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O ultimo trem
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O último trem

 

Elizabeth MisciasciPor: Elizabeth Misciasci Creative Commons License



Desde cedo, ela andava de um lado á outro como se aguardasse algo ou alguém. Quem conhecia a dedicação e candura no perfil de uma mulher, logo apostaria que sua aflição era no sentido de obter alguma notícia do último trem... Até que esgotadas todas as energias, parou no canto da sala, se sentou, esticou as pernas por sobre o sofá e deu uma golada no chá morno, depositado na mesinha ao lado da poltrona.
Para qualquer pessoa que a visse, não perceberia jamais o que já havia ocorrido e o que estaria porvir...


A falta de iniciativa, parecia uma overdose de preguiça, que nem mesmo o som da música estridente ao fundo do corredor, seria o bastante para sacudir aquela inércia.
Assim passaram-se rapidamente quatro horas, em que o CD automaticamente se reproduzia, ligando e repetindo copiosamente a música 'Glory Road' de Richard Clapton.

Vez ou outra, Ana Julia dava a entender que reagiria, saindo daquela inatividade profunda que evidentemente invadia o ambiente, afinal, os enteados estavam prestes a voltar da escola e ao seu redor, havia tudo por fazer.

 

Tanto tempo em introspecção não ficava claro ao certo, se estava refletindo ou dormindo de olhos abertos...

Poucos foram os minutos passados para que Laura e Roger entrassem jogando as lancheiras e pulando ao som da música que soava pela sala, aquele barulho infantil, recheado de gargalhadas e euforia, parecia não surtir efeito em Ana Julia.

O ambiente havia se transformado em uma festa para as crianças, mas só depois de muita bagunça e insistência foi que Ana Julia, resolveu revivificar. E como se todos estivessem de barriga cheia e a vida ganha, riam muito, correndo pelo pequeno espaço e atirando almofadas uns nos outros.

 

 
O último Trem
 
Não existiria novidade naquele cenário, se no dia anterior, eles não tivessem sido surpreendidos drasticamente pela covardia do pai. Era habitual o feliz entrosamento de Laura e Roger, com a madrasta, que muito distante da fábula, representava de fato à amiga e mãe que aquelas crianças tanto precisavam.

Ana Julia, os educava, sendo presença constante a acompanhar passo a passo o crescimento dos gêmeos, desde a morte da mãe, quando estavam apenas com cinco meses. Dizia-se orgulhosa e cheia de encanto, afirmando serem estes, bênçãos vindas do céu, que alimentava aqueles sete anos dando-lhe razão e alegria para viver.

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Elizabeth Misciasci- Perfil


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