Elizabeth Misciasci -Artigos, Contos e Crônicas Volta à Página Anterior
 
     
 
  Bebida, casamento e Traição
 

Bebida, casamento e Traição.


Por:-Elizabeth Misciasci

Alguns “pequenos excessos” ao se consumir bebidas alcoólicas, podem transformar a visão de uma pessoa sob outra. O mesmo se dá em relação a determinadas situações, que acabam sendo transformadas em outras, quando na verdade não é o que de fato se passa.

Há até os que independente da bebida, pensam que a beleza externa, pode indicar que a pessoa é portadora única e exclusiva de altos índices de qualidades só pela aparência e, por ser assim, tudo vale a pena para ir em busca de uma conquista... Quando na verdade, o "rótulo" é apenas um atrativo, que pode arrastar indivíduos para ações futuras de alto risco.

Estudiosos como Barry Jones, professor de psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, afirmam que “a percepção de beleza aumenta 25% com 04 copos de vinho ou 11 de cerveja”.

Os indivíduos que normalmente reprimem seus sentimentos são pessoas mais propensas a fazer cenas ou criar atritos, depois de se excederem na bebida. Infelizmente, nem todos que passam por situações que constrangem e chegam a decepcionar as pessoas, tomam consciência de que fato semelhante não deve se repetir.

Na reincidência de atitudes, em se tratando de um casal, aos poucos, o desgaste, a vergonha, a falta de comprometimento com o pudor, vai ferindo a vida afetiva. Claro que nem todos os problemas referentes à traição, desrespeito e falta de carinho nascem da bebida, razão até pela qual, falo especificamente aqui dos estragos que o álcool também pode trazer a uma relação.

Ciente do feito enquanto sóbria, a pessoa assume seus atos como fraqueza e em meio a promessas, afirma veemente que este tipo de comportamento não mais se repetirá, no entanto, basta um convite e as promessas caem por terra. É aí que o casal começa a se dividir, a mentira passa a ser necessariamente fundamental para uma saída de emergência e esta só, sem sua (seu) companheira (o).

Não há tempo para avaliações, nem tão pouco reconhecimento de falhas cometidas e a cometer, o bom da “farra” apenas para uma das partes, aquela que não reflete a realidade, vai se tornando necessário e junto a esta necessidade, poder vir, como em inúmeras situações, a dependência orgânica do álcool.

Em alguns casos a pessoa já não consegue se esquivar do prazer de beber e a bebedeira, em meio a “um bate papo”, pode pular rapidamente para o assédio e a busca de “alguém” mais compreensível fora do lar. Uns copos extras, não só pode causar “aquelas ilusões de ótica” como também inspira e aguça a euforia etílica, onde a atração primitiva e arriscada, provoca a traição sexual.

Numa época em que “ser atirada (o) é normal” dificuldade para encontrar parceria não existe. Tendo muita opção de escolha e removendo o rótulo de “antiquado” o sentimento se modifica e o momento é só de “curtição”.

O mais complicado é quando o efeito da bebida passa e a pessoa acredita ter encontrado o verdadeiro amor de sua vida. Isso acontece com freqüência o que até então era reflexo da bebedeira, passa a ser compreendido como o início de uma paixão, sentimento aflorado após ter cumprido a obrigação de agir (na área sexual).

Não que a bebida seja a responsável exclusiva de uma traição, mas pode contribuir, ou servir para legitimar a parte que esta na defensiva, alegando como culposa a exagerada ingestão desta, para se redimir ou se esquivar de suas faltas.

Se sentindo bem e sonhando acordado (a), o (a) traidor (a) passa a ver na (o) companheira (o) do dia-a-dia, uma (um) desconhecida (o) hostil e nociva (o), traça-lhe o perfil de uma outra pessoa.
Sente-se lesado (a) na relação doméstica e como se a vida e o sentimento fossem comandados por um controle remoto, se acha com o poder da função de administrar cada botão, pois é muito fácil operá-lo para seu exclusivo bem estar.

