo nas oportunidades em que
a vítima era privada de alimentação,
ou submetida a trabalho excessivo ou inadequado,
somente havia o objetivo de privá-la
de resistência para submeter-se
com maior facilidade às ameaças
e violências diárias”,
ponderou o juiz.
Caso
Segundo
o MP, os fatos vinham ocorrendo havia
aproximadamente dois anos, no apartamento
localizado na Rua 15, Setor Oeste, onde
Lucélia morava com Sílvia,
Marco Antônio e Thiago. Conforme
explicou, de forma continuada Silvia e
Vanice, que trabalhava como empregada
doméstica na residência,
praticavam atos de extrema crueldade contra
a garota, submetendo-a a intensos sofrimentos.
Os
crimes somente foram descobertos em 17
de março, por volta da 10h30 quando,
após a denúncia de um vizinho,
policiais chegaram ao apartamento e encontraram
Lucélia com as mãos acorrentadas
a uma escada e posicionada de tal forma
que seu corpo tinha de ficar totalmente
esticado e com o peso sob a ponta dos
pés. A menina estava ainda amordaçada
com esparadrapo e um pano dentro da boca,
o que aumentava a fadiga e a impedia de
gritar por socorro.
Foi
apurado que Sílvia e Eunice espancavam
a garota diariamente, dando-lhe tamancadas
na cabeça, marteladas nas solas
dos pés, tapas, socos e batendo
a cabeça dela por diversas vezes
contra a parede. Também foram utilizados
instrumentos, como alicates, que mutilaram
a língua da garota causando-lhe
deformidade grave e permanente. Nas mesmas
ocasiões, era colocada pimenta
na boca, nariz e olhos de Lucélia,
que era sufocada por Sílvia, por
vários minutos, com uma sacola
de plástico, enquanto Vanice lhe
segurava as pernas para que não
esboçasse reação,
aumentando assim seu sofrimento.
Além
disso, a menina teve os dedos várias
vezes colocados entre o portal e a porta,
que então era fechada, esmagando-os.
A menina também era freqüentemente
privada de alimentar-se, tendo havido
ocasiões em que permaneceu por
quatro dias consecutivos sem comer. Em
depoimento à polícia, a
garota afirmou que, quando se encontrava
em estado de inanição, quase
desfalecida, Sílvia e Vanice ofereciam-lhe
fezes e urina de cachorro.
(Por:-Patrícia
Papini) Fonte: Tribunal de Justiça
do Estado de Goiás
A
Justiça do Trabalho de Goiás
determinou
nesta terça-feira 03/06/2008
a prisão
do porteiro Miguel Francisco Pereira,
que trabalhava no prédio onde morava
a empresária Sílvia Calabresi
Lima.
Sob
suspeita de falso testemunho à
Justiça, o porteiro Miguel Francisco
Pereira, que trabalha no prédio
onde mora a família da empresária
Silvia Calabresi Lima, foi preso hoje,
durante uma audiência no Tribunal
Regional do Trabalho (TRT) de Goiás,
em Goiânia, por determinação
da juíza Maria Aparecida Prado
Fleury Bariani. Silvia responde a ação
trabalhista e por reduzir a menor L.R.S.,
de 12 anos, à situação
análoga de escrava.
L.R.S.
foi encontrada e libertada pela Polícia
Civil presa em correntes e amordaçada,
há dois meses, no apartamento da
empresária. O pedido de prisão
e de indenização foi apresentado
pela procuradora do Trabalho Janilda Guimarães
Collo. Pereira, que era uma das testemunhas
de acusação, negou um depoimento
anterior e foi levado para a Polícia
Federal (PF) para outro testemunho.
02/06/2008
02
/ 06 / 2008 - ACORDAO DO TRIBUNAL DE JUSTICA
Pedido
de Habeas Corpus
ORDEM
PARA DETERMINAR AO JUIZO "A QUO"
QUE SUBMETA A PACIENTE A EXAME DE INSANIDADE
MENTAL
Processo:
200801749454 - 2ª Instância
Ementa:
"HABEAS CORPUS". EXAME DE SANIDADE
MENTAL.
INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRENCIA. INEXISTINDO QUALQUER ELEMENTO
CONCRETO QUE PONHA EM DUVIDA A SANIDADE
MENTAL DA
PACIENTE, O INDEFERIMENTO, SUFICIENTEMENTE
MOTIVADO, DO PEDIDO DE REALIZACAO DA PERICIA
MEDICO-LEGAL, NAO CONSTITUI CONSTRANGIMENTO
ILEGAL, POR NAO ACARRETAR CERCEAMENTO
AO SEU
DIREITO DE AMPLA DEFESA. ORDEM
DENEGADA.
Decisão
ACORDAM OS INTEGRANTES DA SEGUNDA CAMARA
CRIMINAL
DO EGREGIO TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO
DE GOIAS,
POR MAIORIA DE VOTOS, ACOLHENDO O PARECER
DA
PROCURADORIA-GERAL DE JUSTICA, EM CONHECER
DO
PEDIDO E DENEGAR A ORDEM, NOS TERMOS DO
VOTO DO
RELATOR. SEM CUSTAS. VENCIDO O JUIZ OSCAR
DE
OLIVEIRA SA NETO, QUE CONCEDEU A ORDEM
PARA
DETERMINAR AO JUIZO "A QUO"
QUE SUBMETA A PACIENTE
A EXAME DE INSANIDADE MENTAL.
28/05/2008
Juiz
rejeita exceção de suspeição.
Leia
no final do artigo o que é "exceção
de suspeição"
O
Exmo Dr. Juiz de Direito José
Luiz José Carlos Duarte,
da 7ª Vara Criminal de Goiânia,
rejeitou em 27/05/2008, exceção
de suspeição apresentada
contra ele pela empresária Sílvia
Calabresi, o engenheiro Marco Antônio
Lima e o estudante Thiago Calabresi Lima.
