
Obra
Literária Presídio
de Mulheres
Recebi
o rascunho do livro em
30 de novembro de 2000,
data do centenário
da morte do escritor Oscar
Wilde, que teve a vida
marcada pelo período
em que permaneceu preso,
condenado pela prática
de homossexualismo, denunciado
por seu próprio
pai. Da experiência
do cárcere o escritor
extraiu a lição
de que a “cadeia”,
no seu sentido de castigo
pela restrição
de liberdade, começa
quando o preso sai detrás
das grades; a pena tem
inicio quando a “liberdade”
é novamente conquistada.
Assim eram séculos
atrás e continua
sendo ainda hoje, porque
apesar da evolução
dos tempos e das grandes
transformações
pelas quais o mundo já
passou, a prisão
deixa marcas indeléveis
e ainda continua sendo
apenas e exclusivamente
um castigo, muito longe
do objetivo educativo
e de recondução
do preso ã vida
em sociedade.
Deste
modo é que “Presídio
de Mulheres” retrata
a experiência de
algumas mulheres na prisão
e fora dela, conduzindo
o leitor, em várias
oportunidades, a refletir
sobre a infinidade de
motivos que podem levar
alguém à
criminalidade e os motivos
pelos quais a maioria
dos presos em geral não
alcança o objetivo
da ressocialização.
Em muitos momentos a realidade
mostra que parece haver
uma busca na vida do crime
de algo que não
foi encontrado na vida
que normalmente julgamos
“normais”.
A
obra é apenas um
relato; não tem
a pretensão de
acusar, defender e tampouco
julgar as protagonistas
ou o sistema penitenciário.
Atrai a atenção
e chega à “prender”
o leitor simplesmente
por conter histórias
reais que muitos não
imaginam ser possível
existir, como o primeiro
relato, chocante e impressionante
pelos aspectos pessoal,
familiar e penal que resultaram
na personalidade da sua
personagem principal.
O
momento atual é
especialmente propício
para a leitura de Presídio
de Mulheres, pois é
possível verificar
que muito há de
ser feito ao mesmo tempo
em que se constata que
dentre o muito a maioria
são medidas simples,
mas eficazes para a proteção
da sociedade e cura da
delinqüência.
Não é difícil
notar que as figuras do
pai e da mãe representam
papel fundamental na formação
do ser humano e por isso
é que somente a
partir do amparo à
família será
possível iniciar
o processo de recuperação
de nossa sociedade.
“Presídio
de Mulheres” é
um conjunto de relatos
verdadeiros em que cada
leitor certamente irá
julgar cada uma das personagens
principais segundo seus
critérios e experiências
individuais. De qualquer
modo, seja conduzindo
o leitor a julgar a protagonista
ou apenas levando-o a
ler a história,
a obra certamente terá
atingido o seu objetivo
de se não levar
à reflexão
do papel que cada um representa
na sociedade, no mínimo
retratar uma realidade
que já se tornou
há muito tempo
impossível de ser
ignorada.
Finalmente,
tenho apenas a parabenizar
as autoras pela iniciativa
que resultou em “Presídio
de Mulheres” e agradecê-las
pela honra que me foi
proporcionada por ter
sido escolhida para apresentar
esta obra e de algum modo
contribuir para levar
a realidade ao conhecimento
de todos aqueles que puderem
desfrutar do prazer desta
leitura e assim contribuir
na busca de soluções
dos problemas que afligem
nossa sociedade.
“Christina
Pereira Gonçalves
Silva (Advogada)”
BRASIL-2000

