Clamor social

Caso Sophia Najjar

Atualizado

Ricardo Krause deixou a Penitenciária de Tremembé após Justiça anular a decisão do júri  17/09/2020. Sophia morreu por asfixia em 2015.

 
A defesa conseguiu reverter a decisão argumentando divergência no voto dos jurados. O réu terá um novo julgamento e, por enquanto, aguardará em liberdade. Ricardo foi condenado no dia 1 de fevereiro de 2018 em uma pena fixada em 24 anos, 10 meses e 20 dias acusado de matar a filha Sophia Kissajikian Cancio Najjar, de 4 anos, asfixiada em dezembro de 2015.

O caso
 
Sophia morreu sufocada por esganadura, teve o tímpano esquerdo rompido, sofreu um edema cerebral e ficou com 21 hematomas espalhados pelo corpo. Ela foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça no dia 2 de dezembro de 2017, no apartamento do pai, na zona sul de São Paulo.
 
No início, havia suspeita de a criança ter sufocado acidentalmente. Laudos do IML (Instituto Médico-Legal), porém, apontam que ela foi vítima de agressão, mas descartaram abusos sexuais.
 
A condenação do auxiliar administrativo e pai da menina, Ricardo Krause Esteves Najjar, aconteceu na madrugada do dia 1º de fevereiro de 2018, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, após duas sessões.
 
Cinco testemunhas de acusação e três de defesa foram ouvidas. Em entrevista a canais de televisão após a sessão, o advogado da mãe de Sophia, Alberto Zacharias Toron, afirmou que considerou a condenação justa. "Foi um crime brutal, covarde, cruel, marcado por muitos predicados negativos que a juíza realçou bem", disse. Já o defensor de Najjar, Antônio Ruiz Filho afirmou que o caso foi um "acidente doméstico", dizendo também que iria recorrer da sentença.
 
Em depoimento, Ricardo afirmou que encontrou a menina caída depois de sair do banho. Ele teria posto a criança sobre a cama e só então tentado tirar o saco que a sufocava. Ao perceber que havia sangramento no rosto de Sophia, ele teria ligado para pedir socorro.
 
Os policiais, no entanto, contestam a versão do suspeito. Os dados do telefone de Najjar mostram que ele teria ligado primeiro para o pai, depois para a namorada e só depois para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
 
Segundo Elisabeth Sato, diretora do DHPP, o auxiliar administrativo não chorou nem esboçou nenhum tipo de reação durante os depoimentos. "Estamos convictos da autoria", disse.

Com Informações do Notícias R7

 

Pai matou filha Sophia Kissajikian Cancio Najjar, de quatro anos em São Paulo, diz polícia

Elizabeth Misciasci

 

Ricardo Najiar foi indiciado por homicídio doloso.

O pai da menina Sophia, que foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça, foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar) pelo crime contra a filha. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (16) pelo Secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes.

Ricardo Najjar, de 23 anos, já está preso temporariamente. Após o indiciamento, a polícia pediu à Justiça a prisão preventiva do suspeito pelo crime. A menina foi encontrada morta em 2 de dezembro no apartamento onde o pai morava, no Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo.

Em depoimento, o pai negou o crime. Ele disse que retirou a sacola plástica da cabeça da criança e fez massagem cardíaca. O inquérito já foi relatado ao Ministério Público para que a denúncia seja oferecida.
 

- "O DHPP chegou a conclusão que o responsável foi o pai. Nós estamos aguardando ainda para esta tarde a conversão da prisão temporária em prisão preventiva. Houve o indiciamento do pai", afirmou o secretário durante entrega da reforma e ampliação do aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.Em depoimento, o pai negou o crime. Ele disse que retirou a sacola plástica da cabeça da criança e fez massagem cardíaca. O inquérito já foi relatado ao Ministério Público para que a denúncia seja oferecida.

Moraes lamentou o ocorrido.

- "Infelizmente é uma tragédia só o fato que ocorreu e tem um tom ainda mais dramático por ficar, nesse momento, confirmado pela Polícia Civil que o autor desse crime bárbaro foi o próprio pai", declarou.

De acordo com o secretário, o indiciamento foi baseado nos laudos e investigações, mas ele não quis dar detalhes.

 

Áudio

Um áudio obtido com exclusividade pelo Fantástico mostrou o telefonema feito por Ricardo ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no dia da morte da filha dele, Sophia, de 4 anos.

 

Segundo a polícia, Ricardo fez três telefonemas entre 19h54 e 20h. O primeiro para o pai dele, o segundo para a namorada e o terceiro para o Samu. Veja como foi a conversa com o socorrista:

 

- Samu, emergência.

- Bom dia, boa noite.

- Boa noite.

- Eu acho que a minha filha morreu.

- Qual o nome do paciente?

- Sophia.

- Certo. Qual é o seu nome?

- Ricardo.

- Seu Ricardo, me diga exatamente o que aconteceu.

- Eu fui tomar um banho, ela ficou no quarto. A hora que eu voltei, ela estava no chão, com um saco na cabeça.

No depoimento à polícia, o pai disse que retirou a sacola e fez massagem cardíaca na filha, conforme orientações do atendente do Samu. Contou que, depois, a namorada chegou e ela continuou o socorro. E que ele foi para a rua, aguardar a chegada da ambulância. Os atendentes do Samu constataram que a menina estava morta.

O pai contou à polícia o que aconteceu naquela noite, antes do momento que ele achou a filha com o saco na cabeça. Ricardo disse que, no apartamento, - Sophia brincou com os gatos, assistiu a desenhos e até retirou a calça, por estar quente -. Afirmou que estavam sozinhos quando - decidiu tomar banho de porta aberta, como sempre costumava fazer -, e que "entrou no chuveiro por volta das 19h30".

Ricardo alegou que "saiu do banho depois de 10 minutos" e que encontrou Sophia caída, com um saco plástico verde no rosto", que puxou o saco até expor a boca e o nariz. Só que, ao ver sangue e vômito, encobriu novamente o rosto da filha."

A polícia investiga se houve um crime. Os investigadores não encontraram sinais de arrombamento nem nas janelas nem nas portas do prédio. A polícia diz ainda que havia marcas de violência no corpo da menina e indícios de que Ricardo não teria tentado reanimar a própria filha. A polícia pediu exames para saber se Sophia foi vítima de violência sexual.

O advogado Marcelo Rocha Leal Gomes de Sá, que representa o pai, disse que ele nega ter matado a menina. - "Ele está sozinho numa cela, muito abalado, nega todas as acusações, chora de vez em quando. Não há nenhum histórico de distúrbio. Nunca precisou tomar nenhum tipo de medicamento. Nunca teve problema com drogas", afirmou.

Pais separados

Ricardo e a mãe de Sophia, que também tem 23 anos, se separaram quando a menina era um bebê de 4 meses. Eles ainda eram adolescentes quando se conheceram.

O suspeito do crime é filho único, terminou o 2º grau, mas não fazia faculdade. Segundo o advogado, ele era auxiliar administrativo na empresa do pai, que também é professor universitário. O Fantástico procurou a mãe da menina, mas ela está muito abalada e preferiu não gravar entrevista.

Na sexta-feira dia 11/12/2015, a Justiça negou um pedido de relaxamento da prisão de Ricardo Najjar. Ele foi detido dois dias após o crime, durante o velório da menina. A polícia aguarda agora os laudos da perícia, que vão indicar a causa da morte de Sophia.

Outra hipótese ainda investigada é a de que a criança teria colocado o saco plástico na cabeça e se sufocado sozinha. O material foi apreendido para análise. Fotos e vídeos de Sophia também estão com a investigação.