A demanda foi proposta pela defesa dos
três ao argumento de que o juiz,
que preside ação penal proposta
elas, teria dado entrevistas emitindo
opiniões sobre o processo, após
a realização de audiências
de inquirição de testemunhas.
À petição,
a defesa dos réus juntou reportagens
jornalísticas sobre o caso, informando
que os dados apresentados na matérias
provinham de opiniões expressadas pelo
magistrado. Contrapondo-se a tal argumento,
José Carlos observou que os crimes
do quais Sílvia, Marco Antônio
e Thiago foram acusados causaram grande repercussão
nos meios de comunicação, que
compareceram a todos os atos processuais realizados
até o momento, tendo sido produzidas
reportagens a respeito.
Lembrando
que os jornalistas tiveram acesso ao teor
das declarações testemunhais,
o juiz ponderou que cada matéria expressou
a conclusão retirada pelo repórter,
sobre o que leu e assistiu, e não a
dele. “Há apenas e tão
somente a informação do jornalista,
em nenhum momento fazendo referência
ao julgador ou afirmando que as declarações
teriam dele partido”, comentou, garantindo
nunca ter opinado sobre o assunto.
(Fonte-Tribunal
de Justiça do Estado de Goiás
- Por: Patrícia Papini)
O
que é uma exceção por
suspeição de parcialidade do
magistrado?
A suspeição de parcialidade
um magistrado ocorre pela verificação
de elementos subjetivos que podem prejudicar
a necessária imparcialidade que deve
nortear uma atividade judicial.
A
suspeição ocorrerá quando
o magistrado for amigo ou inimigo intimo das
partes, quando figurar na posição
de credor ou devedor destas, dentre outras
causas, todas enumeradas no art. 135 do CPC:
Art.
135. Reputa-se fundada a suspeição
de parcialidade do juiz, quando:
I - amigo íntimo ou inimigo capital
de qualquer das partes;
II - alguma das partes for credora ou devedora
do juiz, de seu cônjuge ou de parentes
destes, em linha reta ou na colateral até
o terceiro grau;
III - herdeiro presuntivo, donatário
ou empregador de alguma das partes;
IV - receber dádivas antes ou depois
de iniciado o processo; aconselhar alguma
das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar
meios para atender às despesas do litígio;
V - interessado no julgamento da causa em
favor de uma das partes.
Parágrafo único. Poderá
ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo
íntimo.
Importante
destacar que nessa modalidade de exceção,
não haverá nunca a certeza do
prejuízo à imparcialidade do
magistrado, mas sempre uma suspeita de que
o mesmo poderá agir mediante influência
desses elementos subjetivos.
Fonte:- www.jurisway.org.br.
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O que foi noticiado: Em ordem cronólica
e parte dos fatos,
17/03/2008
- Presa Mulher acusada de torturar criança
de 12 anos
Presa
nesta segunda-feira em Goiânia (GO)
acusada de torturar uma menina de 12 anos,
Sílvia Calabresi Lima, 41, possui um
histórico de maus-tratos, segundo a
Polícia Civil.
19/03/2008
– Silvia Calabresi possui antecedentes
criminais e inquéritos arquivados pelo
mesmo crime.
Há seis anos, ela foi acusada de maus-tratos
e castigos duros a uma criança de cinco
anos que viveram com ela por aproximadamente
três meses. Lima chegou a responder
a processo.
Segundo
o promotor que cuidou do caso na época,
Saulo de Castro Bezerra, havia indícios
de que Lima batia na criança e que
os castigos se tornavam cada vez mais severos.
O laudo do IML, no entanto, não confirmou
os indícios e o processo foi arquivado
no final de 2003.
Segundo
Bezerra, assim como no caso da menina de 12
anos, a mãe biológica da garota
de cinco entregou a filha porque acreditava
que ela teria uma vida melhor com Lima, que
mora em um bairro nobre da capital.
Sadismo
Para
a delegada que cuida do caso da menina de
12 anos, Adriana Accorsi, a razão para
tais atos é puro sadismo. “Ela
é má. Achamos que ela gostava
de torturar”, disse. Lima, no entanto,
não foi avaliada por psicólogos
para um diagnóstico.
O
advogado de Lima, Darlan Alves Ferreira, disse
que não falou com a cliente para dar
a versão das acusações.
Ontem,
Lima negou as acusações à
Folha e culpou sua empregada. A empregada
dela, Vanice Maria Novais, 23, foi presa acusada
de ser co-autora das agressões. À
polícia ela confirmou as histórias
de tortura e disse que ajudava porque a patroa
mandava e ela não queria perder o emprego.
Nesta
terça-feira o advogado tentou prorrogar
o depoimento do marido de Lima –que
pode ser indiciado por omissão–
para esta quarta-feira (19). Segundo o advogado,
ele está em estado de choque e não
poderia falar.
Outro
caso
Uma
jovem de 20 anos, que não quis ser
identificada, também disse que sofreu
maus-tratos de Lima há quatro anos.
Ela afirmou não ter feito a denúncia
na época porque ela e sua família
foram ameaçadas.
“Ela
trancava os armários e o telefone com
cadeado, me proibia de comer e de fazer ligações”,
disse a jovem, por telefone, à reportagem.
Segundo
ela, Lima dava empurrões e arremessava
copos nela, mas não chegou a torturá-la.
A jovem foi trabalhar como empregada de Lima
aos 15 anos e ficou lá por um ano,
sem nunca receber salário. Segundo
a jovem, ela era mantida presa dentro do condomínio.
A
delegada Caroline Dias disse que o depoimento
indica crime de cárcere privado, maus-tratos
e trabalho análogo à escravidão.
O inquérito deve ser incorporado ao
da delegada Accorsi, que cuida do caso da
menina de 12 anos, encontrada amarrada na
casa de Lima.
