Colunista

Valdir B Ramos

Ponto de Vista

NÓS, OS PALHAÇOS

Postado por Valdir B Ramos em 18/10/2010 18:47:00

Supermercados cheios, alimentos mais barato e qualquer um agora compra carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte. Restaurantes e bares lotados nos fins de semana. Consumismo em alta. A coisa virou festa.

Televisor de LCD? Qualquer um compra. Agora, todo mundo vai assistir tv até tarde e acordar ao meio-dia. Quem quer saber de trabalhar? Vale disso, vale daquilo, bolsa disso, bolsa daquilo. Quem precisa de emprego? O governo paga!

Internet todo mundo tem. E quem não tem em casa, seja paga ou gatonet, tem a opção das lan house. Todo lugar tem lan house. Dia desses escutei uma senhora no ponto de ônibus falando com uma amiga que está pensando em fazer upgrade em si mesma, dar uma reformulada, uma melhorada no visual. Micro computador é quase coisa do passado. A moda agora é notebook e netbook. Impossível não entrar num shopping ou outro estabelecimento e não ver alguém usando. Pagina pessoal na internet? Quem não tem?

Todo mundo tem Orkut. Fica fácil para se acessar os dados pessoais de quaisquer pessoas, que munidas de vaidade, enchem suas páginas pessoais de dados às vezes confidenciais.

MP3, MP4, ipod, câmeras digitais! Agora todo mundo tira foto e coloca no Orkut. E celular? Tooodo mundo tem! Vi um gari parando de varrer a rua, recostando-se num canto e deslanchando seu vocabulário de gírias e gestos como se estivesse conversando pessoalmente com alguém. Um especialista em reciclagem de produtos manufaturados à base de celulose (não se pode mais falar “catador de papelão”) interrompeu uma via da Alameda São Boaventura simplesmente para atender o celular, possivelmente com algum cliente agendando uma retirada de matéria prima.

Até bandido tem benefícios. Para quem não sabe existe uma tal bolsa-reclusão. Cada detento recebe uma bolsa por estar preso! Acredite.é verdade. Além de alimentação três vezes por dia, estadia custeada para repensar sua vida, assistência médica, jurídica, psicológica e social, ainda tem celular para se comunicar com o mundo exterior. Se bem que muitas vezes utilizam este recurso para atividades escusas como extorsão, comando de ações por companheiros em liberdade e golpes com ligações telefônicas.

É! A vida aparentemente ficou melhor, mais fácil com as facilidades proporcionadas pelo governo do Lula. Mais será que tudo isso não serviu para acobertar toda a podridão que aconteceu?

Tudo isso é muito relevante, porém não podemos nos esquecer que em oito anos do Lula como Presidente apareceu mais corrupção, falcatruas, bandalheiras e tantos políticos safados que em governos anteriores. Até na família do Lula! Que dizer do filhinho dele que até antes do pai se eleger era um simples empregado de zoológico de cidade do interior de São Paulo e agora é um dos maiores pecuaristas do Brasil, além de ser um dos principais acionistas da OI? Que competência relâmpago foi essa? E o irmão do Lula? Foi punido? Nããããooo... Sabe a justificativa do Lula? Pura inocência do irmãozinho dele, coitado. E a coisa ficou por isso mesmo, caso abafado e caiu no esquecimento. E O Lula? A cada escândalo que aparecia ele nada via, nada sabia, nada ouvia. Bem diz o Zé Ramalho em sua música-protesto quando parafrazia Lula dizendo: "Tô vendo tudo, / tô vendo tudo. / mais fico calado, / faz de conta que sou mudo!" Quanto a Serra, bem se sabe que é um elitista e será que vai cuidar dos mais humildes realmente? Quem sabe? Não sou partidário de nenhum dos dois. Pretendia votar nulo. O fato que entre Serra e Dilma há uma diferença gritante: Serra pelo menos inspira uma parca confiança de dias melhores, enquanto Dilma, a Bin Laden de saia, mantém e faz questão de mostrar em público a sua acidez visual (a mulher parece que toma suco de limão quando acorda!), sua impáfia e sua arrogância. Imagine essa mulher no governo: será semelhante a rainha do filme "Alice no país das Maravilhas" mandando cortar a cabeça de qualquer um que ouse sequer olhar para ela de frente.