O relacionamento então vai se tornando cada vez mais insuportável. O (a) traidor (a), que já banaliza a vida em comum e a pessoa que viveu ao seu lado, faz desta algo repugnante repleto de defeitos, "pintando" outro cenário da história que vivenciara.
Para ele (a) a (o) companheira (a) torna-se apenas um fardo pesado, que necessita ser punido (ás vezes até violentamente) para garantir, manter e exercer a "fidelidade" com a relação extraconjugal, que é intocável e perfeita, diante dos seus olhos.

Nestas alturas, começa a inexistir o diálogo, porém, se há a necessidade de omitir para os familiares e amigos, o que esta acontecendo, o (a) traidor (a) apela então para incorporar um personagem, afinal alguém futuramente terá que ser o culpado.

Certamente não será quem insistentemente errou que assumira sua culpa diante da sociedade ou da instituição familiar...

Com tanta coisa em jogo, quem esta sendo o "fanfarrão da vez", ou tenta ceder com um falso exibicionismo afetivo, a fim de dar maior veracidade de sentimentos às mentiras acumuladas e infiéis atitudes já concretizadas, ou se impõe que o melhor é deixar qualquer conversa para outra ocasião. Sempre com a usuária alegação de que com a cabeça fria, pode-se acertar a situação, o que no calor do momento só ira gerar discussão.

E como se nada de anormal estivesse acontecendo, vira para o lado e dorme, afinal, dormir é sagrado e brigar tira o sono da “ressaca”, impedindo que se sonhe com as horas de "amor" fora do lar.

Horas estas que podem permanecer apenas nos momentos passados, como também pode se estender a um futuro relacionamento que dará definitivamente um basta no casamento.

Ás vezes, a facilidade do "trair" a desumanidade sarcástica para com a pessoa traída e a falta de sensação de culpa, (já que esta fora imputada à bebida) faz com que o (a) traidor (a) sinta-se encorajado (a) e acessível a outras "aventuras", o primeiro certamente será o início de uma série...

Até aí, quem estava em casa, muitas vezes em aflição, preocupada (o) com o (a) companheiro (a) sente a repulsa da bebida, pois aprendeu e se convenceu ser esta a grande responsável, por aquele lamentável momento ou período de desacertos; porém ainda sem saber que não haverá mais espaços para ela (e) na vida do outro, releva, não imaginando à proporção que a “noitada” regada à bebedeira, tomou.

Obviamente, nem todos reagem da mesma forma. Há os casos em que o (a) traidor (a) se culpa, sente a dor do remorso.
Sentindo o reflexo do tamanho da besteira que fez, aprendendo que apenas um deslize já foi o suficiente para que não se erre mais tenta consertar o feito. Assim, não permitindo que as conseqüências de seus atos e falhas destruam esta relação e atinjam ainda mais sua (seu) parceira (o), recomeça de “cara limpa”.

Em qualquer situação, é inconcebível quando o (a) traidor é descoberto (a) e se sente exonerado (a) de prestar esclarecimentos, não querendo falar nem tão pouco ouvir, inexistindo o diálogo.

Em diversas situações, a parte que errou mantém-se irredutível procurando retaliar, e oferece apenas duas opções para "vítima traída" ou se "justifica" com discussões acusatórias, que impiedosamente pode chegar à violência física ou se rompe não só o assunto, mas o relacionamento... E este chega ao final no silencio que pode ser eterno...

Vem muito mais do sexo masculino a autoria deste tipo de transtorno, que nada mais é que a conseqüência de seu ato, ocorrências com mulheres são raras exceções, pois a mulher continua sendo muito mais família.

Embora exista um novo perfil de mulheres, comportamentos, delegacias especializadas, enfim, por uma série de motivos o silencio ainda predomina e algumas se sujeitam as surras e os mais perversos tipos de violência física e moral.
No entanto, um fato é certo, manter-se na condição de "vítima" e de forma submissa aceitar copiosamente a bebida, a traição e o casamento desmoronado, pode custar caro, tendo-se que pagar um preço incalculavelmente desumano.



São Paulo-SP

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