A
garota de 12 anos deve ficar no abrigo onde
está até o juiz decidir quem
ficará com a guarda. O Conselho Tutelar
ouviu a família da criança e
disse que, até o momento, não
há elementos que impeçam que
a mãe ou ou pai, que são separados,
fiquem com a guarda.
Transcrição
e Riqueza de detalhes do caso desde o início.
Todos os detalhes abaixo relatados foram colhidos
da Fonte:
Ministério Público
do Estado de Goiás
27/03/2008 - Promotor deve recebe inquérito
contra empresária acusada de tortura
O
promotor de justiça Cássio de
Sousa Lima, que atua na 7ª Vara Criminal
de Goiânia, será o responsável
por analisar o inquérito e oferecer
a denúncia contra a empresária
Silvia Calabresi Lima, acusada de tortura
e maus-tratos à menina L., de 12 anos.
Ele deve receber hoje (27/3) os autos do inquérito,
remetidos ontem ao judiciário pela
Polícia Civil. Silvia foi indiciada
pelos crimes de tortura, maus-tratos e cárcere
privado. O promotor poderá manter ou
não a tipificação dos
crimes atribuídos à empresária.
Outras cinco pessoas foram indiciadas no caso.
28/03/2008
- MP denuncia Silvia Calabresi e mais 4 no
caso de tortura
O
promotor Cássio de Sousa Lima ofereceu
denúncia, na tarde desta sexta-feira
(28/3), na 7º Vara Criminal de Goiânia,
contra a empresária Silvia Calabresi
Lima, acusada de torturar a menina L., de
apenas 12 anos, e cometer “atos de extrema
crueldade com a mesma”.
Além da empresária, foram denunciados
pelo promotor, o marido e o filho de Sílvia,
Marco Antônio Calabresi Lima e Thiago
Calabresi Lima; a empregada doméstica
Vanice Maria Novais e a mãe biológica
da menina torturada, Joana D’Arc da
Silva.
Na denúncia, consta que Sílvia
Calabresi Lima, há aproximadamente
dois anos, fez uma proposta para a mãe
biológica da vítima, Joana D’Arc
da Silva, para que ela permitisse que sua
filha, viesse morar e trabalhar em sua casa,
propondo-lhe, em troca, o pagamento de quantias
em dinheiro, além da promessa de dar
estudos, bicicleta e carro. Após fechar
o negócio com a mãe da vítima,
Sílvia Calabresi trouxe a criança
para sua residência e permitiu no início
que ela trabalhasse e também freqüentasse
o Colégio Militar, fatos todos eles
constantes no inquérito policial.
Após alguns dias, a denunciada Sílvia
passou a impor maus-tratos à vítima
e a espancá-la diariamente. Os atos
consistiam em surras com “tamancadas”
na cabeça, “marteladas”
nas solas dos pés, tapas e socos, batendo
também a cabeça da mesma diversas
vezes contra a parede, provocando-lhe lesões
corporais. A vítima passou, então,
a apresentar hematomas, os quais eram sempre
justificados por Sílvia a terceiros
e aos familiares da vítima como sendo
tombos e quedas por ela sofridos.
À medida que os dias passavam, os maus-tratos
aumentaram ao ponto Silvia ter que impedir
o acesso da vítima à escola,
para que a mesma não a delatasse e
fosse vista com as lesões, ameaçando-a,
inclusive, de morte, para que ela não
contasse a ninguém, proibindo-a de
sair do apartamento, e de visitar seus parentes,
explica o promotor.
Consta na denúncia que, com o passar
do tempo, Sílvia Calabresi deu início
a várias sessões de tortura,
física e psicológica contra
a vítima, sempre auxiliada por Vanice
Maria Novais, provocando-lhe dor e sofrimento
físicos extremos.
Assim, por diversos meses, dia após
dia, Silvia e Vanice, submeteram a menina
a diversas sessões de tortura física
e psicológica, utilizando instrumentos
perfuro-cortantes e contundentes, provocando
intensa dor física, utilizando, inclusive,
de “alicates” para mutilar a língua,
causando na menina, deformidade de natureza
permanente, ao mesmo tempo em que colocava
pimenta em sua boca, nariz e olhos, sufocando-a
por vários minutos com uma sacola de
plástico, enquanto a denunciada Vanice
Maria Novais a segurava pelas pernas para
que não esboçasse qualquer reação,
aumentado o sofrimento da mesma.
Com o fim de aumentar o sofrimento e a dor
da vítima, a denunciada, por diversas
vezes, esmagou os dedos da menina, colocando-os
entre a porta e o portal, fechando-a em seguida,
fato comprovado pelos hematomas, conforme
apurado em inquérito policial.
Sílvia Calabresi também privou
a vítima de alimentar-se, por diversas
vezes e por longos períodos, inclusive
por quatro dias consecutivos, fato que ficou
evidenciado quando a mesma foi libertada e
lhe ofereceram comida, comendo-a naquele momento
como que estivesse extremamente faminta. Segundo
a vítima, por diversas vezes e quando
se encontrava em estado de inanição,
quase desfalecida, Sílvia e Vanice
lhe ofereciam fezes e urina de cachorro.
O promotor considerou ainda na denúncia,
que Lorena Coelho Reis, Karollina Hanna Monteiro,
Allyne Alves de Freitas e Simara Darc Vieira,
todas menores à época que trabalharam
para a denunciada Silvia Calabresi, foram
submetidas a maus-tratos no período
compreendido entre os anos de 2004 a 2005,
com aplicação de surras, espancamento,
trabalho forçado e ameaças de
morte.
O inquérito policial afirma que os
denunciados, Marco Antônio Calabresi
Lima, marido de Silvia Calabresi, e; Thiago
Calabresi Lima, filho, residentes no mesmo
endereço, tinham pleno conhecimento
da tortura e não tomaram nenhuma providência
para fazer cessar a barbárie, aliás,
menosprezaram a situação e se
tornaram coniventes.
