As
mulheres que participaram
de movimentos políticos
e revoluções,
não concordando
com a repressão,
guerreando, lutando contra
as injustiças e
por causas sociais, entraram
para a história
pelo espírito de
liderança e perseverança,
porém, todas foram
severamente punidas. Muitas
mulheres no Mundo todo
foram presas, martirizadas,
e na maioria das vezes,
pagaram pelos atos de
bravura e coragem, com
a vida. Conforme se pode
ler, um pouco sobre as
vidas destas grandes mulheres,
que pela repressão,
foram levadas para os
cárceres.
Em
1231, surge o Tribunal
da Inquisição.
Joanna
d’Arc- 1431
Heroína
Francesa que se tornou
santa. Liderou as tropas
de seu País na
“Guerra dos Cem
Anos” “guiada
por vozes divinas”.
Ajudou o exército
Francês à
Vitória contra
os ingleses. Em 1430 foi
presa vendida pelos borgulhões
e entregue aos ingleses.
Acusada de heresia pelo
Tribunal eclesiástico,
é condenada a morrer
aos 19 anos de idade,
queimada como herege pelos
Ingleses.
Felipa de Souza
Portuguesa
que veio morar no Brasil,
onde há 410 anos,
em 24 de janeiro de 1592,
foi condenada pela Inquisição
por lesbianismo.
Vivia em Salvador (BA),
quando, em 1591, com 35
anos, ocorreu à
primeira visitação
do Tribunal do Santo Ofício.
Era alfabetizada, costureira
e apesar de casada com
um padeiro, mantinha relações
duradouras com outras
mulheres. Sofreu severas
punições
após ter confessado
sentir "grande amor
e afeição
carnal" por suas
companheiras. Segundo
os registros da época,
foi a mulher mais humilhada
e castigada da colônia.
Teve
pelo seu comportamento
e ocupação,
denunciadas pela inquisição
e expressões religiosas
no século XVI.
Condenada pela Inquisição
por lesbianismo.
Mesmo
casada, ao ser denunciada
e presa, confessou seus
casos amorosos com várias
mulheres. Foi punida,
recebendo a pena de açoite
público.
Seu
nome foi atribuído
ao principal prêmio
Internacional dos Direitos
Humanos dos homossexuais,
o "Felipa de Souza
Award"
Já
por volta de 1780, a mulher
também começou
a sofrer prisões
e represálias,
caracterizando crime sua
participação
em manifestações
Revolucionárias,
muitas foram as grandes
mulheres que participaram
das reformas e revoluções
na Europa e nas Américas
nesse período.
Teresa
de Méricourt- a
“Amazona da Revolução”-1789
Andava
a cavalo ás vezes
com o busto descoberto,
e liderou várias
manifestações
revolucionárias
de mulheres. Em 05 de
outubro de 1789, esteve
à frente da marcha
popular de Versalhes,
com cerca de quinze mil
pessoas, sendo a maioria
mulheres. “-É
Pão que nos falta,
e não Leis”.
–gritava ela.
Tereza
foi atacada e humilhada
por causa de seus costumes
livres. Terminou seus
dias em 1817, na penumbra
da loucura.
Olympe de Gouges-
1793 França
Olympe
de Gouges, foi julgada,
condenada á morte
e guilhotinada em 03 de
março de 1793,
por “ter querido
ser um homem de estado
e ter se esquecido as
virtudes próprias
do seu sexo”. Seu
crime maior foi caracterizado
pela não aceitação
de viver em estado de
dependência, não
se sujeitando ser objeto
de subordinação
e submissão.
Eva
Maria do Bonsucesso-1811
Eva
Maria do Bonsucesso vendia
couves e bananas na calçada
da antiga rua da Misericórdia,
na cidade do Rio de Janeiro.
Dia 16 de julho de 1811
uma cabra, tangida por
um escravo, abocanhou
um maço de couves
e uma penca de bananas
do tabuleiro. Diante deste
episódio, houve
um desentendimento com
um homem, que a esbofeteou
e ela reagiu, a questão
foi parar na justiça.
Bárbara
de Alencar – 1817
Por
ser mulher e nordestina,
a grande heroína
brasileira Bárbara
de Alencar se encontra
esquecida na História
Oficial. Mas foi um dos
libertários que
em 1817 retomaram a luta
pela Independência,
pela qual já tinha
morrido Tiradentes. Conspirou
em sua fazenda do Crato,
articulado com os padres
do seminário de
Olinda – verdadeiro
celeiro de revolucionários.
Na
longa luta que se chamou
Confederação
do Equador e que incendiou
os estados nordestinos,
ela empenhou toda a sua
vida, perdeu todos os
seus bens e viu morrer
dois dos seus filhos,
Carlos de Alencar e Tristão
Gonçalves de Alencar
Araripe.
Em
meio ao pátio do
Forte de Nossa Senhora
da Assunção,
sede do comando da 10ª
Região Militar,
um porão com grades
e placas em homenagem
a primeira mulher presa
política no Brasil.
Bárbara Pereira
de Alencar, por ter liderado
o movimento que proclamou
a República no
Crato, em 1817 (cinco
anos antes da Independência
do Brasil), acabou sendo
presa naquele município
e em seguida teria sido
confinada no calabouço
do Forte, em Fortaleza.
Este
nome de rua em Fortaleza
é uma espécie
de Spartacus do nordeste,
tendo sido amarrado num
pereiro depois de morto
e deixado ao relento por
oito dias para servir
de exemplo aos independentistas.
Presa,
humilhada, com a família
dispersa, Bárbara
de Alencar nunca desanimou
e lutou até a morte.
José
de Alencar, neto de Bárbara.
Já
por volta do ano de 1839,
era decretado que a mulher
acusada de adultério,
também seria considerada
prostituta e ser prostituta,
era definitivamente ser
uma “criminosa Nata!”.
Ana
Campista- Século
18
Acusada
de adultério foi
enviada para o Recolhimento
de Nossa Senhora do Bom
Parto (RJ), fundado originalmente
para abrigar prostitutas
em busca de recuperação
espiritual, e que passou
a servir de abrigo para
mulheres abandonadas por
seus maridos. Não
se conformando com esta
situação.
Ana provocou um incêndio
e fugiu.
Emma
Goldman -1887
Nasceu em 27 de junho
de 1868 na Rússia.
Em 1882, onde se tornou
operária influenciada
pelo movimento intelectual
russo, quando emigrou
pra os Estados Unidos
acompanhou as lutas operárias
pelas 8 horas de trabalho
que em 11 de novembro
de 1887 provocaram o enforcamento
dos quatro militantes
anarquistas de Chicago.
