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O Voluntariado Mais Difícil de ser exercido.

Por: Elizabeth Misciasci

 

Atuar no Sistema Prisional, ou em algum setor relacionado à criminalidade como Voluntário, é uma Missão que requer Resignação, cuidado e acima de tudo muito Amor.

 

Após 20 (vinte) anos de trabalhos voluntários, cheguei à conclusão de que prestar serviços não remunerados no Sistema Prisional é o Voluntariado mais doloroso e difícil de ser praticado, sendo que o retorno do empenho empregado é indubitavelmente benéfico, prestando assim uma imensa contribuição para a Sociedade como um todo.

 

Reeducanda - Capoeira -
Voluntariado -Evento_Penitenciaria Feminina

No entanto, as condições impostas para que se desenvolva o voluntariado dentro dos cárceres, em alguns casos, chega a ser tão sistemático, que tira a motivação dos que querem contribuir e atuar pela causa, razão até pelas quais muitos desanimam e desistem sem antes mesmo de serem “APROVADOS” para ingressarem nesta empreitada.

Elizabeth Misciasci e Padre Julio Lancelotti

Elizabeth Misciasci e Padre Julio Lancelotti

Para que se possa atuar no Sistema Prisional como voluntário, é necessário preencher uma série de requisitos (até então normais, pela própria massa que será objeto direto de atividades desenvolvidas).


Entendemos que por se tratar de contatos que são feitos diretamente com pessoas que delinqüiram e cada qual com delitos diversos, há também uma forte preocupação com a segurança do agente voluntário, porém, as exigências, suas prerrogativas, e a falta de reconhecimento, podem levar até a denegrir a pessoa predisposta a ofertar seus préstimos. Primeiro, para se adentrar as muralhas, é feito um levantamento da vida pregressa e toda uma investigação em torno do voluntário.

 

Se nada houver que o desabone, então é necessário apresentar um projeto explicando minuciosamente qual o objetivo do trabalho e o porquê da opção. Após todo esse processo, (que será constante e infindável) então se aguarda a autorização para que se iniciem os trabalhos sendo que até uma pequena restrição já se faz o suficiente para que seja impedida a ação dentro do Sistema.

Assim sendo, o Voluntário, precisa ser um indivíduo totalmente ilibado e mantenedor imparcial diante das injustiças que afetam desde agentes prisionais até os encarcerados “reeducandos”, não podendo expor pareceres nem tão pouco divulgar o que ouvem e vêem dentro da vida entre grades.

Elizabeth Misciasci e Antonio Carlos Prado

Elizabeth Misciasci e o Jornalista Antonio Carlos Prado


De fato, trata-se de um outro mundo, onde a exclusão social é literalmente exercida, razão pelas quais muitos sem conhecimento de causa, só sabe afirmar que o Sistema é falido e não recupera o que NÃO É VERDADE! Além de toda uma burocracia exageradamente necessária, o Voluntário, necessita estar em condições psicológicas completamente equilibradas, e demonstrar firmeza para não se sugestionarem diante do que verá e vivenciará ao conviver com apenados (a)s.

Elizabeth Misciasci e Pastor Oséas - Projeto Acorde

Elizabeth Misciasci e Pastor Oséas - Projeto Acorde


Só que as dificuldades não se cessam após a aceitação para ser voluntário do sistema, este, tem que estar ciente que poderá ser criticado de maneira severa pela própria sociedade, enquanto não tiverem conhecimento de seu papel dentro da sua ideologia.

Assim, muitas vezes, o voluntário, passa por um outro processo mais doloroso, ou seja, ofendido e julgado de forma cruel com suposições, que os qualificam de forma pejorativa e desumana; isso quando não é propagado que sua função é “defender bandidos,” que “recuperação, reabilitação e reinserção” é algo inviável e impossível, que não existem preocupações com as vítimas dos “delinqüentes” que tanto os voluntários defendem, chegando até a sofrerem ameaças.

Mais isso se dá, pela falta de informação, pela má vontade de conhecer a causa e pela própria descriminação, que impede a compreensão de que dentro dos Presídios, cada caso é um caso isolado.

Elizabeth Misciasci e Julinho do Carmo

Elizabeth Misciasci e o Repórter Julinho do Carmo


O que posso afirmar sem nenhum medo de pecar, é que como Voluntária do Sistema, Presidente do Projeto zaP e ativamente atuante, tenho milhares de exemplos de pessoas que após saírem dos cárceres se reabilitaram e mudaram os rumos de suas vidas, sendo sim, referenciais para que outros não entrem para o mundo do crime.

Acredito e provo que a reabilitação é possível e o sistema não é em todos os lugares uma instituição falida. Sou pelo bege, amarelo, laranja e verde, não tenho qualquer interesse em diferenciar ou querer saber os que privados de liberdade aderiram ou fazem parte, não me atento a nenhuma facção ou partido, nem entro no mérito.

Da mesma forma que entro em uma unidade prisional, e lá realizo meu trabalho, faço da mesma forma em qualquer outra, tendo apenas como meta contribuir e não incentivar, julgar ou apoiar quem já foi julgado e esta cumprindo sua pena.
Hoje, falando á nível apenas de São Paulo, posso mencionar como voluntários antigos que atuam com amor e são agentes de fato transformadores, que atuantes voluntários individuais e habituados aos constrangimentos normais às pessoas de:-
O Jornalista Antonio Carlos Prado, Pastor Oséias, Missionário Reginaldo, o Jornalista Julinho do Carmo, a Jornalista Mariana Pinto e a Jornalista Elizabeth Misciasci. Acrescentando que a Pastoral Carcerária, também muito faz pelo Sistema.

-“Exercitamos o voluntariado, não por curiosidade, nem tão pouco para nos destacarmos, ou vislumbrarmos ganhos (financeiramente falando). Atuamos sim, sem negligencias ou incentivos que impeçam a reinserção, somos agentes transformadores, com forte contribuição social e que sem pretensão só temos e distribuímos conscientes, tanto para os cativos como para as vítimas MUITO AMOR.” Elizabeth Misciasci.

Elizabeth Misciasci e a Jornalista Mariana Pinto

As Jornalistas Mariana Pinto e Elizabeth Misciasci

 

O que é voluntariado?

Segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos"...


Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.


Por que ser um voluntário?

A grande maioria dos voluntários no Brasil querem:
1. Ajudar a resolver parte dos problemas sociais do Brasil.
2. Sentir-se útil e valorizado.
3. Fazer algo diferente no dia a dia.
4. 54% dos jovens no Brasil querem ser voluntários, mas não sabem como começar.



 

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