A
polícia ficou impressionada com o sangue-frio
dos três - principalmente de Suzane.
Depois do assassinato, o grupo montou uma
cena para simular um latrocínio - roubo
seguido de morte. Na biblioteca, Suzane espalhou
papéis e contas a pagar. Em seguida,
foi até o local onde a família
guardava US$ 5 mil, R$ 8 mil e jóias.
(O dinheiro foi embolsado, mas no início
eles fingiram que havia sido roubado.) No
quarto do casal, o trio tomou o cuidado de
pegar o revólver calibre 38 que Manfred
escondia no fundo falso da gaveta do lavabo
e o colocou no chão, próximo
ao braço do pai. Demonstrando que tiveram
tempo e estômago para pensar em detalhes,
para não deixar impressões digitais
usaram luvas cirúrgicas roubadas da
mãe, que é médica. Para
que não fosse encontrado nem um pelinho
do corpo no local do crime, Daniel e Cristian
usaram meias-calças.

Suzane,
Daniel e Christian - Após confessarem
o delito
A suspeita em relação à
filha de Richthofen acentuou-se dois dias
depois do crime. Investigadores do DHPP apareceram
para uma vistoria e surpreenderam Suzane,
Daniel, Andreas e um casal de amigos alegremente
em casa. Pouco depois de exibir lágrimas
oceânicas no enterro dos Richthofen,
todos cantarolavam e ouviam música
na beira da piscina. No dia seguinte, um domingo,
o casal de namorados foi até o sítio
da família no interior de São
Paulo, onde comemoraram o aniversário
de 19 anos de Suzane. Os colegas de faculdade
da garota contam que também ficaram
intrigados com o comportamento dela. Mesmo
dispensada de assistir às aulas, fez
questão de não faltar. Chegou
a apresentar um seminário na quinta-feira
- horas antes de confessar o crime. 'Ela se
mostrava tranqüila demais. Nos preocupamos
tanto com o assaltante da esquina que nem
imaginamos que havia uma criminosa na cadeira
ao lado', diz Ana Carolina Caires, estudante
da mesma faculdade. Suzane era abordada por
colegas querendo confortá-la, mas sempre
respondia de forma lacônica. Apenas
no enterro, acompanhado pela imprensa, ela
demonstrou emoção. 'Só
nesse momento ela fez o papel de órfã',
diz o delegado Armando Oliveira, do DHPP.

Cristian.
Apenas dez horas após o crime ele comprou
uma moto Suzuki 1.100 cilindradas
A
polícia grampeou telefones, montou
campanas para vigiar os suspeitos, mas teve
o trabalho abreviado por um ato de Cristian.
Apenas dez horas após o crime ele comprou
uma moto Suzuki 1.100 cilindradas por US$
3,6 mil, com 36 notas de US$ 100. Estava tão
certo de que jamais seria apanhado que nem
se preocupou em escondê-la.
A
polícia foi buscar Cristian em casa,
dizendo que precisavam de sua ajuda para o
reconhecimento de um suspeito. O rapaz foi
até a delegacia e não saiu mais.
Passou cerca de seis horas dando respostas
contraditórias e confusas às
perguntas dos delegados. Chegou a dar três
versões sobre a compra da moto até
admitir que era dele o dinheiro. Nessa hora,
seu pai, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva,
saiu da sala, acabrunhado, sentindo que o
filho havia sido apanhado. Em outra sala,
já se encontravam Daniel e Suzane,
que, segundo a polícia, confessaram
depois de Cristian.
Foi
das mãos de Daniel que saíram
as armas usadas no assassinato. O rapaz pegou
uma barra de ferro oca e preencheu-a com madeira.
Assim, as pauladas com o objeto seriam fulminantes.
Os irmãos Cravinhos eram considerados
delinqüentes na vila em que moravam com
os pais desde a infância. São
dez casas iguais numa travessa estreita e
sem saída, onde todos se conhecem há
muito tempo. Há alguns anos Daniel
e Cristian tocavam bateria, cantavam alto,
gritavam palavrões e fumavam maconha
com freqüência, segundo os vizinhos.
A casa ao lado, separada nos fundos por um
muro baixo, está para ser alugada.
A dona do sobrado, de 86 anos, tem problemas
cardíacos e acabou convencendo o marido
a mudar-se, por não agüentar mais
o estilo de vida de Daniel e Cristian, que,
de acordo com os vizinhos, jamais foram contidos
pelos pais. Os moradores da vila também
se dizem incomodados com o assédio
de traficantes de uma favela das redondezas
à casa 39, mas se confessam ameaçados
para reclamar. Um deles conta um episódio
exemplar. Cristian levava sempre seu cachorro
para fazer cocô em frente à porta
de uma das casas da vila. Em determinado dia,
o morador resolveu reagir. Com uma pá,
transportou a sujeira para a porta da casa
39. Cristian replicou com um desaforo maior
ainda: espalhou o cocô do cachorro sobre
o carro do vizinho ofendido.
Suzane,
Daniel e Cristian tiveram a prisão
temporária decretada e serão
indiciados por homicídio qualificado
e roubo. Podem pegar até 60 anos de
cadeia. Por ter menos de 21 anos, Suzane pode
ter a pena reduzida em até 10 anos.
A polícia concluiu que o irmão
de Suzane, Andreas, não teve nada a
ver com o crime. Apesar da crueldade dos irmãos
Cravinhos, o que mais choca no assassinato
dos Richthofen é a participação
da filha.
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