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Visita
Intima para Mulheres encarceradas |
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Eles
são dotados de insensibilidade...
Elas se deparam
com o constrangimento...
Por: Elizabeth Misciasci
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Visita
intima - Por: Elizabeth Misciasci
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Elas diante das companheiras
de presídio, se constrangem, eles não
se importam com a sensibilidade escondida,
assim sendo, cada vez mais, o tão difícil
direito de visita íntima, aos poucos...
Esvazia-se.
Como costumeiramente, todo último ou
primeiro sábado do mês, é
dia de “íntima” na maioria
das Penitenciárias Femininas de São
Paulo.
Com elas mesmas conceituam: “É
o dia em que as presas recebem os companheiros,
amasios, parceiros, enfim maridos, para duas
rápidas horas de intimidade atrás
das grades”.
Em
qualquer unidade prisional masculina, o palco
deste cenário é repleto, com
filas kilométricas de mulheres esperando
perfumadas, animadas e pacientes a hora de
se submeter a mais constrangimentos que os
rotineiros e ofertar todo o carinho e amor
do mundo ao namorado, marido, amante fixo,
ou amásio.
Cena parecida, nem sequer de longe se vê
nos presídios femininos, pois isso,
definitivamente, não acontece!
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Visitas
em presidio masculino
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Os necessários requisitos
para que a visita íntima seja consentida,
são os mesmos tanto para os homens
quanto para as mulheres, ou seja: provar um
vínculo anterior à detenção
ou ter um relacionamento estável de,
no mínimo, seis meses; fazer (o casal)
exames laboratoriais de salubridade e inscrever-se
na lista dos habilitados.
Dos 26% de inscritos, apenas e raramente uma
média de 4,6% “tira a visita
intíma” com suas mulheres.
Mas, o notável é
que cada vez mais esta presença não
esta presente em dia marcado. Quando a “íntima”
é feminina, quase nem se vê trânsito
em vias de acesso próximo as unidades,
quiçá visitantes.
O que esta tão longe
e distante de ser real no caso oposto, ou
seja, se uma unidade possui uma média
de setecentas mulheres, a média de
maridos devidamente “documentados”
chega a trinta/ trinta e cinco, mais o que
geralmente acontece é que o quorum
de presentes se resume a três ou quatro
visitas masculinas.
O direito à visita
íntima nas cadeias masculinas,
foi instituído em 1987,
passando a vigorar logo em seguida. Já
nas penitenciárias femininas, isso
“só foi possível”
ou quem sabe “admissível”
em 2001.
Com o agravante da intervenção
e insistência de grupos de defesa femininos,
entre outros, da Comissão da Mulher
Advogada da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
e da mulher encarcerada, durante anos...
Logo de antemão, uma
das mais usadas justificativas para a demora,
se concentrava no temor de que as visitas
alimentassem a epidemia de Aids, argumento
difícil de entender, já que
há mais chance de o homem contagiar
a mulher do que o oposto.
Se
o risco seria muito maior nos presídios
masculinos, não assistiam razões
para impedimentos nos presídios femininos.
Buscando as razões reais, o número
bem inferior de reeducandas seria o primeiro
fator a chamar a atenção, já
que as mulheres totalizam aproximadamente
cerca de 5% (cinco por cento) do sistema penitenciário,
uma minoria com capacidade de pressão
bem menor que a deles.
Outro
fator que tornava a indiferença ímpia,
em face da vida íntima e afetiva do
feminil, estaria ligado às raras possibilidades
de rebeliões. E na ocorrência
destas, menos sangrentas, o que com a falta
da visita íntima não provocaram
nem provocaria, já que para as mulheres
o motivo de um motim, nem sempre é
o desejo de fuga, mas algo mais prosaico,
mais sim com a falta de água ou de
sardinhas em lata.
A reação provocada é
mais intensa profunda e interna para a Mulher,
sendo então para o sistema, praticamente
irrisória.
O
fato é que a íntima no presídio
feminino não “pegou” como
deveria, por ser um direito e para algumas,
necessidade. Mas...
Maridos não são solidários
como as mulheres detidas, os homens quando
não são parceiros de crime e
acabam presos ou mortos, abandonam facilmente
a mulher e só.
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Se ficarmos na porta
de uma penitenciária
feminina em dia de visita,
poderemos perceber que as poucas pessoas visitantes
são mães de reeducandas, irmãs,
filhos, enfim.
É natural de a mulher zelar, fazendo
tudo para manter a instituição
familiar. Como ficam com os filhos quando
os maridos são presos, é muito
importante manter o vínculo com o pai
deles. Um dos principais propósitos
da visita normal e/ou íntima, ainda
é justamente esse, manter a família.
Os homens, por sua vez, em geral não
ficam com as crianças e não
faz em tanto esforço para conservar
o relacionamento com a mãe delas, além
do mais, não gostam de serem colocados
em exposição, ou se submeter
à revista necessária, aos exames.
É natural, se ter ciência
de que muitos arrumam outras mulheres, enquanto
a “oficial” está presa.
Não é só o sexo, é
o patriarcado alimentado e inesquecível,
onde cozinhar, lavar, cuidar da casa é
facilmente substituído.
Existe também, a sensação
destes, que pensam estarem solidamente mais
seguros de que a relação pode
ser mantida, mesmo sem a visita, porque sabem
que, quando as mulheres saírem da cadeia,
costumam procurá-los.
http://www.jornalista.eunanet.net

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