Postado por Elizabeth Misciasci em 10/05/2012 17:38:00
Descubra como atitudes maternas negativas podem influenciar mal aos filhos e provocar autossabotagem. Mães que vivem inteiramente à disposição dos filhos e esquecem da vida própria também podem ser prejudicadas.
Pode parecer absurdo que alguém tome atitudes para prejudicar a si mesmo, mas, em maior ou menor grau, a maioria das pessoas tem momentos em que “puxa próprio tapete”. Diretamente ligada à auto estima, a autossabotagem é uma espécie de “voz interna” que escutamos e obedecemos sem nos dar conta; é como se fossem ordens do inconsciente geradas pro frases que escutamos inúmeras vezes na infância. Estas frases, fortalecidas pelos comportamentos e respostas do entorno familiar vão ganhando força dentro das pessoas e tornam-se modelos mentais que comandam as emoções, interferem nas escolhas e limitam a percepção da capacidade e superação, dentre outras características negativas de rejeição.
Passamos boa parte da nossa vida tentando concretizar as crenças que adquirimos quando crianças, sobretudo no relacionamento com o pai ou a mãe. "O garoto cuja família sempre passava as férias numa cabana do Guarujá cresce e insiste em levar a família para a mesma casinha no Guarujá - às vezes para o desespero de sua família atual", exemplifica o terapeuta Carlos Florêncio. “Para pessoas assim, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço para mudança e inovação, não há espaço sequer para a imaginação”, afirma Florêncio. Junto com o autoboicote, há uma enorme gama de emoções negativas. “A culpa, por exemplo, vem em primeiro lugar e geralmente aparece por se romper uma crença de infância. O mais saudável seria que, ao se conhecerem outros estilos de vida e comportamento ao longo da vida, escolhêssemos o que mais tem a ver conosco. E, depois de uma análise mais adulta da situação, tentar ignorar aquela voz vinda da infância que diz: ‘Você não vai abandonar tudo o que a gente ensinou para você, vai?’ ”, exemplifica o especialista.
Infelizmente, todas as famílias tem suas frases e comportamentos destrutivos, desde a escolha dos favoritos pelos pais, apelidos, comparações e rótulos, dentre outras práticas condenáveis. Muitos adultos ainda estão presos a frases do tipo: “Por que você não é inteligente como seu irmão?”, “Você faz tudo errado”, “Você não sabe fazer nada”, “Você não deveria ter nascido” e tantas outras frases que esmagam a alma dos filhos e os tornam reféns de uma auto imagem reduzida e fragilizada. A causa para este descompasso normalmente está relacionada à educação dos pais, que não valorizam as potencialidades da criança e fazem crescer no filho medo e insegurança. O terapeuta Carlos Florêncio reforça que o ser humano passa metade da vida tentando confirmar as crenças adquiridas na infância, principalmente no relacionamento com os pais – há pessoas que cozinham da mesma maneira que a mãe, frequentam o mesmo templo, adotam as mesmas diversões e, às vezes, até moram na mesma casa. Ao notar uma tendência a autossabotar qualquer processo, uma dica do terapeuta é dar mais atenção aos amigos e familiares. “Também vale perguntar a imagem que eles tem de você. É uma boa maneira de descobrir erros que cometemos sem perceber”, ressalta Carlos.
De acordo com Carlos, os pais não foram julgados e considerados culpados. “Em geral, foram vítimas de pais tão despreparados quanto eles mesmos. O objetivo da terapia para combater este mal é traçar um caminho para encontrar a origem de alguns comportamentos autodestrutivos”, explica. “Muita gente ainda vive para agradar aos pais e esquece de si, numa especie de servidão e cuidado com o outro que pode beirar a escravidão e submissão, em que estas pessoas deixam de ter identidade própria. Quando abrimos mão de nossos sonhos em favor da família, normalmente abandonamos os sonhos pessoais”, completa.
