Diante
de um sistema prisional construído
por homens e para homens, as
mulheres enfrentam situações
específicas e graves. Neste quadro
onde as condições ainda
são pouco discutidas pelo poder
público e praticamente desconhecidas
pela sociedade em geral, uma imensa "fatia"
tenta sobreviver.
Em
tese as mulheres que estão aguardando
julgamento, são as que enfrentam
as piores condições. A superlotação
e os relatos de maus-tratos são
mais freqüentes. A assistência
médica e jurídica é
precária e quase não há
trabalho remunerado que lhes permita obter
a remição de pena (onde
três dias trabalhados dão
remissão a um dia de cumprimento
na pena).
Sem
nenhuma pretensão nem regionalismo,
posso contar, recontar os milhares de
fatos, relatos, desabafos e confidências
que testemunhei. Talvez, pelo próprio
vínculo de amizade que inevitavelmente
criei e crio com muitas (a maioria) delas,
sempre tive e tenho maior acessíbilidade
aos acontecimentos cotidianos. Assim também
se dá, nas variadas formas que
estas mulheres encontram para demonstração
(ou ocultação) de sentimentos
e a maneira como algumas driblam e sobrevivem
dia a dia encarceradas.
Pelo
fato de termos muitas mulheres detidas
em regiões diferentes, onde a cultura,
a formação familiar, a formação
educacional, a religião, a condição
de maternidade ou não, as muitas
estrangeiras, as que possuem relações
afetivas fora dos cárceres, as
casadas, as que são "laranja"
as que são da "turma do vai
pra onde o vento sopra" as do crime,
e as do crime mais integrantes de algum
partido "comandos" fazem com
que cada qual passe suas experiências,
de forma exclusiva, sendo totalmente pareceres
pessoais.
De
qualquer forma, e sem rótulos,
quase sempre é assim...
Há
as que preferem o cárcere, e se apegam
a este, como de fato sua casa. Estas não
demonstram desconfortos e quando podem relatam
-"não quero sair daqui".
Há,
as que morrem a cada dia. Não conseguem
conviver com o cotidiano, apenas suportam
em silêncio as medidas disciplinares
"pesadas", as violências praticadas
entre parceiras, as violências sofridas
e praticadas por agentes, a falta de emprego,
ou a exploração, a alimentação
precária e o difícil período
menstrual.
Há
as que "fingem" que há uma
multidão do lado de fora das muralhas
esperando que saiam. Mais, na verdade, estas
há muito foram literalmente abandonadas.
Há
as que dizem: -"estou bem, melhor do
que na rua"... Se comparada a vida que
levavam. Estas, agradecem as amigas, a cama,
a parceria, a comida e a "pousada".
Há
as meticulosas, que passam o tempo arquitetando
e colocando em prática seus bárbaros
projetos. Sejam estes para vingança
pessoal ou de "parceiras".
Há
as que encontram na cadeia seu par. E vivem
o tempo no cárcere, alimentadas de
Amor (ou de muita briga) que chegam as vezes
aos "extremos" e até fatais...
Há
as que trabalham tanto, que só querem
chegar em suas celas no final da tarde, para
dormir. Pois assim o tempo passa mais rápido.
Há,
as que mães, tiveram nos cárceres
seus filhos e por estes sofrem do início
ao fim.
Há
as que gostam da denominação
"ela é bandida" e há
as que se envergonham de estar ou terem estado
nos cárceres.
Sendo
o inferno ou o conformismo diante de uma única
opção, o fato é que as
condições quase sempre, são
desumanas e cruéis. Seja a visão
de cada uma, reflexo de experiências
boas ou ruins vividas nas ruas é certo
que não são tratadas como Mulheres.
Por mais que se esforcem os gestores de cada
prisão, para amenizar problemas e proporcionar
boa permanencia carcerária, não
existem unidades criadas para aprisionar o
feminil nem tão pouco manter de forma
que atenda as necessidades que o sexo feminino
exige. Assim, desconhecedoras dos direitos
onde uma parcela razoável, adentrou
muralhas vindas de um submundo, o pouco, muito
vezes degradante é o tudo que ainda
resta.
Contudo,
um fator é comum: 99%, sofrem
literalmente a Nível Nacional o latente
abandono!

Prisão
Feminina e Sociedade
by Elizabeth
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