Emma
se tornou uma das principais
anarquistas dos Estados
Unidos e em Nova York
iniciou sua atividade
militante sendo presa
por inúmeras vezes.
Foi uma grande oradora
e fundou a importante
revista libertária
Mother Earth. Depois de
ser expulsa com Berkman
e mais duzentos revolucionários
e de deixar o seu país
por não concordar
com a repressão
comunista, passou a percorrer
vários países
lutando pela causa operária,
pelos direitos da mulher
e pelo amor livre.Escreveu
vários livros como
Living My Life, Anarchism
and Other Essays, Puritanismo
e Outros Ensaios.
Por
volta de 1900, com a prosperidade
oriunda do café,
que promoveu a intensificação
do comércio e a
abertura de indústrias,
muitas mulheres passaram
a deixar o campo e a dedicar-se
ao serviço urbano.
Mas o recato tinha que
ser preservado, independente
da classe social.
A
opressão capitalista,
chega a atingir a mulher
inteligente que mesmo
martirizada, vai se tornando
cada vez mais atuante
e revolucionária.
Rosa Luxemburg-1905
Rosa
Luxemburg nasceu em 5
de março em Zamosc,
Polônia, na área
controlada pelo Império
da Rússia. Posteriormente
seguiu para Varsóvia,
aonde foi educada e tornou-se
ativista política.
Em 1889, fugindo de perseguições
políticas e um
mandado de prisão,
ela escapa da Polônia.
Em 1898 ela migra para
a Alemanha e se junta
ao Partido Social-Democrata
Alemão, posteriormente
naturalizando-se alemã.
Em 1905 Rosa Luxemburgo
retorna à Polônia
para participar de uma
insurreição
contra os czares, sendo
depois presa por suas
atividades.
NOTA:
Rosa Luxemburg é
o exemplo da mulher Marxista
e intelectualizada, mártirizada
pela opressão capitalista,
Rosa é o exemplo
da mulher inteligente
e revolucionária.
A mulher modelo.
Patrícia
Rehder Galvão –
Pagu- 1931
Segundo
Geraldo Ferraz, a primeira
mulher presa, no Brasil,
por motivos políticos.
Na sua "volta ao
mundo", Pagu foi
ao Japão, Estados
Unidos, Polônia,
China, França e
Rússia. E suas
viagens renderam frutos,
pois acabou sendo a primeira
repórter latino-americana
a presenciar a coroação
do Imperador de Manchúria
(China). Através
deste evento que ela obteve
as primeiras sementes
de soja para serem plantadas
no Brasil.
Em
34, após sua ida
à Rússia,
Pagu começou a
ficar decepcionada com
o comunismo e constatou
que os ideais não
batiam com a realidade
daquele país. Sua
análise de Moscou
foi: "Gente pobre
nas ruas e luxo para os
burocratas". Logo
em seguida vai a Paris,
estuda na universidade
de Soborne, mas acaba
presa como comunista,
sendo obrigada a voltar
para o Brasil.
Pagu,
uma vez mais, foi trancafiada
atrás das grades.
Desta vez, por um período
de cinco anos.
Seu
regresso ao cárcere
brasileiro, Pagu sofre
bárbaras torturas.
Em
1940, ao sair da cadeia,
rompeu definitivamente
com o PCB, mergulhando
numa crise existencial.
“O luar! Há
duzentos anos não
vejo o luar”, escreve
numa das crônicas
que assina sob o pseudônimo
de Ariel (1942), avisando
que se sente gasta e cansada,
embora disposta a prosseguir
“a luta dos náufragos
no alto mar”. Nesta
fase, sua principal ocupação
é combater, consigo
mesma, contra a desistência.
Nise
da Silveira- Presa em
1935
Nise
da Silveira nasceu em
1906, em Maceió.
Foi a única mulher,
entre os 156 alunos da
Faculdade de Medicina
da Bahia, que se graduou
em 1926. Em 1927 seu pai
morreu, a mãe mudou-se
para a casa do pai, e
Nise, decidida como sempre,
pegou um navio para o
Rio de Janeiro. Começou
sua carreira em psiquiatria
no hospital que na época
era popularmente chamado
de hospício da
Praia Vermelha (hoje Hospital
Pinel), em 1933.
Morava
num quarto do hospital;
uma enfermeira, ao fazer
a limpeza do quarto, achou
livros socialistas na
sua estante, e durante
o Levante Comunista de
1935, em plena ditadura
Vargas, denunciou-a. Embora
fosse apenas simpatizante
do comunismo, e não
soubesse nada sobre a
organização
do movimento liderado
por Prestes, Nise foi
presa; ficou na Casa de
Detenção
durante um ano e 4 meses.
Lá conheceu Olga
Benário, Graciliano
Ramos e outros participantes
do movimento comunista,
que se tornaram amigos
seus. Diz ter tirado grandes
lições deste
período. ("Tudo
vale a pena, se a alma
não é pequena...").
Aurora
A. de Los Santos De Silveira-
Presa em 1935
“Pioneira
espírita uruguaia
nasceu no dia 28 de agosto
1890, em Montevidéu.
Sofrendo as agruras de
prisões e da separação
dos filhos revelou a sua
fibra de missionária,
não deixando jamais
o desempenho de uma tarefa
apostólica que
a impulsionava, e que
culminou com a fundação
de uma instituição
espírita que também
se tornou à pioneira
naquela pátria
irmã.
No
dia Cinco de julho de
1935, transferiu seu domicílio
para a capital uruguaia,
em busca de melhores condições
econômicas, passando
a trabalhar como costureira.
Aurora teve desabrochado
a sua mediunidade, passando
a fazer curas assombrosas
de cegos, paralíticos,
cancerosos e de uma série
de pessoas desenganadas
pela medicina oficial.
Sua fama se espargiu e
doentes vinham de todos
os lugares em busca da
cura.
Nessa
época o Espiritismo
no Uruguai era praticamente
desconhecido e Aurora
foi acusada de exercício
ilegal da Medicina, sendo
presa e recolhida a uma
prisão de mulheres,
onde permaneceu durante
6 meses. Seus filhos foram
parar nos mais diversos
lugares, inclusive em
orfanatos. Terminada a
sentença, abandonou
a prisão, debilitada
e abatida, porém
isso não impediu
que dentro de poucos dias
voltasse ao mesmo lugar,
reiniciando o seu trabalho
apostólico.
Após
grandes lutas conseguiu
ver realizado o seu sonho,
obtendo personalidade
jurídica para uma
instituição
que fundou, o "Centro
Evangélico Espiritual
Hacia la Verdad",
sociedade beneficente
cuja inauguração
ocorreu em 31 de maio
de 1944, e cuja sede própria
foi levantada em 1950,
na Avenida General Flores,
4.689, em Montevidéu”.
