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Criminalidade Feminina
Por: Elizabeth Misciasci      

Uma grande parte das mulheres que ingressam no sistema prisional, trazem um histórico de violência sofrida, algumas nos próprios lares, vítimas de maus-tratos ou abuso de drogas (próprio ou de familiares próximos). Obviamente que isso não significa que estas situações, possam ser consideradas como totalmente responsáveis pela criminalidade ou diretamente causadoras da entrada no sistema penal. Assim sendo, fazer tal afirmação seria ignorar que a maior parte das mulheres que vítimas da violência e agressão não entraram para o crime.

 

     

 

(O mesmo se estede as dependentes químicas, que estão fora dos presídios, por não possuirem antecedentes criminais, nem infrigido as nossas leis).

O que podemos entender é que a prisão, tanto pela privação da liberdade, quanto pelos abusos que ocorrem em seu interior, na maioria das vezes, ocasionados pelas próprias apenadas entre si, constitui mais um elo seqüencial de múltiplas violências, que acabam delineando a trajetória de uma parte da população feminina.

O ciclo da violência, que se iniciava na família e nas instituições para crianças e adolescentes, perpetuavam-se no casamento, desdobrava-se na antiga ação tradicional das polícias e se completava nas penitenciárias, nos levando a crer que recomeçaria provavelmente, na vida das futuras egressas (ex-reeducandas).


Buscando chamar a atenção para a manutenção da população prisional feminina, que por ser muito pequena se comparada à masculina, nunca mereceu uma atenção específica e isso, não falamos nem nos referindo aos órgãos responsáveis, englobamos aqui o abandono, o descaso, a discriminação dentro da própria comunidade, o pouco voluntariado voltado para as encarceradas.


Até então, não se percebia pessoas efetivamente preocupadas em compreender os motivos e circunstâncias em que mulheres praticavam crimes, e muito embora nosso empenho seja total, dificilmente encontramos ajuda no sentido de prevenir a criminalidade feminina, ou apoio para manter e ampliar o projeto, que tem por prioridade específica ser direcionado as mulheres nas condições de presas.

Esta é uma realidade que o Projeto zaP! vai tentando mudar, pois aos poucos, vamos conseguindo trazer amigos para as prisões femininas, pedindo parcerias para empresários, conquistando e os convencendo para implantação de mais oficinas de trabalhos nas unidades prisonais.

É importante a continuação de estarmos fazendo junção com as entidades religiosas, no sentido de incentivarmos mudanças, e ampliarmos para outros estados. Sabemos que provocamos mudanças benéficas que comprovadamente contribuem de forma positiva para a reinserção social e o fim da reincidência, no entanto, não podemos permitir que mais mulheres ingressem no mundo do crime, ou depois de cumprirem suas penas, retornem ao cárcere por novo delito.

Ambiente Carcerário

Por inúmeras vezes, fui muito questionada por pessoas das mais variadas áreas profissionais e classes sociais também diversificadas. A questão abordada: - Se o ambiente carcerário seria apenas um meio artificial que não permitiria de fato reabilitar a pessoa reclusa.
Assim sendo, com uma opinião não tanto particular, mas sempre deixando claro ser o meu ponto de vista, fiz como faço minhas colocações, mesmo tendo quem discordasse e discorde, ainda é esta minha forma de pensar, porque assim acredito.

Falo, embasada nos trabalhos que desenvolvo, com toda a experiência vivida e que ainda vivo desde que passei a atuar em cárceres com o voluntariado em 1987.
Afirmar que o ambiente carcerário é um meio artificial que não permite reabilitar pessoa reclusa, sob meu parecer, não é de forma alguma uma afirmativa que pode ser aceita.Mesmo porque, além do fato de cada caso ser um caso isolado, há a personalidade de cada ser humano que se diferencia e unidades bem estruturadas.


Como Humanista e pesquisadora atuando diretamente no sistema prisional, com funcionários, diretorias e principalmente com reeducandos, tenho condições de falar com certeza sobre o Sistema Carcerário, por total conhecimento de causa.
Assim como em todas as empresas, as instituições familiares e os mais diversos setores da vida há regimentos e regras para que o dia-a-dia siga de forma organizada, tranqüila e funcional, o que chamo de organização operacional.

Claro que cada seguimento, seja ele profissional, pessoal, ideológico, enfim, existem princípios e normas disciplinares que mesmo diversificadas, são necessárias. No mundo ‘entre grades’, estas normas não são diferentes e nem poderiam ser, pois é dentro do ambiente carcerário que se procura educar ou reeducar um indivíduo. Razão até pela qual, são mantidos regimes disciplinares rígidos e até os mais severos, como o RDE, o RDE e agora as Penitenciárias Federais de Máxima Segurança.

A Educação assim como o trabalho é mais um aspecto fundamental para a capacitação, profissionalização e reabilitação da pessoa presa. Muitos dos que adentram os presídios para o cumprimento de pena, mal sabem ler ou escrever e dentro do próprio cárcere, concluem seus estudos e adquirem seus certificados, o que resulta de forma positiva e incentivadora, pois muitos não tiveram na rua, esta oportunidade.

O efeito que a Educação pode provocar no indivíduo recluso, já demonstrou ser tão benéfico e fundamental, que hoje, temos vários sentenciados, cursando Universidades e voltando para o presídio após as aulas, o que se torna para muitos uma vida menos problemática e com maiores probabilidades de recomeçar a nova jornada, após o cumprimento da pena.


Outros fatores de máxima valia para a Reabilitação e o bom funcionamento de uma Unidade, são os eventos artísticos, os trabalhos desenvolvidos, como oficinas culturais, laboratórios, projetos sociais e culturais, ensinos religiosos, as empresas que profissionalizam enquanto também estão dando emprego, e a arte terapia, que tem tudo para levar a pessoa encarcerada a se reabilitar dentro da realidade no mundo extra grades.

 

 


 

 

 

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