O que se quer saber "em outras
palavras" é se a prisão
recupera alguém, ou serve apenas para
"doutorar" quem realmente é
do crime, diplomando quem não é,
em mais um "sêr da criminalidade"...
Assim
sendo, com uma opinião não tanto
particular, mas sempre deixando claro que
o meu ponto de vista, se faz pela ótica
de centenas de mulheres que estão ou
estiveram aprisionadas e que avaliadas, me
permite colocações.
Falo,
embasada nos trabalhos que desenvolvo, com
toda a experiência vivida e que ainda
vivo desde que passei a atuar em cárceres
com o voluntariado em 1987.
Afirmar que o ambiente carcerário é
um meio artificial que não permite
reabilitar pessoa reclusa, sob meu parecer,
não é de todo uma afirmativa
que pode ser aceita, uma vez que a Mulher,
esta sempre predisposta a recomeçar
de forma lícita, se colocando quase
sempre na disposição de reabilitada.
E isso, mesmo permanecendo enquanto pessoa
presa, sob ambiente cruelmente inapropriado.
Qualquer
temática, que envolva o sistema prisional,
em especial o feminino, signifíca acima
de tudo, excluir os rótulos que possam
vir a generalizá-la, respeitando sempre,
o perfil e a pessoa, como elementos individuais.
Óbvio
que a precariedade do sistema, não
contribui para o objeto reabilitador como
deveria, contudo, minimizá-lo, pode
ser um erro. Não podemos deixar de
frisar, que o Brasil é um País
de culturas diferenciadas e regiões
diversificadas.
Portanto,
há programas e projetos, que não
servem para determinadas encarceradas, mas,
contudo, pode ser de grande valia á
outras.
Claro
que a miséria, a falta de investimentos,
o descaso e o abandono para com a Mulher na
condição de presa é assunto
real que precisa ser mudado no todo, para
alcançar a massa carcerária
feminina e tantas dificuldades. Porém,
não se pode esquecer, que as que já
passaram pelo Sistema, enfrentaram os mesmo
problemas e conseguiram se reabilitar. Desmerecer
ou invalidar é apagar vidas e sobreviventes,
que ás custas de "duras penas"
tornaram-se bem sucedidas.
Assim como em todas as empresas, as instituições
familiares e os mais diversos setores da vida
há regimentos e regras para que o dia-a-dia
siga de forma organizada, tranqüila e
funcional, o que chamo de organização
operacional. Claro que cada seguimento, seja
ele profissional, pessoal, ideológico,
enfim, existem princípios e normas
disciplinares que mesmo diversificadas, são
necessárias. No mundo ‘entre
grades’, estas normas não são
diferentes e nem poderiam ser, pois é
(ou pelo menos tenta-se) dentro do ambiente
carcerário que se procura educar ou
reeducar um indivíduo.
Sabemos
que nem todos que atuam dentro do sistema,
trabalham com objetivo de reabilitar, aliás,
há os que nem acreditam nesta, e que
atuam pela necessidade do emprego.
Embora possa parecer "artificial"
a disciplina é um dos princípios
praticados dentro das unidades que fortalece
o processo de reabilitação sim,
pois impõe regras, limites e exigências
que vão moldando os que não
sabem conviver em comunidade, isso, falando
dos que aplicam as normas disciplinares com
total boa vontade e preparo para função.
Além da disciplina, deve existir sempre
como prioridade, a grande preocupação
com a condição psicológica
da pessoa na condição de presa,
pois a forma como esta recebe sua condenação,
nem sempre faz jus ao delito. Não que
o Poder Judiciário seja totalmente
injusto, nem se trata disso, é que
na falta de defensores, (o que se dá
na maioria dos casos) muitas penas são
aplicadas com rigor, o que seria diferente
se não fosse pela ausência do
direito constitucionalmente garantido da defesa
ampla e plena.
O acompanhamento psicológico, além
de atender as necessidades conflitantes de
muitos apenados, ainda busca tratar da parte
emocional a fim de que este não provoque
por revolta, atritos que possam lesar outro
sentenciado e principalmente a si próprio.
Este acompanhamento leva o apenado a refletir
sobre seu delito, fazendo entender que existe
uma obrigação moral, que já
se perdeu no momento do crime ser consumado
e receber uma sanção punitiva,
com a restrição da liberdade
é a forma às vezes até
mais amena de se pagar por erros cometidos;
esclarecendo que de nada ira adiantar entrar
em estado de conflito, uma vez que até
que a judiciária da unidade (para os
que não possuem advogados particulares)
possa analisar processo e impetrar um recurso,
se for possível.
O
fato de estar diante de um profissional preparado
para cuidar desta pessoa, inconscientemente
vai mostrando o quanto é importante
à preocupação com "o
outro" valores estes que muitos só
passam a reconhecer quando estão em
condições semelhantes e recebem
orientação.
A Educação assim como o trabalho
é mais um aspecto fundamental para
a capacitação, profissionalização
e reabilitação da pessoa presa,
pois muitos dos que adentram os presídios
para o cumprimento de pena, mal sabem ler
ou escrever ou têm profissão.
Assim
sendo dentro do próprio cárcere,
concluem seus estudos e adquirem seus certificados,
o que resulta de forma positiva e incentivadora,
pois muitos não tiveram na rua, esta
oportunidade.
O efeito que a Educação pode
provocar no indivíduo recluso, já
demonstrou ser tão benéfico
e fundamental, que hoje, temos vários
sentenciados, cursando Universidades e voltando
para o presídio após as aulas,
o que se torna para muitos uma vida menos
problemática e com maiores probabilidades
de recomeçar a nova jornada, após
o cumprimento da pena.

Ressaltando
que as oficinas de trabalho, além de
promover a remissão de pena (cada três
dias trabalhados, abate um dia de pena), garantir
(para uma minoria, pois as dificuldades de
emprego nos cárceres é gritante)
um salário referência no mes,
também qualifica e profissionaliza
muitos.

Outros fatores valiosos para a Reabilitação
e o bom funcionamento de uma Unidade, são
os eventos artísticos, os trabalhos
desenvolvidos, como oficinas culturais, laboratórios,
projetos culturais, ensinos religiosos, e
as empresas que profissionalizam enquanto
também estão dando emprego,
e a arte terapia, que tem tudo para levar
a pessoa encarcerada a se reabilitar dentro
da realidade no mundo extra grades.
Embora,
nossa realidade quanto as políticas
prisionais femininas sejam extremamente
precárias e estejam muito além
do mínimo que se necessita, ainda assim,
depende muito mais da pessoa encarcerada,
do que do ambiente carcerário sua reabilitação.
Pois certo é, que se esta, não
tiver vontade de se ressocializar (recuperar)
não haverá ambiente que possa
reabilitá-la.

Reabilitação,
Penitenciárias, Encarceradas
by
Elizabeth
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