Nota:-
Os dados acima foram obtidos
por intermédio
de Baltazar Silveira,
filho da grande pioneira.
Olga
Benário-
Presa e levada para a
prisão em Gestapo
1936
De
origem Alemã, nasceu
em Monique no ano de 1908.
Filha de um advogado social
democrata e uma dama da
alta sociedade.
Olga
entrou para a militância
comunista aos 15 anos
de idade.
O
"IV Departamento
do Estado-Maior do Exército
Vermelho", órgão
que realizava a espionagem
militar nos outros países,
deslocou, em 1935, vários
espiões para o
Brasil;
- que um desses espiões
era Olga Benário,
que também usava
os nomes de "Frida
Leuschner", "Ana
Baum de Revidor",
Em
1934, foi designada para
assegurar a chegada de
Luiz Carlos Prestes, onde
lideraria a Intentona
Comunista de 1935. Olga
e Prestes acabaram se
apaixonando e dessa união,
Olga engravidou e foi
presa em 06 de março
de 1936.
Sua
filha Anita Prestes nasceu
na prisão de Gestapo
em 1936 e sua guarda tutelar
foi passada para a avó
(mãe de Olga).
Olga
Benário, morreu
em 1942, numa câmara
de gás.
Elisa
Sorobovsk-1936
ELISE
SABOROVSKY, alemã,
também conhecida
pelo apelido de "Sabo",
foi presa no Rio de Janeiro
após a Intentona
Comunista e, em 1936,
deportada para a Alemanha,
juntamente com OLGA BENÁRIO.
Elise era mulher de Henry
Berguer.
Adalgisa
Cavalcanti
Presa
pela primeira vez em 1936
Foi comunista a primeira
deputada estadual de Pernambuco
Nascida
em Canhotinho - PE, em
28 de julho de 1905, filha
de pequenos criadores
e proprietários
de terra. Como a mãe
houvesse falecido, aos
11 meses ela é
adotada pelos tios, com
os quais passa a residir.
O tio, plantador, criador
e funcionário público,
anti-religioso como a
esposa, era político
e, conforme nos diz Adalgisa,
acompanhava sempre o Governo,
embora simpatizasse com
a Oposição,
coisa que escondia, evidentemente.
Em
1934, teve os primeiros
contatos com a literatura
marxista, que, conforme
confessa, era para ela
de difícil compreensão.
Só havia feito
o curso primário,
mas o Partido a instara
a estudar um pouco mais,
e durante alguns meses
ela foi ajudada nesse
particular por um professor,
amigo.
Perseguida
por suas idéias
e por seu trabalho junto
ao Partido, ela foi presa
pela primeira vez em 1936.
Respondeu a processo,
foi condenada, passou
quatro meses na Colônia
Penal do Bom Pastor. Ao
sair dali, viveu na clandestinidade,
até a legalização
do Partido, com o fim
do Estado Novo. Passa
então a integrar
o Comando do Diretório
dos Comunistas em Pernambuco
e se torna sua candidata
preferencial.
Em
junho de 1954 ela confessa
ter sido presa nove vezes.
Em nenhuma dessas prisões
sofreu tortura ou espancamento,
como acontecia com outros
membros do Partido, mas
somente "provocações
e ofensas morais",
às quais respondia
à altura, como
confessa. Ao todo, segundo
testemunho de sua sobrinha,
por vinte vezes Adalgisa
sofreu a humilhação
da prisão. Adalgisa
que se casou em 1922,
que nunca teve filhos,
tornou-se deputada em
1947: teve 2.298 votos,
superando assim vários
candidatos de outros partidos
influentes. Adalgisa Rodrigues
Cavalcanti foi uma parlamentar
atuante.
Ao
todo, Adalgisa Cavalcanti
esteve presa durante vinte
períodos, segundo
afirmou na sessão
da Assembléia que
a homenageou, no dia 15
de setembro de 1997, sua
sobrinha, Luciene de Freitas
Brito.
Noemia
Mourão- 1936
Di
Cavalcanti casa-se com
a pintora Noemia Mourão
e, em 1932, publica o
álbum “A
Realidade Brasileira”
uma série de 12
desenhos satirizando o
militarismo da época.
Em 1936, esconde-se na
ilha de Paquetá
e é preso com Noemia.
Em 1938 passaram a morar
em Paris, porém
quando retornaram ao Brasil,
ocorre novamente a prisão
no Rio de Janeiro.
Carmen
de Alfaya- 1937
CARMEN
DE ALFAYA, Argentina,
casada com RODOLPHO JOSÉ
GHIOLDI, após a
Intentona Comunista foi
presa e, durante a II
Guerra Mundial, deportada
para a Argentina, onde
vivia em 1993.
Raquel
de Queiroz
Presa em 1937
Rachel
de Queiroz nasceu em Fortaleza,
Ceará, em novembro
de 1910.Viveu parte de
sua infância na
capital do estado e parte,
no interior, na fazenda
dos pais. Depois da seca
de 1915, que atingiu a
propriedade familiar,
mudou-se para o Rio de
janeiro, onde ficou por
pouco tempo, transferindo-se
para o Belém do
Pará.Ingressou
no jornalismo como cronista,
em 1927. Em 1930, lançou
seu primeiro romance O
Quinze que recebeu o primeiro
prêmio, concedido
pela Fundação
Graça Aranha. Em
1931, veio ao Rio de Janeiro
para recebê-lo,
onde travou contato com
o Partido Comunista Brasileiro.
Nos anos seguintes, participou
da ação
política de esquerda,
pela qual foi presa em
1937. Sem abandonar a
ficção,
continuou colaborando
regularmente com jornais
e revistas, dedicando-se
à crônica
jornalística, ao
teatro e à tradução.
Nos
anos 60, suas posições
políticas ficaram
cada vez mais conservadoras,
a ponto de ter sido uma
das poucas figuras intelectuais
que apoiou indiscriminadamente
o regime militar. Em 1977,
rompendo velho tabu, foi
a primeira mulher a ingressar
na Academia Brasileira
de Letras.’
Eneida
de Moraes
Ela
esteve presa em Ilha Grande,
uma das piores fases de
sua vida.
O
que era a prisão
para mulheres militantes,
simpatizantes ou companheiras
de maridos, pais, noivos
ou amigos envolvidos de
algum modo com o PC, relata-nos
Eneida de Moraes, escritora
paraense, autora de Aruanda
e de Cão da Madrugada.
