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Suzane Louise Von Richthofen
Caso Casal Marisia e Manfre Pais de Suzane Von

Elizabeth Misciasci Por Elizabeth Misciasci

Recebidos aos gritos, Suzane e seus cúmplices encenam o crime e confirmam as informações do inquérito policial de Assassinos copiosamente!

Desde a morte do casal Manfred e Marisia von Richthofen, na madrugada de 31 de outubro, a Rua Zacharias de Góis, na Zona Sul de São Paulo, tornou-se ponto de curiosos. Pessoas que passam pelo local dizem não acreditar como uma filha pôde ter planejado o assassinato dos próprios pais. Na quarta-feira, a expressão de incredulidade foi substituída por gestos de revolta na frente da casa da família. Já nas primeiras horas da manhã mais de 200 pessoas se aglomeravam para acompanhar a reconstituição do crime pela polícia. Suzane Louise von Richthofen e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos de Paula e Silva foram recebidos com gritos de 'assassinos', chegaram a ser empurrados e levaram alguns cutucões. Os trabalhos de perícia consumiram quase 12 horas. Separadamente, os três acusados prestaram depoimentos e demonstraram passo a passo como praticaram o crime. Não houve contradições. A perícia confirmou que Suzane foi uma das mentoras do duplo homicídio, mas não participou do ataque aos pais. Enquanto Daniel e Cristian matavam o casal a porretadas, a moça forjava na biblioteca e na sala uma cena de assalto. Suzane espalhou papéis pelo chão, revirou estantes e simulou, com uma faca de cozinha, o arrombamento de uma pasta, na qual Manfred guardava dinheiro. A polícia também se convenceu de que os únicos parceiros da garota foram os irmãos Cravinhos.

Ao chegar à casa para a reconstituição do crime, Suzane reencontrou o irmão, Andreas, de 15 anos, e chorou. Ele pediu que Suzane esquecesse o namorado, Daniel, pivô da discórdia entre a garota e os pais. Desde que ela fora presa, os dois não haviam conversado. No último fim de semana, Suzane escrevera uma carta suplicando ao irmão que a perdoasse. Andreas aceitou o pedido por meio de um bilhete enviado ao 89º Distrito Policial, onde a irmã está presa. Durante a reconstituição, Suzane choramingou levemente na sala e na biblioteca, mas, na maior parte do tempo, manteve a frieza que tem assustado os parentes e a polícia desde o enterro do casal Richthofen.

Os parceiros de Suzane no crime não demonstraram o mesmo controle de nervos. Cristian chorou copiosamente quando teve de encenar os golpes que mataram a psiquiatra Marisia. Daniel chegou a sentir-se mal e pediu que substituíssem o policial que representava Manfred. A barba e os traços do agente lembravam os do engenheiro assassinado. 'Ficou claro que Daniel e Cristian estão com a culpa instalada. Jamais se livrarão desse sentimento. A moça pareceu agir como uma atriz', disse Marcelo Milani, promotor que acompanhou a reconstituição.

Na carceragem do 89o DP, Suzane também tem se comportado com frieza. Acostumou-se rapidamente à rotina de presidiária. Aceita a comida da cadeia, joga baralho com as colegas de cela e até reserva alguns momentos para rezar. Curiosamente já recebeu meia dúzia de cartas de apoio de pessoas que acreditam que a atitude dela pode ser justificada.