Sinceramente, entre tucano e abutre, prefiro o primeiro, por diversos motivos, e o principal é a preferência alimentar que prefere frutas principalmente, enquanto que o abutre se alimenta de carniça e outras podridões. Pelo sim, pelo não, ao invés de votar nulo, votarei no Serra pelo bem do Brasil, para evitar que Dilma e a corja do PT continuem no governo federal. Respeito opiniões contrárias a minha e quem defende a manutenção do governo do PT. Só lamento que quem vota na Dilma não se preocupa com o passado sombrio daquela mulher e nem pesa as qualidades e bem feitorias do Lula com o mar de lama que inundou o Brasil durante seus dois mandatos, pois toda a sujeira é infinitamente maior que o bem que ele nos fez.


Valdir Barreto Ramos
www.ramos.prosaeverso.net
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Cônsul Poetas del Mundo - Fonseca – Niterói – RJ

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DE POETA PARA POETA

Postado por Valdir B Ramos em 18/09/2010 14:19:00

(ao amigo Eduardo Tornaghi)

Ontem à noite o céu não tinha estrelas. Não se via a lua. Ventava e o vento frio em carícias sutis, acariciava a areia deixando-a serena como uma extensão da espuma das ondas que se atiravam na praia em ressaca discreta. Bebia-se as vozes dos amigos que se alternavam em declamações de poemas que, como estrelas, com tanta luminosidade substituíam as que no céu não se via.

Até ontem na minha característica introspecção tímida, eu relutava em munir-me de um microfone e diante de até meia dúzia de expectadores, ousar em declamar um poema ou um texto qualquer de minha autoria. Tão logo era solicitado a realizar tal tarefa, surgia-me incontinenti um discreto tremor (temor?) ante o fato de estar sendo alvo de atenção.

Não raramente, em encontros com amigos escritores e poetas, limito-me a apreciar as obras que são apresentadas e as minhas, reservo-as para tão somente publicá-las por escrito ou virtualmente, tamanha a minha aversão em expô-las em público. Sou como a brisa que chega discreta e de mansinho, se faz presente e logo parte, às vezes deixando resquícios, outras não.

Ontem quando intimado a declamar um poema meu, relutei e de pronto declinei o convite, alegando a indisfarçada timidez, preferindo que amigos declamassem por mim. Fui tomado de assalto quando pedi ao amigo Tornaghi que lesse um poema meu, ao que ele argumentou: “eu não! Você é que vai declamar! Queremos ver você declamando seu poema.” Seguindo-se a isso, brindou-me com uma exortação ao comportamento humano de que a introversão e a timidez, ao invés de serem características somáticas de receio ou aversão, mais que isso, caracteriza o estado de vaidade. Sim! Vaidade. Sou tímido! Introvertido! Seria isso uma forma de chamar a atenção? O fato de não querer apresentar em público o que escrevo seria afinal uma maneira de chamar a atenção?

Até ontem eu me considerava um simples grão de areia no vasto oceano que é POETAS DEL MONDO. Porém, após ouvir os argumentos construtivos do amigo Tornaghi, acordei: cheguei à conclusão de que continuo sendo sim um simples grão de areia. Mais eu sou UM GRÃO! E faço parte sim, desse mundo fabuloso, desse mar fantástico de poetas. Ousei pedir o microfone e, sentado (confesso que não senti coragem de me expor de pé) após breve justificativa, enfim declamei um poema, no qual homenageei a todos os poetas ali presentes.

As ondas continuaram a atirar-se na praia, banhando a areia antes de retornar ao mar. O vento discreto ainda soprava. A noite enevoada que prenunciava uma manhã sem sol no dia seguinte emoldurava aquela reunião maravilhosa onde nos fartávamos em um banquete de poesia e cultura. Respirei aliviado após ter conseguido declamar em público constatando que isso nada mais é o que considero uma das grandes virtudes do ser humano: expressar o que sente.

Despedi-me de todos e os deixei naquela maravilhosa reunião poética, retornando ao meu lar, enquanto pensava no que tinha acontecido. Eu que me sentia apenas pequeno, conheci uma pessoa fantástica que me fez entender a importância de um grão de areia em um oceano imenso. Obrigado, Eduardo.

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