Em
Aruanda, Eneida conta
como a solidariedade mantinha
otimista o bando de mulheres
que enchia pavilhões
e celas em prisões
do Brasil do Estado Novo.
Apesar do espaço
diminuto, demasiado quente
no verão, demasiado
frio no inverno, que eram
obrigadas a ocupar, sempre
lembrando, em meio ao
silêncio e à
angústia, "que
a vida lá fora
devia andar linda".
Em turnos alternados,
faziam ginásticas.
Escreviam desabafos sobre
as paredes. Cantavam,
contavam-se histórias,
falavam de suas famílias,
dos filhos pequenos que
haviam deixado (onde estariam
eles agora, quem estaria
cuidando deles?), repartiam
umas com as outras o saber
de que dispunham. Como
uma certa Valentina, que
ensinava Inglês
às colegas. Como
Nise Silveira, que dava
lições de
Psicologia, num Pavilhão
das Primárias,
no Rio. E Eneida escreve:
"De
um lado e do outro da
sala, enfileiradas, agarradas
umas às outras,
vinte e cinco camas. Quase
presas ao teto, quatro
janelas fechadas por umas
tristes e negras grades.
Encostada à parede,
uma grande mesa com dois
bancos. Ao fundo da sala,
os aparelhos sanitários.
Por maior que fosse nossa
luta para mantê-los
limpos e desinfetados,
nunca conseguimos fugir
do cheiro forte que exalavam”.
"Na
casa de Detenção
éramos sete mulheres
numa cela. Resolvemos
dar uma certa organização
aqui, criando um sistema
de vida tão disciplinado
que não sentíssemos
tanto a prisão
(...) Tínhamos
hora de estudo, de aula,
de lazer, de ginástica,
de cuidados com a higiene
local etc. O que eu sabia
ensinar ensinava: Francês,
Biologia, noções
de Higiene”.
"Vinte
e cinco mulheres, vinte
e cinco camas, vinte e
cinco milhões de
problemas. Havia louras,
negras, mulatas, morenas;
de cabelos escuros e claros;
de roupas caras e trajes
modestos. Datilógrafas,
médicas, domésticas,
advogadas, mulheres intelectuais
e operárias. Algumas
ficavam sempre, outras
passavam dias ou meses,
partiam, algumas vezes
voltavam, outras nunca
mais vinham”.
Os
verdugos fascistas conduzem
as mulheres ao local de
fuzilamento. Gestapo em
Liepaja, em dezembro de
1941.
Clara
Scharf- Por volta de 1950
Clara
Scharf amargou sua primeira
prisão política
ainda nos tempos de Getúlio
Vargas. Após o
golpe militar de 1964,
o companheiro de Clara,
Carlos Marighela, foi
assassinado “no
auge da tortura”
e ela, cassada por dez
anos, passou para a clandestinidade.
Militância
Feminista
desde os anos 50, Clara
Scharf acha que a situação
da mulher “mudou
muito”. Mas lembra
que "continuam a
existir, infelizmente,
o machismo, a discriminação
e a desigualdade entre
homem e mulher”.
Com um riso cheio de energia
que não denuncia
os 78 anos de idade, comenta:
“O bonito é
que as mulheres nunca
pararam de lutar e por
isso elas mexem com o
ser humano”.
Clara
foi filiada ao Partido
Comunista Brasileiro de
1945 a 1960 e entre os
"períodos
mais difíceis da
vida" cita a fase
final do governo Getúlio
Vargas, nos anos 50. Teve
a casa invadida e destruída
no governo Jânio
Quadros, mas o que considera
"o pior" ocorreu
nos chamados "anos
de chumbo", que culminaram,
para ela, com o assassinato
do companheiro em 1969
e com os nove anos de
exílio que se seguiram.
“Começaram
a prender, matar e torturar
já na antevéspera
do endurecimento da ditadura
militar, por volta de
1968. Foi uma coisa infame,
com todas as prisões,
torturas e mortes, e ninguém
podia se manifestar, só
na clandestinidade",
lembra Clara.
No
depoimento à Rádio
Nacional da Amazônia,
ela também lamentou
não ter sido mãe:
"Não me foi
possível ter uma
vida familiar durante
as ditaduras". Mas
Clara Scharf ajudou a
criar o filho do companheiro,
Carlinhos Marighela, "que
está vivo e cujos
filhos eu considero meus
netos". Na opinião
da feminista, "tudo
o que você faz em
defesa do ser humano,
é vida; a paz é
vida, desde que esta paz
defenda a saúde,
a liberdade, a terra e
os direitos humanos: tudo
que afeta a vida tem a
ver com a segurança
humana”.
Fonte
Parcial:- Radiobras -05/07/2004
Rosa
Parks- Presa em 1955
Em
01 de dezembro de 1955,
Rosa Parks se recusou
a dar seu lugar em um
ônibus sob o regime
de leis em segregação
racial à um homem
branco no estado de Alabama
na cidade de Montgomery.
Sua prisão alavancou
um boicote em Montgomery
que culminou com o sucesso
da dessegregação
racial em todos os ônibus
dos Estados Unidos.
Rosa
Parks recebeu várias
nominações
e prêmios por sua
coragem. Ficou conhecida
como a "Mãe
do Movimento pelos Direitos
Civis" nos Estados
Unidos. Em 1996, ela recebeu
a Medalha Presidencial
da Liberdade e em 1999,
recebeu a Medalha de Ouro
do Congresso Norte Americano.
Naíde
Teodósio- Presa
em 1964
Professora
Naíde Teodósio,
outro extraordinário
exemplo de mulher pernambucana,
professora, pesquisadora
de renome, cientista,
presa em 1964 por ter
trabalhado para o Governo
de Miguel Arraes.
Nascida
em Sirinhaém, interior
pernambucano, de família
pobre, Naíde, através
do esforço do seu
pai, conseguiu estudar
internada no Colégio
da Sagrada Família,
naquele município,
que foi, para ela, sua
iniciação
no mundo da cultura, aprendendo
até a falar bem
o francês.
Contra
a vontade do seu pai,
resolveu, audaciosamente
aos 16 anos, vir para
o Recife, a fim de trabalhar
e estudar, conduzindo
duas irmãs mais
novas. Naíde não
aceitava casar e ser simplesmente
dona-de-casa, como era
o destino das mocinhas
daquela época.
Resolveu estudar Medicina,
numa época em que
o curso era considerado
só para homem.
Naíde,
estudante, apaixonou-se
pelo médico Bianor
Teodósio e casou-se
com ele em 1942. Pelo
amor ao marido, trancou,
temporariamente, a matrícula
na faculdade e foi residir
em Santarém, no
Pará, em plena
Segunda Guerra Mundial.
