Mesmo
com as Embaixadas e Consulados, que buscam
atender as mulheres estrangeiras, a situação
é um tanto quanto complexa, pois cada
consulado tem uma metodologia com recursos
diferenciados, que nem sempre tratam as sentenciadas
como deveriam.
Uma
vez efetuada a prisão, que normalmente
é executada pela Policia Federal, a
estrangeira é julgada e, se condenada
segue para um presídio feminino onde
cumprira sua pena. As dificuldades são
crescentes, já quando adentram os cárceres,
porque as próprias estrangeiras, logo
no início, subestimam o sistema e as
demais internas, conhecidas como “gringas”.
Estas
estrangeiras, na maioria das vezes, evitam
contatos, buscam formar vínculos com
outras estrangeiras e querem “dominar”
a unidade prisional por terem uma noção
minimizada sobre o nosso País. Isso,
somado a dificuldade de compreensão
entre os diversos idiomas e o desconhecimento
da massa carcerária em relação
à linguagem, vai dificultando ainda,
mais a comunicação, partindo-se
do princípio que os agentes de seguranças
não são (em sua maioria) preparados,
ou conhecedores de línguas estrangeiras.
Esta falta de preparo implica não só
no relacionamento das reeducandas comuns com
as gringas, mas, principalmente no aprendizado
destas estrangeiras, que aprendem o nosso
idioma com as próprias parceiras de
cela, (isso quando elas permitem o acesso)
e as ensinam como sabem, de forma limitada
e “carregada” no dialeto usado
pela maioria da população carcerária
que é a gíria.
A presença de membros de alguns consulados
é constante, e em alguns casos, o (a)s
interno (a)s estrangeiro (a)s recebem até
mesmo uma ajuda para se manterem no cárcere,
mas não é via de regra, pois
o efetivo dos consulados tornam-se ineficazes
diante da demanda de homens e mulheres estrangeiros
presos no Brasil.
Há também, aquelas que vivem
praticamente sem assistência de qualquer
Consulado, e sem apoio de representantes de
seus países, distantes dos familiares,
o cumprimento da sanção penal
imposta fica mais árduo, e até
injusto, pois falta a estas mulheres o direito
a ampla e plena a defesa. Constantemente presenciamos
casos de erros que só com a presença
de um defensor, pode ser sanado, mas nem todas
que estão no Brasil, conseguem um advogado.
O Comportamento de milhares de gringas, só
se altera, em longo prazo, talvez, seja no
exato momento em que tomam ciência que
foram condenadas; aí sim, elas passam
a entender que há normas que devem
ser respeitadas e que estão de fato
e por Direito presas por infringir nossas
leis. Uma das razões lamentavelmente,
que as transformam em pessoas mais humildes,
permitindo a aproximação das
demais e deixando de desrespeitar o tão
exigido “proceder” que são
as Leis internas, dos próprios apenados,
que regem dentro das muralhas. É também
este um dos fatores que levam muitas a depressão,
pois após tomarem conhecimento da sentença
proferida, passam a entender que o Brasil,
não é “terra que tudo
pode e nada acontece”.
Muitas
chegam ao adentrar o cárcere a afirmar
com veemência que o nosso País
é subdesenvolvido, que aqui é
fácil entrar e sair com o que quiser
e comparando com seus Países de origem,
“satirizam” das nossas leis...
Quando descobrem que o conceito mantido, além
de equivocado afrontava as demais que pacientemente
“as aturavam” começa o
processo de desespero e busca de ajuda.
A falta de perspectiva, o medo da falta de
liberdade e a dificuldade na comunicação,
levam muitos ao consumo de drogas, dificultando
assim a reabilitação!
Temos um exemplo um tanto pouco recente, o
de uma estrangeira que convidada por uma revista
masculina, pousou dentro de um Presídio,
não sabendo ao certo, qual era a finalidade
das imagens, mas, sabia que receberia algum
dinheiro e por necessitar do “cachê”,
e pela “maldosa imposição”
na ocasião da diretoria, efetuou o
trabalho, que repercutiu de forma desastrosa...
A situação das estrangeiras
se agrava ainda mais, quando conseguem um
beneficio quase que impossível, como
a liberdade condicional.
Sem endereço fixo no País, sem
proposta de empregos, sem abrigo, sem comida,
enfim, esta reeducanda se vê solitária
e prefere cumprir sua pena de "ponta".
Sonhando com o regresso a sua terra natal,
buscam um meio de subsistência e assim
conseguir o dinheiro para a aquisição
de seu bilhete aéreo, já que
o consulado não tem facilidade para
ofertar esta ajuda. Muitas entram em total
desespero, por já terem cumprido suas
penas e sem a mínima condição
para que possam retornar ao seu lar, ou até
mesmo permanecerem no Brasil, dando "sorte",
quando encontram em voluntários ajuda
necessária.
Restando apenas para estas mulheres o apoio
destes voluntários, que são
integrantes de Projetos que não fazem
parte do Governo como as igrejas e o Projeto
zaP! Os membros de igrejas evangélicas,
ajudam também e muito, se não
se faz mais é por falta de apoio e
recursos, tornando as ajudas limitadas e em
ações isoladas.
- “É triste estar livre e
não conseguir voltar para casa”.
Principalmente se for como meu caso, todos
sabiam... Era de notória inocência...
A passagem é cara, meu passaporte desapareceu
durante os anos em que eu estava presa e agora
para tirar outro tenho que pagar uma taxa
de aproximadamente de $ 360,00 (trezentos
e sessenta reais).
-Não tenho este dinheiro... É
tudo muito difícil!
Deus colocou o projeto zaP! Em minha vida,
enquanto aqui permaneço, tenho casa,
cama para dormir e comida. Devo ao zaP! “Se
este projeto não existisse, eu estaria
na rua, ou de volta a cadeia.”
Desabafa uma das egressas que faz parte das
mulheres que o projeto zaP sempre deu assistência.
Um documentário produzido pela idealizadora
e Presidente do projeto zaP, com apoio de
algumas sentenciadas e egressas de todo o
Brasil, já esta sendo aclamado na Espanha,
Inglaterra e sendo esperado em outros paises
da Europa, América do Norte e América
Latina como, por exemplo, no Chile.
“-Sei que tudo o que for feito com amor
sempre dará certo, mesmo que tarde,
não falhará. Claro que nosso
lema é não desistir jamais do
que de fato amamos e queremos, e com o documentário
que retrata a realidade das estrangeiras nos
cárceres Brasileiros, desde a sua inclusão
no sistema carcerário até a
sua reinserção Social, já
é um sucesso. Cotado até para
premiações no exterior, novos
projetos, também estão nas listas
de realizações, como o Núcleos
de Estrangeiras que apresentarão fatos
que podem mudar esta dura realidade e este,
devidamente registrado nas formas da lei.
Só esperamos que a entrada de estrangeiros
em nosso País, seja com outro objetivo,
não mais o de delinqüir e afirmar
que o Brasil é território que
tudo pode e nada acontece...”.
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