Um outro grande problema é que dificilmente as pessoas percebem a autosabotagem. A pessoa cria uma ilusão na mente de que há uma solução imediata para o conflito e evita o enfrentamento da dor ou ameaça de mudança. Por exemplo, uma menina cresce em ambiente familiar hostil onde prevalece a dor e traição e ouve frequentemente da mãe que casamento é ruim e que ela nunca deve casar, nem confiar em um homem. “Ao tornar-se adulta, ainda que alguém invista ou insista em querer o relacionamento, ela conseguirá, através de comportamentos destrutivos, proteger o modelo mental e garantir que a experiência infantil vire uma sombra para toda a vida”, exemplifica o terapeuta. Outros exemplos são pessoas que tendem a namorar pessoas com personalidades parecidas, mesmo que não sejam das mais simpáticas e interessantes. Geralmente, a “preferência” está ligada à personalidade do pai e da mãe que marcou de maneira negativa a infância. “A escolha inconsciente do parceiro representa uma tentativa de mudar aquele pai / mãe, de conseguir o amor e carinho que faltou. O resultado apresenta-se na forma de queixas do tipo: ‘ele não me ouve; não foi isso que eu disse, não foi isso que eu quis dizer’”, finaliza.
E quando a mãe é quem sofre com autossabotagem?
Imagine a situação: a mãe chega do trabalho, fica com o filho, dá banho, comida, carinho, atenção. Então, ela decide fazer exercício físico em casa durante uma hora. O filho não deixa e ela não consegue assistir a uma aula em DVD porque o filho quer ver desenho animado. Ela desiste do exercício, fica angustiada com o corpo e com o fato de não conseguir fazer o que deseja. “Isso é reflexo da sociedade moderna, onde a ditadura dos pais foi substituída pelo diálogo com os filhos para tomada de decisões. O problema é que os desejos dos pequenos são sempre priorizados, o que gera um novo desequilíbrio”, explica o terapeuta. Outro exemplo é quando a mãe reproduz, por nada, comportamentos destrutivos dos parentes que marcaram sua infância. "Essas circunstâncias negativas podem se tornar inevitáveis, produzindo efeitos químicos que, inconscientemente, viciam a pessoa", alerta o terapeuta Carlos Florêncio.
PENSAMENTOS SABOTADORES
▼ Eu não valho nada.
▼ Eu não preciso de ninguém nem de nada.
▼ Não vou permitir que se metam em minha vida.
▼ Sem você, não existo.
▼ Primeiro você e, por último, eu.
▼ Vou deixar para depois.
▼ Eu não posso.
▼ É o que me coube na vida.
▼ Eu não mereço.
▼ Eu me adapto a todos.
▼ Eu não tenho nada para dar.
▼ Que a sorte me acompanhe.
▼ O importante é que você seja feliz, não eu.
PARA MUDAR
▼ Busque autoconhecimento. Se não conseguir sozinho, aposte em terapia.
▼ Assuma a responsabilidade sobre a própria vida.
▼ Acredite que pode e merece ser feliz.
Ciclos de autossabotagem influenciadas pelos pais:
Veja situações nas quais as repetições são negativas
Vivo em guerra com meu parceiro: Presenciar discussões dos pais cria a associação de que brigar é o único jeito de entrar num acordo. Você anda sempre às voltas com namoros tensos? Talvez esteja viciada em conflitos e não veja alternativa melhor.
Meu namorado é tão inseguro quanto meu pai: Buscar parceiros com doenças ou problemas semelhantes aos de algum parente é comum, pois a convivência e as histórias repetidas "acionam" um jeito antigo e "seguro" - quase sempre prejudicial - de agir.
Sinto atração por homens que não são confiáveis: Você pode dizer não gostar de parceiros assim. Mas, no fundo, sente prazer inconsciente no fato de seu namorado ser malandro. "Tal prazer é desencadeado no cérebro por uma série de reações químicas que, literalmente, viciam a pessoa àquela situação", explica a psicóloga Adriana de Araújo.
Escolhi seguir a profissão da minha mãe: A repetição do comportamento de um dos pais é vista como uma forma segura de controlar o futuro e nem sempre reflete seu desejo real. Mas não é necessariamente ruim - desde que você esteja feliz.
Fonte| Carlos Florêncio – http://www.phvida.com.br/
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