Sílvia Calabresi Lima e Vanice Maria
Novais foram denunciadas por tortura, maus-tratos
e cárcere privado. Por omissão
à tortura, Marco Antônio Calabresi
Lima e Thiago Calabresi Lima foram denunciados.
Joana D’arc da Silva, por entregar a
filha a um terceiro, mediante pagamento.
O promotor pediu ainda que a menina torturada,
o pai da vítima Lourenço Rodrigues
Ferreira e Jaime Pereira Jardim, condutor
do flagrante, sejam ouvidos no processo.
31/03/2008 - Caso Calabresi:
marcado interrogatório de acusados
O
juiz José Carlos Duarte, da 7ª
Vara Criminal de Goiânia, recebeu hoje
(31) denúncia ofertada contra cinco
pessoas envolvidas no crime de tortura da
garota L., de 12 anos, e designou o dia 10,
às 13h30, para o interrogatório
deles. Trata-se da empresária Sílvia
Calabresi Lima, da doméstica Vanice
Maria Novaes, do engenheiro civil Marco Antônio
Calabresi Lima, do estudante Thiago Calabresi
Lima e de Joana D´Arc da Silva. As duas
primeiras responderão por tortura,
maus-tratos e cárcere privado, enquanto
Marco Antônio e Thiago, por omissão
a tortura. Por sua vez, Joana D`Arc responderá
por ter entregue sua filha a terceiro mediante
pagamento.
Segundo o Ministério Público
(MP), os fatos vinham ocorrendo a aproximadamente
dois anos, no apartamento localizado na Rua
15, Setor Oeste, onde L. morava com Sílvia,
Marco Antônio e Thiago. Conforme explicou,
de forma continuada Silvia e Vanice, que trabalhava
como empregada doméstica na residência,
praticavam atos de extrema crueldade contra
L., submetendo-a a intensos sofrimentos.
Os crimes somente foram descobertos em 17
de março, por volta da 10h30 quando,
após a denúncia de um vizinho,
policiais chegaram ao apartamento e encontraram
L. com as mãos acorrentadas a uma escada,
e posicionada de tal forma que seu corpo tinha
de ficar totalmente esticado e com o peso
sob a ponta dos pés. A menina estava
ainda amordaçada com esparadrapo e
um pano dentro da boca, o que aumentava a
fadiga e a impedia de gritar por socorro.
Foi apurado que Sílvia e Eunice espancavam
a garota diariamente, dando-lhe tamancadas
na cabeça, marteladas nas solas dos
pés, tapas, socos e batendo a cabeça
dela por diversas vezes contra a parede. Também
utilizavam instrumentos, como alicates, que
mutilaram a língua da garota causando-lhe
deformidade grave e permanente. Nas mesmas
ocasiões, era colocada pimenta na boca,
nariz e olhos de L. , que era sufocada por
Sílvia, por vários minutos,
com uma sacola de plástico, enquanto
Vanice lhe segurava as pernas para que não
esboçasse reação, aumentando
assim seu sofrimento. Além disso, a
menina teve os dedos várias vezes colocados
entre o portal e a porta, que então
era fechada, esmagando-os. L. também
era freqüentemente privada de alimentar-se,
tendo havido ocasiões em que permaneceu
por quatro dias consecutivos sem comer.
Em depoimento à polícia, a garota
afirmou que, quando se encontrava em estado
de inanição, quase desfalecida,
Sílvia e Vanice ofereciam-lhe fezes
e urina de cachorro. A denúncia assegura
que Marcos Antônio e Thiago tinham “pleno”
conhecimento dos fatos e não tomaram
nenhuma providência. (Patrícia
Papini)
Fonte:
Patrícia Papini - do Tribunal de Justiça
de Goiás
02/04/2008
Os responsáveis pela realização
dos exames ficaram chocados; laudo deve ser
divulgado nesta quarta-feira.
GOIÂNIA
- A empresária Silvia Calabresi Lima
se revelou uma mulher sádica e cruel
para um grupo de médicos, que nos últimos
seis dias, realizou exames variados no corpo
de LRS. Um dos problemas descobertos por eles
é o metabolismo da garota, que foi
afetado pelas agressões. Aos 12 anos,
a menor ainda não entrou no ciclo menstrual.
O último exame, uma ressonância
magnética nos braços, foi realizado
nesta terça-feira, 1º.
O
laudo médico será divulgado
nesta quarta-feira, 2, segundo o Hospital
São Francisco. A ressonância
magnética foi feita pelos médicos
para descobrir um tipo de febre, de 39ºC
que aparece e depois some. Acreditam que é
devido ao esforço para se manter na
ponta dos calcanhares, enquanto suspensa pelos
braços amarrados às correntes.
Há, também, uma lesão
na língua e quatro cicatrizes que nasceram
após Silvia cortar a língua
dela com alicate.
Os médicos adiantaram que, à
medida em que as feridas, marcas e contusões
eram localizadas, LRS relatava como surgiram
em seu corpo. A menina foi marcada com ferro
elétrico, de passar roupa, em cada
um dos glúteos. Quente, o ferro deixou
suas linhas na forma de uma severa queimadura,
de aspecto horrível. A região
lombar também foi marcada pelo ferro
quente, e as três feridas deverão
levar meses até cicatrizar se for descartada,
por exemplo, a cura por meio de enxerto de
gordura ou de pele.
Há
cerca de 10 buraquinhos no couro cabeludo,
descobriu a médica Eliane Frota. LRS
explicou como eles surgiram: “A tia
Silvia fez com o salto do sapato alto”.
A mucosa do nariz está ferida: “Ela
enfiou uma tesoura no meu nariz”. Você
sente dores no abdome e nas costas? “Sim,
muita, ela me batia e dava socos nas minhas
costas e na barriga”. Há atrofias
nos braços, ruídos nos ouvidos,
necrose embaixo das unhas das mãos:
“Ela se acalmava quando via os dedos
prensados na porta”, contou a menor.
