Clamor social

GABRIELA PRADO ... QUINZE ANOS SE PASSARAM

QUINZE ANOS SEM GABRIELA PRADO

 

Por: Elizabeth Misciasci

 

Como  se supera uma tragédia, como a que vive até hoje esse pai?


Carlos Santiago Ribeiro, sua dor dilacerante e da nossa Cleyde (que já não esta entre nós), não nos permite desprendimento nem abnegação...


A Cleydinha foi uma grande guerreira na causa de sua filha e de tantas outras causas... Legado esse, cultivado, mantido e patronado pelo pai da Gabriela, que nesses quinze anos dessa selvageria, caminha dizendo "Não à Impunidade", lutando pela dor alheia, abraçando causas inimagináveis, carregando bandeiras, enfim... Levante adiante o Movimento "Gabriela Sou da Paz"

 

Santiago, eu acredito que só Deus para explicar de onde vem à força, a coragem, as superações que lhe norteiam para abrir os braços e o coração em detrimento a tantas barbáries, infindáveis horrores, dores inconcebíveis...

Talvez até saibamos, pois, é a pujança da alma de um Pai agindo num universo às avessas, onde a Segurança, a Ordem as Leis e a Justiça se fazem fugazes para muitos, enquanto a angustia e o padecimento, se faz presente para tantos e tantos mais...


Sinto muito por você meu amigo e só peço a Deus que continue te fortalecendo, pois sei o grande ser Humano que o é e que esses quinze anos, valem por quinze mil... Quanto a nossa tão querida, guerreira, amiga e amada Cleyde Prado Maia Ribeiro, ou simplesmente nossa Cleydinha, pedimos em oração que esteja ao lado do Pai e da nossa eterna Gabriela. {Gabriela Sou da Paz}.

 

 

Caso Gabriela Prado no metrô, em março de 2003 {REMEMÓRIA}

 

A adolescente Gabriela do Prado Ribeiro, de 14 anos, cresceu assustada com a violência e, por ordem dos pais, quase não saía de casa. No dia 25 de março de 2003, a estudante ia pela primeira vez pegar o metrô sozinha, na estação São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte do Rio, para saltar uma estação depois, na Saens Peña, quando ficou no meio do fogo cruzado entre um policial e bandidos que assaltavam uma bilheteria. Atingida no lado direito do peito, Gabriela não resistiu e morreu. Na mesma ação, dois policiais ficaram feridos.

 

Quatro bandidos chegaram à estação por volta das 15h30m. Dois deles renderam um bilheteiro e dois ficaram na escada, dando cobertura aos cúmplices. Imagens gravadas pelo circuito interno de TV do metrô mostraram os dois assaltantes dentro da bilheteria quando o policial civil Renato Lemos Naiff, de Brasília, se aproxima do guichê. De acordo com a polícia, ele teria ficado muito tempo observando o movimento dos bandidos, o que provocou a suspeita deles.

 

Um dos assaltantes saiu da cabine, rendeu o policial e o revistou. Quando viu que ele estava com uma arma, o ladrão deu dois tiros em Renato, atingindo-o na região lombar. Em seguida, o detetive Luiz Carlos Carvalho, da 17ª DP (São Cristóvão), que descia a escada de acesso à estação, notou um dos bandidos na cobertura. Quando ele tentou sacar a arma, o assaltante começou a disparar. O detetive, baleado duas vezes, ainda trocou tiros com o criminoso, mas havia outro marginal no alto da escada. Durante o confronto, uma bala perdida atingiu Gabriela, que também descia a escada para entrar na estação, onde houve pânico entre passageiros. A arma do policial não foi encontrada.

Gabriela Prado, 14 anos, que morreu atingida por bala perdida na estação do metrô São Francisco Xavier, na Tijuca, no dia 25 de março de 2003 / Foto: reprodução de Ricardo Leoni - O Globo

 

Depois de atingida, a estudante chegou a tentar fugir: subiu a escada e caiu na calçada, já do lado de fora.

 

- Ela caiu. Quando eu a segurei, ela ainda estava respirando, mas não respondia - disse a camelô Iradi do Nascimento.

 

Quatro estações ficaram fechadas

 

Gabriela foi levada para o Hospital do Andaraí, mas já chegou morta. Sua mãe, a psicóloga Cleide do Prado Maia Santiago Ribeiro, esperava-a na Praça Saens Peña e estranhou o atraso. Ao saber do assalto, avisou ao marido, Carlos Ribeiro, que foi à estação, enquanto a mulher seguia para o hospital. Ambos tiveram logo a certeza da morte da filha: ele encontrou os óculos da adolescente na escada e ela recebeu a notícia no Andaraí.

 

Os dois bandidos que estavam na escada de acesso roubaram um Astra e fugiram. Os outros dois fugiram pelos trilhos do metrô. O sistema teve que ser desligado porque os trilhos são energizados e policiais fizeram buscas, mas os marginais escaparam. Por causa do desligamento, as estações Estácio, Afonso Pena, São Francisco Xavier e Saens Peña ficaram fechadas entre 15h43m e 16h25m do dia da morte da menina.

 

O policial de Brasília foi operado no Hospital do Andaraí. Ferido na perna e no ombro, o detetive da 17ª DP foi levado para o Prontocor na Tijuca.

 

Plano era fazer festa de 15 anos no mar

 

Gabriela ganhou, em 2002, o prêmio de destaque do Colégio pH, na Tijuca, por ser uma excelente aluna. Seu pai, o psicólogo Carlos Santiago Ribeiro, de 45 anos, nesse ano ia atender a um desejo de sua filha: alugar uma escuna para que a filha comemorasse seu aniversário, em 30 de agosto, navegando com a família e amigos em Angra dos Reis.

 

Gabriela, filha única, gostava de flores e cristais. Parecia com a mãe, a psicóloga Cleide Ribeiro, que é espiritualista. Praticava natação e ginástica em uma academia da Tijuca, onde morava. Nos estudos, planeja cursar veterinária.

Fonte- Extra

https://extra.globo.com/noticias/rio/memoria-relembre-morte-da-adolescente-gabriela-prado-no-metro-em-marco-de-2003-474703.html

Foto Cleyde  (Foto: Reprodução / TV Globo)

Fotos em geral: Arquivo Pessoal Santiago