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Clevane Pessoa

Noticiando

Um Manifesto em Minas Gerais, sobre Concursos litrários e ineditismo de textos

Postado por Clevane Pessoa em 22/12/2009 23:02:00

Poetas:
Acabo de receber, da escritora Fátima Soares Rodrigues, que se identifica com endereço, abrir e repasso o desabafo abaixo.
Vou reler e ponderar.
Façam o mesmo -se o texto tocar algum alarme contra ou pro.É bom exercer a cidadania, e essa questão do ineditismo em concursos, dá muito "pano prá manga".O que não deve acontecer é a sociedade, a comunidade de poetas mineiros, no caso, principalmene, deixar o fato passar em banco sem discussão.
Interessante, reprensar sem extremismos, deixar o bom senso levar ao consenso.
No caso de um conjunto de textos que teria por resultado , por exemplo, a publicação de um livro, seria mais válido, caso a editora, a instituição prmotora desejassem um novo livro, com novos textos.Ainda assim , lembro aqui que o grande Drummond dizia que jamais escrevera um livro: apenas juntava o que escrevia aqui e ali, enfeixava textos . E ele fez grandes crônicas em forma de poemas, por exemplo, publicados em coluna de jornal e depois transformados em novo livro . A humildade do grande poeta em reconhecer isso em vida, trasnporta à questão dessa exigência.
Obviamente, também há que se pensar em autores que burilam , de tempos em tempos, um único bom texto e este percorre a temporada de concursos literários . Ainda assim , é um direito , o do livre arbítrio,a tomada de decisão:qual o próprio autor que tem direito de ir e vir, o seu produto literário também teria.
Sempre digo que concorrer e ser selecionado, precisa de três fatores : primeiro, que o texto seja bem escrito dentro das regras de um idioma escolhido , original, interessante. Depois , que tenha realmente a autoria de quem o envia. E também , que coincida com o estilo de eleição do jurado, com a vontade de um júri, cujos critérios o julgarão a menor ou a maior , em qualidade.E, depois ou antes de qualquer um dois três , claro, que obedeça ao regulamento criado.
Mas, em alguns casos, romper mesmices, pode ser o grande achado.Um poeta visual, por exmplo, que por ser artista plástico, em vez de palavras, ofereça, apresente formas...valeria menos ?
Claro que não .Inovar é sempre a alavanca para que as melhores coisas passem a acontecer, ao destruir barreira e conceitos arraigados... Lembrem-se da semana de Arte Moderna ! Leiam o Manifesto dos Poetas , que acabo de receber de Fátima Soares Rodrigues e argamassem suas opinões...


Um abraço natalino:

Clevane Pessoa

Apenas para ilustrar, lembro os poemas visuai de Iara Abreu, Tchello de Barros, etc...


"MANIFESTO DOS POETAS



O resultado do Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte, deste ano, na categoria poesia, levanta uma discussão a respeito do verdadeiro interesse dos envolvidos na realização desse concurso. Desde que foi alterado o regulamento, várias incoerências permeiam o edital, confundindo os participantes e excluindo poetas de participarem do concurso, ainda que sejam desconhecidos no meio literário. Ora, reza o regulamento que o autor “não deverá ter nada publicado em qualquer gênero, em livro, jornal, internet”, isto é, a obra além de ser inédita (o que é exigência de grande parte de concursos), deve o autor também ser inédito. O regulamento deveria se restringir ao gênero em questão, no caso, poesia; porém, infelizmente, o regulamento exige um ineditismo do autor em todos os gêneros literários. Logo, o autor que tem a “infelicidade” de ter concluído qualquer curso superior, e, com isso, ter elaborado uma simples monografia, ainda que nada tenha relacionado com poesia, já é considerado um candidato impossibilitado de participar do concurso. Considerando que ensaio é um gênero, todos os candidatos agraciados neste ano com o prêmio não fazem jus ao prêmio, já que possuem textos diversos publicados, ferindo o regulamento desse concurso, logo, o resultado deve ser impugnado, já que centenas de poetas deixaram de enviar as suas obras por não se adequarem ao perfil exigido

É preciso que atenhamos ao fato de que esse tipo de autor a que o concurso se destina, simplesmente, não existe. Em pleno século vinte e um, com a alta tecnologia, internet com conexão até em celular, é simplesmente impossível que qualquer escritor, por mais desconhecido que seja, mesmo que nunca tenha ganhado um prêmio em literatura, não tenha absolutamente nada no papel ou na internet, pois, ainda que tenha sido agraciado com uma pesquisa na Feira de Ciências de sua escola, mesmo no ensino fundamental, já deixou de ser inédito, segundo o regulamento do concurso Cidade de Belo Horizonte. Não estamos afirmando que as obras enviadas não sejam inéditas, são. Porém, os agraciados é que não são inéditos conforme exigência do concurso.

É bom lembrar que em 1998, o Concurso Cidade de Belo Horizonte, categoria poesia, tendo à frente os jurados: Augusto Massi, Sérgio Peixoto e Heloísa Buarque de Holanda decidiram não premiar nenhuma obra de poesia dentre as mais de setecentas obras enviadas de todo o Brasil para o referido concurso. Embora houvesse diversas manifestações de poetas, principalmente, mineiros, a Fundação Cultural e os organizadores consideraram inquestionável a decisão dos jurados e mantiveram o resultado.

Inconformados com o descaso e a injustiça, os poetas decidiram lançar um manifesto no dia da premiação das outras categorias. Espalharam diversos livros de poesia na entrada do Teatro Marília, onde aconteceria o evento, obrigando a todos que adentrassem no teatro, a, literalmente, pisar as poesias, fato considerado pelos poetas com relação ao resultado do concurso.

Convocamos todos os poetas brasileiros a exigirem a anulação do resultado na categoria poesia e a modificação urgente do regulamento para o próximo concurso.

Fica, finalmente, a pergunta que não quer calar: qual é realmente o objetivo do Concurso Cidade de Belo Horizonte, na categoria poesia? Descobrir novos talentos, ou prestar contas no quesito cultura à prefeitura de Belo Horizonte?

Com a palavra, os organizadores."



Fátima Soares Rodrigues – Escritora"

CI: MG -1.074.716

Alameda dos Jacarandás, 711 – Bairro São Luís – Belo Horizonte (31) 3491-1713

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