Hemogramas
e eletroencefalogramas precedem as consultas
com dermatologista, cardiologista, clínico
geral, oftalmologista, pediatra e neurocirurgião.
Um dentista reconstruiu um dente da arcada
superior, e retirou as sobras do aparelho
ortodôntico avariado dentro da boca.
Os
exames também revelaram os dias tensos
- dois anos - da menina na companhia da empresária,
e as causas do quadro agudo de desnutrição.
LRS contou que Silvia colocou uma barata em
sua boca, fechou tudo com uma gaze e depois
mordaça: “Ela colocava o pano
e a barata na minha boca”, contou. “Um
dia eu comi uma; não é pecado,
não é mesmo?”, falou inocente.
“Já comi um pano, estava com
tanta fome!”, relatou aos médicos.
LRS
disse que mais de uma vez percebeu que havia
no ar um estranho prazer nas sessões
de tortura. Após quatro dias sem alimentos,
“tia Silvia” a obrigou a comer
ração, depois as fezes e a beber
a urina do cachorro. “E eu tinha de
engatinhar pra comer e beber”, contou
aos médicos.
09/04/2008 - "Caso Calabresi": Acatando
parecer do Ministério Público,
Justiça
nega liberdade provisória à
doméstica Vanice Maria Novaes.
Acatando
a manifestação do promotor de
justiça Cássio de Sousa Lima,
o juiz José Carlos Duarte, da 7ª
Vara Criminal de Goiânia, negou, na
tarde de ontem (08/4), liberdade provisória
à doméstica Vanice Maria Novaes,
denunciada pela prática de tortura,
maus-tratos e cárcere privado em desfavor
da menor L., de 12 anos.
Na decisão, o juiz entendeu estarem
presentes os elementos necessários
para a manutenção da custódia
preventiva da requerente, como sustentou o
Ministério Público em seu parecer.
"Certamente a gravidade e a repercussão
dos fatos que se lhe imputam traz certeza
de que há ameaça à ordem
pública a ser preservada, notadamente
em tempos de violência exacerbada, onde
há clamor social pela ação
eficaz de suas autoridades públicas,
visando conter a escalada constante de ações
graves como as aqui noticiadas”, justificou
o magistrado.
Os fatos em questão ficaram nacionalmente
conhecidos como "Caso Calabresi",
em alusão à empresária
Silvia Calabresi, também denunciada.
Vanice e a empresária estão
presas desde 17 de março último,
na Casa de Prisão Provisória.
11/04/
2008 - Empresária confessa tortura
e é agredida em Tribunal em Goiás
A
empresária Sílvia Calabresi
Lima e a empregada dela, Vanice Maria Novaes,
confessaram crime em depoimento que prestaram
hoje à tarde, no Tribunal de Justiça
de Goiás. As duas são acusadas
de tortura e cárcere privado contra
a garota L., 12, em Goiânia. L. foi
descoberta pela polícia no apartamento
da empresária no último dia
17, após denúncia de um vizinho.
As
duas chegaram a ser agredidas por pessoas
que estavam nos corredores do tribunal. Elas
foram xingadas, tiveram cabelos puxados e
receberam tapas na cabeça de parte
de um grupo de cerca de 100 pessoas que lotaram
o corredor de acesso à sala de audiência,
no sexto andar do Fórum. Já
prevendo confusão, o Tribunal de Justiça
preparou esquema especial de segurança.
Elas chegaram separadas e foram ouvidas uma
de cada vez pelo juiz José Carlos Duarte,
da 7ª Vara Criminal de Goiânia.
Ambas
estavam algemadas com as mãos para
trás e acompanhadas de seis policiais.
Sílvia chegou bem mais cedo (por volta
das 12 horas) e escapou do clima hostil na
entrada. No depoimento, Sílvia Calabresi
reafirmou o posicionamento de incriminar a
empregada, mas confessou que havia apertado
o dedo da vítima na porta e ainda apertado
a língua dela com alicate.
Mas
ressalta que não encarava as agressões
como tortura. “Na minha cabeça,
eu estava educando”, disse a acusada,
que chorou em duas oportunidades. Ela também
se auto-define como uma pessoa rigorosa, inclusive
na educação dos filhos. “Para
mim a L. não era empregada. Era como
se fosse minha filha”, declarou.
Sílvia
também declarou que sempre aplicava
“castigos” na menina, mas, segundo
ela, com atitudes bem diferentes do que era
citado no processo. “Eu a mandava ficar
sentada e ler a Bíblia. Esse era o
castigo.”
Na
saída do depoimento, antes mesmo de
a porta ser aberta, ouvia-se muitas vaias
no corredor. Após o fim do depoimento,
a empresária ficou mais três
minutos na sala conversando com os policiais,
armando uma ‘tática de proteção’
na saída. Seis homens da PM fizeram
um cordão de isolamento em volta dela,
mas, ainda assim, algumas pessoas conseguiram
bater na cabeça dela. Muitos a chamavam
de “bruxa”, “vadia”.
Foi
nesse clima e com o mesmo esquema de proteção
que Vanice entrou na sala para depor, logo
a seguir. Também acabou sofrendo os
mesmos tipos de agressão. No depoimento,
confirmou participação nos crimes,
mas disse que tudo aconteceu a mando e sob
as ameaças de Sílvia. “Ela
sempre ameaçava. De me matar. De tomar
a minha filha, de me proibir de ver minha
irmã”, ressaltou.
Do
lado de fora, o clima continuava hostil. Porém,
devido à demora do depoimento, quando
ela saiu o número de pessoas já
havia reduzido consideravelmente.
- “Eu estava acompanhando um processo
de um filho meu aqui no fórum e soube
que elas estariam aqui. Então resolvi
subir pra pelo menos vaiar um pouco”,
disse a doméstica - Betúlia
Machado, que chegou a subir em um banco para
ter uma visão mais “privilegiada”
das duas.