Com
Bianor teve 4 filhos.
Sua filha Marta e sua
neta Naíde são
médicas.
Depois
de se formar em Medicina,
decidiu ser professora.
Foi Mestra Adjunto IV,
Livre Docente em Fisiologia
da Faculdade de Medicina
da UFPE. Foi discípula
dos professores Euler
e Houssay – que
receberam Prêmio
Nobel de Medicina. Trabalhou
e foi amiga de Nelson
Chaves e decidiu ser,
especialmente, pesquisadora
no campo da nutrição.
Desenvolveu um alimento
que contribuiu para diminuir
a desnutrição
infantil no Nordeste.
Numa de suas palestras
falou que “a nutrição
está inserida entre
as ciências sociais.
Este leque de ramos da
ciência envolvidos
no estabelecimento do
estado nutricional é
o mesmo implicado nos
índices de morbidade
e de mortalidade da criança.
Eis porque estudar as
causas da desnutrição
e da mortalidade infantil
significa investigar os
fatores que determinam
a qualidade de vida da
comunidade, em seus múltiplos
aspectos”.
Era
simpatizante do Partido
Comunista Brasileiro,
apesar de nunca ter se
filiado ao PCB. Na época
em que era proibido falar
em comunismo, Naíde
era amiga de Paulo Cavalcanti.
Mas sua amizade com o
ex-governador Miguel Arraes
e sua ligação
com os comunistas foram
a “gota d'água”
durante o golpe militar
de 1964 para ser presa
durante um ano na extinta
Casa de Detenção
do Recife, acusada de
subversão. Seu
marido, que não
tinha nenhuma participação
política, também
foi preso durante seis
meses. “Eu e Bianor
ficamos presos no mesmo
período de Gregório
Bezerra”, conta.
Naíde lembra a
prisão do seu filho
Manoel Teodósio
– Mano Teodósio,
como era conhecido –,
que foi barbaramente torturado.
“Sofri muito, o
clima policialesco tem
dessas coisas. A prisão
me ajudou a conhecer melhor
o ser humano. Ensinei
matemática e francês,
quando estava presa, aos
policiais estúpidos,
mas coitados, eram ignorantes”,
diz Naíde, sem
demonstração
de rancor. Mano morreu
no final da década
de 80, depois de uma longa
militância política.
O
seu espírito de
guerreira não aceitou
a aposentadoria compulsória
quando completou 70 anos
de idade. “Eu não
fui aposentada, me aposentaram.
Mas como tenho saúde
vou continuar trabalhando”.
E ficou freqüentando
a faculdade, atuando na
pesquisa, dando aulas
de pós-graduação
e orientando teses, sem
receber remuneração.
“A despedida é
termo de intromissão
espúria em meu
mundo afetivo, no qual
figura nossa Universidade
em plano apenas superado
pelo amor à minha
família, porém
em plano igualitário
àquele ocupado
pelo nosso povo sofrido,
a quem aprendi a amar,
sentindo a necessidade
imperiosa de servir, de
doar-me, desde a minha
vida de criança”,
disse em pronunciamento
no dia do aviso da aposentadoria.
“Considero-me
entre aqueles cuja lucidez
indicará o exato
momento de se afastar”,
sentenciou.
Sem parar de trabalhar,
Naíde assumiu também
um compromisso em 1993,
com Dom Helder Câmara,
na Campanha Contra a Fome
e á Miséria.
Hoje, com a saúde
um pouco fragilizada,
aceita a idéia
da aposentadoria.
Apesar
das perseguições
políticas durante
o golpe de 1964, Naíde
Teodósio conseguiu
vencer todos os obstáculos
em sua trajetória
universitária.
Formou mais de uma geração
de cientistas, consolidando
grupos de pesquisa na
área de Nutrição.
Fonte
de Pesquisa
1.
Eneida, Aruanda, José
Olympio, Rio de Janeiro,
1957.
Hilda
Gomes da Silva- Presa
em 1968
“Hilda
Gomes da Silva foi presa
com os dois filhos e o
bebê de quatro meses.
Esposa de Virgilio Gomes
da Silva, ex-operário
da indústria química
e dirigente da ALN. Diretor
do Sindicato dos Químicos,
depois de ter sido preso,
Virgilio foi para o Uruguai,
onde ficou quase um ano.
A partir de 1968, a vida
familiar deixou de ser
tranqüila. O pai
vivia clandestino, passava
dia sumido e eles mudavam
de casa muito freqüentemente.
Até que Virgilio
decidiu providenciar a
saída de sua mulher
e filhos do país.
Conforma
declarou um dos filhos,
lembra-se que a casa foi
invadida por policiais
que procuravam por seu
pai. Arrebentando tudo.
Não sobrou nada...
A data provável
da morte de Virgílio
é 29 de setembro,
segundo depoimento de
companheiros presos no
mesmo período.
Embora a família
ainda não soubesse,
ele já estava morto
quando foram encontrados
em São Sebastião.
As
três crianças
foram levadas ao Juizado
de Menores no bairro do
Tatuapé. Somente
dois meses depois de sair
do juizado é que
souberam que a mãe
estava no presídio
Tiradentes. Ela ficou
presa por nove meses,
dos quais boa parte incomunicável.
Um dos requintados instrumentos
de suas sessões
de tortura eram as gravações
da tortura do próprio
marido. Após a
mãe ser solta,
em 1970, a família
tentou por algum tempo
levar uma vida normal,
mas sofreu perseguições.
A situação
complicou-se e, sem emprego,
Hilda resolve ir embora
com os filhos.
Saíram
do Brasil em março
de 1972”.
Fonte
de pesquisa:- *Rose Spina
é subeditora de
Teoria & Debate.
Rose
Nogueira
Membro do grupo Tortura
Nunca Mais e presidente
do Conselho Estadual de
Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana
Os
pássaros gosta
da casa de Rose Nogueira.
As árvores, flores
e plantas no quintal são
um convite para as aves,
que pousam nas mesas,
sem medo da anfitriã.
Esse ambiente de paz e
tranqüilidade contrasta
com o passado, e o presente,
de muita luta dessa mulher
que foi presa política
aos 23 anos, enfrentou
o Dops – o esquadrão
da morte da ditadura militar
–, dividiu a cela
com a atual ministra Dilma
Rousseff, é citada
no livro Batismo de Sangue,
do Frei Betto, e foi colega
de profissão de
Vladimir Herzog (morto
em tortura).
Presidente
do Conselho Estadual de
Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana (Condepe)
e membro do grupo Tortura
Nunca Mais (SP), Rose
Nogueira é jornalista
há 44 anos e já
trabalhou na editora Abril,
no jornal Folha de S.