Suzane durante a reconstituição do crime

Suzane durante a reconstituição do crime

A prisão temporária do trio foi prorrogada por mais cinco dias, tempo que deverá ser suficiente para a abertura do processo penal. O advogado Alberto Toron, contratado como assistente de acusação pelo irmão de Marisia, Miguel Abdalla, disse que a responsabilidade dos três assassinos está estabelecida. 'O fato de Suzane não ter participado diretamente da execução dos pais não melhora em nada sua situação', diz Toron. Segundo ele, as provas já colhidas pela polícia mostram que a garota, além de planejar o crime, forneceu os meios necessários para que fosse consumado. 'Trata-se de um homicídio praticado com torpeza, sem possibilidade de defesa das vítimas, e com crueldade', ressalta o advogado. A confissão e a idade inferior a 21 anos são as únicas atenuantes para Suzane. Mas não devem reduzir expressivamente a pena, que pode passar de 60 anos. 'As atenuantes são frágeis e o fato de ser filha das vítimas é uma agravante', avalia Armando Oliveira da Costa Filho, delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O assassinato do casal Richthofen produziu uma reflexão incômoda para pais e mães brasileiros. Suzane sempre foi uma menina tranqüila, sociável e boa aluna desde o pré-escolar. Nada na biografia dos Von Richthofen, um casal zeloso com a educação dos filhos, parecia sugerir um ambiente familiar capaz de gerar a própria destruição. A tragédia chamou a atenção para outros casos semelhantes.

 

PFS -Sp

 

Em 27 de outubro, no município baiano de Itabuna, um adolescente de 17 anos matou a pedradas e tesouradas a tia, a dona-de-casa Josefa Souza Santos, de 53 anos, que assistia à televisão. Ele contou com a ajuda da namorada, também de 17 anos, filha de Josefa. Com um paralelepípedo, deu o primeiro golpe, por trás, na cabeça da tia. Ao se virar no sofá, ela recebeu o segundo golpe, na face. O rapaz a arrastou, agonizante, até a cozinha. A garota, que estava no quarto, ficou irritada. Foi até o namorado e lhe passou uma tesoura. 'Agora que você começou, termine. E termine bem-feito!', disse ela, segurando a mãe pelos pulsos para que o rapaz desferisse a tesourada fatal, no peito. Ensangüentados, os dois tomaram banho e foram para a cama de Josefa, onde fizeram sexo. Minutos depois, foram presos. Levado à Vara da Infância e da Adolescência, o casal de homicidas relatou o crime em minúcias, sem se perturbar.

Como os pais de Suzane, Josefa queria o fim do namoro, alegando que o sobrinho, semi-analfabeto, não servia para a filha, prestes a concluir o ensino médio. Há três meses, a mãe achou que havia conseguido convencer a filha a terminar o namoro. O rapaz se afastou e só reapareceu no dia do crime.

Foi mantido para a segunda-feira o julgamento de Suzane Louise von Richtofen, ré confessa do assassinato dos pais Manfred e Marísia von Richtofen, em 2002, em São Paulo. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, negou os pedidos para que o julgamento fosse suspenso ou para que Suzane fosse julgada separadamente dos irmãos Cristhian e Daniel Cravinhos, réus no mesmo processo.

De acordo com informações do STJ, por meio de habeas-corpus, o advogado Mauro Otávio Nacif queria a concessão de uma liminar para separar os julgamentos de Suzane e dos irmãos Cravinhos, possibilidade prevista no artigo 80 do Código de Processo Penal. Alternativamente, Nacif propôs que fosse determinado à defesa de Cristhian e Daniel se manifestar primeiro, tanto na escolha dos jurados como no restante do julgamento.

O advogado de Suzane alega que, pelo fato de as defesas dos acusados serem divergentes, a separação dos julgamentos se justificaria. Além disso, argumenta, caso a defesa de Suzane seja feita em conjunto com a dos co-réus, o tempo seria diminuído em meia hora, pois o tempo total é de quatro horas, dividido por dois. Sendo o julgamento isolado, a defesa de Suzane teria duas horas e meia.

O ministro Barros Monteiro negou a liminar, porque não verificou ilegalidade flagrante que justificasse a concessão. De acordo com o presidente do STJ, cabe ao juiz natural (o juiz do Tribunal do Júri) "decidir sobre o momento oportuno para determinar a ordem da manifestação dos defensores dos réus relativamente às recusas por ocasião do sorteio dos jurados".

Leia Mais Julgamentos
Aqui sobre o Caso Casal Richthofen e Suzane Von Richthofen
Pág 1

Leia Mais Aqui Reconstituição do Assassinato do Casal Richthofen - Pág 2

Mais Sobre o Caso Richthofen -Suzane Louise Von Richthofen - Aqui Pág 3

Suzane Louise Von Richthofen, Daniel e Christian Cravinhos- Julgamentos Pág 4

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