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Na
verdade, um estabelecimento prisional, deveria
ser uma instituição que tivesse
por objetivo principal a reabilitação.
Óbviamente que o resultado surtiria
com um percentual positivo bem maior, o que
seria percebido, após o cumprimento
da pena, pois o índice de reincidência
também diminuiria.
Claro
que existe toda uma escassez de recursos,
e isso não é só no que
diz respeito às condições
materiais das prisões, mas sim na sociedade
aberta como um todo. Se as condições
materiais influenciassem de forma negativa,
impedindo os procedimentos de reabilitação,
não teríamos dentro das periferias,
morros, favelas, enfim, crianças crescendo
com vontade de estudar, buscando aprendizagem
e educação por uma necessidade
pessoal e, claro, individual, que mesmo com
a barriga vazia, sem o acesso a uma TV, um
computador, ou até mesmo uma revista
em quadrinhos, querem melhorar, e buscam como
um sonho que os tornam maduros, diante da
infância já quase perdida, o
de um futuro melhor.
Estas
crianças ao qual me refiro, são
filhos de pais e mães que vivem na
maioria dos casos em condições
de extrema precariedade, lutando com ‘um
nada de recursos’, mais lutam com “este
nada” e inculca em suas proles, a necessidade
de procurarem uma vida mais digna, tudo dentro
de padrões de honestidade.
Isso
se chama ‘valores’ e é
desta forma que muitos saem de lugares paupérrimos
e transformam-se em homens íntegros
e grandes profissionais, pois a orientação,
os princípios e a direção
que se dá a estas crianças,
não chegam pelas condições
materiais da família, mais sim, através
da postura dos pais que, repassam por diálogos,
constates dentro de cobranças disciplinares
exigentes aos filhos educando-os.

Algumas unidades prisionais possuem condições
materiais inimagináveis, (não
que estruturas sejam padronizadas, pois tudo
varia muito de unidades para unidades) e que
chegam às vezes, a serem muito mais
"estruturadas do que se possa presumir"
permitindo que reeducandos (as) vivam, se
alimentem, aprendam, trabalhem, e mantenham
uma permanência carcerária muito
melhor do que seres que nada mais tem na vida,
do que um jornal e um viaduto como morada,
não garante a Reabilitação.
E
isso sem ser repetitiva e retornar a dar como
exemplo os subúrbios, periferias, favelas,
de onde saem pessoas brilhantes, íntegras,
trabalhadoras e que fazem das dificuldades,
combustíveis para mudar realidades
não só de si e dos seus, mais
de outros também. Assim sendo, se isso
é fato e real, -por que alguém
que passa um período em um presídio,
as vezes, não consegue se reabilitar,
já que neste caso específico,
as condições materiais são
totalmente voltadas a este propósito?
Embora algumas Penitenciárias não
tenham as mesmas estruturas ou desenvolvam
os mesmos trabalhos de reabilitação,
com esmero e boa vontade, foi-se o tempo em
que aprisionar e deixar apenas a pessoa condenada
contar os dias, era tudo o que o sistema permitia,
e esperamos que não haja uma regressão
neste aspecto, pois isolar o apenado, apenas
aplicando a pena, realmente não ira
recuperar ninguém, contrariamente,
tornar-se-á sim uma nova Universidade,
que ensinará aos que cometeram determinado
delito a “arte de cometer delitos diferentes”.
Evidente,
que são muitas as necessidades ainda,
porém cada vez mais se busca ressocializar,
para que a pessoa na condição
de presa, possa no final do cumprimento de
sua pena voltar para a sociedade e se reintegrar
sem reincidir.

Assim sendo, Reabilitar é uma necessária
realidade que se busca de fato, e não
tão somente uma forma de pregar aquilo
que não se exerce para destacar diretores,
profissionais responsáveis e secretárias,
a fim de buscar holofotes e se expor com frases
prontas, promessas descabidas e sorrisos forçados
diante da sociedade.
Há
muitos feitos e reeducandos que se reeducaram,
provando que a reabilitação
é completamente possível sim,
e esta depende acima de tudo da Boa Vontade
e de uma assistência que pode vir da
própria comunidade.
Como
sempre digo nada pode ser generalizado, e
a este quesito, muitas respostas podem ser
dadas, algumas com total coerência de
justificativa e outras, sem nenhuma credibilidade.
Infelizmente, uns nasceram pra viver no mundo
do crime, pois deste fazem parte e é
algo irreversível, no entanto, há
outros casos, (sendo estes a maioria) onde
não se encontra a oportunidade ou a
“tão necessária”
credibilidade de se mostrar que mudanças
satisfatórias ocorreram e, que a proposta
de futuro destes egressos, inclui uma nova
vida.
O
que faz o objeto reabilitador surtir resultados
positivos, vai muito além das condições
materiais em que permanecem enquanto detidos,
inicia-se primeiro de uma orientação,
depois da vontade espontânea de querer
mudar, e daí em diante, do incentivo
e preparo para lidar com a vida extra grades,
do apoio de quem acredita no R da Reabilitação
e da forma que pagou por seus erros.
Pois uma coisa é certa, a escassez
humana não esta apenas na falta de
uma alimentação adequada, ou
menos "pior" nem no uniforme amarelo
(homem) laranja (mulheres), ou bege para toda
a massa carcerária. A escassez, esta
principalmente na aproximação
familiar, e na falta desta, no apoio dos profissionais
e voluntários que entendem particularmente
as dificuldades de cada um, não se
atentando ao delito cometido, nem julgando
e condenando duplamente quem já foi
sentenciado, cumpriu sua pena por aquilo que
estava sendo acusado.
Agora, a escassez da condição
humana, não esta no número de
funcionários que atuam nos Presídios,
mas sim na forma como exercem suas funções,
nas propostas dos trabalhos desenvolvidos,
na profissionalização que é
dada a estes trabalhos.
É irrelevante falar de escassez em
se tratando do quadro de agentes, porque o
que vale para resgatar a identidade social
de um ser humano, não esta no quesito
quantidade e sim qualidade mais boa vontade.
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sobrevivência e a Vidas nas prisões
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