O
estudante de direito Paulo Henrique Fernandes
fez questão de gravar tudo em uma câmera
particular. “É um caso interessante.
Mas, mais do que a questão jurídica,
é um fato que marca que revoltou toda
a população da cidade. Por isso
fiz questão de gravar e guardar”,
concluiu.
Além
de Sílvia e Vanice, o juiz também
tentou ouvir os outros três acusados:
Marco Antônio Calabresi (marido de Sílvia),
Tiago Calabresi (filho dela) e Joana D’arc
da Silva (mãe da vítima). Entretanto,
orientados pelos advogados, eles usaram do
direito constitucional de ficarem em silêncio
e não responderam a nenhuma das perguntas.
Os
dois primeiros são acusados de omissão
e a mãe da menina por ter entregue
a filha a terceiros mediante pagamento. “Agora
vamos aguardar o prazo legal para a defesa
(três dias) e o próximo passo
será ouvir as testemunhas”, afirmou
o juiz. Ele não quis falar sobre o
teor dos depoimentos. “As declarações
são objetos de um futuro julgamento.
Por isso, não falo sobre isso.”
Já
o representante do Ministério Público
informou que o teor dos depoimentos já
era esperado e que ficou satisfeito. “Para
nós, o depoimento da Vanice foi mais
convincente e acreditamos que ela revelou
o que sabia. Mas todos tem direito de defesa
e também de dizer o que quiser”,
disse o promotor Cássio de Sousa Lima.
Ele
também revelou que pretende esperar
o depoimento das testemunhas e não
descarta a realização de uma
acareação entre as acusadas.
“Se após ouvirmos as testemunhas
ficarem algumas dúvidas, podemos sim
pedir uma acareação”,
disse o promotor.
17/04/2008
–Juiz recebe pedidos de realização
de exame de sanidade mental formulados pela
empresária Sílvia Calabresi
e pela doméstica Vanice Maria Novais.
O
juiz José Carlos Duarte, da 7ª
Vara Criminal de Goiânia, indeferiu,
nesta quinta-feira (17), os pedidos de realização
de exame de sanidade mental formulados pela
empresária Sílvia Calabresi
e pela doméstica Vanice Maria Novais.
Ele entendeu que não há dúvidas
“razoáveis” a respeito
da saúde mental delas.
O magistrado também marcou para a próxima
quarta-feira (23), uma audiência para
ouvir os depoimentos das testemunhas de acusação
no processo. A menina de 12 anos, vítima
da tortura, também será ouvida.
Duarte também recusou o pedido de quebra
do sigilo telefônico, fixo e celular,
da empresária feita por Vanice. A doméstica
havia sustentado, no pedido, que com a medida
seria possível provar que era a empresária
quem ligava para casa questionando-a se havia
cumprido suas ordens de castigo da menina
de 12 anos.
19/04/2008
Juiz nega pedidos de exame de sanidade em
acusadas de tortura
Defesa
queria verificar o coeficiente de inteligência
(QI) de Vanice Novaes. Ela e Sílvia
Calabresi são acusadas de torturar
menina de 12 anos em Goiânia.
Inteligência
A advogada Rosângela Borges de Freitas
Vieira protocolou o pedido de exames de sanidade
mental nesta terça-feira (15). De acordo
com o Tribunal de Justiça (TJ) de Goiânia,
a defesa da doméstica pretendia verificar
a sanidade mental e seu coeficiente de inteligência
(QI), com o objetivo de avaliar a capacidade
dela em “resistir a ordens”.
Depoimento
A Polícia Federal ouviu, nesta segunda-feira
(14), o depoimento do marido da empresária
no inquérito que investiga se as seis
meninas que moraram na residência do
casal, em épocas diferentes, eram submetidas
a trabalho escravo. O filho do casal também
foi ouvido.
Outras 25 pessoas já prestaram depoimento
nesse inquérito. Sílvia Calabresi
está presa desde março deste
ano, acusada de torturar uma menina de 12
anos que morava em sua casa desde 2006.
Segundo as investigações, além
de sofrer maus-tratos, a menina também
era obrigada a realizar trabalhos domésticos.
A empresária e a empregada dela suspeita
de ajudar nas práticas de tortura,
também devem ser ouvidas pela PF.
Interrogatório
Na quinta-feira (10), Sílvia e outros
acusados de envolvimento no caso foram ouvidos
pela Justiça. De acordo com a assessoria
do Tribunal de Justiça, ao juiz, ela
disse que era bastante “enérgica”
com a menina de 12 anos e acreditava que estava
educando e não torturando.
O TJ informou ainda que a empregada da empresária,
Vanice Maria Novaes, negou a prática
dos crimes e que sabia das agressões
de Sílvia contra a menina. Ela disse
que a empresária controlava a alimentação
da menina, de modo que “se tomasse café,
não almoçava; se almoçasse,
não jantava”.
A doméstica admitiu ter segurado as
pernas da menina enquanto a empresária
a sufocava com um saco plástico. Ela
justificou sua atitude dizendo que Sílvia
lhe fazia ameaças de morte.
Ainda segundo a assessoria de imprensa do
TJ, Marco Antônio Calabresi Lima, Thiago
Calabresi Lima e Joana D’Arc da Silva
se valeram do direito constitucional de permanecerem
em silêncio.
PF
diz ter provas para indiciar empresária
por escravidão
A
Policia Federal (PF) em Goiás informou
ter provas de que a menina L.R.S., de 12 anos,
vivia na condição de escrava
na casa da empresária Silvia Calabresi
Lima. Após ouvir 25 testemunhas, o
delegado de Defesa Institucional, Raul Alexandre
Marques de Souza, pretende indiciar, nos próximos
dias, a empresária e o marido dela,
o engenheiro Marco Antonio Calabresi Lima,
pelo crime de “redução
à condição análoga
de escrava”. Em caso de condenação,
o casal poderá cumprir de dois a oito
anos de reclusão. A denúncia
foi feita pelo Ministério Público
do Trabalho.
