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(O
mesmo se estede as dependentes químicas,
que estão fora dos presídios,
por não possuirem antecedentes criminais,
nem infrigido as nossas leis).
O
que podemos entender é que a prisão,
tanto pela privação da liberdade,
quanto pelos abusos que ocorrem em seu interior,
na maioria das vezes, ocasionados pelas próprias
apenadas entre si, constitui mais um elo seqüencial
de múltiplas violências, que
acabam delineando a trajetória de uma
parte da população feminina.
O
ciclo da violência, que se iniciava
na família e nas instituições
para crianças e adolescentes, perpetuavam-se
no casamento, desdobrava-se na antiga ação
tradicional das polícias e se completava
nas penitenciárias, nos levando a crer
que recomeçaria provavelmente, na vida
das futuras egressas (ex-reeducandas).

Buscando
chamar a atenção para a manutenção
da população prisional feminina,
que por ser muito pequena se comparada à
masculina, nunca mereceu uma atenção
específica e isso, não falamos
nem nos referindo aos órgãos
responsáveis, englobamos aqui o abandono,
o descaso, a discriminação dentro
da própria comunidade, o pouco voluntariado
voltado para as encarceradas.
Até então, não se percebia
pessoas efetivamente preocupadas em compreender
os motivos e circunstâncias em que mulheres
praticavam crimes, e muito embora nosso empenho
seja total, dificilmente encontramos ajuda
no sentido de prevenir a criminalidade feminina,
ou apoio para manter e ampliar o projeto,
que tem por prioridade específica ser
direcionado as mulheres nas condições
de presas.
Esta
é uma realidade que o Projeto zaP!
vai tentando mudar, pois aos poucos, vamos
conseguindo trazer amigos para as prisões
femininas, pedindo parcerias para empresários,
conquistando e os convencendo para implantação
de mais oficinas de trabalhos nas unidades
prisonais.
É
importante a continuação de
estarmos fazendo junção com
as entidades religiosas, no sentido de incentivarmos
mudanças, e ampliarmos para outros
estados. Sabemos que provocamos mudanças
benéficas que comprovadamente contribuem
de forma positiva para a reinserção
social e o fim da reincidência, no entanto,
não podemos permitir que mais mulheres
ingressem no mundo do crime, ou depois de
cumprirem suas penas, retornem ao cárcere
por novo delito.
Ambiente
Carcerário
Por
inúmeras vezes, fui muito questionada
por pessoas das mais variadas áreas
profissionais e classes sociais também
diversificadas. A questão abordada:
- Se o ambiente carcerário seria apenas
um meio artificial que não permitiria
de fato reabilitar a pessoa reclusa.
Assim sendo, com uma opinião não
tanto particular, mas sempre deixando claro
ser o meu ponto de vista, fiz como faço
minhas colocações, mesmo tendo
quem discordasse e discorde, ainda é
esta minha forma de pensar, porque assim acredito.
Falo,
embasada nos trabalhos que desenvolvo, com
toda a experiência vivida e que ainda
vivo desde que passei a atuar em cárceres
com o voluntariado em 1987.
Afirmar que o ambiente carcerário é
um meio artificial que não permite
reabilitar pessoa reclusa, sob meu parecer,
não é de forma alguma uma afirmativa
que pode ser aceita.Mesmo porque, além
do fato de cada caso ser um caso isolado,
há a personalidade de cada ser humano
que se diferencia e unidades bem estruturadas.
Como Humanista e pesquisadora atuando diretamente
no sistema prisional, com funcionários,
diretorias e principalmente com reeducandos,
tenho condições de falar com
certeza sobre o Sistema Carcerário,
por total conhecimento de causa.
Assim como em todas as empresas, as instituições
familiares e os mais diversos setores da vida
há regimentos e regras para que o dia-a-dia
siga de forma organizada, tranqüila e
funcional, o que chamo de organização
operacional.
Claro
que cada seguimento, seja ele profissional,
pessoal, ideológico, enfim, existem
princípios e normas disciplinares que
mesmo diversificadas, são necessárias.
No mundo ‘entre grades’, estas
normas não são diferentes e
nem poderiam ser, pois é dentro do
ambiente carcerário que se procura
educar ou reeducar um indivíduo. Razão
até pela qual, são mantidos
regimes disciplinares rígidos e até
os mais severos, como o RDE, o RDE e agora
as Penitenciárias Federais de Máxima
Segurança.
A
Educação assim como o trabalho
é mais um aspecto fundamental para
a capacitação, profissionalização
e reabilitação da pessoa presa.
Muitos dos que adentram os presídios
para o cumprimento de pena, mal sabem ler
ou escrever e dentro do próprio cárcere,
concluem seus estudos e adquirem seus certificados,
o que resulta de forma positiva e incentivadora,
pois muitos não tiveram na rua, esta
oportunidade.
O
efeito que a Educação pode provocar
no indivíduo recluso, já demonstrou
ser tão benéfico e fundamental,
que hoje, temos vários sentenciados,
cursando Universidades e voltando para o presídio
após as aulas, o que se torna para
muitos uma vida menos problemática
e com maiores probabilidades de recomeçar
a nova jornada, após o cumprimento
da pena.
Outros fatores de máxima valia para
a Reabilitação e o bom funcionamento
de uma Unidade, são os eventos artísticos,
os trabalhos desenvolvidos, como oficinas
culturais, laboratórios, projetos
sociais e culturais, ensinos religiosos, as
empresas que profissionalizam enquanto
também estão dando emprego,
e a arte terapia, que tem tudo para levar
a pessoa encarcerada a se reabilitar dentro
da realidade no mundo extra grades.
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