É
muito fácil dizer que lugar de bandido
é na cadeia e gratificante se torna,
quando tomamos ciência de que mais uma
prisão foi efetuada. Contudo, o problema
jamais será sanado se "conceitos
e atitudes" não forem modificados,
pois aprisionar alguns (sem entrar no mérito
do caráter delituoso) não inibe
e nem inibira os altos índices de violência
que tendem a aumentar. Os problemas são
muitos e o tema esta muito além das
grades.
Falar sobre esse assunto é algo que
muitos pensam ser desnecessário, ou
preferem manter a "neutralidade"
com indiferença e hipocrisia.
A grande parte da sociedade, (às vezes
até sem conhecimento) é inerte
quando se aborda o assunto, uns proclamam
pregações pessoais em cima daquilo
que desconhece ou não quer nem por
"brincadeira" conhecer.
Interessante a maneira que a civilização
"aberta" aponta e denigre, mas não
questiona nem nada faz para mudar as tristes
realidades que assolam o País.
Dizer que evoluímos é na verdade
real, mas pode se tornar uma infeliz e dúbia
afirmação no aspecto que tange
a criminalidade, pois houve o avanço
da tecnologia e em outras áreas da
ciência, mas se tratando da resolução
mesmo que em longo prazo do gritante aumento
do índice dos crimes praticados, torna-se
complexa a afirmativa.
O
perfil do agente delituoso, a variedade de
crimes, as formas e razões pela qual
estão sendo praticadas, as penas aplicadas,
que seguem com rigor nosso Código Penal
e Código de Processo penal, evidenciam,
que não "saímos do lugar",
ou melhor dizendo, nos tornamos arcaicos e
impotentes enquanto o crime se organizou equipadamente,
assim sendo, regredimos.
Por mais que muitos falam que lugar de bandido
é na cadeia, difícil são
aqueles que vão até lá,
ver de perto o que, e em quais circunstancias
se mantém alguém encarcerado...
A realidade é outra, bem diferente
das que são relatadas por vários
veículos de comunicação,
e aprisionar apenas, jamais será solução
para os problemas.
Existem feridas dentro da sociedade e estas
começam normalmente dentro de uma outra
violência, e em milhares de casos na
infância, às vezes até
no útero materno e num círculo
vicioso vão se estendendo com o decorrer
do tempo. A miséria, a fome, a falta
de instrução, o desamparo, o
desafeto, a ignorância, o desemprego,
somados com a corrupção, parcialidade,
indiferença são em grande parte
responsáveis sim pela violência,
pois há casos em que a insanidade é
a única responsável pelo delito.
Não estamos "justificando",
mas não podemos vendar os olhos e tapar
os ouvidos diante de tanta escassez, e diferença
de classes sociais.
Não se trata aqui de polemizar partidariamente
ou conceituar alguém, ou algum órgão
prejulgando, mesmo porque, não assistem
razões para que se discorra sobre a
criminalidade como mais uma apelação
pobre de entidade social.
O
objetivo deste artigo é prestar informações
de caráter público e como no
início digo: - que somos em grande
parte responsáveis por lamentáveis
e míseras situações que
assolam o País, é porque temos
até como um direito de cidadania, que
expor sim o mundo dos cárceres e milhares
de motivos que superlotam os mesmos.
Por que escondermos a realidade? -Por que
é feio? Ou pelo fato de sermos imperdoavelmente
irresponsáveis para com os nossos semelhantes?
Talvez essa resposta eu nunca tenha. Mas uma
única certeza sim, enquanto superlotarmos
presídios com a idéia de que
quem lá esta jamais sairá, ou
que cadeia deve ser um porão para abrigar
bichos, rotulando todos e pedindo punições
cada vez mais severas, até mesmo arbitrárias,
não estaremos agindo acertadamente.
Se
estivermos assumindo apenas o papel de cobradores
de atitudes, sem posturas diante dos problemas
sociais que realmente necessitam de uma atenção
emergencial, jamais conseguiremos colocar
um basta ou diminuir índices negativos
e dolorosos que atingem toda a população.
E estes sem dúvidas, são, e
continuarão sendo responsáveis
pela criminalidade, e a criminalidade é
em grande parte filha da miséria e
da omissão.
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