Esfinge - Cicero Melo do Nascimento
Se não te sinto luz, onde a candura
Das palavras bem ditas, bem formadas?
Nas minhas mãos, por ora, vejo estradas
Em traçados de cega agrimensura,
Se não te vivo em mim, vivo a loucura
Das palavras de amor incendiadas,
As taças da paixão dilaceradas
Na bacanal de sangue e de ternura.
Amor, amado amor, amargo amor,
Como dilacerar os teus mistérios,
Que me transluzem sonhos em torpor?
É muito tarde, meu amor impuro.
O sol já ilumina os cemitérios.
Voltarei amanhã, me crê, eu juro.
Por Cicero Melo do Nascimento
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POEMAS DA ESCURIDÃO
(Edições Bagaço, 2001)
*Cicero Melo é alagoano, mas reside no Recife/PE.Escreveu os livros "O Verbo Sitiado", "Poemas da Escuridão" e "O Poema da Danação". Participou de várias antologias. É, também, ensaísta e crítico literário.
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