“Há vários indícios
e, após o levantamento de provas, o
inquérito será remetido à
Justiça Federal”, disse o delegado.
Entre as provas, ele colheu depoimentos de
testemunhas oculares que viram a menina lavando
a casa construída por Silvia Calabresi
no condomínio Portal do Sol. Também
há testemunhas, no prédio onde
a menor morava, afirmando que ela era obrigada
a cuidar de M., de 3 anos, filho caçula
da empresária.
A PF de Goiás pretende indiciar o casal
no final do mês, após ouvir a
empresária que está presa na
Casa de Prisão Provisória (CPP),
em Aparecida de Goiânia, desde o dia
17 de março. Foi quando a Policia Civil
libertou a menina, acorrentada e amordaçada,
na casa da empresária. O depoimento
dela deverá ser tomado em dois dias.
Hoje, a PF ouviu o marido de Silvia. Marco
Antonio negou ter conhecimento dos trabalhos
forçados da menina e da jornada extensiva.
Disse nada saber, e alegou viajar constantemente
a trabalho. “Eu vinha à minha
casa a cada 15 dias”, disse. O filho
dele, Tiago, de 24 anos, também alegou
desconhecer os maus-tratos. Ele afirmou ao
delegado da PF que mora na casa da avó
paterna, no centro de Goiânia, desde
a infância.
22/04/2008- Defesa impetra pedido de Liberdade
Provisória
Os
advogados da empresária protocolaram
um pedido de (H.C.) habeas corpus no Tribunal
de Justiça, nesta terça-feira
(22).
O argumento apresentado é o de que
a denúncia não descreve os fatos
com todas as suas circunstâncias.
No pedido, os advogados da empresária
sustentam que ela também tem direito
ao exame de sanidade mental, uma vez que sua
conduta e seu modo de agir é “anormal”,
alterando-se entre o “rancor”
e o “carinho”.
24/04/2008
-Garota, que tem 12 anos, confirmou ter sofrido
agressões quando morou com empresária.
Ela prestou depoimento nesta quarta-feira
no fórum de Goiânia.
“Eu
rezava todos os dias, pedindo a Deus para
me livrar daquilo”.
Essa foi uma das frases que uma menina de
12 anos disse ao juiz José Carlos Duarte,
da 7ª Vara Criminal de Goiânia,
ao contar como sofria devido à tortura,
aos maus-tratos e também como era a
vida em cárcere privado.
Segundo
a polícia, ela foi encontrada amordaçada
e amarrada em março, em um prédio
da capital de Goiás. A dona do apartamento,
a empresária Sílvia Calabresi
Lima, foi presa. Em depoimento nesta quarta-feira
(23), a garota confirmou as denúncias
contra a empresária, com quem morava
desde 2006.
A
mãe da menina, Joana D’Arc da
Silva, acusada de tê-la entregue a terceiros
em troca de dinheiro, e a doméstica
Vanice Maria Novaes, também acusada
de maus-tratos, acompanharam a audiência.
O Ministério Público (MP) arrolou
13 testemunhas.
A
empresária recebeu autorização
do juiz para não comparecer à
audiência. Também estavam ausentes
Marco Antônio Calabresi, marido de Sílvia;
e Thiago Calabresi, filho da empresária;
acusados de omissão.
Segundo
informações do Tribunal de Justiça
(TJ) de Goiás, a menina reafirmou as
agressões e maus-tratos sofridos e
disse que passou a morar com Sílvia
por vontade própria, tendo começado
a sofrer agressões três meses
depois, no dia em que quebrou uma porta de
vidro do apartamento da família.
Vassouradas
A
partir de então, segundo disse durante
o depoimento, os castigos passaram a ser freqüentes.
Segundo o TJ, a garota teria dito que “uma
vez ela (Sílvia) me deu uma surra com
cinto de fivela até o cinto ser destruído.
Depois ela me deu pancadas com rodo e umas
60 vassouradas”.
Ainda
de acordo com o TJ, a menina relatou que ficou
muito machucada e teve de ser levada ao médico,
sendo instruída a dizer que havia caído
de uma escada. Ela ainda teria sofrido ameaças
para não contar a verdade.
Segundo
o TJ, a menina disse no depoimento que as
agressões já existiam antes
de Vanice Novaes passar a trabalhar na casa.
Quando ela foi contratada, Sílvia a
incumbiu de vigiar a menina. “Muitas
vezes ela ligava para casa e perguntava para
a doméstica se eu estava de castigo.”
Pedido
de liberdade
Em
10 de abril, a empresária foi interrogada
pela Justiça. Segundo informações
do TJ, ao juiz, Sílvia assumiu parte
da responsabilidade pelo crime, sustentando
que era bastante “enérgica”
com a menina de 12 anos. "Ela
disse acreditar que estava educando e não
torturando."
28/04/2008-
Família Calabresi é alvo de
ação indenizatória de
R$ 1 mi
O
Ministério Público do Trabalho
(MPT) ajuizou ação civil pública
na Justiça do Trabalho de Goiás
requerendo a condenação da família
Calabresi a pagar indenização
mínima de R$ 1 milhão por ter
utilizado trabalho escravo infantil doméstico.
O MPT justificou a ação em razão
dos atos de extrema violência, abusos,
trabalho forçado, tortura e ameaças,
bem como da gravíssima ofensa aos direitos
humanos e à ordem jurídica cometidos
pelos integrantes da família contra
uma menor, que teria sido reduzida à
condição de “coisa”.
Caso haja condenação, o dinheiro
deverá ser revertido para o Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT).
O
MPT pede a condenação dos réus
ao cumprimento de obrigação
de não mais utilizar trabalho escravo
e infantil doméstico e à condenação
pecuniária por danos morais coletivos,
tendo em vista que a agressão da família
ofende não só a adolescente
mas toda a sociedade brasileira. A ação
civil pública será distribuída
para a 10ª Vara do Trabalho de Goiânia,
onde já tramita medida cautelar na
qual foi deferido o bloqueio dos bens da família.
