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A
separação após
o parto
Seria
sem fundamento e com forte grau
de crueldade, querer que mãe
e filhos permanecessem atrás
das grades, mais não oferecer
a menor possibilidade de mantê-los
juntos, durante o tempo que a
lei determina,
também é cruel,
no entanto... Fato! Uma vez que
muitas penitenciárias,
não possuem estruturas
nem para acolhimento da mulher
gestante ainda presa.
A
prioridade em mantê-los
integramente juntos, faz com que
este tempo seja sagrado e único,
pois a única certeza existente
é que logo haverá
um adeus, que em milhares de casos,
será para sempre. Em 98%
dos casos os laços se fazem
mais intensos, aonde um precisa
incondicionalmente do outro, afetividade
e amor que já nasce no
útero seguindo lamentosamente
durante a gravidez, que traz o
peso da culpa que a mãe
carrega.
Numa
condição muito além
do sentimento maternal desenvolvido
em lares perfeitos, com filhos
sonhados e planejados, filhos
chegam ao mundo entre grades.
Pois gerando uma vida nos cárceres
e neste concebendo, a Mulher normalmente
vislumbra neste novo ser, uma
nova concepção de
futuro, alterando conceitos e
levando muitas a repensarem seus
erros.
O
que antes, não havia sido
medido, torna-se arruinado e esta
consciência é clara
deixando que as próprias
cobranças interiores de
cada mulher grávida na
condição de presa,
se condene impiedosamente, para
tentar pagar como pode seu erro.
Todas
as culpas se atenuam, quando com
o filho já nos braços,
a mãe sabe que tudo se
perdeu e que o destino injusto
reservado para aquela nova vida,
foi tudo o que ela ofereceu. Destino
incerto quase sempre, condenando
também aquele pequeno ser,
seu fruto... uma pesada sentença.
Na
improrrogável hora da separação,
a dor, o remorso a culpa, a perda
mostra-se tão repleta de
dor, que suas seqüelas e
marcas irreversíveis, são
indeléveis, eternas, que
nenhuma sentença aplicada
pelas leis do homem, podem ser
mais pesadas.
Há
casos, em que a mulher não
suportando o tamanho de sua culpa
e o sofrimento da saudade, pratica
o suicídio, já que
com a separação
nada mais faz sentido. Executar
uma auto punição
é a única forma
de pagar pelo fracasso de ter
provocado ou contribuído
para que a seu filho lhe fosse
retirado e jogado ao mundo.
Após
a fase do aleitamento materno,
se a mãe tem familiares,
e estes se responsabilizam pelos
bebes, tudo fica mais fácil
ou menos dolorosos, pois estas
crianças estarão
sendo criadas no seio familiar.
Porém,
nos casos em que as mães
não possuem ninguém
para olhar por seu bebes, a condição
única oferecida, acaba
afetando de forma cruel todo um
contexto, pois
estas crianças, normalmente
serão encaminhadas para
uma casa de apoio, com futuro
incerto e muito provavelmente,
se perderam daquelas que um dia
lhe deram a vida, desaparecendo
com paradeiro incerto e jamais
sabido.
No Sistema Prisional de São
Paulo, existia o Projeto acorde,
que foi criado pela irmã
Salete missionária da igreja
Batista e que recebeu um grande
incentivo e apoio dos órgãos
governamentais. O trabalho do
Acorde atendia um mínimo
de reeducandas, mais com objetivo,
de dar para uma adoção
provisoriamente algumas crianças.
A mãe que não tinha
com quem deixar ou entregar seu
bebe após o período
do aleitamento, passava a tutela
de seus filhos para os pais provisórios,
que assumiam responsabilidades
com a educação,
formação moral e
religiosa e a manutenção
destas crianças, mantendo
os laços entre mãe
e filho, durante o tempo que se
fazia preciso.
Os
pais provisórios, aceitavam
de forma consciente que as crianças
estariam sob a guarda, por um
determinado período e depois
devolvidas as mães biológicas,
assim que estas deixassem os cárceres
provando estarem em condições
de manter o seu filho.
Há
ainda os que estão como
pais provisórios e honram
o compromisso firmado,
levando a criança para
as visitas, propiciando condições
dignas para a formação
de seu caráter e criando
de forma magnífica, responsável
e humana o filho provisório
que lhe fora entregue.
Contudo,
o Projeto Acorde foi uma opção
de acolhimento para poucos, pois
seus recursos limitavam um trabalho
necessário, que poderia
se tornar gigantesco.

Em cada dez casos de bebês/
filhos gerados nos presídios,
nove são afetados brutalmente,
principalmente depois do desmame.
O afastamento repentino, fazendo
com que a criança seja
criada sem a presença materna,
facilita que ela receba reflexos
negativos. Estes, podem provocar
no futuro desta criança,
seqüelas irreversíveis,
como o sentimento de rejeição,
a baixa estima, pouca concentração
em atividades, dificuldade para
se socializar e criar amigos,
entre outros.
*Nota:-
Por Elizabeth Misciasci -
O texto pode ser copiado, reproduzido,
acrescentado em teses, artigos
e tccs, trabalhos, pesquisas,
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Presídios Femininos
by Elizabeth
Misciasci zeP!
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