| Fazer
tal afirmação seria ignorar
que a maior parte das mulheres, que vítimas
da violência e agressão não
entraram para o crime.
O
mesmo se estede as dependentes químicas,
que estão fora dos presídios,
por não possuirem antecedentes criminais,
nem infrigido as nossas leis.
Podemos
entender é que a prisão, tanto
pela privação da liberdade,
quanto pelos abusos que ocorrem em seu interior,
na maioria das vezes, ocasionados pelas próprias
apenadas entre si, constitui mais um elo seqüencial
de múltiplas violências, que
acabam delineando a trajetória de uma
parte da população feminina.
Isto, sem entrar no mérito físico,
que trata das péssimas condições
de moradia, falta de trabalho, desestrutura
quanto ao acolhimento, enfim.
O
ciclo da violência, que se iniciava
na família e nas instituições
para crianças e adolescentes, perpetuavam-se
no casamento, desdobrava-se na antiga ação
tradicional das polícias e se completava
nas penitenciárias, nos levando a crer
que recomeçaria provavelmente, na vida
das futuras egressas (ex-reeducandas).

Buscando
chamar a atenção para a manutenção
da população prisional feminina,
que por ser muito pequena se comparada à
masculina, e que nunca mereceu uma atenção
específica. A despreocupação
de órgãos responsáveis,
e do Poder Público, se arrastou e nunca
antes, havia se voltado o olhar para a mulher
encarcerada.
Sobrando
a esta, o descaso, a discriminação
(inclusive dentro da própria comunidade,
o pouco voluntariado voltado para a mulher
reclusa...) e o abandono do Estado maior,
como elemento desumano e despreparado para
com sua prisioneira.
Até então, não se percebia
pessoas efetivamente preocupadas em compreender
ou contribuir para que a realidade pudesse
ser outra, menos indígna. Assim, os
motivos e circunstâncias em que mulheres
praticavam crimes, se limitava apenas ao interesse
de poucos, (como matéria) á
estudos e pesquisas catedráticas.
Empenho
e ajuda, dificilmente encontramos. Ajuda no
sentido de prevenir a criminalidade feminina,
ou manter e ampliar projetos específicamente
para serem direcionados as mulheres nas condições
de presas.
Esta
é uma realidade que vamos tentando
mudar, acreditando na efetivação...
É
importante estarmos fazendo junção
e parcerias, com apoio das entidades religiosas,
no sentido de incentivarmos o trabalho a educação
e a capacitação, e ampliarmos
para outros estados. Sabemos que provocamos
mudanças benéficas comprovadamente
contribuíem de forma positiva para
a reinserção social e o fim
da reincidência, no entanto, não
podemos permitir que mais mulheres ingressem
no mundo do crime, nem que retornem ao cárcere
por novo delito, ou nestes, permaneçam
de forma indígna, insalubre e sem perspectivas.
Ambiente
Carcerário
Por
inúmeras vezes, fui muito questionada
por pessoas das mais variadas áreas
profissionais e classes sociais também
diversificadas. A questão abordada:
- Se o ambiente carcerário seria apenas
um meio artificial que não permitiria
de fato reabilitar a pessoa reclusa.
Assim sendo, com uma opinião não
tanto particular, mas sempre deixando claro
ser o meu ponto de vista, fiz como faço
minhas colocações, mesmo tendo
quem discordasse e discorde, ainda é
esta minha forma de pensar, porque assim acredito.
Falo,
embasada nos trabalhos que desenvolvo, com
toda a experiência vivida e que ainda
vivo desde que passei a atuar em cárceres
com o voluntariado em 1987.
Afirmar que o ambiente carcerário é
um meio artificial que não permite
reabilitar pessoa reclusa, sob meu parecer,
não é de forma alguma uma afirmativa
que pode ser aceita.Mesmo porque, além
do fato de cada caso ser um caso isolado,
há a personalidade de cada ser humano
que se diferencia e unidades bem estruturadas.
Como Humanista e pesquisadora atuando diretamente
no sistema prisional, com funcionários,
diretorias e principalmente com reeducandos,
tenho condições de falar com
certeza sobre o Sistema Carcerário,
por total conhecimento de causa.
Assim como em todas as empresas, as instituições
familiares e os mais diversos setores da vida
há regimentos e regras para que o dia-a-dia
siga de forma organizada, tranqüila e
funcional, o que chamo de organização
operacional.
Claro
que cada seguimento, seja ele profissional,
pessoal, ideológico, enfim, existem
princípios e normas disciplinares que
mesmo diversificadas, são necessárias.
No mundo ‘entre grades’, estas
normas não são diferentes e
nem poderiam ser, pois é dentro do
ambiente carcerário que se procura
educar ou reeducar um indivíduo. Razão
até pela qual, são mantidos
regimes disciplinares rígidos e até
os mais severos,
como o RDE, o RDE e agora as Penitenciárias
Federais de Máxima Segurança.
Educação
capacitação e Reabilitação
A
Educação assim como o trabalho
é mais um aspecto fundamental para
a capacitação, profissionalização
e reabilitação da pessoa presa.
Muitos dos que adentram os presídios
para o cumprimento de pena, mal sabem ler
ou escrever e dentro do próprio cárcere,
concluem seus estudos e adquirem seus certificados,
o que resulta de forma positiva e incentivadora,
pois muitos não tiveram na rua, esta
oportunidade.
O
efeito que a Educação pode provocar
no indivíduo recluso, já
demonstrou ser tão benéfico
e fundamental, que hoje, temos vários
sentenciados, cursando Universidades e voltando
para o presídio após as aulas,
o que se torna para muitos uma vida menos
problemática e com maiores probabilidades
de recomeçar a nova jornada, após
o cumprimento da pena.
Outro fator que se destacada sendo de máxima
valia para a Reabilitação, esta
no bom funcionamento de uma Unidade, com a
integração, do todo; seja para
a realização eventos, e os trabalhos
desenvolvidos, (como oficinas culturais, laboratórios).
Pois
os projetos sociais e culturais, ensinos
religiosos, e empresas, fazem a grande diferença,
para a pessoa privada de liberdade. Já
que as empresas, oferecem emprego, e capacitam
profissionalmente. Enquanto Indubitavelmente,
a arteterapia, os projetos e a religião,
estimulam, disciplinam e moldam um ser segregado,
ofertando tudo para que a pessoa encarcerada
encontre um norte e possa se reabilitar dentro
da realidade, no mundo extra grades.
*Nota:-
Por Elizabeth Misciasci -
O texto pode ser copiado, reproduzido, acrescentado
em teses, artigos e tccs, trabalhos, pesquisas,
desde que não seja alterado, nem mudado
o teor e mencionada a autora, endereço
e fonte.

Encarceradas
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