Violência praticada contra a Mulher® Volta à Página Anterior
Violência Praticada Contra a Mulher®
Por: Dr. Raymundo Silveira Creative Commons License

Em Revista zaP!

Exerço a Medicina na especialidade de ginecologia há mais de trinta anos. A princípio praticava também cirurgia geral e emergência. Quase todos os dias sou testemunha de casos escabrosos onde mulheres são vítimas da brutalidade dos homens.

Um dos primeiros casos que atendi, foi o de uma senhora humilde, de cerca de 34 anos.


Aquele episódio nunca mais saiu da minha memória. O celerado enfiou uma peixeira no olho da companheira, quebrou o cabo e deixou a lâmina enfiada.

Faltaram 2 ou 3 milímetro para atingir o cérebro. A cirurgia só demorou por causa da força que tivemos de fazer para desenterrar a lâmina da cavidade orbicular. Naturalmente a desgraçada perdeu o olho. Quase perdeu a vida! Este episódio me marcou muito em virtude de haver sido o primeiro que testemunhei, todavia há coisas bem piores.

Já assisti ao pré-natal e ao parto de meia dúzia de menores cujos filhos, o pai e o avô eram a mesma pessoa! Mulheres esfaqueadas até à morte ou muito próximo dela por “companheiros” embriagados.

A incidência de SIDA/AIDS entre as “Evas” está aumentando assustadoramente, mesmo naquelas com parceiros fixos. Elas ignoram a bissexualidade deles. A natureza parece ser um pouco mais madrasta com elas do que com os homens. Como a vagina é o receptáculo natural do sêmen, este ao permanecer aí durante mais tempo, favorece as infecções. Não pensem que isto só se verifica entre as pobrezinhas do SUS. Já tenho vários casos em minha clínica particular.

Mulheres fiéis e que confiam cegamente nos maridos. Para agradar-lhes, aceitam não usar preservativos - a maneira mais segura - se não a única, de evitar a doença. Isto para não falar dos dramas da alma que pouquíssimas têm coragem de revelar: estupros (sim, há estupros entre casais constituídos); perversões sexuais que elas são obrigadas a praticar por medo de reações violentas; abortamentos forçados; truculências inauditas. Garanto que vejo isto quase todos os dias, só não divulgo os nomes das vítimas porque o Código de Ética Médica me proíbe.

 

Estou falando aqui do que eu próprio observo. Mas não há como negar as condições humilhantes a que as mulheres estão sujeitas em determinadas regiões do planeta. Aquele filme “Nunca Sem Minha Filha” tem tudo para ser baseado em fatos reais. Há certos países que praticam a retirada cirúrgica dos clitóris de suas meninas a fim de evitarem que elas possam vir a desfrutar de algum prazer sexual no futuro.

Ouço comentários bem procedentes de abortamentos praticados logo que é diagnosticado o sexo feminino ainda no útero materno, porque o governo limita o número da prole dos casais, e como estes - geralmente o lado masculino procriador - preferem os machos...que se assassinem as menininhas.

Acho a Internet um excelente meio de denunciar estes absurdos. E quanto a mim, pouco estou me preocupando se o “site” é específico para viagens, fitness, jornais, rádios, revistas, pornografia, salas de bate-papo (inclusive aquelas destinadas às transas virtuais) ou o sexo dos anjos. Enquanto minha consciência inquietar-me. Enquanto as náuseas que sinto quando vejo injustiças praticadas contra mulheres me incomodarem, não hesitarei: porei a “boca no trombone”.

Não nego que elas avançaram muito - a custa de heróicas lutas - em suas conquistas por uma vida menos indigna, mas penso que ainda faltam muitas léguas a serem palmilhadas antes de merecerem comemorações. Aliás, penso que quando chegarmos lá, as homenagens deveriam ser diárias, contínuas, permanentes. E não apenas num único dia do ano!

Como fazem no Dia Internacional de que??? -Da mulher?
Dr. Raymundo Silveira


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