Paulo e nas emissoras
Globo, Bandeirantes e
Cultura. Os dez meses
de prisão pela
ditadura não tiraram
suas características
mais marcantes: sua doçura
e sua vontade de melhorar
o mundo.
No
quintal de sua casa, Rose
Nogueira criou a praça
Che Guevara, onde cuida
das mudas que, depois
de crescidas, ela planta
nas praças do bairro
onde mora. Como se não
bastasse, Rose ainda encontra
tempo para ser roteirista
e diretora.
Fui
presa política.
Em 1969, na ditadura,
fui presa pelo “esquadrão
da morte”, o DOPS,
e fui muito torturada.
Eu não pude mais
ter filhos, por aí
você imagina o que
eu passei. Eu tinha 23
anos, meu bebê tinha
um mês. Fiquei dez
meses presa, dois anos
e meio em liberdade vigiada
e, depois disso tudo,
fui absolvida. Então,
eu não quero que
ninguém passe pelo
que eu passei.
Maria
Augusta Carneiro Ribeiro-Presa
em 1968 pelo Dops.
Maria
Augusta Carneiro Ribeiro
(“Guta”, “Zaza”)
Nascida
em 1947, à mineira
de Montes Claros foi aos
EUA em 1964, num intercâmbio
de estudantes.
Ao
regressar, ingressou na
Faculdade Nacional de
Direito e foi participar
do movimento estudantil
no Centro Acadêmico
Candido de Oliveira, o
"CACO", iniciando
sua militância no
PCB.
Defensora
da luta armada ingressou
na Dissidência do
PCB na então Guanabara
(DI/GB), mais tarde transformada
no MR-8. Em Out 68, foi
presa pelo DOPS.
Em
06 Set 69, foi a única
mulher dentre os 15 militantes
comunistas banidos para
o México, em troca
da vida do embaixador
dos EUA, que havia sido
seqüestrado dois
dias antes. Do México,
foi para Cuba, onde fez
um curso de guerrilha.
Em Nov 72, já morando
no Chile, participou de
uma assembléia
do MR-8, que terminou
num "racha":
de um lado os "massistas",
que continuaram (e até
hoje continuam) com a
sigla MR-8, e do outro,
os "militaristas",
defensores da continuação
da luta armada, que adotaram
a sigla "MR-8/CP",
de "Construção
Partidária".
Este último grupo,
mais radical, teve a liderança
de "GUTA" e
de Vladimir Palmeira,
mas veio a dissolver-se
no ano seguinte.
Passou
pelos seguintes países:
Itália (onde fez
uma cirurgia dentária),
Argélia e Suécia,
onde teve um filho e formou-se
em Pedagogia pela Faculdade
de Artes e Ciências
da Universidade de Upsala.
Regressou
ao Brasil após
a anistia de 1979 e foi
trabalhar na Companhia
Vale do Rio Doce.
Em
1999, trabalhava com seu
marido na Editora da Rio
Graphis.
Em
2002, era a diretora de
Produção
e Comercialização
da Fundação
Santa Cabrini, um órgão
da Secretaria de Justiça
do Estado do Rio de Janeiro,
que atua no sistema prisional.
Em 08 Jan 03, a ex-guerrilheira
foi nomeada Ouvidora Geral
da Petrobrás.
Tiana-1969
Ela
tinha sido da Juventude
Universitária Católica
(Equipe Nacional) já
tinha se desligado da
Ação Popular
e não encontrava
acolhida nas organizações
existentes, (ALN). Um
amigo, no entanto, destruiu
tudo o que havia de documentos,
pois estava no apogeu
do AI 5, (Ato Institucional
do Governo Ditatorial).
No entanto, restaram o
último documento
da ALN e o retrato que
Tiana, havia presenteado
este amigo, com seu nome
atrás. Estava evidente
não só que
iam prendê-la. A
dor dessa mãe em
deixar o filho que amamentava
foi muito grande... O
Amigo, Tiana e o marido
foram levados ao DOPS,
numa sala de tortura.
Ela foi torturada na frente
do esposo, no pau-de-arara.
Ela estava relaxada, fruto
das técnicas de
Ioga, PERCEBENDO, o mandante
das torturas começou
a denunciar isso pedindo
para aumentar a intensidade
dos choques. Sua experiência
como torturador o levou
à conclusão
de que pessoas com exercício
de técnicas orientais
agüentavam mais a
tortura e as dores. Tiana
não respondia nada.
Apenas rezava o Credo
inúmeras vezes,
até não
agüentar mais e desmaiar.
MARÍLIA
GUIMARÃES FREIRE
("MIRIAM")
-
Foi militante do Comando
de Libertação
Nacional (COLINA) e da
Vanguarda Armada Revolucionária
- Palmares (VAR-P).- Era
casada com FAUSTO MACHADO
FREIRE ("RUIVO".
"WILSON"), militante
do COLINA, que participou
de diversos assaltos e
foi preso em 28 Mai 69
(banido em 15 Jun 70).
- Em 01 Jan 70, levando
seus dois filhos menores,
participou, com outros
5 militantes da VAR-P,
do sequestro do avião
Caravelle da Cruzeiro
do Sul, sequestrado logo
apos decolar de Montevideu
e levado para Cuba.
Lucia
Murat
“Eu
vivi a geração
anos sessenta, vivi a
ditadura, eu fui presa,
e isso me marca. Eu não
vou negar a minha vida
nem as minhas preocupações.
A minha preocupação
é política,
no sentido mais amplo
do termo. O problema é
que a política
foi reduzida a uma disputa
eleitoreira e marketeira
e as pessoas não
querem entender o conceito
de política no
seu sentido mais amplo,
filosófico, de
idéias.
Eu
vivi uma geração
que foi a geração
da utopia. A minha filha
estava lendo sobre os
anos sessenta e aí
ela falou ‘pô,
assim até eu’.
Eu não fui à
frente de meu tempo, eu
fui parte de do meu tempo,
com muito orgulho. A geração
68 botou para quebrar
em muitos sentidos, foi
à revolução
sexual, o costume, o modo
de viver e se vestir.
E tinha a utopia de um
novo mundo, uma coisa
muito mais aberta do que
apenas de esquerda e direita.
Mesmo que no Brasil a
situação
da ditadura não
levasse a uma discussão
tão radicalizada
como foi na França,
a gente discutia também”.
