Penitenciarias Femininas e Objeto Reabilitador
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A realização do Objeto Reabilitador não depende exclusivamente das condições materiais e Humanas das Prisões.
Por: Elizabeth Misciasci Creative Commons License


Muitos acreditam que as condições materiais e humanas das prisões impedem a realização do objeto reabilitador.

Contudo, por maior que seja a dificuldade e até mesmo a existência de“má vontade” por parte de alguns agentes, que poderiam mudar hábitos comportamentais, melhorando a qualidade educacional na relação sentenciado X funcionário, ainda assim existe o empenho de sentenciadas, das que querem ser melhores e se reabilitarem.


Condiçoes materiais e humanas nas prisões podem impedir o Objeto Reabilitador?

 

Na verdade, um estabelecimento prisional, deveria ser uma instituição que tivesse por objetivo principal a reabilitação. Óbviamente que o resultado surtiria com um percentual positivo bem maior, o que seria percebido, após o cumprimento da pena, pois o índice de reincidência também diminuiria.

 

Claro que existe toda uma escassez de recursos, e isso não é só no que diz respeito às condições materiais das prisões, mas sim na sociedade aberta como um todo. Se as condições materiais influenciassem de forma negativa, impedindo os procedimentos de reabilitação, não teríamos dentro das periferias, morros, favelas, enfim, crianças crescendo com vontade de estudar, buscando aprendizagem e educação por uma necessidade pessoal e, claro, individual, que mesmo com a barriga vazia, sem o acesso a uma TV, um computador, ou até mesmo uma revista em quadrinhos, querem melhorar, e buscam como um sonho que os tornam maduros, diante da infância já quase perdida, o de um futuro melhor.

Estas crianças ao qual me refiro, são filhos de pais e mães que vivem na maioria dos casos em condições de extrema precariedade, lutando com ‘um nada de recursos’, mais lutam com “este nada” e inculca em suas proles, a necessidade de procurarem uma vida mais digna, tudo dentro de padrões de honestidade.

Isso se chama ‘valores’ e é desta forma que muitos saem de lugares paupérrimos e transformam-se em homens íntegros e grandes profissionais, pois a orientação, os princípios e a direção que se dá a estas crianças, não chegam pelas condições materiais da família, mais sim, através da postura dos pais que, repassam por diálogos, constates dentro de cobranças disciplinares exigentes aos filhos educando-os.

Objeto Reabilitador e Dificuldades


Algumas unidades prisionais possuem condições materiais inimagináveis, (não que estruturas sejam padronizadas, pois tudo varia muito de unidades para unidades) e que chegam às vezes, a serem muito mais "estruturadas do que se possa presumir" permitindo que reeducandos (as) vivam, se alimentem, aprendam, trabalhem, e mantenham uma permanência carcerária muito melhor do que seres que nada mais tem na vida, do que um jornal e um viaduto como morada, não garante a Reabilitação.

E isso sem ser repetitiva e retornar a dar como exemplo os subúrbios, periferias, favelas, de onde saem pessoas brilhantes, íntegras, trabalhadoras e que fazem das dificuldades, combustíveis para mudar realidades não só de si e dos seus, mais de outros também. Assim sendo, se isso é fato e real, -por que alguém que passa um período em um presídio, as vezes, não consegue se reabilitar, já que neste caso específico, as condições materiais são totalmente voltadas a este propósito?


Embora algumas Penitenciárias não tenham as mesmas estruturas ou desenvolvam os mesmos trabalhos de reabilitação, com esmero e boa vontade, foi-se o tempo em que aprisionar e deixar apenas a pessoa condenada contar os dias, era tudo o que o sistema permitia, e esperamos que não haja uma regressão neste aspecto, pois isolar o apenado, apenas aplicando a pena, realmente não ira recuperar ninguém, contrariamente, tornar-se-á sim uma nova Universidade, que ensinará aos que cometeram determinado delito a “arte de cometer delitos diferentes”.

Evidente, que são muitas as necessidades ainda, porém cada vez mais se busca ressocializar, para que a pessoa na condição de presa, possa no final do cumprimento de sua pena voltar para a sociedade e se reintegrar sem reincidir.

Foto: Por Elizabeth Misciasci


Assim sendo, Reabilitar é uma necessária realidade que se busca de fato, e não tão somente uma forma de pregar aquilo que não se exerce para destacar diretores, profissionais responsáveis e secretárias, a fim de buscar holofotes e se expor com frases prontas, promessas descabidas e sorrisos forçados diante da sociedade.

Há muitos feitos e reeducandos que se reeducaram, provando que a reabilitação é completamente possível sim, e esta depende acima de tudo da Boa Vontade e de uma assistência que pode vir da própria comunidade.

Como sempre digo nada pode ser generalizado, e a este quesito, muitas respostas podem ser dadas, algumas com total coerência de justificativa e outras, sem nenhuma credibilidade.
Infelizmente, uns nasceram pra viver no mundo do crime, pois deste fazem parte e é algo irreversível, no entanto, há outros casos, (sendo estes a maioria) onde não se encontra a oportunidade ou a “tão necessária” credibilidade de se mostrar que mudanças satisfatórias ocorreram e, que a proposta de futuro destes egressos, inclui uma nova vida.

O que faz o objeto reabilitador surtir resultados positivos, vai muito além das condições materiais em que permanecem enquanto detidos, inicia-se primeiro de uma orientação, depois da vontade espontânea de querer mudar, e daí em diante, do incentivo e preparo para lidar com a vida extra grades, do apoio de quem acredita no R da Reabilitação e da forma que pagou por seus erros.


Pois uma coisa é certa, a escassez humana não esta apenas na falta de uma alimentação adequada, ou menos "pior" nem no uniforme amarelo (homem) laranja (mulheres), ou bege para toda a massa carcerária. A escassez, esta principalmente na aproximação familiar, e na falta desta, no apoio dos profissionais e voluntários que entendem particularmente as dificuldades de cada um, não se atentando ao delito cometido, nem julgando e condenando duplamente quem já foi sentenciado, cumpriu sua pena por aquilo que estava sendo acusado.


Agora, a escassez da condição humana, não esta no número de funcionários que atuam nos Presídios, mas sim na forma como exercem suas funções, nas propostas dos trabalhos desenvolvidos, na profissionalização que é dada a estes trabalhos.

É irrelevante falar de escassez em se tratando do quadro de agentes, porque o que vale para resgatar a identidade social de um ser humano, não esta no quesito quantidade e sim qualidade mais boa vontade.

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