Fonte:
Diário da Manhã on line
(
08/05/2008 )
Caso
Calabresi: marcada audiência com testemunhas
da defesa -
O
juiz José Carlos Duarte, da 7ª
Vara Criminal de Goiânia, designou a
próxima quarta-feira (14), a partir
das 13h30, para a inquirição
das testemunhas arroladas pela defesa na ação
penal movida contra a empresária Sílvia
Calabresi e outras quatro pessoas. Sílvia,
juntamente com a doméstica Vanice Maria
Novais, responde por tortura, maus-tratos
e cárcere privado cometidos contra
a estudante Lucélia Rodrigues da Silva,
de 12 anos. O engenheiro civil Marco Antônio
Calabresi e o estudante Tiago Calabresi, marido
e filho de Sílvia, foram acusados de
omissão à tortura, enquanto
a dona de casa Joana D`Arc, mãe biológica
da menina, que a entregou a Sílvia
em troca de dinheiro.
Habeas-corpus
Distribuídos
para o desembargador Aluízio Ataídes
de Souza, os três habeas-corpus (hc)
impetrados em favor de Marco Antônio,
Tiago e Joana D´Arc não foram
apreciados ainda porque, seguindo rito regular,
o relator pede ao juiz de origem, José
Carlos Duarte, para que preste informações
no caso, e também ao MP, para que se
manifeste. Caso retornem ao gabinete do desembargador
ainda hoje, poderão ser julgados amanhã
(9) ou, se não, na próxima terça-feira
(20), quando há sessão da 2ª
Camara Criminal do TJ-GO.
Nos
hcs, os três pedem a suspensão
condicional do processo em relação
a eles, sob o argumento de que os crimes a
eles atribuídos se enquadram na Lei
9.099, que admite tal benefício. Na
primeira instância, o Ministério
Público (MP), a quem cabe propor a
suspensão, não o fez por entender
que o caso é de clamor público.
Fonte
Tribunal de Justiça do Estado
de Goiás
TESTEMUNHAS
FAVORECEM OS ACUSADOS 14/05/2008
Ouvida
em (14/05/2008) pelo juiz José Carlos
Duarte, da 7ª Vara Criminal de Goiânia,
12 testemunhas arroladas pela defesa na ação
penal que apura crime de tortura cometido
contra a estudante Lucélia Rodrigues
da Silva, de 12 anos, disseram que não
sabiam de nada e só tomaram conhecimento
dos fatos pela imprensa. Ainda faltam ser
inquiridas oito pessoas, sendo que cinco serão
ouvidas por precatória e três
tiveram seus depoimentos marcados para a próxima
terça-feira (20), às 13h15.
A previsão do magistrado é de
que a sentença seja proferida em meados
de junho.
Primeira
a falar, Maria de Fátima da Cunha afirmou
que conhece Sílvia há cerca
de 20 anos. Segundo ela, a empresária
é pessoa boa e trabalhadora. “Minha
irmã ficou hospitalizada em março
e Sílvia prestou toda assistência,
chegando até mesmo a ficar noites no
hospital”, relatou. Dizendo que conhece
a empresária há cerca de 15
anos, Vicente Pereira Melo afirmou que chegou
a ter uma sociedade informal com Sílvia,
tida por ele com boa pessoa, trabalhadora,
porém muito rígida com os filhos.
Irmão de criação dela,
André Luiz Bianchi Arantes, garantiu,
por sua vez, que, até onde sabe, Lucélia
era tratada pela empresária como se
fosse sua própria filha. Por outro
lado, admitiu que freqüentava muito pouco
a casa de Sílvia.
Irmã
de Vanice Novais, que responde pelo crime
também, Valmira Maria Novais Elias
levou a doméstica às lágrimas
ao afirmar que a irmã é uma
pessoa trabalhadora e que tem bom relacionamento
social e familiar, mas que teria ficado “mais
calada” depois que passou a trabalhar
para Sílvia e, sobretudo, depois de
dar à luz um bebê. Segundo ela,
Vanice a visitava duas vezes por mês
mas, após o nascimento da filha, as
visitas escassearam e passaram a ser monitoradas
por Sílvia, que chegou a impedir a
doméstica de visitar a mãe para
mostrar-lhe a neta. “Sílvia dizia
que minha sobrinha era sua neta, mas um exame
de DNA comprovou que ela estava errada”,
lembrou. Ainda segundo Valmira, a última
visita que recebeu de Vanice ocorreu no início
de março, quando percebeu que a irmã
estava abatida.
Manoel
Antônio dos Santos, Nascimento José
Natal e Cleusa Nazaré dos Santos, testemunahs
arroladas pela defesa de Joana D´ar,
limitaram-se a dizer que a conhecem há
bastante tempo e que não perceberam
qualquer melhoria na vida financeira dela
depois que Lucélia passou a morar com
Sílvia. Tendo trabalhado com Marco
Antônio em ocasiões diferentes,
Luiz José da Silva e Rangel Gomes de
Oliveira informaram ao juiz que o engenheiro
costumava realizar obras por grandes períodos
fora de Goiânia. Finalmente, Danilo
Moreira Fernandes, Abenilza Silva Souza Martins
e Valdivino Maria Vaz testemunharam a favor
de Tiago, afirmando que ele não morava
com Sílvia, e sim com a avó
paterna.
Além
de tortura, Sílvia Calabresi e Vanice
são acusadas de maus-tratos e cárcere
privado cometidos contra Lucélia enquanto
Marco Antônio e Tiago, na condição
de marido e filho da empresária, respondem
por omissão à tortura. Joana
D´ar da Silva, mãe biológica
da menina, é acusada de ter entregue
a filha a Sílvia em troca de dinheiro.
(Patrícia Papini)
Fonte:
Tribunal
de Justiça de Goiás
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