Fonte:-
http://www.cenaporcena.com.br/entrevista3.asp
Vera
Sílvia Magalhães
– 1970 (Loura dos
Assaltos)
Talvez
a mais famosa - entrou
para a memória
coletiva por conta de
uma façanha: o
seqüestro do embaixador
dos Estados Unidos da
América, Charles
Burcke Elbrick, a 4 de
setembro de 1969. Era,
então, a Dadá,
da Dissidência Comunista
da Guanabara, mais conhecida
como MR-8, e atendia,
para a mídia e
para a repressão
política, pelo
apelido de "Loura
dos assaltos", justo
a que viria a ser mulher
de Fernando Gabeira.
Uma
mulher charmosa, chique
e irreverente socióloga
e economista Vera Sílvia
Magalhães, em 1996,
lotada na sala 518 da
Secretaria de Planejamento
e Controle do Estado do
Rio, onde exercia a função
de planejadora urbana.
Vivia até 96, num
apartamento amplo da Praia
do Flamengo, onde mais
uma vez estava se recuperando
dos problemas de saúde
que atribui ao tiro que
levou quando foi capturada
(a Seis de março
de 1970) e às torturas
que sofreu nos três
meses em que amargou a
condição
de presa política.
Ela ainda vibra por dentro
quando lembra uma resposta
que deu aos torturadores
em plena aflição,
pendurada no pau-de-arara
e tomando choque elétrico:
"Minha profissão
é ser guerrilheira".
O seqüestro do embaixador
americano visava marcar
posição,
assustar a ditadura e,
principalmente, libertar
os presos políticos,
entre eles os líderes
estudantis Vladimir Palmeira
e José Dirceu.
Vera foi responsabilizada
pelo levantamento de tudo
o que cercava o embaixador
Elbrick.
4
de Dezembro de 2007
A
economista Vera Sílvia
Magalhães, única
mulher a participar do
seqüestro do então
embaixador dos Estados
Unidos no Brasil, Charles
Elbrick, em setembro de
1969, morreu nesta terça-feira,
no Rio de Janeiro, aos
58 anos, de câncer.
Mãe de um rapaz
de 29 anos, Vera Sílvia
Magalhães esteve
internada até a
semana passada. Morreu
em casa.
Eleonora
Menicucci Oliveira- 1970
Eleonora
Menicucci de Oliveira
e Ricardo Prata Soares,
ambos então militantes
da Polop (Política
Operária), vindos
de Minas Gerais, viviam
em São Paulo na
clandestinidade, quando,
em 1970, Ricardo foi preso.
Eleonora foi presa no
dia seguinte com a filha
Maria de um ano e meio,
quando se dirigia à
casa de um tio, para que
este a levasse a Minas
para viver com a avó.
Durante
o período em que
esteve no aparelho de
repressão, Maria
não ficou na cela
com a mãe. Vez
e outra era levada à
presença de Eleonora.
Seu aparecimento era sempre
um elemento de ameaça
na tortura de sua mãe.
Ao
ser encontrada pela família,
foi levada para Belo Horizonte,
onde morou com a avó
até 1974, quando
seus pais saíram
da prisão. No período
em que os pais estiveram
presos em locais separados,
à mãe no
Hipódromo e o pai
no Carandiru, a situação
incômoda e constrangedora
era dupla.
Dulce
Maia-1970
Dulce
Maia, militante da VPR
que participou de assaltos
à banco e atentados
a bomba. Irmã da
unanimidade nacional Carlito
Maia, foi das primeiras
mulheres a pegar em armas
- em ações
de absoluto atrevimento
- e é hoje, recém-emigrada
para a deliciosa Cunha
(SP), uma prova viva de
que esse tempo horrível,
como definiu o presidente
Fernando Henrique Cardoso,
realmente existiu. Dulce
constata o fato recente
de que a guerrilha está
aí, revisitada,
e desta vez na ofensiva,
cobrando do Estado reparações
morais e indenizações
por conta de seus mortos
e desaparecidos, entre
eles quase meia centena
de mulheres.
A
Lei 9.140, que propiciou
essa virada de página,
foi sancionada no ano
passado por um presidente
da República que
algumas vezes viu de perto,
visitando presos políticos,
o estado degradante a
que os torturadores da
ditadura reduziam os "terroristas"
presos, reservando, às
mulheres, requintes de
crueldade sexual. Dulce
Maia, um misto de agitadora
cultural e guerrilheira
urbana da organização
Vanguarda Popular Revolucionária
(VPR) foi uma das presas
a receber a visita do
sociólogo Fernando
Henrique Cardoso nos idos
de 1969.
Abaixo
Dulce Maia Fonte
Revista TPM
Dulce,
que mora com dois filhos
adotivos, não gosta
de ficar sozinha. “A
tortura me deixou com
a cabeça meio ruim.
Me cerco de gente e de
coisas para não
parar”, conta, sem
mágoa nos olhos.
Aos 70 anos e muito elegante,
ela se recusa a aceitar
o rótulo de terceira
idade. Isso porque não
tem cabeça de velhinha,
tampouco se veste como
tal. E, quando começou
a pegar em armas –
um caminho natural, segundo
ela –, confundia
os policiais. Era difícil
acreditar que aquela moça
de cabelo arrumado e roupas
chiques tivesse uma arma
na bolsa que carregava.
Mas, sim, ela tinha.
Entre assaltos e palcos
Participou de inúmeras
ações, principalmente
assaltos a banco. Além
da guerrilha, atuava no
Teatro Oficina, sob o
comando do jovem José
Celso Martinez Corrêa.
Nem os atores do grupo
sabiam que Dulce era guerrilheira.
Até que a vida
agitada ruiu, num dia
em que ela decidiu passar
pela casa dos pais. Foi
presa na frente da mãe
e passou um ano e meio
na cadeia. Seus cabelos
ficaram brancos da noite
para o dia, depois de
inúmeras torturas
a que foi submetida. Ela
não pensa em pintá-los.
“Faz parte da minha
história”,
diz. E carrega, também,
apesar de tudo, boas lembranças
da cadeia. “Existia
muito amor. Quando eu
fui embora, todas as presas
cantavam: ‘Minha
jangada vai sair pro mar’...
Foi lindo.”
Maria
do Carmo Brito –
Presa em 1970
Nos
dias 16/04/70 e 18/04/70
foram presos no Rio de
Janeiro, Celso Lungaretti
e Maria do Carmo Brito,
ambos militantes da Vanguarda
Popular Revolucionária
(VPR), uma das organizações
comunistas que seguia
a linha cubana.
Ao
serem interrogados os
dois informaram que desde
janeiro, a VPR, com a
colaboração
de outras organizações
comunistas, instalara
uma área de treinamento
de guerrilhas, na região
de Jacupiranga, próxima
a Registro, no Vale da
Ribeira, no Estado de
São Paulo, sob
o comando do ex-capitão
do Exército, Carlos
Lamarca.
