Chibata, Chicote,e Açoite - Simone Pinheiro
![]()
Marcados a ferro e fogo
na pele lisa, brilhante,
narrando a história de um povo
que soube seguir adiante,
matando no peito as injustiças
sofridas de boca calada,
salgando as costas feridasv
dos açoites, das chibatadas
.
Negro da cor da noite,
em senzala, acorrentado,
nascido de negra bonita,
pelo branco maltratada.
Com altivez e coragem
próprias, de quem sofreu,
carrega nas costas largas
as dores todas do mundo,
sem que por um segundo
se ouça um gemido de dor.
Negro, foi o destino
cruel e traiçoeiro,
deste povo guerreiro
que mesmo se curvando
às regras da Casa Grande,
manteve no peito acesa
a chama da esperança,
e como qualquer criança,
não desistiu de lutar.
O patrão branco, recatado,
devoto de desconfiar,
era pai de muito negro,
com lágrimas derramadas
em noites de amedrontar.
Mas, negro nascido em senzala,
não podia dizer não,
cavava a própria vala
chamando de pai o patrão.
Negro, domado a castigo,v
trazia desde o berço,
as amarras do destino
traduzido em
chibata, chicote e açoite!...
Autoria: Simone Borba Pinheiro
Data: 19/09/03
![]()
Todos os Direitos Reservados ao autor©
Simone Pinheiro
Autorizado a copiar, divulgar e republicar, desde que não altere e mantenha os devidos créditos.
Simone Pinheiro
Site Oficial da Poetisa e da Família Borba Pinheiro,
pode ser acessado Aqui
Akki Tem Arte
Revista zaP!