Clamor social

Caso Davidson Dutra Dias

Por Elizabeth Misciasci com Informações na íntegra

do Sem vestígios

 

A casa simples, na rua Possuã, no bairro Novo Eldorado, em Contagem-MG, ainda aguarda o retorno do filho mais velho da dona Suely Dutra. Davidson foi visto pela última vez, há mais de dois anos, em um restaurante localizado no centro da cidade. Maior que a saudade e a angústia da mãe, só mesmo a sua esperança em poder abraçar e sentir o carinho do filho novamente.

Antes de perder Davidson, a casa tinha uma rotina tranquila. Suely era separada do marido, mas a ausência era compensada pela atenção e dedicação de seus três filhos, incluindo Davidson, que, há dois meses, havia se separado da esposa Sheila, com a qual foi casado por oito anos e tem um filho. Após o término da relação, ele retornou para a casa da mãe e aparentava estar feliz ao lado dela e dos irmãos.

A tranquilidade à qual a família estava acostumada foi quebrada a partir da noite de 23 de abril de 2013. Nesta data, Davidson foi a um tradicional restaurante do centro de Contagem, ao lado de sua companheira Juliana e um casal amigo deles. O quarteto conversava e se divertia, enquanto apreciava o cardápio do estabelecimento. Tudo parecia transcorrer normalmente, até que Davidson disse que sairia para atender o celular. Seria uma situação comum desde que o jovem retornasse ao local após o telefonema, o que não aconteceu.

Os poucos detalhes que, possivelmente, retratam os últimos momentos de Davidson, antes de seu desaparecimento, foram relatados à mãe Suely e seu ex-marido, por Juliana, jovem que o acompanhava na noite do acontecimento, no restaurante Paulista.

A mãe de Davidson conta que ele se relacionava há cerca de dois meses com a garota e que eles sempre saíam juntos, mas não assumiam um namoro. ?Depois que ele se separou da esposa, voltou a morar comigo, foi neste período que conheceu essa menina. Eu a vi raras vezes e, sei pouco sobre ela?, conta a mãe Davidson.

Davidson, ao lado da mãe Suely, em foto tirada um ano antes do desaparecimento (Arquivo pessoal)
Davidson, ao lado da mãe Suely, em foto tirada um ano antes do desaparecimento (Arquivo pessoal)

Segundo Suely Dutra, ela soube do desaparecimento do filho por meio de uma ligação de Juliana, na quarta feira, 24 de abril de 2013. A garota perguntou por Davidson. A mãe diz ter estranhado a pergunta, pois, na noite anterior, eles haviam saído juntos: ?Ela me perguntou se eu sabia onde o Davidson estava. Fiquei surpresa porque a última vez que vi meu filho, ele estava com ela?. Ainda durante a ligação para a mãe de Davidson, Juliana disse ter dado uma carona para ele, em seu carro. Segundo ela, o destino final foi a casa da família, na rua Possuã.

No dia seguinte, já na quinta-feira, 25 de abril, dois dias após o desaparecimento, outra versão surgia. A garota procurou pessoalmente os pais de Davidson para contar os fatos ocorridos no restaurante Paulista.

A família tentou contato com Davidson pelo seu número de celular, mas as dezenas de ligações foram em vão. A resposta era sempre a mesma: ?O número chamado encontra-se desligado, ou fora da área de cobertura?, dizia a gravação da operadora de telefonia.

As versões contraditórias, as tentativas de contato sem sucesso e ausência de pistas sobre Davidson forçaram o pai do jovem a procurar uma delegacia, ainda na cidade de Contagem para registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Segundo a mãe, Suely, o pai entregou uma foto de seu filho, deu todas as informações possíveis sobre o biótipo do garoto e, ainda, relatou os fatos contados pela companheira Juliana. Com base no relato do pai, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o desaparecimento de Davidson.

Com o passar do tempo, o drama da família é cada vez maior. Não há uma pista, sequer, sobre Davidson. A esperança se fortalece a cada toque do telefone ou da campainha da casa, mas é instantaneamente retraída. A mãe, o pai, os irmãos e os amigos de Davidson jamais receberam qualquer informação que, ao menos, levasse a entender ou esclarecer seu desaparecimento.

Restaurante Paulista, no centro de Contagem. Local em que Davidson Dutra foi visto pela última vez (Google Maps)
Restaurante Paulista, no centro de Contagem. Local em que Davidson Dutra foi visto pela última vez (Google Maps/Reprodução)

Suely Dutra conta que por dias, semanas e, até meses seguidos, a família circulou pelas ruas de Contagem, Belo Horizonte e outras cidades da região metropolitana atrás de qualquer sinal que pudessem levá-los de encontro a Davidson. Porém, todo o esforço foi em vão. Nada foi encontrado. ?Meus filhos e meu ex-marido foram várias vezes até o Instituto Médico Legal, tanto em BH quanto em Betim, pra saber se algum corpo encontrado era o do meu filho. Espalhamos os cartazes com a foto dele em lojas e postes e nada adiantou?, diz a mãe. ?Fiz também vários posts no Facebook, o que também não funcionou. Ninguém sabe onde ele pode estar?, completa.

O tempo passava rápido e, com isso, as chances de chegar a alguma pista sobre o paradeiro de Davidson Dutra diminuíam a cada dia. Desesperadamente, outras ações foram tomadas. Suely conta que insistiu durante meses, com o Departamento de Investigações da Polícia Civil, para que a foto do filho fosse divulgada na seção de desaparecidos que consta na fatura de água e esgoto da Copasa. A insistência da mãe só deu resultado quase um ano após o desaparecimento de Davidson.

Apesar de manter viva a esperança de encontrar o filho desaparecido, Suely Dutra diz saber que as ações da Polícia Civil são ineficazes diante do caso. Ela acompanha de perto o andamento do inquérito sobre Davidson e conta que, não foram realizadas buscas, mas algumas pessoas próximas ao filho, como a companheira dele, Juliana, foram ouvidas pelo delegado responsável:

- "Sei que colheram o depoimento dela, mas não me informaram o que foi dito. A polícia disse que o sigilo faz parte das investigações".

O desespero fez com que Suely pensasse, inclusive, em contratar um detetive particular para ajudar nas buscas, mas, segundo ela, a situação financeira dela e da família torna essa opção impossível.

Desde que Davidson desapareceu, em abril de 2013, a mãe não consegue ter uma noite de sono tranquila. A insônia causada pela preocupação com o filho não a deixa dormir. Ela se apega à fé para suportar o drama.

- "Todos os dias converso com Deus e peço que ele me ajude a encontrar o Davidson e que o proteja onde ele estiver".

Mesmo após mais de 6 anos sem qualquer notícia sobre Davidson Dutra, Suely diz que sente que seu filho não está morto e, é exatamente este sentimento que não permite que ela desista das buscas: "A esperança de encontrá-lo é o que me mantém viva".

 

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