Hoje,
Maria do Carmo vive com
o terceiro marido, ex-companheiro
de guerrilha, em um apartamento
em Laranjeiras, no Rio
de Janeiro. E diz que
deve a veia militante
a alguém de 86
anos. Trata-se de dona
Angelina, sua mãe.
Uma senhora que, logo
ao abrir a porta do apartamento
onde mora com a filha,
avisa que também
esteve no exílio
e participou da luta contra
a ditadura. “Se
não militar por
algumacoisa, morro”,
diz a filha, que hoje
trabalha com inclusão
de deficientes no mercado
de trabalho e na sociedade.
Dilma
Vana Rousseff–
Presa
em 1970 em São
Paulo
Ou
("ESTELA", "LUIZA",
"PATRICIA",
"WANDA")
-
Em 1967, era militante
da Política Operária
(POLOP), em Minas Gerais,
junto com seu marido,
Claudio Galeno de Magalhães
Linhares ("Aurelio",
"Lobato"). Saiu
da POLOP e, também
com seu marido, ingressou
no Comando de Libertação
Nacional (COLINA), tendo
sido eleita, em Abr 69,
quando atuava na então
Guanabara, membro do seu
Comando Nacional.
- Acompanharam a fusão
entre o COLINA e a Vanguarda
Popular Revolucionária,
que deu origem à
Vanguarda Armada Revolucionárias
Palmares (VAR-P). Em Set
69, participou como convidada
- só com direito
à voz - do I Congresso
da VAR-P, realizado numa
casa em Teresópolis.
Nessa ocasião,
Darcy Rodrigues, um ex-sargento
do Exército oriundo
da VPR, tentou agredi-la,
sob a ameaça de
Dilma não mais
poder participar das ações
armadas. Na ocasião,
recebeu a proteção
de Carlos Franklin Paixão
de Araújo e com
ele foi viver e militar
no Rio Grande do Sul e,
logo depois, em São
Paulo, onde foi presa
em 16 Jan 70.
- Foi Secretária
de Estado de Minas, Energia
e Comunicações
do Governo do Rio Grande
do Sul.
-E Ministra das Minas
e Energia.
Vera
Silva Araújo-Presa
em 1970
VERA
SILVIA ARAUJO MAGALHÃES
(“ANDREIA”,
"CARMEN", "MARTA",
"ANGELA", "DADA")
- Organização
Terrorista: MR-8
- Em Abr 69, participou
da III Conferência
do MR-8
- Em 16 Fev 69, participou
do seqüestro do Embaixador
dos EUA. (Ver "Recordando
a História)
- Em 16 Fev 70, estouro
do "aparelho"da
Rua Montevideu, 391/201,
Penha-GB, baleado o policial
Daniel Balbino de Menezes,
fugiu com outros terroristas.
- Em 06 Mar 70 foi presa,
levando um tiro de raspão
na cabeça. Falou
bastante.
- Em 15 Jun 70, foi um
dos 40 militantes comunistas
banidos para a Argélia,
em troca do Embaixador
da Alemanha, seqüestrado
em 11 ii Jun 70, no Rio
de Janeiro, pela VPR e
ALN ( Ver "Recordando
a História)
- Em 78, em Paris nasceu
seu filho Felipe.
- Atualmente, integra
a ONG Alto -Lapa –Santa.
Beth
Mendes-Presa em 1970.
Elizabeth
Mendes de Oliveira (“Rosa”
– Beth Mendes)
-
Era militante da Vanguarda
Armada Revolucionária
Palmar (VAR-P) em São
Paulo.
Atuava no Setor de Inteligência
e não foram poucas
as reclamações
de diversos dirigentes
dessa organização
comunista de que, em vez
de bem desempenhar suas
funções,
costumava levar, para
dentro do seu setor, seus
próprios problemas
pessoais.
- Foi presa em 29 Setembro
70.
- Em Ago 85, já
como deputada federal,
enviou uma carta ao então
Presidente da República,
José Sarney, denunciando
que, 15 anos antes, havia
sido torturada pelo então
adido do Exército
no Uruguai, Cel Carlos
Alberto Brilhante Ustra.(
Ver Revanchismo)
- Atualmente, é
atriz da TV GLOBO já
foi presidente da FUNARJ,
nomeada pelo ex-governador
GAROTINHO.
Safiya
Yakubu Hussaini- 2001
Safiya
(Safiyatu ou Sufiya) Yakubu
Hussaini nasceu em 1966,
casou aos doze anos e,
aos 35 anos de idade,
ou seja, em 2001, foi
condenada à morte
pelo tribunal islâmico
de Gwadabawa no estado
de Sokoto. Segundo a lei
vigente nesse estado,
qualquer pessoa pode ser
condenada à morte
se for comprovado ter
cometido adultério.
Para
a lei islâmica,
pode decorrer o período
de até sete anos
desde o momento da concepção
até o nascimento
da criança sem
que a gravidez configure
crime de adultério.
Safyia teve o quinto filho
após um ano de
divorciada e estaria,
portanto, acobertada pela
lei.
Em
18 de março de
2002, Safiya foi inocentada,
principalmente porque
o tribunal considerou
que o crime, o adultério
cometido, fora praticado
em 1998, antes de a Sharia
ser introduzida no estado
de Sokoto.
Amina
Lawal Kurami -2002
Em
22 março de 2002,
pouco depois de Safiya
Hussaini ter a sua sentença
de morte anulada, Amina
Lawal Kurami, 30 anos,
divorciada, mãe
de três filhos foi
julgada e condenada à
morte também por
apedrejamento. Ela foi
considerada adúltera
pelo tribunal religioso
da cidade de Bakori, estado
de Katsina, pois não
estava casada no momento
em que concebeu a filha
Walisa. No primeiro julgamento,
Amina não teve
assistência de um
advogado. Em 19 de agosto
de 2002, uma corte rejeitou
o primeiro pedido apelação
contra a sentença
de morte. Nova apelação
foi encaminhada para uma
corte superior.Em 25 de
setembro de 2003, o Tribunal
Islâmico de Katsina
anulou a sentença
de morte, por apedrejamento,
de Amina Lawal Kurami.

Projeto
zaP! Zelo, amor e Paz!
- Veja Penitenciarias
Femininas
e Presidios
de mulheres
Trabalho de Pesquisa desenvolvido
para o Projeto zaP! Pela
Humanista, Jornalista,
Pesquisadora, Escritora
e da Idealizadora do zaP:
Elizabeth Misciasci
Surgimento
Primeiras Prisões
no Mundo
Os
códigos de Leis
e a evolução
Mudanças
de Leis
Pagu